IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Thu, 27 Aug 2015 13:49:43 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.4 América Latina longe da meta de internet http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/america-latina-longe-da-meta-de-internet/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/america-latina-longe-da-meta-de-internet/#comments Thu, 27 Aug 2015 13:49:43 +0000 Emilio Godoy http://www.envolverde.com.br/?p=199434 Por Emilio Godoy, da IPS –  Cidade do México, México, 27/8/2015 – Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) incluirão entre suas metas o fortalecimento da internet, e a América Latina começará seu cumprimento com atraso em aspectos importantes para ampliar seu uso educacional ou médico e aumentar sua segurança e a banda larga. Esse atraso se […]

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Mapa da velocidade da banda larga na América Latina no final de 2014, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Foto: Cepal

Mapa da velocidade da banda larga na América Latina no final de 2014, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Foto: Cepal

Por Emilio Godoy, da IPS – 

Cidade do México, México, 27/8/2015 – Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) incluirão entre suas metas o fortalecimento da internet, e a América Latina começará seu cumprimento com atraso em aspectos importantes para ampliar seu uso educacional ou médico e aumentar sua segurança e a banda larga. Esse atraso se observa especialmente na construção de pontos de intercâmbio de tráfego da internet (IXP) e a migração do protocolo de internet da versão 4 para a 6 (IPv6).

No primeiro caso, esses pontos neutros de interconexão permitem a gestão veloz de maior qualidade de dados, porque circulam no território nacional sem necessidade de acessos para o exterior. Dessa forma baixam os custos e aumenta a qualidade do serviço. No segundo, a versão IPv6 fornece espaço de endereços praticamente infinito, melhor suporte para segurança, computação móvel, melhor qualidade de serviço e melhor desenho para o transporte de tráfego multimídia em tempo real. Isso representa um enorme potencial para sua aplicação social em temas como saúde e educação.

Para Lacier Dias, professor da consultoria brasileira VLSM, o avanço no Brasil não é suficiente. “Falta investimento e mais infraestrutura. É um desafio levar a internet para todo o país, pelo tamanho do território e pela distância. Outro desafio é oferecer banda larga a todos os usuários”, pontuou o especialista à IPS.

Na região, o Brasil lidera a operação IXP, com 31 pontos, segundo o estudo de 2014, intitulado Expansão de Infraestrutura Regional para a Interconexão de Tráfego da Internet na América Latina, elaborado pela Corporação Andina de Fomento (CAF), que funciona como banco de desenvolvimento regional.

A posição do Brasil segue uma política pública a favor dessa infraestrutura, combinada com uma agência multissetorial eficaz, o Comitê Gestor da Internet (CGI), que administra a rede no país, com participação do governo, das empresas, de acadêmicos e da sociedade civil. Em 2004, o CGI lançou a iniciativa Ponto de Intercâmbio de Tráfego para instalar mais IXPs entre universidades e provedores de serviços de telecomunicações e internet.

Os 31 IXPs cobrem pelo menos 16 dos 26 Estados brasileiros, com pico de tráfego agregado de 250 gigabytes. Foram identificados 16 pontos potenciais de IXP, enquanto pelo menos 47 estão em avaliação.

Evolução dos usuários de internet na América Latina, país por país, entre 2006 e 2013. Foto: Cepal

Evolução dos usuários de internet na América Latina, país por país, entre 2006 e 2013. Foto: Cepal

Na Argentina, o primeiro IXP foi instalado em 1998, e agora são 11 operando em cinco províncias. Com isso se entrelaçam mais de 80 operadores de redes mediante um nó em Buenos Aires. O tráfego total supera os oito gigabytes por segundo. Este concentrador, também conhecido pelo vocábulo inglês hub, é administrado pela Câmara Argentina de Bases de Dados e Serviços Online, que aglutina provedores de internet, telefonia e conteúdos online.

O México abriu seu único IXP em 2014, administrado pelo Consórcio para o Intercâmbio de Tráfego por Internet, integrado pela Corporação Universitária para o Desenvolvimento de Internet e provedores de serviços cibernéticos. Os usuários desses pontos são provedores de internet, sistemas educacionais, governos e outros.

Em uma cúpula que reunirá chefes de Estado e de governo na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, entre os dias 25 e 27 de setembro, serão adotados os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com 169 metas específicas a serem alcançadas até 2030.

O nono ODS se refere a “desenvolver infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável, e fomentar a inovação”, e dentro dele a meta 9-C fala em “incrementar significativamente o acesso à tecnologia da informação e das comunicações e se esforçar para proporcionar acesso universal à internet nos países menos adiantados até 2020”.

Na América Latina, ao contrário da Europa, ainda não operam IXPs regionais para agregar tráfego entre países.

O informe Estado da Banda Larga 2015, lançado em julho pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), indica que quase metade da população latino-americana usa internet. Chile, Argentina e Uruguai, nessa ordem, são os países com mais usuários conectados, enquanto Guatemala, Honduras e Nicarágua têm menor número, em uma região dominada pela brecha no acesso entre as zonas rurais e urbanas.

Quanto à banda larga, o acesso à internet de alta velocidade segundo padrões da Comissão Federal das Comunicações, dos Estados Unidos, o estudo da Cepal indica que Uruguai, Argentina, Chile e México apresentam as maiores conexões superiores a dez megabytes por segundo, seguidos de Peru, Costa Rica, Venezuela e Bolívia. Porém, o maior consumo de banda larga por dispositivos móveis se dá em Costa Rica, Brasil, Uruguai e Venezuela, e o menor ocorre em Paraguai, Guatemala, Peru e Nicarágua.

Velocidade da banda larga nas conexões fixas e móveis em vários países da América Latina, junto com outros de referência do Norte industrial. Foto: Cepal

Velocidade da banda larga nas conexões fixas e móveis em vários países da América Latina, junto com outros de referência do Norte industrial. Foto: Cepal

“A região deve se interconectar mais, e para isso é preciso fomentar o tráfego de IXPs regionais. Em intercâmbio de tráfego há muito por ser feito. Não há nós. É preciso construir infraestrutura, com anéis regionais”, disse à IPS o secretário nacional de Tecnologias da Informação e Comunicação do Paraguai, David Ocampos. Esse país constrói seu primeiro ponto IXP.

De todo o conteúdo consultado na América Latina, apenas 30% são produzidos em alguns de seus países, o que é atribuído à disponibilidade de banda larga e a infraestruturas como pontos IXP e IPv6, segundo o estudo O Ecossistema e a Economia Digital na América Latina, elaborado pelo Centro de Estudos de Telecomunicações da América Latina”.

Dos cem sites mais populares na região, apenas 26 são criados em algum de seus países, embora o consumo de cibertráfego por usuário tenha subido 62% nos últimos anos, acima do crescimento médio mundial. Nos países latino-americanos foram investidos US$ 150 bilhões em telecomunicações nos últimos sete anos, mas para os próximos sete são necessários mais US$ 400 bilhões para fechar a brecha digital.

O CAF propõe a construção de três IXPs inter-regionais, situados em Brasil, Panamá e Peru, bem como três tipos de conexão nacionais no resto da região, para se integrarem às primeiras.

Com relação ao IPv6, lançado mundialmente em 2012, a América Latina e o Caribe transitam lentamente para esse padrão. A região esgotou oficialmente, em junho de 2014, o espaço de endereços IPv4 que lhe foi designado. No ano passado, o Brasil possuía quase 54% desse espaço regional, o México 10%, Argentina 10%, Chile quase 6% e Colômbia quase 4%, segundo estatísticas do Registro de Endereços de Internet para a América Latina e o Caribe.

No protocolo IPv6, o Brasil comanda a lista, com 70%, Argentina 9%, Colômbia 3%, Chile 2,5% e México 2,3%. “Com o IPv6 pode-se abarcar todos os usuários de internet, redes de terceira geração, móveis. A partir deste ano, o Brasil só compra equipamentos tecnológicos que suportem IPv6”, afirmou Dias.

Por sua vez, Ocampos ressaltou que “todos apostam no IPv6, é a migração natural da internet. Com mais IXPs, vem a passagem para o IPv6. A banda larga impulsiona o IPv6 e permite o aumento do número de usuários”.

A Cepal indica que, em 2013, a penetração de banda larga fixa ficou em 9% na região e em 30% na móvel. Dos 18 países analisados, em 16 há maior penetração de banda larga móvel do que fixa. A União de Nações Sul-Americanas, que reúne 12 países, constrói um anel de mais de dez mil quilômetros de fibra ótica para unir os integrantes do bloco. Envolverde/IPS

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ODS fundamentais na América Central http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/ods-fundamentais-na-america-central/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/ods-fundamentais-na-america-central/#comments Wed, 26 Aug 2015 13:09:54 +0000 Diego Arguedas Ortiz http://www.envolverde.com.br/?p=199370 Por Diego Arguedas Ortiz, da IPS –  Manágua, Nicarágua, 26/8/2015 – A caixa de ferramentas da América Central para tirar da pobreza 23 milhões de pessoas, quase metade de sua população, deve conter sem falta três instrumentos: acesso universal à água, disponibilidade de energia elétrica sustentável e adaptação à mudança climática. “Essas são as pré-condições básicas, […]

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amponês hondurenho caminha por sua pequena propriedade. A agricultura familiar dá sustento a dois terços das famílias rurais na América Latina. Foto: Neil Palmer/CIAT

amponês hondurenho caminha por sua pequena propriedade. A agricultura familiar dá sustento a dois terços das famílias rurais na América Latina. Foto: Neil Palmer/CIAT

Por Diego Arguedas Ortiz, da IPS – 

Manágua, Nicarágua, 26/8/2015 – A caixa de ferramentas da América Central para tirar da pobreza 23 milhões de pessoas, quase metade de sua população, deve conter sem falta três instrumentos: acesso universal à água, disponibilidade de energia elétrica sustentável e adaptação à mudança climática. “Essas são as pré-condições básicas, mínimas e necessárias para que seja garantida a sobrevivência”, disse à IPS o nicaraguense Víctor Campos, subdiretor do não governamental Centro Humboldt, especializado em gestão ambiental no istmo centro-americano.

As três ferramentas são especialmente importantes para a agricultura, o motor econômico da região, e particularmente nas zonas rurais e nos territórios indígenas, as áreas com maior incidência de pobreza. Campos destacou que essa é a base mínima a partir da qual trabalhar a agenda “de outros temas que devemos prestar atenção, como  educação, saúde ou grupos com vulnerabilidades, mas antes é preciso ter essas condições que nos garantam a sobrevivência mínima”.

Na América Central, 48% da população está abaixo da linha de pobreza e enfrenta, com o conceito de sobrevivência muito presente, a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, que a comunidade internacional lançará em setembro, porque diariamente milhões de seus habitantes lutam para ter água e alimento.

A vulnerabilidade da região e de sua população foi um tema em que coincidiram os participantes do encontro centro-americano Unidos na Ação Para o Bem Comum, realizado no dia 21 deste mês na capital nicaraguense para analisar a Agenda Pós-2015 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esses 17 ODS constituem o pilar da agenda e serão adotados em uma cúpula de chefes de Estado e de governo, que acontecerá entre os dias 25 e 27 de setembro na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para que seja cumprida até 2030.

Os temas de energia sustentável, disponibilidade e gestão da água, e resposta à mudança climática têm cada um seu ODS, mas os especialistas que participaram do encontro de Manágua indicaram que nos países do istmo os três estão entrelaçados com o da redução da pobreza em todas as suas dimensões. “Temos em nossos países uma luta contra a pobreza que nos deixa complexados”, disse Campos.

Com população de 48 milhões de habitantes e produto interno bruto por pessoa bem abaixo da média mundial (US$ 3.035 contra US$ 7.850), a região precisa descobrir caminhos para fugir da espiral de pobreza que atinge quase um em cada dois habitantes.

Segundo o informe A Economia da Mudança Climática na América Central, divulgado em 2012 pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), “a redução e instabilidade da disponibilidade de água e dos rendimentos agrícolas podem afetar os mercados trabalhistas, o fornecimento e o preço dos bens básicos e o fluxo migratório para as zonas urbanas”.

Isso teria impacto nos cultivos de subsistência, como milho ou feijão, ou nos produtos tradicionais de exportação, como o café, fundamentais na região composta de sul a norte por Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Belize e Guatemala. As agências da ONU também acrescentam a insular República Dominicana. Uma área estratégica é o chamado Corredor Seco, uma faixa de clima árido que vai da Guatemala até a Costa Rica e que os especialistas afirmam ter expandido seu impacto.

“Estamos modificando o uso do solo, associado ao fenômeno climático, e consequentemente o Corredor Seco já não é simplesmente o Corredor, mas sim que estamos convertendo o país inteiro em uma espécie de corredor seco”, pontuou à IPS o secretário executivo da nicaraguense Mesa Nacional para a Gestão do Risco, Denis Meléndez.

No estudo Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional da América Central, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indica que isso pode complicar o objetivo de eliminação da fome na região. Nos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidos em 200o em outra cúpula mundial e que agora serão substituídos pelos ODS, o primeiro era “erradicar a pobreza extrema e a fome”, com a meta de reduzir pela metade os dois fenômenos com relação aos níveis de 1990.

A FAO determinou que os países centro-americanos se aproximaram da meta, ao diminuir o número de pessoas que passam fome de 24,5% para 13,2% da população total, mas a porcentagem mais do que duplica a média da América Latina, que é de 6,1%. Porém, o impacto da mudança climática sobre os mais vulneráveis vai além da agricultura, do acesso à água ou contar com energia sustentável.

Segundo a Cepal, dois em cada três habitantes da região moram em assentamentos que combinam pobreza com condições insalubres, onde a mudança climática aumentará a maior prevalência esperada de algumas doenças associadas à pobreza, como malária e dengue.

“Sendo a mudança climática o maior desafio que a humanidade tem pela frente, no momento e nas décadas futuras, então temos que pensar na adaptação não necessariamente como um eixo transversal, mas como algo que cai por seu próprio peso”, afirmou à IPS o coordenador da Mesa de Mudança Climática de El Salvador, Francisco Soto.

Esse impacto já é reconhecido pelos governos regionais, e o Sistema de Integração Centro-Americana (Sica) o adicionou em 2010 à sua Estratégia Regional de Mudança Climática, um fenômeno que “fará com que os desafios sociais, como redução da pobreza e governabilidade, sejam mais difíceis de alcançar”.

Por essa razão, especialistas, como a boliviana Andrea Rodríguez, destacaram durante o encontro que cada projeto que os governos dedicarem à redução da pobreza também deve incluir considerações sobre os impactos da mudança climática. “Se não forem considerados, não poderemos ter uma solução efetiva, porque a mudança climática e o desenvolvimento são como gêmeos, seguem lado a lado e devem ser tratados ao mesmo tempo, para que a cooperação seja efetiva”, destacou Rodríguez à IPS.

Essa especialista, assessora legal do Programa de Mudança Climática da Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente, insistiu na necessidade de planejar de maneira conjunta e em longo prazo o investimento em infraestrutura energética e no desenvolvimento sustentável. “A única forma de combater a mudança climática e contribuir para o desenvolvimento econômico é deixar de lado os combustíveis fósseis e buscar alternativas mais limpas”, enfatizou.

A sociedade civil do istmo agrupada na Aliança Centro-Americana para a Sustentabilidade Energética (Accese) propõe as instalações renováveis em pequena escala como solução para suprir a crescente demanda por energia e ao mesmo tempo empoderar as comunidades mais vulneráveis. Segundo a Accese, 15% das pessoas na região não estão incluídas na cobertura elétrica e até 50% cozinham com lenha. Essa parcela da população está localizada majoritariamente em ilhas, zonas montanhosas e áreas rurais de difícil acesso.

Pobreza se desdobra nos ODS

Nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, o de erradicar a pobreza extrema e a fome, foi dividido em dois. O primeiro dos 17 ODS é “colocar fim à pobreza em todas suas formas em todo o mundo” e o segundo, “colocar fim à fome, conseguir a segurança alimentar e a melhoria da nutrição, e promover a agricultura sustentável”.

Além disso, o sexto afirma: “garantir a disponibilidade de água e sua ordenação sustentável, e o saneamento para todos”, o sétimo, “garantir energia acessível, segura, sustentável e moderna para todos”, e o 13º, “adotar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus efeitos”. Envolverde/IPS

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Portas abertas à geotermia na América do Sul http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/portas-abertas-a-geotermia-na-america-do-sul/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/portas-abertas-a-geotermia-na-america-do-sul/#comments Wed, 26 Aug 2015 13:00:30 +0000 Marianela Jarroud http://www.envolverde.com.br/?p=199380 Por Marianela Jarroud, da IPS –  Ollagüe, Chile, 26/8/2015 – O Chile, um território cheio de vulcões e gêiseres, iniciou a construção da primeira usina geotérmica da América do Sul, um projeto que busca ser a porta de entrada desse tipo de geração de energia no país, cuja matriz energética é composta majoritariamente por combustíveis fósseis. […]

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 Parte do campo de gêiseres de El Tatio, na região de Antofagasta, norte do Chile. A energia geotérmica nasce do calor interno da Terra e a força gerada pelo vapor é usada para mover uma turbina capaz de movimentar um gerador elétrico. Foto: Marianela Jarroud/IPS


Parte do campo de gêiseres de El Tatio, na região de Antofagasta, norte do Chile. A energia geotérmica nasce do calor interno da Terra e a força gerada pelo vapor é usada para mover uma turbina capaz de movimentar um gerador elétrico. Foto: Marianela Jarroud/IPS

Por Marianela Jarroud, da IPS – 

Ollagüe, Chile, 26/8/2015 – O Chile, um território cheio de vulcões e gêiseres, iniciou a construção da primeira usina geotérmica da América do Sul, um projeto que busca ser a porta de entrada desse tipo de geração de energia no país, cuja matriz energética é composta majoritariamente por combustíveis fósseis.

O projeto da Central Geotérmica Cerro Pabellón tem “uma importância gigantesca” para o Estado chileno, que há mais de 40 anos “iniciou a exploração e perfuração para fins de geotermia”, sem que até agora se concretizasse um projeto, explicou à IPS o gerente geral da estatal Empresa Nacional do Petróleo (Enap), Marcelo Tokman.

Localizada no município rural de Ollagüe, 1.377 quilômetros ao norte de Santiago, em pleno altiplano andino, na região de Antofagasta, Cerro Pabellón “não será apenas a primeira usina geotérmica do Chile e da América do Sul, mas também a primeira do mundo a ser construída a 4.500 metros de altitude”, acrescentou Tokman.

A usina, propriedade da empresa italiana Enel Green Power (51%) e da Enap (49%), é composta de duas unidades com capacidade instalada bruta durante a primeira fase de 24 megawatts (MW) cada uma, mas com a vantagem de poder gerar de forma contínua. Essa capacidade se iguala em termos de geração anual a uma central fotovoltaica ou eólica de 200 MW.

A previsão é que a primeira etapa entre em operação no primeiro trimestre de 2017 e um ano depois sejam incorporados outros 24 MW. Mas estima-se que a usina possa gerar cerca de 100 MW no médio prazo, em uma instalação que ocupará 136 hectares. Tokman afirmou que, uma vez em operação, Cerro Pabellón será capaz de produzir cerca de 340 gigawatts (GW)/hora por ano, que irão para o sistema interligado nacional e que são equivalentes às necessidades de consumo de aproximadamente 154 mil famílias chilenas, em um país de 17,6 milhões de pessoas.

Além disso, evita-se a emissão anual de mais de 155 mil toneladas de dióxido de carbono, ao reduzir o consumo de combustíveis fósseis, destacou o gerente da Enap. Na fase de exploração foram investidos US$ 60 milhões e estima-se que serão investidos mais US$ 320 milhões, destinados em parte à construção de uma linha de transmissão elétrica de 73 quilômetros.

O deserto de Atacama, o mais árido do mundo, acolhe parte importante do potencial geotérmico do Chile e é o local da primeira usina sul-americana para aproveitar essa energia. Foto: Marianela Jarroud/IPS

O deserto de Atacama, o mais árido do mundo, acolhe parte importante do potencial geotérmico do Chile e é o local da primeira usina sul-americana para aproveitar essa energia. Foto: Marianela Jarroud/IPS

A energia geotérmica é produzida pelo calor interno da Terra, que se concentra no subsolo em lugares conhecidos como depósitos geotermais, que produzem energia limpa de forma indefinida. Essa energia calórica é transmitida para a superfície e a força gerada pelo vapor é aproveitada para impulsionar um turbina capaz de movimentar um gerador elétrico.

As Filipinas possuem três das dez maiores centrais geotérmicas do mundo, seguida por Estados Unidos e Indonésia com duas cada, Itália, México e Islândia com uma cada. O Chile, segundo estudos, é um dos países com maior potencial geotérmico na América Latina. Seu território longo e estreito se estende por 4.270 quilômetros sobre as faldas da Cordilheira dos Antes, a maior cadeia vulcânica da Terra. O país também faz parte do Cinturão de Fogo do Pacífico.

Para os ambientalistas, a geotermia é uma forma de geração de relativo baixo impacto, desde que sejam respeitados parâmetros de escala e localização. “A geotermia é uma energia renovável não convencional, na medida em que tem pertinência territorial e cultural. A energia por si só não garante sua sustentabilidade social e ambiental”, apontou à IPS o engenheiro de geodésia Lucio Cuenca, diretor do Observatório Latino-Americano de Conflitos Ambientais, com sede em Santiago. Respeitando esses parâmetros, a geotermia “é uma ótima alternativa energética” para o país, acrescentou.

No caso de Cerro Pabellón, as comunidades próximas pertencem à reserva natural de Alto El Loa, formada pelas aldeias e comunidades de Caspana, Ayquina, Turi, Chiu Chiu, Cupo, Valle de Lasana, Taira e Ollagüe, que, em conjunto, pouco superam os mil habitantes, na maioria indígenas de atacamenhos e quéchuas.

O Conselho de Povos Originários de Alto El Loa conseguiu que a Enap e a Enel assinassem um grupo de convênios com essa representação indígena para a implantação de projetos de desenvolvimento social para essas comunidades, em compensação pelo impacto do projeto, especialmente da linha de transmissão. Para os moradores de Alto El Loa, espalhados em lugares distantes em meio ao deserto de Atacama, se o projeto for sustentável e beneficiar sua comunidade, é positivo.

Entretanto, alertam para sua preocupação a respeito de suas tradições. “Gostaria que houvesse maior ajuda e, se isso serve, bem-vindo seja. Às vezes nos sentimos um pouco abandonados e isolados”, contou à IPS a atacamenha Luisa Terán, da comunidade de Caspana. “Mas deve ser com respeito às nossas tradições e isso é o que mais exigem nossos avós”, acrescentou.

Outros, porém, rejeitam o projeto por considerá-lo “antinatural” e “violento” para o habitat da região. “Se alguém causa dano à Terra, de alguma forma esta vai cobrar. Não se pode perfurar quilômetros para baixo e nada acontecer”, pontuou à IPS o guia turístico Víctor Arque, de San Pedro de Atacama, povoado do altiplano a cerca de 290 quilômetros de Ollagüe.

Amanhecer entre os vapores dos gêiseres de El Tatio, norte do Chile, onde se começa a tirar proveito dessa energia limpa e infinita com a construção da Central Geotérmica Cerro Pabellón, no município rural de Ollagüe. Foto: Marianela Jarroud/IPS

Amanhecer entre os vapores dos gêiseres de El Tatio, norte do Chile, onde se começa a tirar proveito dessa energia limpa e infinita com a construção da Central Geotérmica Cerro Pabellón, no município rural de Ollagüe. Foto: Marianela Jarroud/IPS

O Chile foi um país pioneiro no estudo do potencial geotérmico. A primeira exploração foi realizada em 1907, em El Tatio, um campo de gêiseres a 200 quilômetros de Cerro Pabellón e 4.300 metros de altitude. É o terceiro do mundo, após um nos Estados Unidos e outro na Rússia. Em 1931, foram perfurados dois poços nessa área e, no final da década de 1960, o governo realizou explorações mais sistemáticas, posteriormente abandonadas.

Em 2008, a companhia Geotérmica do Norte, do consórcio energético italiano Enel, iniciou uma exploração na Quebrada do Zoquete, a poucos quilômetros de El Tatio, utilizando os equipamentos ali instalados. Em setembro do ano seguinte, uma coluna de vapor de água de 60 metros de altura se levantou de um dos poços onde a empresa extraía e reinjetava fluidos geotérmicos. Essa anomalia, provocada pela falha de uma das válvulas, durou mais de três semanas e levou o governo a revogar a permissão.

Tokman, então ministro da Energia, recordou o episódio. “Felizmente se tomou a precaução de exigir para esse projeto diferentes instrumentos de medição para garantir que o reservatório-fonte fosse mais profundo e diferente do de El Tatio”, afirmou.

Para Cuenca, o erro foi “ter reiniciado um programa de geotermia no Chile fazendo tudo o que não deveria ser feito, isto é, intervir em um lugar onde há comunidades indígenas, que têm alto apreço turístico e econômico, só com a finalidade de aproveitar a infraestrutura que já estava instalada.

Contudo, os especialistas alertam que a geotermia não é nenhuma panaceia para resolver o déficit de energia do Chile, pois, se há algo que o país aprendeu, é que é preciso ter uma matriz diversificada. Mas, se for confirmado o potencial que o Chile apresenta, Cerro Pabellón poderia abrir as portas para um desenvolvimento maior da geotermia, não apenas no país, mas também na América do Sul.

Avanços sul-americanos

O Brasil tem as duas maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo: o Aquífero Guarani e Alter do Chão, mas sem potencial geotérmico, segundo um estudo de 1984 atualmente em reavaliação. Dentro de um acordo com a Alemanha para buscar fontes alternativas de energia, está incluída a geotermia.

São seis os países latino-americanos que integram o Cinturão de Fogo do Pacífico, um cordão vulcânico com territórios virgens para a exploração da geotermia: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru.

Em 1988, a Argentina construiu Copahue I, uma central geotérmica experimental de capital japonês, que fornecia 0,67 MW e ficou inoperante. Atualmente, entre seus projetos energéticos está a construção da central geotérmica Copahue II, nas termas de Copahue, na província de Neuquén, que geraria 100 MW.

No Peru, um estudo preliminar da Agência Internacional de Cooperação do Japão e do Ministério de Minas e Energia revelou, em 2013, que o país tem um potencial geotérmico de três mil MW/hora. Mas até agora não há projetos de usinas geotérmicas.

Em fevereiro, o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou que, a partir de 2019, o país exportará eletricidade para seus vizinhos, procedente da Usina Geotérmica Laguna Colorada. O projeto, financiado pelo Japão, tem duas etapas, cada uma de 50 MW. Envolverde/IPS

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Agenda Pós-2015 definida a portas fechadas http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/agenda-pos-2015-definida-a-portas-fechadas/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/agenda-pos-2015-definida-a-portas-fechadas/#comments Tue, 25 Aug 2015 13:35:01 +0000 Bhumika Muchhala http://www.envolverde.com.br/?p=199307 Por Bhumika Muchhala* Nações Unidas, 25/8/2015 – Os Estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU) adotaram este mês a Agenda de Desenvolvimento Posterior a 2015, chamada Transformando Nosso Mundo: Agenda 2030 Para o Desenvolvimento Sustentável. Os governos aprovaram o documento de 29 páginas, resultado de quase dois anos de negociações transparentes e relativamente democráticas, mas […]

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Bhumika Muchhala, da Rede do Terceiro Mundo. Foto: Paulo Filgueiras/ONU

Bhumika Muchhala, da Rede do Terceiro Mundo. Foto: Paulo Filgueiras/ONU

Por Bhumika Muchhala*

Nações Unidas, 25/8/2015 – Os Estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU) adotaram este mês a Agenda de Desenvolvimento Posterior a 2015, chamada Transformando Nosso Mundo: Agenda 2030 Para o Desenvolvimento Sustentável. Os governos aprovaram o documento de 29 páginas, resultado de quase dois anos de negociações transparentes e relativamente democráticas, mas nos dias 19 e 20, a história foi muito diferente, houve um giro abrupto de consultas a portas fechadas e negociações de último minuto.

A Agenda 2030 é sem dúvida o cronograma de desenvolvimento mais ambicioso e vasto já colocado em marcha. Se estenderá por 15 anos (2015-2030) e será implantada em todos os níveis, desde o global e multilateral (como o Banco Mundial), passando pelo regional (como fundos e comissões regionais), até o nacional (agências de desenvolvimento e governos).

O eixo do documento são os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que incluem 169 metas vinculadas a êxitos econômicos, sociais e ambientais, que vão desde desigualdade e pobreza, passando por mudança climática, infraestrutura, energia e industrialização, até consumo, produção, saúde, educação, ecossistema, biodiversidade e oceanos.

Esses ODS serão o primeiro paradigma de desenvolvimento global caracterizado pela universalidade, isto é, todos os países tomarão medidas para o desenvolvimento sustentável, inclusive os mais ricos e poderosos. Esse aspecto diferencia os ODS dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que deveriam ser cumpridos entre 2000 e 2015 e que foram baseados em um modelo explicitamente doador-beneficiário com relação à ajuda dos países mais ricos aos mais pobres.

Para os governos dos 193 países membros da ONU, chegar a um acordo sobre esta agenda foi uma assombrosa façanha de conflitos e compromissos. Mas no primeiro fim de semana de agosto, nas horas finais das negociações, que tinham sido abertas e documentadas, caíram em um silêncio de bastidores, pois, ao que parece, os Estados Unidos deram um ultimato sem o qual se negava a adotar o documento.

Os Estados Unidos queriam substituir a palavra “garantir” por “promover” em dois objetivos referentes à garantia de que os benefícios e as patentes derivadas da biodiversidade natural sejam compartilhados de forma justa com os países e as comunidades de onde são extraídos. O acordo legal sobre biodiversidade estabelece claramente “garantir”. Ao colocar a palavra mais fraca “promover”, Washington procura diluir uma linguagem legal que se custou a ganhar, no melhor dos casos, ou dificultar a aplicação, no pior.

A emenda basicamente permite que países ricos e poderosos, cujas corporações e instituições de pesquisa extraem a vasta maioria dos recursos da biodiversidade mundial, fiquem eximidos de suas responsabilidades quanto a compartilhar de forma igualitária as recompensas e os benefícios derivados desses recursos. As nações em desenvolvimento estavam furiosas, pois a maioria da extração ocorre em seus territórios, especialmente de suas sementes, plantas, florestas e terras habitadas majoritariamente por povos indígenas do mundo.

O grupo negociador formado por 134 países havia reiterado que os objetivos globais não seriam submetidos a mais negociações de último minuto. O fato de se ter violado de forma flagrante essa firme posição com a fórmula “pegar ou deixar” inundou a conferência da ONU com uma desconfiança e tensão palpáveis. As pessoas entravam e saíam das salas irritadas e sussurrando coisas ao pé de ouvido, ao mesmo tempo em que trabalhavam dia e noite para conseguir um consenso.

Além disso, foi solapada a redação da matéria sobre dívida, ao que parece desta vez por culpa da União Europeia. Até a manhã do dia 2, o documento dizia: “Reconhecemos a necessidade de ajudar as nações em desenvolvimento (…) mediante o financiamento da dívida, o alívio da dívida, uma sólida gestão e reestruturação da dívida, conforme proceda”.

O texto reconhecia os sólidos argumentos econômicos em matéria de desenvolvimento propostos por numerosos economistas e países em desenvolvimento quanto à necessidade urgente de atender a dívida externa se se deseja conseguir qualquer dos objetivos de desenvolvimento. Mas, no final da tarde, introduziu-se: “Manter níveis sustentáveis de dívida é a responsabilidade dos países que tomam empréstimos”.

É um claro retrocesso em relação à noção de responsabilidade compartilhada entre credores e os que fazem empréstimos em documentos anteriores da ONU, como o de Monterrey, em 2002, e Doha, em 2008.

Aparte o corta-fogo Norte-Sul, os países africanos e árabes pediram que fosse apagado um parágrafo crítico que reconhece os direitos humanos como um dos principais fins do desenvolvimento sustentável e um compromisso com a não discriminação de todos. O parágrafo foi salvo na hora, mas o termo essencial “discriminação” foi eliminado e a palavra “cumprir” virou “promover”.

Os diplomatas africanos e árabes se opuseram ao reconhecimento dos direitos da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e trans) e objetaram a inclusão de “todos os grupos sociais e econômicos”. Por sua vez, os países latino-americanos, a União Europeia e os Estados Unidos se opuseram firmemente à ofensa dos direitos civis e humanos.

A virada de última hora, desde a abertura até a opacidade, reflete a crise de multilateralismo em seu principal lugar, a ONU. Depois de tudo, supõe-se que as Nações Unidas sejam a instituição mais democrática e universal que existe até agora, onde cada nação tem voto, ao contrário do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, dominados pelos países mais ricos.

As consultas bilaterais privadas dos dias 1º e 2 deste mês foram, segundo muitos observadores independentes, uma crise produzida que abriu a porta para um texto que coloca em perigo o direito e o desenvolvimento global. O problema é que os acordos de bastidores e as campanhas de pressão têm consequências preocupantes para a legitimidade e igualdade das negociações internacionais, para não mencionar a vontade política dos governos de levarem a sério os objetivos de desenvolvimento sustentável.

A nova agenda de desenvolvimento global tem um forte potencial para conseguir uma meta ambiciosa e universal no progresso, que se necessita com urgência em nossas economias, sociedades e ambiente. Ao mesmo tempo, o processo também é importante. O ocorrido no primeiro final de semana deste mês exige um momento de reflexão sobre a realidade dos interesses criados e do poder profundamente desigual entre os governos que negociam. Envolverde/IPS

* Bhumika Muchhala é analista política de Desenvolvimento e Finanças da Rede do Terceiro Mundo.

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Iniciativas para aproveitar boom turístico http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/iniciativas-para-aproveitar-boom-turistico/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/iniciativas-para-aproveitar-boom-turistico/#comments Tue, 25 Aug 2015 13:29:52 +0000 Ivet González http://www.envolverde.com.br/?p=199303 Por Ivet González, da IPS –  El Abra, Cuba, 25/8/2015 – De um lado da estrada por onde transitam milhares de turistas a caminho do Valle de Viñales fica a casa do pintor autodidata Miguel Antonio Remedios, conservada e equipada ao estilo tradicional das famílias dessas montanhas do ocidente de Cuba. “Seria de grande ajuda se […]

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Plaza del Carmen, no casco histórico da cidade de Camagüey, no centro de Cuba, que busca integrar circuitos turísticos alternativos para visitantes que buscam algo além de sol e praia. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Plaza del Carmen, no casco histórico da cidade de Camagüey, no centro de Cuba, que busca integrar circuitos turísticos alternativos para visitantes que buscam algo além de sol e praia. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Por Ivet González, da IPS – 

El Abra, Cuba, 25/8/2015 – De um lado da estrada por onde transitam milhares de turistas a caminho do Valle de Viñales fica a casa do pintor autodidata Miguel Antonio Remedios, conservada e equipada ao estilo tradicional das famílias dessas montanhas do ocidente de Cuba. “Seria de grande ajuda se as operadoras de turismo estatais incluíssem este projeto nas rotas turísticas”, disse à IPS o artista, de 47 anos, em sua casa-galeria, onde também tem seu estúdio e montou o projeto Remedios del Abra.

Essa iniciativa e outras similares procuram vencer os obstáculos para se integrarem ao boom turístico nesse país socialista, em moda após o degelo das relações com os Estados Unidos. Apenas com a flexibilização, em janeiro, pelo governo norte-americano das viagens para Cuba, agora permitidas para 12 categorias, chegaram ao território cubano, no primeiro semestre deste ano, 88.900 pessoas procedentes do país vizinho, o que representou 54% a mais em relação ao ano passado.

Nesse período, o total de turistas internacionais somou 1.136.948 pessoas, o que faz prever um auge até o final deste ano, quando acontece a maioria das chegadas.

O Valle de Viñales e El Abra, um povoado montanhoso de apenas algumas casas dentro do município de La Palma, são dois lugares paisagísticos das colinas da província de Pinar del Río, vizinha a Havana. À província chegam parte dos três milhões de visitantes estrangeiros que aterrissam em Cuba anualmente, interessados no avistamento de aves, trilhas e singulares paisagens de planícies e mogotes (montanhas de pico achatado).

A sede do projeto de Remedios tem teto de folhas de palmeira, paredes de tábuas e amplo portal com uma canga de bois pendurada na fachada. Dentro, há uma sala com uma longa e rústica mesa e alguns bancos, uma vasilha de barro para água fresca, um fogão a lenha e quartos com camas com cabeceiras de arame. Quadros do pintor – inscrito no estatal Fundo de Bens Culturais, um requisito para poder comercializar sua arte – estão pendurados nas paredes à espera de compradores.

O pintor autodidata Miguel Antonio Remedios no interior de sua casa rural, transformada em galeria, estúdio e mostra de moradia tradicional, em El Abra, um lugarejo montanhoso do município de La Palma, na província de Pinar del Río, em Cuba. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

O pintor autodidata Miguel Antonio Remedios no interior de sua casa rural, transformada em galeria, estúdio e mostra de moradia tradicional, em El Abra, um lugarejo montanhoso do município de La Palma, na província de Pinar del Río, em Cuba. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Com a venda de suas obras de estilo naif, Remedios preparou esta casa-museu, onde nasceu e foi criado, e compra os materiais necessários para dar aulas gratuitas de pintura às crianças da vizinhança. O pintor começou o projeto em 2013 e também aceita pequenas doações voluntárias dos visitantes.

“Para revitalizar as tradições camponesas e promover os pintores da localidade”, o artista gostaria de “ter maior apoio das autoridades locais” para construir uma sala de aula, outra para exposição e um rancho (construção aberta com apenas colunas e teto) para realizar festas típicas do campo nos finais de semana.

“O desenvolvimento de modalidades turísticas além do sol e da praia dependerá sobretudo dos esforços dos territórios, a partir de seus próprios recursos e capacidades para instalá-las e operá-las”, disse à IPS o professor Ricardo Jorge Machado, que foi assessor nessa matéria do Conselho de Ministros entre 1980 e 1993.

O especialista aconselha os governos locais a não esperarem por financiamentos do Ministério do Turismo e empreendam algumas iniciativas junto com o setor privado e cooperativas, com base nos fundos próprios derivados do atual processo de descentralização da economia. Em seu plano até 2030, o Ministério prioriza cem projetos de sol e praia e apenas dois ecológicos. O turismo já é o segundo item da economia cubana. Em 2014, representou mais de US$ 2,682 bilhões, ficando atrás apenas das exportações de serviços profissionais.

A estratégia oficial parece apontar para os destinos litorâneos e o turismo de luxo, com a construção de polêmicos campos de golfe e o auge dos cruzeiros, cuja atividade este ano já quase duplicou o movimento de 2014, segundo o Ministério do Transporte. Pela primeira vez as autoridades turísticas reconhecem como contrapartes imprescindíveis os crescentes negócios privados e as cooperativas, ao mesmo tempo em que tentam captar investimento estrangeiro.

Até agora os polos turísticos mais promovidos são a capital do país, o balneário de Varadero, 140 quilômetros a leste de Havana, e os cayos (ilhas rasas, arenosas, alagadiças) no norte deste país caribenho. Além de sua ilha principal, o arquipélago cubano conta com 4.195 pequenas ilhas e cayos de natureza exuberante.

Somente na capital, Machado estima que existem 90 ofertas diferentes mas apenas 12 são exploradas, como o bar El Floridita, que o escritor Ernest Hemingway (1899-1961) frequentava habitualmente, o restaurante La Bodeguita del Medio e o cabaré Tropicana. “Cuba deve variar mais seu produto turístico com elementos de sua imagem que garantam maior nível de credibilidade: seu sistema de saúde e segurança social”, apontou o analista. A seu ver, “devem ser uma prioridade os turismos especializados de saúde e de longa distância, associados à terceira idade”.

Como exemplo disse que competidores da região, como México e Colômbia, se envolvem no turismo médico, inclusive com profissionais formados em Cuba, segundo assegurou Machado, porque a clientela gasta dez vezes mais. Também se sabe que um milhão de norte-americanos viajam a cada ano para fora de seu país com essa finalidade. Alternativas como esta poderiam criar opções para várias localidades, porque ao longo do país se conta com qualificados profissionais da saúde, acrescentou.

“É evidente que cada vez chegam mais visitantes”, pontuou a professora Reina Ramos, enquanto caminhava por uma avenida central de Havana, referindo-se à avalanche de turistas que passeiam pela cidade em táxis de modelo clássico e conversíveis, agora pintados de brilhantes tons de rosa, violeta ou amarelo. Se o Congresso norte-americano eliminar logo a proibição de seus cidadãos fazerem turismo em Cuba, tal como se debate em Washington, antecipa-se que os visitantes quebrarão todos os recordes do setor, com risco de causar colapso nos atuais serviços e hotéis do país.

Enquanto isso, cidades patrimônio e comunidades afastadas das rotas tradicionais, com paisagens paradisíacas, apostam em entrar no circuito turístico, mas com dificuldades para criar hospedagem, redes de serviço e até estradas que lhes permitam se beneficiar do auge da atividade.

Com ruas de paralelepípedo, grandes praças e casas coloniais restauradas em seu casco histórico, a cidade de Camagüey traça planos próprios de turismo urbano. “As expectativas se centram em que o turista chegue aqui por meio de um circuito pelas cidades que são patrimônio cubano, semelhante ao que já é oferecido pelo Escritório do Historiador de Havana”, destacou à IPS o historiador José Rodríguez, natural dessa cidade.

Rodríguez contou que os escritórios de conservação do país elaboram um trajeto que inclui Havana Velha, Cienfuegos, Trinidad, Sancti Spíritus, Bayamo e o centro de Camagüey, declarado Patrimônio da Humanidade em 2008 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Camagüey prepara uma oferta de alto padrão, que vai desde a hospedagem em pequenos e clássicos “hotéis com encanto”, até uma cidade de noites animadas, com variadas opções culturais para o turismo e os 300 mil habitantes dessa que é a terceira cidade do país.

Desafios da singularidade

Especialistas identificam entre as limitações de Cuba como destino turístico as escassas opções de recreação noturna, uma oferta gastronômica pouco variada, lojas desabastecidas e falta de serviços personalizados.

A maior atração que identificam, por outro lado, é a singularidade de conhecer um oásis em um mundo globalizado, livre da uniformidade de lojas ou de produtos, ou de sua publicidade. Destacam que não há cartazes de marcas como Coca-Cola ou McDonald’s, ou estabelecimentos desta empresa de fast food.

O país já começou a melhorar sua infraestrutura, como novos hotéis, portos adequados para cruzeiros, terminais para os ferry boats, que em setembro começarão a chegar da Flórida, e a ampliação do Aeroporto Internacional José Martí, em Havana. Envolverde/IPS

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Prêmio para o desenvolvimento sustentável http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/premio-para-o-desenvolvimento-sustentavel/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/premio-para-o-desenvolvimento-sustentavel/#comments Tue, 25 Aug 2015 13:25:22 +0000 Nora Happel http://www.envolverde.com.br/?p=199311 Por Nora Happel, da IPS –  Nações Unidas, 25/8/2015 – Em setembro serão entregues pela quinta vez o Prêmio Sul-Sul, que celebra os êxitos e as contribuições de chefes de Estado e de governo, bem como de representantes do setor privado e da sociedade civil, na promoção do desenvolvimento sustentável no Sul global. A cerimônia acontecerá […]

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Alexandru Cujba. Foto: Comitê Diretor Sul-Sul para o Desenvolvimento Sustentável

Alexandru Cujba. Foto: Comitê Diretor Sul-Sul para o Desenvolvimento Sustentável

Por Nora Happel, da IPS – 

Nações Unidas, 25/8/2015 – Em setembro serão entregues pela quinta vez o Prêmio Sul-Sul, que celebra os êxitos e as contribuições de chefes de Estado e de governo, bem como de representantes do setor privado e da sociedade civil, na promoção do desenvolvimento sustentável no Sul global.

A cerimônia acontecerá no dia 26 de setembro, em apoio à comemoração dos 70 anos da Organização das Nações Unidas (ONU) e do vencimento do prazo para cumprir os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que dará lugar à adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O Prêmio Sul-Sul talvez seja o exemplo mais destacado dos muitos programas de desenvolvimento criados e implantados pela Organização Internacional para a Cooperação Sul-Sul em apoio aos esforços de desenvolvimento da ONU, ao intercâmbio de conhecimento e às melhores práticas na cooperação Sul-Sul, além de triangular e criar associações entre governos de países em desenvolvimento e do setor privado.

Lançado em 2010 durante a 16ª sessão do Comitê de Alto Nível das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul, a organização começou com o programa de notícias South-South News, e seguiu com o desenvolvimento de projetos para ampliar seu trabalho pelo desenvolvimento social e empresarial. No ano passado, a organização lançou o Comitê Diretor Sul-Sul para o Desenvolvimento Sustentável, uma estrutura que apoia diferentes atividades e também, em particular, o Prêmio Sul-Sul.

A IPS conversou sobre a edição deste ano do Prêmio com o secretário-geral do Comitê Diretor Sul-Sul para o Desenvolvimento Sustentável e diretor geral da Organização Internacional para a Cooperação Sul-Sul, Alexandru Cujba, também ex-representante permanente da Moldávia junto à ONU e ex-vice-presidente da Assembleia Geral.

IPS: Este ano os ODM serão substituídos pelos ODS em um processo que se reflete no tema do Prêmio Sul-Sul de 2015: Dos ODM aos ODS: apoio à redução da pobreza, à educação e aos esforços humanitários. Esse processo e a celebração dos 70 anos da ONU convertem esta edição em especial?

ALEXANDRU CUJBA: Este ano será uma continuação das cerimônias anteriores, mas, talvez, diferente porque, como mencionou, concluem os ODM e passamos à nova Agenda de Desenvolvimento Pós-2015. Antes reconhecíamos os êxitos dos Estados membros em áreas específicas vinculadas aos ODM, mas este ano queremos destacar os êxitos na implantação dos oito objetivos. Creio que o ODM 1, combater a pobreza e a fome extrema era um dos mais importantes. Então, este ano nos associamos com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e nosso patrocinador tradicional, a União Internacional de Telecomunicações (UIT), para ressaltar os êxitos dos Estados membros da ONU e das nações em desenvolvimento em relação a esse objetivo. Além disso, como é o 70º aniversário da ONU, aproveitamos para destacar o papel das Nações Unidas nestes anos, não só na preservação da paz e da segurança, mas também na promoção do desenvolvimento. Quando a maioria dos especialistas e políticos discute a criação e a necessidade da ONU, em 1945, vemos que agora o fórum mundial tem que dar novo impulso ao desenvolvimento dos Estados membros, não apenas para preservar a paz e a segurança, mas para apoiar seu desenvolvimento sustentável.

IPS: Quais os principais objetivos do Prêmio Sul-Sul? Quais foram seus resultados anteriores?

AC: Trabalhando com diferentes missões aqui, na sede da ONU, aprendemos que os países pequenos, especialmente os menos desenvolvidos, têm seus próprios êxitos e resultados positivos que não se costuma conhecer, salvo pelo meio diplomático e o fórum mundial. Em anos anteriores, quisemos destacar especialmente esses pequenos resultados, extremamente importantes para os países em desenvolvimento. Por isso, todos os anos trabalhávamos com nossos colaboradores na organização para identificar as melhores práticas e melhores êxitos desses países em diferentes áreas específicas. Esse ano, queremos destacar toda a implantação geral dos ODM. É uma boa oportunidade para ressaltar a concentração de esforços para concretizar esses objetivos nobres adotados em 2000.

IPS: Como são escolhidos os ganhadores do Prêmio Sul-Sul e quais critérios tiveram maior relevância este ano?

AC: Aprendemos com outros prêmios concedidos por diferentes agências da ONU. Têm certos critérios objetivos vinculados ao trabalho, à missão e aos objetivos das agências do fórum mundial e das estruturas que participam da organização dos respectivos eventos. No nosso caso, quisemos destacar os resultados na implantação dos ODM, mas também os exemplos positivos da Cooperação Triangular e Sul-Sul,. Por serem países de diferentes continentes e distintos tamanhos, recursos e êxitos, é difícil comparar os resultados obtidos por eles. Destacamos a diferença e a unicidade desses países. Às vezes não sabemos o que conseguiram e usamos a base de dados e as estatísticas das grandes organizações da ONU. Este ano, usamos o informe sobre os ODM preparado pela Secretaria da ONU e em especial pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, intitulado O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo, da FAO e outras agências relacionadas e, naturalmente, nos remetemos ao informe do secretário-geral (Ban Ki-moon), sobre o trabalho da organização. Tentamos destacar tanto os êxitos importantes como alguns particulares, não necessariamente grandes êxitos em termos de número de pessoas que já não passam fome ou do número de crianças que vão à escola, mas os que são consideráveis para os pequenos países e os menos desenvolvidos que têm dificuldades com seu desenvolvimento.

IPS: Quais convidados são esperados este ano?

AC: A cerimônia de premiação costuma ser feita antes das sessões da Assembleia Geral da ONU. Até agora confirmaram presença numerosos chefes de Estado e de governo que viajarão a Nova York para a cúpula de Adoção da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 e para o debate geral. Este ano teremos uma participação de alto nível muito diversa, com cerca de 800 convidados.

IPS: Quais são seus desejos e suas expectativas para o Prêmio Sul-Sul deste ano?

AC: Esperamos poder destacar os êxitos, grandes e pequenos, mas importantes para os países em desenvolvimento na implantação dos ODM e no avanço para a nova agenda de desenvolvimento pós-2015. Queremos que as lições sejam compartilhadas o mais possível e transferidas para outras nações. Sinceramente, espero que nossos participantes tenham uma boa experiência, desfrutem dos prêmios e que possamos seguir nossa cooperação e nossa missão, que é reunir os diferentes atores com o objetivo de apoiar os países em desenvolvimento e as iniciativas de desenvolvimento. Envolverde/IPS

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América Latina ouvirá alerta da China? http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/america-latina-ouvira-alerta-da-china/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/america-latina-ouvira-alerta-da-china/#comments Mon, 24 Aug 2015 13:47:10 +0000 Diego Arguedas Ortiz http://www.envolverde.com.br/?p=199205 Por Diego Arguedas Ortiz, da IPS –  San José, Costa Rica, 24/8/2015 – Durante anos a América Latina exportou suas matérias-primas para as vorazes fábricas chinesas e assim alimentou sua economia. Mas agora que a China passou a priorizar o consumo de seus cidadãos sobre a produção industrial, como a região vai reagir? A vertiginosa expansão […]

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O Estádio Nacional da Costa Rica, doado pela China como presente pelo estabelecimento de relações bilaterais em 2007, construído entre 2009 e 2010 por uma companhia do país asiático com mão de obra procedente daquele país. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS

O Estádio Nacional da Costa Rica, doado pela China como presente pelo estabelecimento de relações bilaterais em 2007, construído entre 2009 e 2010 por uma companhia do país asiático com mão de obra procedente daquele país. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS

Por Diego Arguedas Ortiz, da IPS – 

San José, Costa Rica, 24/8/2015 – Durante anos a América Latina exportou suas matérias-primas para as vorazes fábricas chinesas e assim alimentou sua economia. Mas agora que a China passou a priorizar o consumo de seus cidadãos sobre a produção industrial, como a região vai reagir? A vertiginosa expansão chinesa impulsionou economicamente as nações latino-americanas, e em troca a região recebeu os produtos acabados das indústrias desse país, créditos de seu sistema bancário internacional e forte investimento em infraestrutura.

Mas, diante do freio a esse explosivo crescimento, os países latino-americanos têm duas opções: avançar para uma economia de maior valor agregado ou perder relevância com um modelo econômico obsoleto herdado do século 20, segundo vários especialistas ouvidos pela IPS.

“Nos últimos cinco anos, a relação entre América Latina e China esteve dominada pelo envio por parte dos latinos de algumas matérias-primas para a China, e pela exportação por este país de bens manufaturados para os países latino-americanos”, explicou a norte-americana especialista em China, Rebecca Ray. “Mas isto pode estar prestes de mudar”, afirmou a também pesquisadora da Universidade de Boston e coautora do Boletim Econômico China-América Latina da Iniciativa Mundial de Gestão Econômica (Gegi).

Segundo Ray, os governantes chineses estão se voltando para uma estratégia de desenvolvimento com ênfase em crescimento lento mas sustentado, que prioriza o consumo interno de seus cidadãos sobre a produção de suas fábricas, o que abre espaços para importação de bens manufaturados de outros países.

O caminho para esse futuro foi um dos eixos dos debates do Fórum de Cooperação América Latina-Ásia do Leste, reunido nesta capital costa-riquenha entre os dias 18 e 21 deste mês, do qual participaram chanceleres e altos funcionários de 36 países, sob o conceito de “duas regiões, uma visão”.

Diante do esfriamento da economia chinesa, os tomadores de decisão é que devem assumir a iniciativa e propor alternativas econômicas de maior valor agregado, conforme sugeriram de forma unânime os especialistas consultados. Até agora a região demorou em dar o salto. Apenas cinco produtos primários (soja, ferro, petróleo, cobre bruto e cobre refinado) representam 75% das exportações para a China e a presença de bens manufaturados é mínima.

Parte do porto Ponta da Madeira, no nordeste brasileiro, de onde partem navios carregados com ferro, cujo maior destino é a China. Foto: Mario Osava/IPS

Entretanto, o outro grande eixo econômico entre China e América Latina, o investimento em infraestrutura, poderia, paradoxalmente, se beneficiar com a desaceleração e a reforma na direção da economia chinesa, acrescentaram os especialistas. O freio da locomotiva econômica global desde 2014, quando o crescimento chinês foi de 7,4%, o menor em 24 anos, “pode afetar as economias que dependem dessas matérias-primas. Mas, por outro lado, os investimentos chineses em infraestrutura podem ajudar outras indústrias”, afirmou Ray.

Para esta especialista, bem administrados, os projetos com capital chinês podem fechar as históricas brechas da região em infraestrutura e servir de plataforma para o desenvolvimento de outras indústrias, que possam se valer do investimento em transporte e energia, dois grandes eixos para os asiáticos. “Esperamos que os tomadores de decisões usem esta oportunidade para potencializar o desenvolvimento de indústrias não tradicionais”, acrescentou.

Keiji Inoue e Sebatián Herreros, da Divisão de Comércio Internacional e Integração da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), concordam em apontar que a nova realidade chinesa alimenta essa oportunidade. “Na medida em que esses projetos estejam alinhados com as prioridades dos países da região, uma presença maior chinesa poderá contribuir para fechar gradualmente a brecha de infraestrutura que caracteriza a América Latina, e deste modo fortalecer a integração regional e melhorar sua competitividade internacional”, afirmaram em uma análise conjunta elaborada para a IPS.

Recordaram que a vocação chinesa pela infraestrutura latino-americana tem entre seus componentes a busca de seus bancos para colocar superávits na poupança dessas economias. Mas o modelo da crescente relação da região com a China não permite o otimismo. Até agora, as exportações regionais para esse país “criam menos empregos, geram mais gases-estufa e usam mais água do que outras exportações da América Latina e do Caribe”, segundo uma análise do Gegi.

Entretanto, a China propicia e financia polêmicos megaprojetos na região, como o Grande Canal da Nicarágua, a cargo do grupo chinês Hong Kong Nicaragua Canal Development (HKND-Group), no valor de US$ 50 bilhões, e a Ferrovia Transcontinental de cinco mil quilômetros, destinada a ligar Brasil e Peru, ainda em fase exploratória.

Executivos da empresa chinesa HKDN-Group atrás de uma grande faixa, no dia 22 de setembro de 2014, em Brito Rivas, na costa do Oceano Pacífico, no ato de início formal da gigantesca obra do Grande Canal da Nicarágua, que dividirá o país em dois. Foto: Mario Moncada/IPS

Executivos da empresa chinesa HKDN-Group atrás de uma grande faixa, no dia 22 de setembro de 2014, em Brito Rivas, na costa do Oceano Pacífico, no ato de início formal da gigantesca obra do Grande Canal da Nicarágua, que dividirá o país em dois. Foto: Mario Moncada/IPS

Os investimentos chineses também potencializam uma relação comercial baseada em matérias-primas. Segundo a Cepal, entre 2010 e 2013 quase 90% do investimento chinês na região se dirigiu a atividades extrativistas, particularmente minérios e hidrocarbonos. “Desta perspectiva, efetivamente, a importante demanda da China em nível global por matérias-primas consolidou e reforçou a especialização nesses processos, também conhecido como ‘reprimarização’ econômica”, explicou à IPS o coordenador do Centro de Estudos China-México, Enrique Dussel.

Entretanto, o pesquisador da Universidade Nacional Autônoma do México foi enfático ao afirmar que, diante dos sinais, os países latino-americanos devem responder. “A responsabilidade e necessidade de uma tomada de decisão está do lado da América Latina e do Caribe, e não da China”, ressaltou.

Esta reprimarização regional ocorreu quando a América Latina se deixou seduzir pelas ondas de preços altos das matérias-primas durante a década passada e priorizou estas exportações sobre outras de maior valor agregado. Assim, a participação de produtos primários nas exportações regionais aumentou de 44%, no início deste século, para mais de 60%, cifra inédita desde o começo da década de 1990, segundo estudos da Cepal.

Por sua vez, os produtos manufaturados somam 64% das exportações chinesas para a região e compreendem bens menos sensíveis a variações nos preços, como máquinas e artigos eletrônicos. Entre 2000 e 2014 as importações totais da China passaram de representar 2% para 14% do total regional.

Dussel explicou que o crescimento chinês ressaltou os graves problemas das exportações regionais. A seu ver, estes não residem necessariamente na prevalência de matérias-primas, mas no fato de estas indústrias terem “valor agregado e nível tecnológico mínimos”.

Para Inoue e Herreros, da Cepal, há uma oportunidade nas mudanças de orientação do desenvolvimento chinês. Afirmaram que, “em termos simples, o redirecionamento chinês tem o objetivo de reduzir a importância relativa do investimento e das exportações no crescimento de sua economia, apoiando-se em um maior peso do consumo das famílias. Na medida em que este processo tiver efeito, isso deverá favorecer a diversificação das exportações latino-americanas para a China”.

Os dois especialistas esperam que setores como a agroindústria e os alimentos pesados possam ganhar protagonismo na região, embora alertem que os efeitos deverão demorar anos para serem vistos, e, para que se concretizem, os tomadores de decisões deverão dar passos ambiciosos para a consolidação da região como um bloco comercial.

“Também é preciso avançar mais decididamente para um mercado regional verdadeiramente integrado. Isso aumentaria a atração e o poder de negociação da América Latina frente à China, ao restante da Ásia e diante dos outros grandes atores da economia mundial”, ressaltara Inoue e Herreros. Envolverde/IPS

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Mais mortes infantis em zonas de guerra http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/mais-mortes-infantis-em-zonas-de-guerra/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/mais-mortes-infantis-em-zonas-de-guerra/#comments Mon, 24 Aug 2015 13:38:14 +0000 Thalif Deen http://www.envolverde.com.br/?p=199202 Por Thalif Deen, da IPS –  Nações Unidas, 24/8/2015 – A crescente quantidade de mortes de civis nos conflitos armados atuais, especificamente mulheres e crianças, gera fortes mensagens de condenação por parte de instituições internacionais e organizações de direitos humanos. Os piores responsáveis são as partes beligerantes nos “cinco países mais conflituosos do mundo”: Síria, Iraque, […]

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Crianças residentes em um local de Proteção de Civis, administrado pela Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, participam de um evento cultural em Juba, no dia 27 de março deste ano. Foto: JC McIlwaine/ONU

Crianças residentes em um local de Proteção de Civis, administrado pela Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, participam de um evento cultural em Juba, no dia 27 de março deste ano. Foto: JC McIlwaine/ONU

Por Thalif Deen, da IPS – 

Nações Unidas, 24/8/2015 – A crescente quantidade de mortes de civis nos conflitos armados atuais, especificamente mulheres e crianças, gera fortes mensagens de condenação por parte de instituições internacionais e organizações de direitos humanos. Os piores responsáveis são as partes beligerantes nos “cinco países mais conflituosos do mundo”: Síria, Iraque, Sudão do Sul, República Centro-Africana e, especialmente, Iêmen, onde o número de vítimas civis aumenta praticamente a cada hora.

A Convenção de Genebra de 1949 continua sendo violada em suas regras básicas das guerras, nos conflitos de Afeganistão, Líbia, Gaza, Nigéria, Birmânia, Somália e República Democrática do Congo, entre outros pontos militares sensíveis. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 230 milhões de crianças crescem em meio a conflitos, que envolvem tanto governo como “organizações terroristas” como Boko Haram, Estado Islâmico (EI) e Exército de Resistência do Senhor.

Um novo informe do Unicef indica que um dos piores casos é o do Iêmen, onde uma média de oito crianças são mortas ou mutiladas a cada dia. O estudo, intitulado Iêmen: Infância Sob Ameaça, afirma que quase 400 crianças foram assassinadas e outras 600 feridas desde que a violência aumentou, há cerca de quatro meses.

No conflito de Gaza de agosto do ano passado, segundo estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU), morreram mais de 2.100 pessoas, entre elas 1.462 civis. E, entre as mortes de civis, foram contadas 495 crianças e 253 mulheres, em comparação com as mortes de 72 israelenses, sete deles civis.

Discursando no Conselho de Segurança no mês passado, durante um debate aberto sobre infância e conflitos armados, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que é “um imperativo moral e uma obrigação legal” proteger as crianças, e que nunca deveriam “ser colocadas em perigo pelos interesses nacionais”. E destacou que 2014 foi um dos piores anos da história recente para as crianças em países devastados por conflitos militares.

O do Iêmen, por exemplo, é particularmente trágico para as crianças, segundo o representante do Unicef nesse país, Julien Harneis. Costumam ser vítimas mortais de bombas ou balas, “e aqueles que sobrevivem enfrentam a crescente ameaça de doenças e desnutrição. Não se pode permitir que isso continue”, ressaltou.

O informe do Unicef assina que, além de o conflito ser devastador para as vidas atuais dessas crianças, “terá consequências aterradoras para seu futuro”. Em todo o país, quase dez milhões de crianças – 80% da população nacional de menores de 18 anos – precisam de ajuda humanitária urgente. Mais de 1,3 milhão de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas, acrescenta o estudo.

O escritório em Nova York da Arigatou Internacional, uma entidade com sede central em Tóquio, organiza um fórum sobre Ideais Religiosos e Realidade: a Responsabilidade dos Líderes de Impedir a Violência Contra as Crianças, que acontecerá esta semana em Genebra. Rebeca Rios-Kohn, diretora do escritório nova-iorquino, pontuou à IPS que o diálogo inter-religioso pode ter um papel crucial para gerar uma mudança de conduta em áreas do mundo afetadas por conflitos armados.

Rios-Kohn destacou o exemplo dos “corredores de paz” promovidos pelo Unicef, que permitiram vacinar crianças em áreas de conflito. “Mas, embora este seja um assunto importante que tem grande atenção dos meios de comunicação, não devemos esquecer que o problema da violência é mundial e afeta muito mais crianças dentro de suas casas, na escola e na comunidade, bem como em orfanatos, centros de detenção e outras instituições onde residem”, acrescentou.

Rios-Kohn também afirmou que o fenômeno da exploração de crianças na internet, que será abordada no fórum, é um problema enorme que preocupa os especialistas, entre eles a Interpol, por sua crescente magnitude e porque os responsáveis ficam impunes facilmente.

Jo Becker, da Human Rights Watch, apontou que a educação infantil também é afetada, pois, no ano passado, grupos ou forças armadas danificaram ou destruíram mais de mil escolas em todo o planeta. As escolas mais afetadas foram as da Palestina – onde os ataques aéreos israelenses e os bombardeios danificaram ou destruíram 543 prédios escolares em Gaza – e Nigéria, onde o grupo islâmico armado Boko Haram cometeu atentados contra 338 escolas e raptou 276 meninas de sua escola em Chibok, Estado de Borno, em abril de 2014. Em consequência, centenas de milhares de crianças têm negada sua educação, enfatizou.

De acordo com o Unicef, nunca houve tantas crianças refugiadas desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Essa agência também assinalou que as diferentes dimensões da crise que as crianças enfrentam no Iêmen incluem pelo menos 398 delas assassinadas e 605 feridas desde a escalada de março. Nos últimos seis meses, o Unicef também deu apoio psicológico para ajudar 150 mil crianças a enfrentarem os horrores do conflito. Cerca de 280 mil pessoas aprenderam a evitar serem vítimas de minas e outros artefatos sem explodir.

Apesar das tremendas necessidades, o Unicef diz que sua resposta continua sofrendo uma grave falta de dinheiro. Dos US$ 182,6 milhões que pediu para o Iêmen, até agora só recebeu 16%. “Precisamos de fundos com urgência, para podermos chegar às crianças que sofrem necessidades desesperadas. Não podemos cruzar os braços e deixar que sofram as consequências de uma catástrofe humanitária”, ressaltou Harneis. Envolverde/IPS

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Bolívia reduz cultivos de coca http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/bolivia-reduz-cultivos-de-coca/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/bolivia-reduz-cultivos-de-coca/#comments Mon, 24 Aug 2015 13:25:25 +0000 Ronald Joshua http://www.envolverde.com.br/?p=199199 Por Ronald Joshua, da IPS –  Viena, Áustria, 24/8/2015 – O Escritório das Nações Unidas Contra a Droga e o Crime (UNODC) elogiou o governo boliviano por reduzir seus cultivos de coca pelo quarto ano consecutivo. Segundo o último Monitoramento de Cultivos de Coca do Estado Plurinacional da Bolívia, apresentado no dia 18 em La Paz, […]

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O presidente da Bolívia, Evo Morales (direita), cumprimenta o representante da UNODC, Antonino De Leo, na apresentação do novo Monitoramento de Cultivos de Coca. Foto: José Lirauze/ABI

O presidente da Bolívia, Evo Morales (direita), cumprimenta o representante da UNODC, Antonino De Leo, na apresentação do novo Monitoramento de Cultivos de Coca. Foto: José Lirauze/ABI

Por Ronald Joshua, da IPS – 

Viena, Áustria, 24/8/2015 – O Escritório das Nações Unidas Contra a Droga e o Crime (UNODC) elogiou o governo boliviano por reduzir seus cultivos de coca pelo quarto ano consecutivo. Segundo o último Monitoramento de Cultivos de Coca do Estado Plurinacional da Bolívia, apresentado no dia 18 em La Paz, essas plantações diminuíram 11% em 2014, em comparação com o ano anterior.

A superfície ocupada pelos cultivos diminuiu de 23 mil hectares, em 2013, para 20.400, em 2014, chegando ao seu ponto mínimo desde que o UNODC, com sede na Áustria, capital austríaca, começou esses monitoramentos, em 2003. Na apresentação do documento, o representante do UNODC na Bolívia, Antonino De Leo, elogiou os esforços do governo pela contínua redução da área utilizada para plantar coca (matéria-prima da cocaína) durante os últimos quatro anos.

Entre 2010 e 2014, essa superfície diminuiu mais de um terço, destacou durante ato em que participou o presidente boliviano desde 2006, Evo Morales. Mediante o uso de imagens obtidas via satélite e por monitoramento de campo, foram detectadas reduções nas duas principais áreas de cultivo. As regiões de Los Yungas de La Paz e Trópico de Cochabamba juntas constituem 99% das áreas cultivadas com coca no país.

Entre 2013 e 2014 essas duas áreas reduziram sua superfície cultivada com coca em 10% e 14%, respectivamente. E no norte de La Paz, o centro político do país, as áreas de cultivo caíram de 230 para 130 hectares, segundo o informe. Na Bolívia há 22 áreas protegidas, que representam 16% da superfície do país, onde os cultivos de coca são proibidos por lei. Em 2014, foram detectados 214 hectares de plantações de coca dentro de seis áreas protegidas, das quais 59% no Parque Nacional Carrasco.

Em fevereiro de 2013, a Bolívia voltou a fazer parte da Convenção Única de 1961 sobre Entorpecentes, com uma reserva sobre a folha de coca. Esta reserva permite mastigar, consumir e usar a folha de coca em seu estado natural para fins culturais e medicinais, bem como seu cultivo, comércio e sua posse na medida necessária para estes propósitos legais.

O Serviço de Informação das Nações Unidas recordou em Viena que “a atual legislação nacional, que data de 1988, estabelece que a área cultivada com coca não deve exceder os 12 mil hectares”, acrescentando que, “nos últimos anos, o governo boliviano delineou as zonas onde os cultivos de coca estão permitidos dentro das três áreas de cultivo dessa planta do país: Los Yungas de La Paz, Trópico de Cochabamba e Norte de La Paz”.

A redução da superfície para cultivo de coca em 2014 se explica principalmente pelos esforços do governo para reduzir o excedente de cultivos nas áreas permitidas – o que é conhecido como “racionalização” – e para erradicá-los nas áreas proibidas, acrescentou o Serviço de Informação.

Um processo baseado no diálogo liderado pelo governo contou com a participação dos sindicatos de cultivadores de coca na implantação da estratégia nacional para reduzir o excedente nas áreas permitidas. Outro fator importante foi o abandono das velhas plantações em Los Yungas de La Paz, devido à drástica queda de seus rendimentos.

Entre 2013 e 2014, a área erradicada caiu 2% em todo o país. Enquanto no âmbito provincial foram erradicados cerca de 7.400 hectares na região de Trópico de Cochabamba, 3.200 em Los Yungas de La Paz e Norte de La Paz, e 526 em Santa Cruz e Beni. O potencial de redução de folha de coca no país foi estimado em 33.100 toneladas no ano passado. Entre 2013 e 2014, o valor total da mesma baixou de US$ 294 milhões para US$ 282 milhões.

Em 2014, a produção de folha de coca representou 0,9% do produto interno bruto geral da Bolívia, e 8,8% de seu produto interno bruto agrícola. Foram comercializadas cerca de 19.800 toneladas de folha de coca nos dois mercados autorizados, Villa Fátima e Sacaba, o equivalente a 60% da produção total da mesma. Do total comercializado legalmente, 93% o foi em Villa Fátima, e os 7% restantes, em Sacaba. O preço médio nesses mercados aumentou 6% desde 2013, passando para US$ 8,30 o quilo no ano passado. Envolverde/IPS

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O futuro tem sabor de chocolate http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/o-futuro-tem-sabor-de-chocolate/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/08/ultimas-noticias/o-futuro-tem-sabor-de-chocolate/#comments Fri, 21 Aug 2015 13:18:29 +0000 Edgardo Ayala http://www.envolverde.com.br/?p=199162 Por Edgardo Ayala, da IPS –  Caluco e Mercedes Umaña, El Salvador, 21/8/2015 – Com a pasta de chocolate recém-saída de um moinho de nixtamal, Idalia Ramón e outra dezena de mulheres salvadorenhas pegam porções do produto, as pesam e modelam em forma de estrela, retângulo ou sino, antes de as embalar e deixá-las prontas para […]

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As mãos de Idalia Ramón cuidam das castanhas de cacau produzidas no povoado de Caluco, ocidente de El Salvador. As mulheres protagonizam a transformação do cacau em chocolate, em um processo ecológico que ganha força neste país centro-americano, graças ao projeto nacional Aliança Cacau, destinado a resgatar seu esquecido cultivo e melhorar o futuro de dez mil famílias camponesas. Foto: Edgardo Ayala/IPS

As mãos de Idalia Ramón cuidam das castanhas de cacau produzidas no povoado de Caluco, ocidente de El Salvador. As mulheres protagonizam a transformação do cacau em chocolate, em um processo ecológico que ganha força neste país centro-americano, graças ao projeto nacional Aliança Cacau, destinado a resgatar seu esquecido cultivo e melhorar o futuro de dez mil famílias camponesas. Foto: Edgardo Ayala/IPS

Por Edgardo Ayala, da IPS – 

Caluco e Mercedes Umaña, El Salvador, 21/8/2015 – Com a pasta de chocolate recém-saída de um moinho de nixtamal, Idalia Ramón e outra dezena de mulheres salvadorenhas pegam porções do produto, as pesam e modelam em forma de estrela, retângulo ou sino, antes de as embalar e deixá-las prontas para a venda.

“É uma fonte de trabalho completamente nova para nós. Não sabíamos nada de cacau, nem de chocolate”, contou Ramón à IPS. Antes, esta viúva de 38 anos, a duras penas, sustentava seus três filhos, de 11, 13 e 15 anos, fazendo tortilhas, as massas espalmadas de farinha de milho, básicas na dieta da Mesoamérica.

Ramón é uma das mulheres que participam da elaboração de chocolate em Caluco, povoado de dez mil habitantes do departamento de Sonsonate, um projeto que se integrou a um esforço nacional para resgatar o cultivo do cacau. “Agora tenho renda extra, podemos ver as vantagens que o cacau dá às comunidades”, comemorou Ramón.

Essas mulheres trabalham no chamado “centro de processamento”, que conseguiram montar com muito trabalho, para transformar artesanalmente as castanhas de cacau em tabletes de chocolate orgânico, um processo no qual suas mãos são a principal ferramenta.

O esforço para reviver o cultivo se aglutinou desde dezembro na Aliança Cacau El Salvador, da qual participam cooperativas e agricultores e agricultoras de várias regiões do país, bem como mulheres que se tornaram especialistas na elaboração do chocolate artesanal.

Quatro das mulheres que elaboram chocolate no centro de processamento comunitário de Caluco, ocidente de El Salvador, verificam a massa recém-saída de seu moinho de nixtamal, antes de preparar os tabletes e as figuras variadas de chocolate orgânico. Elas passaram a integrar o projeto Aliança Cacau, com o qual se busca reviver no país um cultivo abandonado depois de ter sido primordial em sua história e sua cultura. Foto: Edgardo Ayala/IPS

Quatro das mulheres que elaboram chocolate no centro de processamento comunitário de Caluco, ocidente de El Salvador, verificam a massa recém-saída de seu moinho de nixtamal, antes de preparar os tabletes e as figuras variadas de chocolate orgânico. Elas passaram a integrar o projeto Aliança Cacau, com o qual se busca reviver no país um cultivo abandonado depois de ter sido primordial em sua história e sua cultura. Foto: Edgardo Ayala/IPS

A pasta que sai de um pequeno moinho de nixtamal (moenda de milho e outros grãos depois cozidos ou torrados), acontece de várias formas, geralmente em tabletes redondos. Dissolvidos em água fervente, se convertem em uma das bebidas preferidas dos salvadorenhos.

A Aliança Cacau pretende, nos próximos cinco anos, gerar renda para dez mil famílias produtoras de cacau, em 87 municípios do país, com o plantio de dez mil hectares desse cultivo. Espera-se criar cerca de 27 mil empregos diretos e indiretos. “O projeto está nos ajudando a superar a difícil situação econômica e a aumentar a produção, de modo a melhorar a renda”, explicou à IPS outra produtora, María Alas, de 33 anos, sem parar de elaborar figuras de chocolate.

A Aliança Cacau conta com o aporte de US$ 25 milhões, sendo US$ 20 milhões da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e da também norte-americana Fundação Howard G. Buffet, e o restante de setores locais.

Na época pré-colombiana, o cacau era utilizado nesse país como moeda de troca, e durante o período colonial serviu para pagar tributos à Coroa espanhola. O cultivo de cacau praticamente desapareceu do que hoje é El Salvador após uma série de pragas, mas a popularidade da bebida de chocolate se manteve e para sua elaboração até agora o cacau era importado dos vizinhos Honduras e Nicarágua.

“Por um lado, trata-se do resgate ancestral de um produto enraizado em nossa cultura e, por outro, de obter um desenvolvimento econômico e social para nossas comunidades”, afirmou à IPS a diretora da Casa da Cultura de Caluco, María de los Ángeles Escobar. A aposta em reviver o cacau foi concebida como uma alternativa para paliar os efeitos negativos que a ferrugem do café (Puccina graminis) causou em 21% dos cultivos cafeeiros, segundo estimativas oficiais, diminuindo os empregos e a renda dos camponeses.

Em El Salvador, 38% de seus 6,2 milhões de habitantes vivem na área rural, boa parte em situação socioeconômica vulnerável, agravada pelo impacto da ferrugem e da seca provocada pelo fenômeno El Niño nos cultivos de milho e feijão, que afetou 400 mil pequenos produtores.

No ocidente do país, além de Caluco outros quatro municípios de Sonsonate se integraram ao projeto: San Antonio del Monte, Nahuilingo, Izalco e Nahuizalco, em uma área com forte presença de população indígena. Os produtores das cinco localidades, incluídas as mulheres processadoras, formaram a Associação Cooperativa de Produção Agropecuária Cacau Los Izalcos, para participarem juntos de toda a cadeia produtiva.

Produtores de cacau, a maioria mulheres, durante capacitação sobre adubo orgânico, com o qual enriquecerão os solos de suas áreas de cultivo, em San Simón, município de Mercedes Umaña, no departamento oriental de Usulután, no Sri Lanka. Foto: Edgardo Ayala/IPS

Produtores de cacau, a maioria mulheres, durante capacitação sobre adubo orgânico, com o qual enriquecerão os solos de suas áreas de cultivo, em San Simón, município de Mercedes Umaña, no departamento oriental de Usulután, no Sri Lanka. Foto: Edgardo Ayala/IPS

A cooperativa já soma 111 hectares de cacaueiros plantados. Como estes requerem sombra para se desenvolver, os agricultores aproveitaram para plantá-los junto com árvores frutíferas e que fornecem madeira. A Aliança Cacau dedicou os primeiros meses do projeto a semear e cuidar das sementes nos viveiros, e agora os produtores começam a plantar em suas propriedades. Passarão três anos até que os cacaueiros comecem a dar frutos.

Mas em Caluco já se elabora o chocolate, porque no município havia produtores dedicados ao cacau, que usavam o centro de processamento, completando a produção com cacau importado. De fato, Caluco foi um histórico assentamento do povo pilpil, cujo cacau fez a fama durante a época colonial.

“Esperamos que no próximo ano estejamos em melhor nível de produção. Ainda é pouca, porque a coisa está apenas começando”, apontou à IPS a vice-presidente da cooperativa, Raquel Santos. Quando a produção da cooperativa Los Izalcos estiver em seu apogeu, a Associação pretende produzir cerca de 500 quilos mensais de cacau, acrescentou.

Embora no momento só esteja sendo elaborado chocolate artesanal, os sócios da cooperativa planejam produzir, no futuro, barras de chocolate em nível mais industrial, mas isso dependerá do êxito que tiverem com este primeiro esforço. Desde a fundação da cooperativa, se busca que as mulheres tenham uma participação decisiva no desenvolvimento cacaueiro da região.

O Comitê Local de Cacau de Caluco agrupa 29 agricultores e 25 mulheres processadoras. Possuem um viveiro e já desenvolveram o primeiro centro de armazenagem que receberá a produção da região. No viveiro também se ensina aos estudantes da escola local as técnicas do cultivo e a importância que tem em sua história, cultura e, a partir de agora, em sua economia.

Miriam Bermúdez, uma das camponesas que com maior entusiasmo, uniu-se ao projeto para plantar cacau em San Simón, diante do Viveiro La Colmena, onde são preparadas os 25 mil cacacueiros que serão plantadas em 25 hectares dos participantes da iniciativa desse assentamento do município de Mercedes Umaña, ocidente de El Salvador. Foto: Edgardo Ayala/IPS

Miriam Bermúdez, uma das camponesas que com maior entusiasmo, uniu-se ao projeto para plantar cacau em San Simón, diante do Viveiro La Colmena, onde são preparadas os 25 mil cacacueiros que serão plantadas em 25 hectares dos participantes da iniciativa desse assentamento do município de Mercedes Umaña, ocidente de El Salvador. Foto: Edgardo Ayala/IPS

Do outro lado do país, no departamento de Usulután, Miriam Bermúdez, de 52 anos, é uma das mais entusiastas participantes do projeto comunitário do Viveiro La Colmena, tanto que convenceu outros moradores de sua vila, San Simón, no município de Mercedes Umaña, a se integrarem à Aliança Cacau.

“Eu bebia chocolate sem nem mesmo conhecer a árvore de onde provinha, e agora aprendi muitas coisas sobre o processo de produção”, contou Bermúdez à IPS, durante uma pausa na capacitação que ela e outro grupo de camponeses e camponesas recebiam sobre adubos orgânicos, que, livres de pesticidas, nutrirão os solos dos cacaueiros.

O viveiro abriga 25 mil plantas, suficientes para cobrir 25 hectares das terras dos agricultores da área. Também conta com um sistema de irrigação para não ser afetado pelas secas cíclicas. Enquanto não chega o momento de plantar as mudas, os agricultores de Mercedes Umaña definem quais espécies de fruta e madeira vão cultivar para que ofereçam sombra aos cacaueiros. Essas árvores também vão gerar renda, ou já estão gerando, se as terras contavam com elas antes.

Bermúdez, em sua área de 0,7 hectares, plantou banana, além de legumes e hortaliças, para garantir sua segurança alimentar. “Quando passa o caminhão que vende verduras, nunca compro, porque pego tudo da minha horta”, contou orgulhosa. Sua neta, Esmeralda, de 16 anos, decidiu seguir seus passos e participa ativamente dos trabalhos que envolvem a produção de cacau em sua comunidade. “Gosto muito de aprender coisas que não sabia, como preparar a terra ou fazer adubo orgânico”, disse à jovem à IPS, ao final da capacitação.

Em Usulután, além de Mercedes Umaña, a promoção do cultivo de cacau se estendeu às localidades de Jiquilisco, San Dionisio, Jucuarán, Jucuapa, California, Alegría, Berlín e Nueva Granada. Em cada município há um viveiro de cacaueiros cuidados por 25 famílias.

Outro componente importante da Aliança Cacau é que o produto final seja de qualidade e orgânico, para impulsionar o desenvolvimento sustentável. O fato de semear cacaueiros já é uma atividade ecológica, pois as árvores em seu esplendor se convertem em florestas. “É muito importante o produtor saber manejar ecologicamente sua plantação, pelo bem do ambiente, e também porque o produto tem maior valor”, destacou à IPS a assessora do projeto, Griselda Alvarenga. Envolverde/IPS

* Esta reportagem integra uma série concebida em colaboração com Ecosocialist Horizons.

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