Nossa terra. Nosso lar. Nosso futuro.

Nossa terra. Nosso lar. Nosso futuro.

Em Burkina Fasso planta-se 20 mil árvores para criar cobertura vegetal. Foto: UNCCD

Nota de Monique Barbut, secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, pelo Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, em 17 de junho.

Bonn, Alemanha, 14/6/2017 – Todos temos sonhos. Para a maioria de nós, normalmente esses sonhos são bastante simples. São comuns entre os indivíduos e as comunidades ao redor do mundo. As pessoas desejam somente um lugar onde se estabelecer e planejar um futuro em que suas famílias não apenas sobrevivam mas também prosperem. Para muitas, em muitos lugares, esses sonhos simples estão se desvanecendo no ar.

Esse é o caso particular das áreas rurais onde a população está sofrendo os efeitos da degradação dos solos. Até 2050, o crescimento da população dobrará as demandas de alimentos e água, enquanto se prevê que o rendimento das colheitas cairá prematuramente devido aos efeitos da seca nos solos degradados.

Mais de 1,3 bilhão de pessoas, a maioria em áreas rurais de países em desenvolvimento, se encontra nessa situação. Não importa o quão duro trabalhem, suas terras não oferecem sustento ou oportunidades econômicas. Elas estão perdendo a oportunidade de se beneficiar do aumento da demanda global e do crescimento econômico sustentado. De fato, as perdas econômicas e as iniquidades do crescimento que as afetam significam que estão sendo deixadas para trás.

Elas buscam uma saída e a migração é um caminho muito procurado. As pessoas sempre migraram por algum tempo, para sobreviver quando os tempos estão duros. O ambicioso usualmente escolhe mover-se por um trabalho melhor e um futuro mais luminoso.

Nossa terra. Nosso lar. Nosso futuro.

Monique Barbut. Foto: UNCCD

Um de cada cinco jovens entre 15 e 24 anos, por exemplo, deseja migrar para outro país. Os jovens dos países mais pobres desejam acima de tudo migrar em busca de uma oportunidade para sair da pobreza. Está claro, então, que se está perdendo com a migração a esperança e a escolha.

Em algum momento, a migração foi temporária ou por ambição. Hoje, geralmente é permanente e desesperada. Nas próximas décadas, cerca de 135 milhões de pessoas estarão em risco de serem deslocadas permanentemente devido à desertificação e à degradação dos solos. Se migram, os jovens e desempregados estarão em maior risco de serem vítimas dos grupos extremistas que exploram e recrutam os desiludidos e vulneráveis.

Assim, a Convenção chama, este ano, para focarmos em fazer viáveis os solos e as condições de vida para os jovens das comunidades rurais. A população mundial está perto dos nove bilhões de pessoas e, somente na África, nos próximos 15 anos, 200 milhões dos 300 milhões que ingressarem no mercado de trabalho viverão em zonas rurais.

Devemos dar aos jovens e às populações rurais melhores oportunidades e opções. Precisamos de políticas que permitam que os jovens possuam terras e reabilitem solos degradados. Esses solos constituem quase 500 milhões de hectares que, em algum momento, foram terras agrícolas férteis mas foram abandonadas. Tornemos possível que os jovens tenham oportunidade de trazer esse capital natural de volta à vida e à produção.

Se assegurarmos que tenham acesso a novas tecnologias e aos conhecimentos que necessitam, os jovens poderão ser resilientes a condições extremas do clima, como a seca. Com os meios corretos à disposição, poderão alimentar um planeta faminto e desenvolver novos setores verdes na economia. Também poderão desenvolver mercados para os produtos rurais e revitalizar as comunidades.

Com investimentos adequados em exploração do solo, infraestrutura rural e desenvolvimento de habilidades, o futuro pode ser promissor. Devemos enviar uma clara mensagem de que, se isso for bem manejado, os solos poderão prover não somente o suficiente para se sobreviver, mas também será um lugar onde os indivíduos e as comunidades construirão um futuro.

Monique Barbut

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