IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Tue, 27 Sep 2016 13:28:41 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.10 Ações contra resistência a antibióticos http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/acoes-contra-resistencia-a-antibioticos/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/acoes-contra-resistencia-a-antibioticos/#comments Tue, 27 Sep 2016 13:28:41 +0000 Lyndal Rowlands http://www.envolverde.com.br/?p=214409 Por Lyndal Rowlands, da IPS –  Nações Unidas, 27/9/2016 – A grande ameaça de que até mesmo uma pequena infecção seja mortal levou os representantes dos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), por ocasião da sua Assembleia Geral, a se comprometerem a tomar medidas coletivas contra a resistência a antibióticos. Mas alguns países em […]

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 Os medicamentos falsificados em países como o Quênia também agravam a crescente resistência a antibióticos. Foto: Isaiah Esipisu/IPS

Os medicamentos falsificados em países como o Quênia também agravam a crescente resistência a antibióticos. Foto: Isaiah Esipisu/IPS

Por Lyndal Rowlands, da IPS – 

Nações Unidas, 27/9/2016 – A grande ameaça de que até mesmo uma pequena infecção seja mortal levou os representantes dos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), por ocasião da sua Assembleia Geral, a se comprometerem a tomar medidas coletivas contra a resistência a antibióticos. Mas alguns países em desenvolvimento não poderão atender esse problema, sem primeiro enfrentar certas carências fundamentais em matéria de desenvolvimento, como acesso a banheiros, saneamento e vacinas.

“Para um país que carece de saneamento básico e tem um sistema de saúde rudimentar, os desafios são outros”, apontou à IPS o diretor de programas de saúde da Pew Charitable Trusts, Allan Coukell. “Entretanto, para começar, há algumas ações que todos podem adotar e que são significativas”, ressaltou.As medidas necessárias constam da declaração política adotada pelos Estados membros da ONU no dia 21, e incluem o compromisso dos governos de gerar consciência sobre o problema da resistência aos antibióticos e melhorar o controle de seu uso na saúde e no setor agropecuário e pesqueiro.

A declaração se soma ao Plano de Ação Global, adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2015, que amplia a resposta para além da saúde ao incorporar a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a intergovernamental Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).“O primeiro instrumento para lutar contra a resistência é evitar as infecções”, destacou Judit Riuss, assessora legal nos Estados Unidos da campanha de acesso da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Embora o abuso de antibióticos avive a resistência contra os antimicrobianos, Riuss também afirmou que a situação se agrava pela falta de acesso a medicamentos, como vacinas, e inclusive, às vezes, até aos antibióticos mais apropriados para cada situação. Por exemplo, no caso da tuberculose, responsável pela morte de 1,5 milhão de pessoas em 2014, a falta de acesso a um tratamento adequado nas primeiras etapas da doença pode fazer com que se torne resistente a múltiplos antibióticos, o que complica a saúde de alguns pacientes, explicou à IPS.

“Uma resposta rápida é muito importante para esse paciente em particular, bem como para frear a propagação para outras pessoas da variedade resistente”, ressaltou Riuss. Em alguns países em desenvolvimento, muitos pacientes não têm acesso aos medicamentos que poderiam ajudar a frear a propagação da tuberculose resistente, muito mais grave e mortal, detalhou.

Por isso, a MSF ficou satisfeita pelo fato de a Assembleia Geral da ONU ter reconhecido o desafio que representa a enfermidade, que atinge as nações mais pobres. A falta de acesso a uma medicação adequada é parte do problema, mas o aumento da resistência se deve principalmente ao mau uso dos antibióticos, tanto na saúde como no setor agropecuário.

“A causa fundamental é, simplesmente, nos excedermos no uso de antimicrobianos, e utilizá-los nas atividades agropecuárias e na saúde humana”, observou à IPS Keiji Fukuda, representante especial do diretor-geral para resistência antimicrobiana da OMS. O abuso “se deve a diferentes causas, mas provavelmente a mais importante seja que as pessoas nem mesmo sabem que esse é um problema”, acrescentou.

Fukuda indicou que muitos pacientes usam antibióticos quando não necessitam porque, erradamente, consideram que são um “medicamento mágico” e seu uso não terá nenhuma consequência negativa. O abuso e o uso indevido de antibióticos na produção de carne e pescado também são responsáveis por propagar a resistência aos antimicrobianos.

Em breve, os Estados Unidos se unirão aos países europeus, que proibiram o uso de antibióticos para fomentar o crescimento do gado e de animais de granja, mas em muitos países em desenvolvimento essa prática ainda não está regulada. Por exemplo, no Chile, o uso de antibióticos na produção de salmão é muito maior do que na Noruega, onde, nos últimos anos, a indústria tomou medidas para reduzir seu abuso.

O presidente da Organização de Consumidores e Usuários do Chile, Stefan Larenas, opinou à IPS que isso se deve ao fato de instituições como a sua não terem o mesmo peso em seu país e em outros em desenvolvimento como têm nas nações mais ricas. “O desafio mundial é pôr fim ao duplo discurso da indústria, ao menos na do salmão”, afirmou Larenas. Segundo disse, no Chile e na Noruega operam as mesmas companhias, mas usam uma quantidade muito diferente de antibióticos em um e outro país, segundo as normas locais.

“A capacidade dos Estados para enfrentar a resistência antimicrobiana varia de forma drástica, segundo o desenvolvimento dos países e as diversas capacidades de seus sistemas de saúde”, afirmou o primeiro-ministro da Tailândia, Prayuth Chan-o-cha, em sua declaração como representante do Grupo dos 77 (G77), integrado por 133 países em desenvolvimento.

Entretanto, não foram destinados os recursos para fazer frente a esse problema, apesar de uma declaração política exortar no sentido de se destinar fundos para ajudar os países mais pobres. Definitivamente, não está claro como as nações em desenvolvimento farão para atender problemas fundamentais de desenvolvimento, como falta de esgoto, saneamento e vacinas, causadores das infecções que geram uma dependência excessiva dos antibióticos. Envolverde/IPS

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Pesadelo trabalhista no Golfo http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/pesadelo-trabalhista-no-golfo-2/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/pesadelo-trabalhista-no-golfo-2/#comments Tue, 27 Sep 2016 13:14:02 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=214405 Os operários paquistaneses “podem sobreviver nas piores condições possíveis de trabalho e suportar o calor extremo”, segundo Zahid Mahmood, diretor-geral da Material Lab, uma empresa líder em testes de materiais em Dubai. Por Irfan Ahmed, da IPS –  Dubai, Emirados Árabes Unidos, 27/9/2016 – Na zona industrial Al Quoz, em Dubai, um dos Emirados Árabes Unidos […]

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 Trabalhadores paquistaneses em uma construção em Dubai. Foto: S. Irfan Ahmed/IPS


Trabalhadores paquistaneses em uma construção em Dubai. Foto: S. Irfan Ahmed/IPS

Os operários paquistaneses “podem sobreviver nas piores condições possíveis de trabalho e suportar o calor extremo”, segundo Zahid Mahmood, diretor-geral da Material Lab, uma empresa líder em testes de materiais em Dubai.

Por Irfan Ahmed, da IPS – 

Dubai, Emirados Árabes Unidos, 27/9/2016 – Na zona industrial Al Quoz, em Dubai, um dos Emirados Árabes Unidos (EAU), ônibus levam operários imigrantes até seus afastados locais de trabalho, bem cedo pela manhã. À tarde, ou mesmo altas horas da noite, os trabalhadores voltam aos seus acampamentos pelos mesmos meios. Os operários mal têm tempo para descansar antes da próxima jornada de trabalho. Até oito pessoas chegam a dividir quartos pequenos e sujos.

Com seus pertences entulhados pelos cantos, quase não têm espaço para se mover, e são vulneráveis a infecções, que transmitem uns aos outros. Seus dias começam muito cedo, já que precisam cozinhar os alimentos que levarão para o lugar onde trabalham, e termina tarde, por causa das longas viagens e dos frequentes engarrafamentos no trânsito.

Nos acampamentos convivem trabalhadores de diferentes países, e a prática habitual é destinar-lhes quartos compartilhados segundo suas nacionalidades, que, em geral, são Bangladesh, Índia, Nepal ou Paquistão. O paquistanês Javed Iqbal, de 29 anos, chegou a Dubai por um intermediário que lhe vendeu um visto de trabalho por cerca de US$ 3 mil, e foi necessário sua família pedir empréstimo a outros familiares para fazer esse pagamento.

Como só cursou até o quarto ano, Javed é analfabeto e não pôde encontrar um trabalho em seu país de origem. A única opção que tinha era chegar a Dubai, onde está preso a um trabalho na construção que paga apenas US$ 240 por mês, o que não basta para cobrir seus gastos pessoais e, também, enviar algo para sua família. Ao mesmo tempo, está sob a imensa pressão de devolver o empréstimo que lhe permitiu comprar o visto.

Milhares de paquistaneses como ele acreditam nos contos de fadas que ouvem sobre as perspectivas de crescimento profissional nos Emirados, mas ali espera por eles um pesadelo trabalhista. Em sua maioria, esses operários não são especializados e estão empregados na construção, que não está funcionando bem nos países do Golfo, rico em petróleo. Como seus preços no mercado mundial caíram, os governos têm dificuldades para pagar as construtoras.

“Me inspirou a história de uma pessoa do povoado que foi a Dubai como pedreiro há três décadas. Agora é dono de duas casas e vários hectares de terra”, contou à IPS Muhammad Iqbal, trabalhador migrante da região paquistanesa de Gujranwala. Todos em seu povoado querem seguir seu exemplo, independente da situação existente no Golfo, acrescentou.

O Paquistão depende em grande parte das remessas de dinheiro, que representam 6,9% do produto interno bruto do país, de acordo com o Banco Mundial. Mais da metade dessa quantia procede da Arábia Saudita e de Dubai. Nos Emirados há aproximadamente 1,3 milhões de trabalhadores paquistaneses e cerca de 4,3 milhões na Arábia Saudita.

No último ano fiscal, o país recebeu US$ 19,9 bilhões em remessas, mas em julho estas caíram 20% em relação ao mesmo mês de 2015. Acredita-se que as demissões e a falta de pagamento de salários aos trabalhadores migrantes na região do Golfo sejam a causa dessa redução. Alguns temem que haverá mais notícias ruins devido à perda de empregos no setor da construção.

Entretanto, para Ashraf Mehmood Wathra, governador do Banco Central do Paquistão, trata-se de um fenômeno passageiro e as coisas melhorarão na medida em que esses países adaptarem suas políticas econômicas para compensar o impacto da queda dos preços do petróleo. A mão de obra imigrante paquistanesa na região do Golfo não é diversificada e se limita principalmente a um ou dois setores.

Acampamento de trabalho em Dubai, onde os dormitórios são destinados aos trabalhadores de acordo com sua nacionalidade, e chega a haver até oito pessoas por quarto. Foto: S. Irfan Ahmed/IPS

Acampamento de trabalho em Dubai, onde os dormitórios são destinados aos trabalhadores de acordo com sua nacionalidade, e chega a haver até oito pessoas por quarto. Foto: S. Irfan Ahmed/IPS

O governo do Paquistão ignorou durante muito tempo esse aspecto e deixou à mercê do setor privado as tendências internacionais de migração trabalhista. Nos últimos tempos, após a demissão de aproximadamente nove mil trabalhadores paquistaneses por empresas construtoras na Arábia Saudita, existe a consciência de que depender desse setor não será uma aposta segura no futuro.

Os operários paquistaneses “podem sobreviver nas piores condições possíveis de trabalho e suportar o calor extremo”, segundo Zahid Mahmood, diretor-geral da Material Lab, uma empresa líder em testes de materiais em Dubai. Os trabalhadores pastuns, da parte noroeste do país, são muito solicitados pela mesma razão. Mas isso tem um lado negativo, já que pouco se faz para garantir sua entrada em outros setores trabalhistas, ressaltou.

Esses operários chegam a receber apenas US$ 210 por mês, embora os que são pedreiros, carpinteiros, supervisores, soldadores e outros trabalhadores especializados possam ganhar mais. Mahmood pontuou que há poucos paquistaneses no setor de serviços, dominado pelos indianos devido ao seu melhor nível educacional e de treinamento. Há poucos paquistaneses guardas de segurança ou no setor de turismo, embora exista grande demanda nessas áreas.

O Paquistão terá que idealizar uma estratégia de desenvolvimento de recursos humanos adequada para permanecer no mercado profissional altamente competitivo e volátil da região do Golfo, opinou Mahmood. Ele também se preocupa com os baixos salários pagos aos trabalhadores paquistaneses e diz que deveriam ser feitas gestões para estabelecer um salário mínimo, por exemplo, de US$ 300 mensais.

“O papel do Estado se torna importante aqui porque os trabalhadores migrantes no Golfo não têm voz. Sem direito de associação nem de reclamar seus direitos, são tão indefesos quanto se pode imaginar”, denunciou Khalid Mahmood, da Fundação para a Educação do Trabalho, com sede em Lahore.

Dilip Ratha, economista do Banco Mundial, diz que o auge da construção no Golfo, financiada pelo dinheiro do petróleo, terminou e agora há menos necessidade de mão de obra imigrante. Essas economias também tentam gerar um espaço para empregar seus próprios cidadãos, algo que vai reduzir ainda mais o mercado de trabalho para os estrangeiros, acrescentou. Envolverde/IPS

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Pesadelo trabalhista no Golfo http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/pesadelo-trabalhista-no-golfo/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/pesadelo-trabalhista-no-golfo/#comments Tue, 27 Sep 2016 13:14:02 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=214405 Os operários paquistaneses “podem sobreviver nas piores condições possíveis de trabalho e suportar o calor extremo”, segundo Zahid Mahmood, diretor-geral da Material Lab, uma empresa líder em testes de materiais em Dubai. Por Irfan Ahmed, da IPS –  Dubai, Emirados Árabes Unidos, 27/9/2016 – Na zona industrial Al Quoz, em Dubai, um dos Emirados Árabes Unidos […]

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 Trabalhadores paquistaneses em uma construção em Dubai. Foto: S. Irfan Ahmed/IPS


Trabalhadores paquistaneses em uma construção em Dubai. Foto: S. Irfan Ahmed/IPS

Os operários paquistaneses “podem sobreviver nas piores condições possíveis de trabalho e suportar o calor extremo”, segundo Zahid Mahmood, diretor-geral da Material Lab, uma empresa líder em testes de materiais em Dubai.

Por Irfan Ahmed, da IPS – 

Dubai, Emirados Árabes Unidos, 27/9/2016 – Na zona industrial Al Quoz, em Dubai, um dos Emirados Árabes Unidos (EAU), ônibus levam operários imigrantes até seus afastados locais de trabalho, bem cedo pela manhã. À tarde, ou mesmo altas horas da noite, os trabalhadores voltam aos seus acampamentos pelos mesmos meios. Os operários mal têm tempo para descansar antes da próxima jornada de trabalho. Até oito pessoas chegam a dividir quartos pequenos e sujos.

Com seus pertences entulhados pelos cantos, quase não têm espaço para se mover, e são vulneráveis a infecções, que transmitem uns aos outros. Seus dias começam muito cedo, já que precisam cozinhar os alimentos que levarão para o lugar onde trabalham, e termina tarde, por causa das longas viagens e dos frequentes engarrafamentos no trânsito.

Nos acampamentos convivem trabalhadores de diferentes países, e a prática habitual é destinar-lhes quartos compartilhados segundo suas nacionalidades, que, em geral, são Bangladesh, Índia, Nepal ou Paquistão. O paquistanês Javed Iqbal, de 29 anos, chegou a Dubai por um intermediário que lhe vendeu um visto de trabalho por cerca de US$ 3 mil, e foi necessário sua família pedir empréstimo a outros familiares para fazer esse pagamento.

Como só cursou até o quarto ano, Javed é analfabeto e não pôde encontrar um trabalho em seu país de origem. A única opção que tinha era chegar a Dubai, onde está preso a um trabalho na construção que paga apenas US$ 240 por mês, o que não basta para cobrir seus gastos pessoais e, também, enviar algo para sua família. Ao mesmo tempo, está sob a imensa pressão de devolver o empréstimo que lhe permitiu comprar o visto.

Milhares de paquistaneses como ele acreditam nos contos de fadas que ouvem sobre as perspectivas de crescimento profissional nos Emirados, mas ali espera por eles um pesadelo trabalhista. Em sua maioria, esses operários não são especializados e estão empregados na construção, que não está funcionando bem nos países do Golfo, rico em petróleo. Como seus preços no mercado mundial caíram, os governos têm dificuldades para pagar as construtoras.

“Me inspirou a história de uma pessoa do povoado que foi a Dubai como pedreiro há três décadas. Agora é dono de duas casas e vários hectares de terra”, contou à IPS Muhammad Iqbal, trabalhador migrante da região paquistanesa de Gujranwala. Todos em seu povoado querem seguir seu exemplo, independente da situação existente no Golfo, acrescentou.

O Paquistão depende em grande parte das remessas de dinheiro, que representam 6,9% do produto interno bruto do país, de acordo com o Banco Mundial. Mais da metade dessa quantia procede da Arábia Saudita e de Dubai. Nos Emirados há aproximadamente 1,3 milhões de trabalhadores paquistaneses e cerca de 4,3 milhões na Arábia Saudita.

No último ano fiscal, o país recebeu US$ 19,9 bilhões em remessas, mas em julho estas caíram 20% em relação ao mesmo mês de 2015. Acredita-se que as demissões e a falta de pagamento de salários aos trabalhadores migrantes na região do Golfo sejam a causa dessa redução. Alguns temem que haverá mais notícias ruins devido à perda de empregos no setor da construção.

Entretanto, para Ashraf Mehmood Wathra, governador do Banco Central do Paquistão, trata-se de um fenômeno passageiro e as coisas melhorarão na medida em que esses países adaptarem suas políticas econômicas para compensar o impacto da queda dos preços do petróleo. A mão de obra imigrante paquistanesa na região do Golfo não é diversificada e se limita principalmente a um ou dois setores.

Acampamento de trabalho em Dubai, onde os dormitórios são destinados aos trabalhadores de acordo com sua nacionalidade, e chega a haver até oito pessoas por quarto. Foto: S. Irfan Ahmed/IPS

Acampamento de trabalho em Dubai, onde os dormitórios são destinados aos trabalhadores de acordo com sua nacionalidade, e chega a haver até oito pessoas por quarto. Foto: S. Irfan Ahmed/IPS

O governo do Paquistão ignorou durante muito tempo esse aspecto e deixou à mercê do setor privado as tendências internacionais de migração trabalhista. Nos últimos tempos, após a demissão de aproximadamente nove mil trabalhadores paquistaneses por empresas construtoras na Arábia Saudita, existe a consciência de que depender desse setor não será uma aposta segura no futuro.

Os operários paquistaneses “podem sobreviver nas piores condições possíveis de trabalho e suportar o calor extremo”, segundo Zahid Mahmood, diretor-geral da Material Lab, uma empresa líder em testes de materiais em Dubai. Os trabalhadores pastuns, da parte noroeste do país, são muito solicitados pela mesma razão. Mas isso tem um lado negativo, já que pouco se faz para garantir sua entrada em outros setores trabalhistas, ressaltou.

Esses operários chegam a receber apenas US$ 210 por mês, embora os que são pedreiros, carpinteiros, supervisores, soldadores e outros trabalhadores especializados possam ganhar mais. Mahmood pontuou que há poucos paquistaneses no setor de serviços, dominado pelos indianos devido ao seu melhor nível educacional e de treinamento. Há poucos paquistaneses guardas de segurança ou no setor de turismo, embora exista grande demanda nessas áreas.

O Paquistão terá que idealizar uma estratégia de desenvolvimento de recursos humanos adequada para permanecer no mercado profissional altamente competitivo e volátil da região do Golfo, opinou Mahmood. Ele também se preocupa com os baixos salários pagos aos trabalhadores paquistaneses e diz que deveriam ser feitas gestões para estabelecer um salário mínimo, por exemplo, de US$ 300 mensais.

“O papel do Estado se torna importante aqui porque os trabalhadores migrantes no Golfo não têm voz. Sem direito de associação nem de reclamar seus direitos, são tão indefesos quanto se pode imaginar”, denunciou Khalid Mahmood, da Fundação para a Educação do Trabalho, com sede em Lahore.

Dilip Ratha, economista do Banco Mundial, diz que o auge da construção no Golfo, financiada pelo dinheiro do petróleo, terminou e agora há menos necessidade de mão de obra imigrante. Essas economias também tentam gerar um espaço para empregar seus próprios cidadãos, algo que vai reduzir ainda mais o mercado de trabalho para os estrangeiros, acrescentou. Envolverde/IPS

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Diferenças demográficas preocupam http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/diferencas-demograficas-preocupam/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/diferencas-demograficas-preocupam/#comments Mon, 26 Sep 2016 13:01:31 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=214366 A população mundial de 7,4 bilhões de pessoas aumenta 1,1% o ano, cerca de metade do pico alcançado no final da década de 1960, mas cada vez são mais evidentes as diferenças enormes entre os países, o que preocupa a comunidade internacional. Por Joseph Chamie* Nova York, Estados Unidos, 26/9/2016 – Em um extremo estão os […]

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 Vista da cidade de Daca, em Bangladesh. Ásia Pacífico vive um rápido processo de urbanização. Foto: Kibae Park/ONU


Vista da cidade de Daca, em Bangladesh. Ásia Pacífico vive um rápido processo de urbanização. Foto: Kibae Park/ONU

A população mundial de 7,4 bilhões de pessoas aumenta 1,1% o ano, cerca de metade do pico alcançado no final da década de 1960, mas cada vez são mais evidentes as diferenças enormes entre os países, o que preocupa a comunidade internacional.

Por Joseph Chamie*

Nova York, Estados Unidos, 26/9/2016 – Em um extremo estão os 29 países que verão pelo menos duplicar sua população até meados deste século, e na outra ponta estão outros 38 que, pelo contrário, verão sua população diminuir no mesmo período.

Os Estados que duplicarão sua população estão todos na África subsaariana, salvo Iraque e Palestina. O país mais povoado entre eles é a Nigéria, com 187 milhões  de habitantes, seguido de República Democrática do Congo (RDC), com 80 milhões, e Tanzânia, com 55 milhões.Atualmente, esses países concentram 10% da população mundial. Mas, por seu rápido crescimento demográfico, até 2050 terão 18% dos dez bilhões de pessoas que, segundo os prognósticos, habitarão o planeta.

Entre os Estados que duplicam sua população, o que tem crescimento demográfico mais acelerado é Níger, cujos 21 milhões de habitantes duplicarão até 2034, e até meados deste século registrará aumento populacional de 250%, o que mais do que triplicará sua população, que chegará aos 72 milhões de habitantes. Outros países com aumentos significativos, da ordem de 150% ou mais, são Zâmbia, Angola, Uganda e Mali.

 Aumento da população entre os países que duplicam seu crescimento demográfico. Foto: Divisão de População das Nações Unidas


Aumento da população entre os países que duplicam seu crescimento demográfico. Foto: Divisão de População das Nações Unidas

 

Além disso, os prognósticos indicam que a população da Nigéria aumentará 112%, para quase 400 milhões de pessoas até 2050, deslocando os Estados Unidos como terceiro país mais povoado do mundo, atrás de Índia e China. Também se prevê que a RDC aumentará em 145% sua população, terá cerca de 116 milhões a mais de pessoas, fazendo com que sua população chegue a 200 milhões  até meados do século.

Diminuição da população nos países onde o crescimento demográfico está em queda. Foto: Divisão de População das Nações Unidas

Diminuição da população nos países onde o crescimento demográfico está em queda. Foto: Divisão de População das Nações Unidas

 

Os Estados em declive, cerca de 40 países em desenvolvimento e ricos, experimentarão uma redução populacional até meados deste século, e passarão a ter 20% dos habitantes do mundo em 2050, em relação aos 30% atuais. Os dez países que verão suas populações diminuírem mais, em não menos de 15%, estão todos na Europa oriental. O que registra maior queda é a Bulgária, com 27%, seguido de Romênia, 22%, Ucrânia, 21% e Moldávia, 20%.

O país que terá maior queda de população, a China, registrará diminuição de mais de 2% até 2050, e o número de habitantes chegará ao seu máximo em menos de uma década. Outros países onde haverá redução populacional até meados do século são Japão com 15%, Rússia, 10%, Alemanha, 8% e Itália, 5%. De fato, muitas dessas nações há décadas já registram um declínio em seu crescimento, como Bulgária, Hungria, Japão, Letônia, Lituânia, Romênia, Rússia, Sérvia e Ucrânia.

As projeções para alguns dos países em declínio incluem o aporte migratório. Para países como Itália, Japão, Alemanha, Hungria, Espanha e Rússia, a imigração atenua o menor crescimento esperado. Por exemplo, se prevê que a população italiana crescerá 5% menos até meados do século com o aporte migratório, mas sem ele diminuiria 13%.

Também há diferenças significativas entre a evolução da mortalidade e a migração entre os dois grupos de países. Os Estados que duplicam sua população têm mortalidade notoriamente maior do que aqueles onde ela diminui. Além disso, os que duplicam costumam ser países de emigrantes, ao contrário dos que estão em declínio, que recebem imigrantes.

Porém, as grandes diferenças no futuro crescimento demográfico têm a ver principalmente com a taxa de fecundidade, em torno de 5,3 filhos por mulher entre os 29 duplicadores. Em um extremo estaria o Quênia, com 4,4%, e no outro Níger, com 7,6%.Por outro lado, a fecundidade entre os 38 Estados com crescimento demográfico descendente fica abaixo do nível de substituição de dois filhos, com média de 1,5. Os países com menor taxa de fecundidade são China, Alemanha, Hungria, Itália, Japão, Polônia, Rússia e Espanha.

As diferenças de crescimento demográfico apresentam enormes desafios, e bem distintos, entre os dois grupos.

Os Estados duplicadores deverão enfrentar sérios desafios em matéria de desenvolvimento para cobrir as necessidades básicas de uma população jovem e em rápido crescimento. A idade média de seus habitantes é inferior a 20 anos, e o que tem menor média é Níger, com 15 anos, seguido por Uganda, Chade, Angola, Mali e Somália, cada um com 16.

Muitos duplicadores, como Angola, RDC, Mali, Níger e Uganda, sofrem atualmente escassez de alimentos. Nos próximos anos será cada vez mais difícil para eles oferecer uma alimentação suficiente à sua população em rápido crescimento. Outras dificuldades têm a ver com moradia, educação, saúde, emprego, segurança pessoal e governança, especialmente porque quase metade dos países duplicadores está entre os Estados mais vulneráveis ou em alerta máximo de falência.

As custosas condições de vida que sofre a maioria das pessoas nos países que duplicam sua população fazem com que cada vez mais jovens procurem emigrar, legal ou ilegalmente, para nações mais ricas, que têm população em declínio.

Muitos dos Estados com crescimento demográfico em queda já passaram do ponto em que o número de maiores de 65 anos supera o de menores de 15. A idade média de sua população é de pouco mais de 40. Japão, Alemanha e Itália são os que têm a maior idade média populacional, de 46 anos. A proporção de idosos aumenta e estes vivem cada vez mais, frequentemente muitos anos após se aposentarem, o que preocupa os governos dos países em declínio populacional, por causa do aumento do custo da assistência social, das pensões, da saúde, e dos cuidados que esse setor da população necessita.

Pouquíssimos países com crescimento demográfico em queda estão preparados para aceitar um grande número de imigrantes, especialmente procedentes dos Estados em duplicação, como estratégia para enfrentar a escassez de mão de obra e os problemas de envelhecimento de sua própria população. Como já foi dito, alguns dos países em queda constroem muros, barreiras e obstáculos para deter a imigração não autorizada, enquanto outros estão definitivamente contrários a que um número considerável de estrangeiros crie raízes dentro de suas fronteiras.

Muitos deles, como China, Alemanha, Itália, Japão, Rússia e Espanha, procuram reverter sua tendência demográfica elevando sua baixa taxa de fecundidade, com a esperança de diminuir os imigrantes e, inclusive, quem sabe, aproximar-se da estabilização populacional. Mas avançar para o nível de substituição incentivando mulheres a terem mais filhos fica difícil para eles e, em geral, não obtêm êxito.

Há um dito que diz que os opostos se atraem. Talvez no amor, na amizade e nos filmes as pessoas se sintam atraídas por aqueles que consideram diferentes. Mas não parece ser o caso dos países duplicadores e aqueles em declínio, ao menos agora. E, ao contrário, como demonstrou em reiteradas oportunidades a história da demografia, as populações em rápido crescimento não permanecem facilmente dentro de seu território, e acabam atravessando desertos, montanhas, rios e mares, e se dispersando por todos os continentes.

*Este é um artigo de opinião de Joseph Chamie, demógrafo, consultor independente e ex-diretor da Divisão de População da Organização das Nações Unidas (ONU).

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Poucos superam desterro forçado http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/poucos-superam-desterro-forcado/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/poucos-superam-desterro-forcado/#comments Mon, 26 Sep 2016 12:45:26 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=214371 A construção de grandes centrais hidrelétricas no Brasil constitui uma tragédia para milhares de famílias deslocadas, e um pesadelo para as empresas que procuram reassentá-las seguindo a legislação local. Mas não é exclusivo do Brasil. Por Mario Osava, da IPS –  Porto Velho, Rondônia, 26/9/2016 –  Em todo o mundo resultou empobrecida a maioria da […]

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 Alunos da escola de Vila Nova Teotônio, que ficou com metade dos alunos, esperam o ônibus que os levará para suas casas nas proximidades ou ao barco que cruza a represa da hidrelétrica de Santo Antônio, porque moram do outro lado do rio Madeira, no município de Porto Velho, em Rondônia. Foto: Mario Osava/IPS


Alunos da escola de Vila Nova Teotônio, que ficou com metade dos alunos, esperam o ônibus que os levará para suas casas nas proximidades ou ao barco que cruza a represa da hidrelétrica de Santo Antônio, porque moram do outro lado do rio Madeira, no município de Porto Velho, em Rondônia. Foto: Mario Osava/IPS

A construção de grandes centrais hidrelétricas no Brasil constitui uma tragédia para milhares de famílias deslocadas, e um pesadelo para as empresas que procuram reassentá-las seguindo a legislação local. Mas não é exclusivo do Brasil.

Por Mario Osava, da IPS – 

Porto Velho, Rondônia, 26/9/2016 –  Em todo o mundo resultou empobrecida a maioria da população afetada por 36 de 44 hidrelétricas construídas desde 1936, segundo um estudo de 2005,realizado por Thayer Scudder, professor de antropologia no Instituto Tecnológico da Califórnia, nos Estados Unidos.

Na realidade, apenas três das centrais permitiram melhorar a vida das pessoas. Em outros cinco casos, conseguiu-se recompor o nível de vida anterior. Das 50 centrais pesquisadas, foram 19 da Ásia, 10 da América Latina e o restante de outras regiões, mas apenas 44 apresentavam dados suficientes para o estudo comparativo.

Duas hidrelétricas gigantes recém-construídas no rio Madeira, na Amazônia brasileira,no trecho que cruza o extenso município de Porto Velho, capital de Rondônia, tendem a engrossar as estatísticas negativas, apesar do esforço desenvolvido, com investimentos milionários nos reassentamentos. Seis anos depois do deslocamento, as famílias reassentadas pelas centrais de Jirau e Santo Antônio, a terceira e quarta do país, respectivamente, continuam dependentes da ajuda das empresas concessionárias e uma parte minoritária renunciou à nova moradia.

A escola da Vila Nova Teotônio tem metade dos “quase 300 alunos” de sua localização anterior, e o número “tende a continuar diminuindo a cada ano”, apesar de suas novas instalações mais amplas e modernas, disse à IPS a vice-diretora, Aparecida Veiga. A aldeia de pescadores, surgida há sete décadas junto à cascata Teotonio, minguou juntamente com a escola, ao ser reassentada em um local mais alto, ficando a salvo da inundação da represa de Santo Antônio, construída entre 2008 e 2012, a seis quilômetros de Porto Velho.

“Temos salas com cinco alunos pela manhã, em contraste com os até 42 na antiga sede, com professores subutilizados, necessários em outras escolas”, contou Veiga. “Abaixo”, como a vice-diretora se refere à vila inundada, “a comunidade estava muito ligada à escola, favorecendo o ensino; aqui temos o problema das drogas, meninas grávidas. Tiraram suas raízes, sua cultura”, afirmou. Uma perda foi a cascata submersa.

Casas vazias em Vila Nova Teotônio, onde há 47 famílias, segundo a concessionária da hidrelétrica de Santo Antônio, que construiu uma comunidade de 72 casas, 17 cedidas para a escola, associações de moradores, centros de saúde e outros serviços. Parte das famílias reassentadas nessa comunidade de Rondônia, a abandonou. Foto: Mario Osava/IPS

Casas vazias em Vila Nova Teotônio, onde há 47 famílias, segundo a concessionária da hidrelétrica de Santo Antônio, que construiu uma comunidade de 72 casas, 17 cedidas para a escola, associações de moradores, centros de saúde e outros serviços. Parte das famílias reassentadas nessa comunidade de Rondônia, a abandonou. Foto: Mario Osava/IPS

Com o olhar de homem de negócios, Carlos Afonso Damasceno, de 48 anos e seis filhos, acredita que o problema da nova vila “não é que as pessoas não gostem, mas não haver fonte de renda”. Afirmou que “acabaram os peixes, o rio secou, está sedimentado e morto, sem os peixes de água corrente. Além disso, a estrada de terra foi alongada em 11 quilômetros, ao ser reconstruída rodeando uma ramificação da represa e afastando os turistas”.

Com o pescado escasso e o acesso mais difícil, além dos mosquitos que proliferam por causa da água parada, Teotônio já não atrai os visitantes que antes vinham desfrutar sua gastronomia, sua praia e a cascata, segundo Damasceno, dono de um comércio e do maior restaurante do lugar. Para ele, restaurar a antiga estrada, aterrando o trecho submerso, seria suficiente para superar a decadência econômica local, devolvendo, a aceitáveis 30 quilômetros de distância de Porto Velho, um mercado de 510 mil habitantes.

Apenas 48 famílias da antiga Teotônio aceitaram o reassentamento na nova localização, e delas “restam somente 18, mas algumas não são as originais”, explicou Damasceno.São diferentes os dados do consórcio Santo Antônio Energia (SAE), que construiu a central e tem sua concessão por 35 anos. “Vivem atualmente em Vila Nova Teotônio 47 famílias” e, das 72 casas construídas, 17 foram cedidas à Associação de Moradores e a outras instituições, informou a empresa à IPS.

“Menos de cinco famílias venderam suas casas”, indicou o consórcio, que apresenta a vila como “um caso de referência”, cujo potencial turístico se reflete em eventos ali promovidos e estruturas construídas pelo SAE, como a praia artificial, um embarcadouro de madeira, trilha ecológica, quiosques para refeições e casas de hospedagem.

Carlos Damasceno em seu comércio, que vende gás, alimentos e outros bens aos moradores de Vila Nova Teotônio, com 72 casas construídas para reassentar moradores que viviam às margens do rio Madeira e cujas comunidades foram inundadas pela represa da hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia. Foto: Mario Osava/IPS

Carlos Damasceno em seu comércio, que vende gás, alimentos e outros bens aos moradores de Vila Nova Teotônio, com 72 casas construídas para reassentar moradores que viviam às margens do rio Madeira e cujas comunidades foram inundadas pela represa da hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia. Foto: Mario Osava/IPS

A piscicultura do tambaqui (Piaractus macropomus), o peixe amazônico mais rentável em sua criação, ainda não decolou porque o grupo de moradores escolhido para a atividade rechaça o projeto oferecido para sua capacitação, os insumos, tanques e veículos necessários, lamentou o SAE.

Cada família de Teotônio continua recebendo ajuda mensal de R$ 1.250 da empresa, fixada pelas autoridades ambientais, por reconhecer que ainda não conseguem se manter por conta própria, após seis anos em novas casas de concreto, em áreas de dois mil metros quadrados, com saneamento e serviços básicos.

Dificuldades similares de adaptação à nova vida ocorrem nos outros seis reassentamentos promovidos pelo SAE e dois da Energia Sustentável do Brasil (ESBR), concessionária da hidrelétrica de Jirau, a 120 quilômetros de Porto Velho.

No Reassentamento Rural Coletivo Vida Nova, da ESBR, restam apenas 22 das 35 famílias iniciais. Ao final de 2016, caberá a elas assumir a piscicultura de tambaqui em tanques cavados no solo, cujos efluentes fertilizam hortas e pomares, segundo seu projeto-piloto desenvolvido durante seis anos.

Em Nova Mutum, um complexo urbano de 1.600 casas construído principalmente para alojar seus empregados, a ESBR assentou uma parte dos deslocados por sua represa. Em sua paisagem de fazenda de pecuária, de pastos sem árvores, se tentou reassentar centenas de famílias da velha Mutum Paraná, um povoado de gente ribeirinha e estreita relação com a mata, que foi inundada pela represa de Jirau.

Panorâmica de Nova Mutum Paraná, com 1.600 casas construídas, em uma área desmatada e afastada do rio Madeira, onde foram reassentadas as pessoas deslocadas pela hidrelétrica de Jirau. Uma mudança cultural para uma população ribeirinha, com profunda convivência com o rio e as florestas. Foto: Cortesia da ESBR

Panorâmica de Nova Mutum Paraná, com 1.600 casas construídas, em uma área desmatada e afastada do rio Madeira, onde foram reassentadas as pessoas deslocadas pela hidrelétrica de Jirau. Uma mudança cultural para uma população ribeirinha, com profunda convivência com o rio e as florestas. Foto: Cortesia da ESBR

Longe do rio e de seus peixes, das florestas com suas frutas, substituindo casas de madeira pelas de concreto e a tradicional praia fluvial por uma piscina, o novo habitat foi um choque cultural para os reassentados. Algumas famílias o deixaram, buscando recompor por contra própria o modo de vida anterior em Vila Jirau, uma pequena comunidade à margens do rio.

Mas Nova Mutum é uma das exceções de sucesso dos reassentamentos forçados, segundo Berenice Simão, coautora do ensaio Resiliência Socioecológica em Comunidades Deslocadas por Hidrelétricas na Amazônia, junto com a ecologista Simone Athayde, da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Essa pequena comunidade de reassentados é “organizada, conta com uma associação de moradores e outra de mulheres muito ativa, que são persistentes nas negociações, lutam e não desistem de suas reclamações”, afirmou Simão à IPS.

Para isso contribui a presença de muitos comerciantes e funcionários públicos entre os reassentados. Além disso, a ESBR tem Nova Mutum como “vitrine” e parece decidida a investir o que for preciso para o desenvolvimento da nova comunidade, pontuou a autora.A empresa mantém o Observatório Ambiental de Jirau, uma organização social com participação das comunidades que promove a educação ambiental, por meio de hortas e reflorestamento, e que incentiva o cooperativismo entre agricultores.

Uma fábrica de móveis está se instalando no lugar, em um galpão sem uso depois de concluída a construção da represa. “Pode ser o embrião do polo industrial”, que estava nos planos da ESBR e não foi adiante, e gerar empregos, favorecendo o desenvolvimento da comunidade, concluiu Simão. Envolverde/IPS

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Crianças refugiadas sem nada para festejar http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/criancas-refugiadas-sem-nada-para-festejar/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/criancas-refugiadas-sem-nada-para-festejar/#comments Fri, 23 Sep 2016 13:23:31 +0000 Phoebe Braithwaite http://www.envolverde.com.br/?p=214332 Por Phoebe Braithwaite, da IPS –  Nações Unidas,23/9/2016 – A nadadora síria Yusra Mardini, que integrou a equipe de Atletas Olímpicos Refugiados nos jogos Rio 2016, abriu a reunião de alto nível sobre refugiados, convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, demonstrando uma esperança que foge à maioria de meninos e meninas refugiados.No dia […]

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 Um iemenita cuida de um bebê no acampamento de Obock. Foto: James Jeffrey/IPS


Um iemenita cuida de um bebê no acampamento de Obock. Foto: James Jeffrey/IPS

Por Phoebe Braithwaite, da IPS – 

Nações Unidas,23/9/2016 – A nadadora síria Yusra Mardini, que integrou a equipe de Atletas Olímpicos Refugiados nos jogos Rio 2016, abriu a reunião de alto nível sobre refugiados, convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, demonstrando uma esperança que foge à maioria de meninos e meninas refugiados.No dia 19, os Estados Unidos foram um dos principais países a obstruir a Declaração da Organização das Nações Unidas (ONU) que proibiria a detenção de todo menor refugiado.

Essa decisão prejudicou o compromisso assumido por Washington no dia seguinte, de reassentar 110 mil refugiados em 2017. Pouco mais da metade dos 65,3 milhões de pessoas deslocadas é de crianças, das quais a maioria, cerca de 25 milhões, não está escolarizada, o que pode deixar toda uma geração atrasada. A cúpula organizada por Obama, realizada no dia 20, foi a segunda reunião de alto nível sobre refugiados e migrantes, após a convocada para o dia anterior pela ONU, durante a Assembleia Geral da ONU.

Os Estados membros não chegaram a um acordo, no dia 19, sobre uma estratégia para reassentar um em cada dez refugiados no mundo. Obama convidou os chefes de Estado e de governo a assumirem compromissos individualmente. O convite se concentrou em “novos compromissos significativos”, sejam lugares de reassentamento ou contribuições econômicas.

No contexto da cúpula, 52 países e organizações se comprometeram a entregar US$ 4,5 bilhões em assistência humanitária, a duplicar o número de pessoas reassentadas, seja como refugiadas ou outras vias legais, a melhorar o acesso a educação para um milhão de crianças e oferecer opções de trabalho para um milhão de refugiados.

“Essa crise é uma prova de nossa humanidade comum, seja cedendo às suspeitas e ao medo e construindo muros, ou nos olhando de outra forma”, apontou Obama em seu oitavo e último discurso na Assembleia Geral como presidente dos Estados Unidos, claramente se referindo à campanha de terror que realiza o candidato do opositor Partido Republicano, Donald Trump.“Essas meninas vítimas do tráfico e de torturas poderiam ser nossas filhas”, ressaltou Obama.

Entretanto, seu governo é responsável pela detenção de menores sem acompanhantes adultos e de mulheres jovens procedentes da América Central, um espinho no que chamam de seu “quintal dos fundos”.Obama deve receber “felicitações por tentar compartilhar a responsabilidade em escala global”, destacou à IPS Kevin Appleby, diretor do Centro de Estudos Migratórios, com sede em Nova York.“Mas deve ser consistente com todos os grupos de refugiados. O governo não volta todo seu esforço para a proteção desse fluxo migratório particular”, acrescentou, se referindo aos refugiados centro-americanos.

“Para nós, não há nenhuma dúvida de que a detenção de menores não resolve nada e acaba castigando as pessoas mais vulneráveis, que nada tiveram a ver com a criação da situação que os obriga a fugir. Estamos extremamente decepcionados pelo fato de se ter diluído o texto sobre a detenção de menores no documento final”, opinou à IPS Hannah Stoddart, diretora de comunicações da organização War Child.

“Vemos que as crianças que não fogem de situações de conflito correm um risco muito maior de serem detidas, e nossa mensagem é muito clara e diz que nenhuma criança deve ser criminalizada por fugir dos horrores da guerra, por seus pais ou pelo status legal de seus pais”, enfatizou Stoddart. A Convenção sobre os Direitos da Criança, da qual os Estados Unidos são um dos poucos países não signatários, diz que “nenhuma criança deve ser privada de sua liberdade de forma ilegal ou arbitrária”, e também que a detenção de um menor deve ser “pelo menor tempo apropriado”.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se dirige aos participantes da reunião de líderes sobre refugiados, que organizou por ocasião da Assembleia Geral da ONU, este mês. Foto: Rick Bajornas/ONU

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se dirige aos participantes da reunião de líderes sobre refugiados, que organizou por ocasião da Assembleia Geral da ONU, este mês. Foto: Rick Bajornas/ONU

Na cúpula de Obama, a promessa de priorizar a educação dos refugiados foi aplaudida, mas somente 50% de meninos e meninas nessa situação cursam o ensino primário e apenas 22% o secundário. As crises prolongadas colocam em risco gerações inteiras. A organização War Child lamentou que os mais de US$ 129 milhões  comprometidos pela Grã-Bretanha se destinem à dissuasão, pois seria “melhor investi-los em educação e na proteção das crianças que fogem de conflitos e da perseguição”.

O governo britânico já constrói um muro na cidade francesa de Calais, para impedir a passagem de refugiados e imigrantes. Um adolescente afegão de 14 anos morreu atropelado por um caminhão quando tentava entrar no território britânico, apesar de ter direito de estar ali, como a maioria das 900 crianças sem acompanhantes adultos atualmente perdidos em Calais.

Por sua vez, o diretor da Liga Palestina para os Direitos Humanos, Salim Salamah, observou que um dos aspectos mais importantes de garantir a escolarização das crianças é que seus pais estejam empregados. Ele é um palestino nascido e criado em um acampamento de refugiados da Síria, que foi obrigado a pedir refúgio na Suécia um ano antes de obter o diploma de advogado na Universidade de Damasco.

Alguns esforços prosperam, como o caso dos sírios do acampamento jordaniano de Zaatari, que há pouco conseguiram permissão de trabalho. Mas é preciso muito mais, pois somente na Jordânia há 670 mil refugiados sírios e nove em cada dez vivem com apenas US$ 87 por mês.Entre outubro de 2013 e agosto de 2015, cerca de 102 mil crianças sem acompanhantes adultos chegaram aos Estados Unidos, procedentes do México e de outros países da região, como El Salvador, Honduras e Guatemala.

Obrigados a fugir da violência das gangues, da extrema pobreza e de Estados incapazes ou reticentes em protegê-los, o número de menores que viajam sozinhos é notoriamente maior do que o fluxo regular de pessoas que chegam aos Estados Unidos desde a década de 1980. “A proteção de menores não deve depender do status migratório de seus pais”, apontou Megan McKenna, diretora de comunicações da organização Kids in Need of Defense (Kind), dedicada a fornecer serviços legais a menores. “É uma questão de proteção infantil, não um problema migratório, nem um problema de controle policial”, disse à IPS.

Segundo o Programa de Menores da América Central, apenas as crianças cujos pais têm status legal nos Estados Unidos obtêm permissão para ficar nesse país. Várias organizações de direitos humanos denunciam que seis em cada dez centro-americanos que chegam aos Estados Unidos têm argumentos válidos para pedir asilo, mas costumam ser tratados como migrantes econômicos e não como refugiados.

No dia 20, Obama declarou na ONU que “os Estados Unidos são uma superpotência rara na história da humanidade, porque até agora têm sido capazes de pensar além de seus próprios interesses”. Mas, segundo Appleby, “no que se refere aos refugiados da América Central, está mais do que claro que sua política responde a interesses nacionais”.

“Tudo que se ouve dizer sobre ajudar e salvar as pessoas no Mar Mediterrâneo, em termos de reunificação familiar, nosso governo é culpado de não cumprir”, enfatizou Appleby, acrescentando que “os Estados Unidos gastam milhões de dólares com a detenção de famílias em cárceres privados e pagando às autoridades mexicanas para que impeçam e detenham o fluxo de migrantes”.

É preciso prestar mais atenção na cumplicidade de Washington com os problemas que afetam a região, desde sua política externa, desde seu papel após o golpe de Estado em Honduras, em 2009, contra o governo democrático do presidente Manuel Zelaya, até a guerra contra as drogas.

“Sinto muito”, declarou Appleby, “mas Obama deportou mais pessoas do que todos seus antecessores e separou mais famílias do que qualquer dos presidentes anteriores. Assim, terei que objetar suas palavras porque o que pratica de fato não condizcom suas ações”. Envolverde/IPS

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Acordo de Paris pode entrar em vigor http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/acordo-de-paris-pode-entrar-em-vigor/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/acordo-de-paris-pode-entrar-em-vigor/#comments Fri, 23 Sep 2016 13:17:15 +0000 Tharanga Yakupitiyage http://www.envolverde.com.br/?p=214329 Por Tharanga Yakupitiyage, da IPS –  Nações Unidas, 23/9/2016 – O Acordo de Paris sobre mudança climática está a ponto de entrar em vigor, depois que 31 Estados depositaram oficialmente seus instrumentos de ratificação na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), o que elevou para 60 o número de ratificações. Entretanto, esses 60 países representam […]

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, aplaude, durante a reunião de alto nível sobre a entrada em vigor do Acordo de Paris. Foto: Rick Bajornas/ONU

Por Tharanga Yakupitiyage, da IPS – 

Nações Unidas, 23/9/2016 – O Acordo de Paris sobre mudança climática está a ponto de entrar em vigor, depois que 31 Estados depositaram oficialmente seus instrumentos de ratificação na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), o que elevou para 60 o número de ratificações. Entretanto, esses 60 países representam apenas 48% das emissões globais de carbono e o acordo exige pelo menos 55 países que representem 55% dessas emissões para entrar em vigor.

Convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a Reunião de Alto Nível sobre a Entrada em Vigor do Acordo de Paris sobre mudança climática, realizada no dia 21, contou com a presença de governantes de todo o mundo para que confirmar os compromissos que assumiram em 2015 com a finalidade de reduzir as emissões de gases-estufa.

“O que antes parecia impossível agora parece inevitável. Quanto terminar este ano, espero que todos possamos olhar para trás com orgulho, sabendo que aproveitamos a oportunidade de proteger nosso lar comum”, afirmou Ban aos delegados presentes. Alden Meyer, da organização independente União de Cientistas Preocupados (UCS), destacou a importância do encontro. “Os líderes políticos veem isso como um tema importante para seu público”, apontou à IPS.

Do mesmo modo, Kaisa Kosonen, assessora do Greenpeace Internacional, considerou “uma inspiração” ver tantos países ratificarem o acordo com tal presteza. “Eu disse que os tempos mudaram. Se pegarmos o processo que tivemos em Copenhague e observarmos onde estamos hoje, quando é provável que o acordo entre em vigor, isso dá a esse documento um começo muito bom”, acrescentou.

Durante a 15ª Conferência das Partes (COP 15) da Convenção sobre Mudança Climática da ONU, em 2009, na Dinamarca, os governantes não assumiram ações concretas para reduzir as emissões. O Acordo de Paris, alcançado em dezembro de 2015, obriga os governos a manterem o aumento da temperatura média abaixo de dois graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais, e a continuarem com o esforço para limitar esse aumento ainda mais, em 1,5 grau.

Muitos acreditam que o tratado será ratificado no final de 2016, menos de um ano após ser assinado em Paris, o que o converteria em um dos tratados de entrada em vigor mais rápida. “Não tem precedentes”, afirmou o porta-voz da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Nick Nuttall.“Alcançar o acordo sobre mudança climática é uma das tarefas mais difíceis que o mundo enfrenta. Esse é um sinal político forte, de que todos os governos estão a bordo para cumprir seriamente suas promessas de Paris”, acrescentou.

China e Estados Unidos, responsáveis por mais de um terço das emissões mundiais de gases-estufa, estão entre os países que aderiram ao tratado. Muitos dos países signatários são pequenos Estados insulares, que veem a mudança climática como uma ameaça existencial, devido à maior ocorrência de desastres naturais e ao aumento do nível do mar, mas suas próprias emissões de carbono são mínimas na escala mundial.

A China, responsável por mais de 20% das emissões do planeta, se comprometeu a reduzir sua emissão de dióxido de carbono em 60% abaixo do nível de 2005, até 2030. O país mais povoado do mundo também pretende ampliar seu consumo de energia procedente de fontes renováveis em 20% no mesmo período.Já os Estados Unidos preveem reduzir em até 28% suas emissões em relação aos níveis de 2005, até 2025.

Meyer se referiu à importância dessa decisão: “Os Estados Unidos são um país muito rico, mas obviamente não está imune à mudança climática, como vimos com as recentes inundações em Luisiana e as secas e ondas de calor no oeste. Nenhum país, nenhuma comunidade está imune”.

Espera-se que mais países ratifiquem o acordo até o final deste ano, entre eles Austrália, Canadá e os 28 membros da União Europeia (UE). Se isso acontecer, o tratado entrará em vigor 30 dias depois das ratificações.Mas esse é apenas o princípio. “O Acordo de Paris é um tratado marco para combater a mudança climática, mas necessita de alguns ajustes”, pontuou Nuttall. Meyer compartilha dessa opinião. O Acordo “só tem sentido se os países o aplicarem. Na verdade, são as medidas práticas que fazem a diferença e isso ainda temos que ver”, ponderou.

Nuttall destacou a necessidade de os Estados contarem com um “livro de regulamentos” para aplicar o tratado. Muitos esperam que isso ocorra na próxima Conferência sobre o Clima (COP 22), que acontecerá em novembro no Marrocos. Meyer se referiu em particular ao desafio que implica conseguir a meta dos dois graus Celsius, e observou que, mesmo que a comunidade internacional consiga atingir esse objetivo, os efeitos da mudança climática aumentarão drasticamente, o que exigirá mais medidas.

“O outro lado dessa discussão tem de ser como aumentar a resistência aos impactos climáticos e como ajudar os países e as comunidades que enfrentam os impactos a lidarem com eles”,, argumentou Meyer. Segundo ele, “este é um momento para comemorar, brindar com champanhe, mas também para voltar a trabalhar pela manhã, porque ainda há muito por fazer”.

E surgem obstáculos na medida em que as políticas comerciais entram em conflito com as medidas contra a mudança climática.“Fica claro que todas as políticas que ainda favorecem os combustíveis fósseis, ou impedem que os países priorizem a energia limpa e renovável, são prejudiciais e não devem ser apoiadas”, ressaltou Kosonen, se referindo a um novo e controverso tratado de comércio sobre os serviços, conhecido como Tisa.

Segundo documentos vazados, o Tisa, em processo de negociação entre a UE e 22 países, poderia arriscar a expansão da energia limpa e renovável, o que prejudicaria o cumprimento do Acordo de Paris. Meyer enfatizou que é importante os chefes de Estado assegurarem que os acordos comerciais sejam “compatíveis” com os esforços contra a mudança climática. Envolverde/IPS

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Sem harmonia entre muçulmanos e europeus http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/sem-harmonia-entre-muculmanos-e-europeus/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/sem-harmonia-entre-muculmanos-e-europeus/#comments Thu, 22 Sep 2016 13:22:56 +0000 Rose Delaney http://www.envolverde.com.br/?p=214315 Por Rose Delaney, da IPS –      Roma, Itália, 22/9/2016 – Há cerca de 20 milhões de muçulmanos na Europa ocidental e, no entanto, não é fácil conseguir uma convivência harmoniosa com os cidadãos europeus. E, para grande frustração de organizações humanitárias e ativistas que lutam contra o racismo, persistem a retórica da exclusão e […]

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Por Rose Delaney, da IPS – 

 

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O Centro de Genebra organizou a conferência Muçulmanos na Europa: O Caminho Para a Harmonia Social, no dia 19 de setembro de 2016. Foto: Cortesia

 

Roma, Itália, 22/9/2016 – Há cerca de 20 milhões de muçulmanos na Europa ocidental e, no entanto, não é fácil conseguir uma convivência harmoniosa com os cidadãos europeus. E, para grande frustração de organizações humanitárias e ativistas que lutam contra o racismo, persistem a retórica da exclusão e os preconceitos.Desde o começo deste século, os muçulmanos de todo o mundo são alvo de forte discriminação e assédio, avivados após os atentados de 2001 em Nova York e Washington, que rapidamente propagaram sentimentos anti-islâmicos nos Estados Unidos.

O terror que infundem os muçulmanos, considerados responsáveis pelo “terrorismo brutal”, derivou na propagação do racismo religioso na Europa. Segundo Zidane Meriboute, autor do livro Muslims in Europe: The Road to Social Harmony(Muçulmanos na Europa: O Caminho Para a Harmonia Social), antes daqueles atentados havia uma preocupação relativamente menos agressiva pelas minorias na Europa. Mas, atualmente a animosidade contra a comunidade muçulmana aumenta a passos de gigante.

O fenômeno da islamofobia pode ser relacionado com o que Edward Said chama de “orientalismo”, em que os árabes e outras comunidades islâmicas foram tradicionalmente considerados pelo Ocidente como os “outros”. Em outras palavras, o que Zidane descreve como “bodes expiatórios dos males da sociedade ocidental”. Isso também remonta ao século 19, quando Arthur Gobineau se referiu à antiga “repulsão recíproca” entre muçulmanos e europeus.

Atualmente, se vê nessas doutrinas racistas e “arcaicas” ressurgir e se reinstalar em forma de racismo sustentado contra árabes e muçulmanos, o que pode se caracterizar, segundo Zidane, como um “discurso europeu contemporâneo e fóbico”.

Na França, ainda prevalece o pensamento do político e escritor do século 20, Charles Maurras, principal ideólogo da Action Française, cujo principal objetivo foi restaurar a nação francesa mediante uma forte monarquia católica. Sua retórica xenófoba arremeteu contra judeus e estrangeiros da região do Mar Mediterrâneo, entre outras minorias. Além disso, seu pensamento foi uma grande influência para os atuais movimentos de extrema direita, inclusive o partido Frente Nacional.

O crescimento dos movimentos de extrema direita na França é particularmente perigoso para a comunidade islâmica, de mais de quatro milhões de pessoas. Estas se tornam alvo desses partidos políticos e sofrem discriminações pelos vínculos que, se presume, têm com grupos extremistas devido, em parte, à manipulação de alguns meios de comunicação e ao medo que se espalha.

Os preconceitos contra os muçulmanos, acentuados por uma série de atentados terroristas, se tornaram evidentes em agosto, quando o Conselho de Estado da França pretendeu proibir o uso da burca. Embora a medida tenha sido suspensa, Zidane acredita que a mentalidade, que criou um entorno propício para esse tipo de medida extrema, revela uma profunda divisão social entre muçulmanos e ocidentais.

Segundo a pesquisa de Zidane, há mais de 1,5 milhão de muçulmanos na Itália. Mas, e apesar de ser uma sociedade principalmente secular, tanto ela como o Estado seguem muito vinculados ao catolicismo, e até agora não foi feito um reconhecimento do Islã. Além disso, há vários partidos de extrema direita, abertamente contrários a essa religião.

Tanto na França como na Itália, o racismo está instalado e o discurso fóbico dos partidos de extrema direita avivam as atitudes discriminatórias contra os muçulmanos. Na França, por exemplo, foram registradas 756 agressões racistas em 2014, além de um aumento da violência policial contra os muçulmanos nos dois países.

Mesmo na Alemanha, que Zidane descreve como um “modelo de tolerância”, há uma agitação de movimentos de extrema direita, que vão contra a maioria. A Grã-Bretanha, onde residem três milhões de muçulmanos, é o país europeu onde gozam de melhor proteção legal e policial. Porém, há um aumento da islamofobia propiciada por movimentos direitistas como o Partido Nacional Britânico.

Em toda a Europa os muçulmanos continuam sendo vítimas de preconceitos étnicos, violência e discriminação. Nesse contexto, o Centro de Genebra para o Avanço dos Direitos Humanos e do Diálogo Global organizou, no dia 19, a conferência Muçulmanos na Europa: O Caminho Para a Harmonia Social, a fim de promover a proibição legal do racismo, da xenofobia e da intolerância religiosa contra os que professam o Islã.

O Centro defende a proibição de toda incitação à violência e ao ódio religioso, bem como o reconhecimento de que a islamofobia deve ser objeto de sanções especiais no marco do direito internacional. Na abertura da conferência, o presidente do Centro, Hanif Al Qassim, destacou que era uma oportunidade para expressar a solidariedade com todas as vítimas do terrorismo cego, que atinge muçulmanos e ocidentais por igual.

Al Qassim também destacou que todas as religiões do mundo fomentam a paz e a harmonia e que é uma vergonha que se distorça sua mensagem para instigar conflitos.As comunidades muçulmanas ficam presas entre a bigorna do perigo iminente dos grupos terroristas eo martelo da crescente islamofobia, e o surgimento do populismo xenófobo em alguns países europeus.

A conferência ofereceu uma oportunidade para discutir alternativas,em busca da harmonia social na Europa e, ao mesmo tempo, do cumprimento do objetivo do Centro, de promover o diálogo inter-religioso e intercultural, concluiu Al Qassim.

Segundo o argelino Idriss Jazairy, ex-secretário-geral do Centro, “a harmonia social começa na escola”. Ensinar a meninos e meninas seus benefícios é o eixo da Ilustração europeia, destacou, citando a máxima do filósofo francês Voltaire: “não compartilho sua opinião, mas daria minha vida para defender seu direito de expressá-la”, no contexto da crescente islamofobia.

Assim, as futuras gerações praticarão a ideia de que, apesar das diferenças religiosas ou étnicas, toda pessoa tem direito de viver em um mundo globalizado, livre do atraso que o racismo e os preconceitos implicam. Envolverde/IPS

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Plataforma digital para atrair investimento http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/plataforma-digital-para-atrair-investimento/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/plataforma-digital-para-atrair-investimento/#comments Thu, 22 Sep 2016 13:13:00 +0000 Ivet González http://www.envolverde.com.br/?p=214310 Por Ivet González, da IPS –  Havana, Cuba, 22/9/2016 – Cuba desenhou pela primeira vez uma plataforma digital e um fórum de negócios para incentivar a afluência de investimentos estrangeiros, quando sua economia sofre uma recaída por deficiências internas e pela instabilidade na Venezuela, seu principal aliado comercial. Por meio do portal do primeiro Fórum de […]

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Uma jornalista faz anotações durante a apresentação do I Fórum de Investimento, que acontecerá durante a 34ª Feira Internacional de Havana (Fihav), que será realizada na capital de Cuba, entre 31 de outubro e 4 de novembro. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Uma jornalista faz anotações durante a apresentação do I Fórum de Investimento, que acontecerá durante a 34ª Feira Internacional de Havana (Fihav), que será realizada na capital de Cuba, entre 31 de outubro e 4 de novembro. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Por Ivet González, da IPS – 

Havana, Cuba, 22/9/2016 – Cuba desenhou pela primeira vez uma plataforma digital e um fórum de negócios para incentivar a afluência de investimentos estrangeiros, quando sua economia sofre uma recaída por deficiências internas e pela instabilidade na Venezuela, seu principal aliado comercial. Por meio do portal do primeiro Fórum de Investimentos da 34ª Feira Internacional de Havana (Fihav), os interessados em negociar com o país podem marcar reuniões diretas com empresas estatais.

O agendamento dever ser feito até 30 de outubro e as reuniões se concretizarão durante o Fórum de Investimentos, nos dias 1º e 2 de novembro.O Fórum e a plataforma constituem a principal novidade da Fihav, que acontecerá entre os dias 31 de outubro e 4 de novembro, com a participação prevista de 4.500 expositores de mais de 60 países. Ali as autoridades apresentarão, pela terceira vez, a carteira de projetos onde se requer a participação estrangeira.

Atualmente, essa carteira conta com 326 propostas e é atualizada desde 2014, com o objetivo de captar ao menos US$ 2,5 bilhões anuais de investimentos, a quantia que o governo de Raúl Castro considera necessária para garantir um crescimento sustentado do produto interno bruto.

Os usuários da plataforma, criada por desenvolvedores cubanos, receberão em menos de 24 horas a confirmação e dados precisos do encontro na Expocuba, o recinto onde a cada ano acontece a Feira, segundo o comitê organizador detalhou a diplomatas jornalistas e empresários.

O processo de negociação para investir em Cuba é muito “lento” e “complicado”, afirmam empresários e especialistas, apesar de facilidades estabelecidas pela nova lei de investimentos estrangeiros, vigente desde 2014, como parte da reforma empreendida pelo governo para deixar para trás a crise de mais de 20 anos.

“O Fórum é uma oportunidade única. Nunca foram utilizadas as novas tecnologias para tornar mais rápida a interação entre o potencial investidor estrangeiro e a empresa cubana”, disse à IPS a diretora interina do estatal Centro para a Promoção do Comércio Exterior e do Investimento Estrangeiro (ProCuba), Yohanely Savigne. O ProCuba fornece informação aos potenciais sócios comerciais estrangeiros sobre as oportunidades de negócios e os conecta com as contrapartes cubanas.

Parte do porto da Zona Especial de Desenvolvimento Mariel, a 45 quilômetros de Havana. O governo cubano está especialmente interessado em atrair investimento estrangeiro para este centro logístico, industrial, portuário e de zona franca. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Parte do porto da Zona Especial de Desenvolvimento Mariel, a 45 quilômetros de Havana. O governo cubano está especialmente interessado em atrair investimento estrangeiro para este centro logístico, industrial, portuário e de zona franca. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

O  Centro e a Câmara de Comércio de Cuba costumam ser os intermediários contatados de fora, embora exista a via direta, explicou Savigne. Segundo a diretora, desde 2015 atendeu mais de 200 interessados em investimento estrangeiro, em sua maioria procedentes de entidades da Europa e Ásia. Os setores mais atraentes foram turismo, que vive um boom desde que começou o degelo com os Estados Unidos em 2015, biotecnologia e agroalimentar, acrescentou.

“Depois do Fórum será preciso avaliar se manteremos ativa a plataforma. Até agora está previsto manter as vias tradicionais”, pontuou Savigne. “Como Centro, nos interessaria ter permanentemente uma ferramenta como essa para acertar agendas com empresas fora de Havana”, acrescentou.

“Garantimos que o encontro ocorra o mais rápido possível depois que apresentarmos os interesses concretos dos investidores à empresa cubana”, ressaltou a diretora, que prefere não “falar de tempos estimados, porque tudo depende de cada negociação”. Mas afirmou que existe um prazo de 60 dias estabelecido pela lei vigente para receber a resposta de aprovação, ou não, do Ministério do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro.

O representante de uma companhia europeia interessada na geração de energia contou à IPS que esperou por um ano a resposta da contraparte cubana, após apresentar o portfólio na pasta de Comércio Exterior. “Tudo é muito complicado e burocrático”, enfatizou a fonte, que pediu para não ser identificada. Por sua vez, uma internauta que se identificou como Messana Valdés, compartilhou no site de notícias Cuba debate que “não são poucos os comentários desfavoráveis feitos sobre a demora de Cuba em aprovar os pedidos” de investimento estrangeiro.

A complexidade dos trâmites para negociar com Cuba figura entre os obstáculos externos para captar investimentos, como a vigência do embargo norte-americano imposto ao país desde 1962 e as restrições para o uso do dólar norte-americano, entre outros.“Apesar das reformas implantadas, não existe ainda uma evidência clara quanto à decisão do governo de empreender uma abertura internacional ampla da economia”, indicou à IPS o economista cubano Pável Vidal, da Colômbia, onde reside.

Participantes da 32ª Feira Internacional de Havana (Fihav), a principal bolsa comercial que Cuba realiza anualmente no recinto da Expocuba. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Participantes da 32ª Feira Internacional de Havana (Fihav), a principal bolsa comercial que Cuba realiza anualmente no recinto da Expocuba. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

O professor da Universidade Javeriana de Cali forneceu alguns resultados de uma pesquisa que a publicação econômica Cuba Standard realiza a cada trimestre,desde 2015, com cem pessoas de negócios estrangeiras, escolhidas aleatoriamente, sobre “percepções e expectativas que têm os empresários da evolução da atividade econômica”.Inicialmente a pesquisa “capturou o aumento do otimismo em relação ao futuro da economia cubana. Mas, desde então a tendência tem sido decrescente”, observou Vidal.

Enquanto 45,3% dos empresários ouvidos manifestavam, no primeiro trimestre de 2015, um aumento em sua intenção de investir em Cuba, essa porcentagem caiu para 28,8% durante igual período de 2016. As entrevistas mostraram que os obstáculos identificados por investidores são: bloqueio norte-americano (52,4%), burocracia do governo cubano (52,4%), excesso de regulamentações (47,6%), ineficiência das empresas estatais (35,7%), procedimentos e garantias legais (32,1%).

Com base no estudo, Vidal concluiu que “fatores regulatórios e institucionais aparecem hoje em dia como as principais barreiras à expansão dos negócios e à chegada de novos investimentos na ilha. Isso confirma as informações anedóticas que chegam sobre a frustração de vários investidores”, disse o especialista.

Na Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel, um megaprojeto logístico e portuário que construído 45 quilômetros a oeste de Havana para ser o pivô do desenvolvimento cubano, as autoridades apontaram, em janeiro, 11 projetos autorizados e 400 à espera de aprovação. Os projetos provêm de Brasil, Canadá, China, Espanha, França, Itália, México, Panamá, Portugal, Rússia e Vietnã.

Em março, o Ministério de Comércio Exterior informou que havia mais de 200 negócios estabelecidos com capital estrangeiro no país, dos quais 35 concretizados ao amparo da nova lei. A Europa se mantinha como a principal origem dos investidores, embora as autoridades busquem diversificar as fontes envolvidas nos projetos.

A economia cubana cresceu 1% no primeiro semestre de 2016, metade do previsto. No começo de julho, Raúl Castro anunciou a implantação de um programa de ajustes para enfrentar a falta de liquidez financeira e o desabastecimento petroleiro causado por cortes nos 90 mil barris diários que a Venezuela enviava. Envolverde/IPS

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Sem motivos para se tranquilizar http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/sem-motivos-para-se-tranquilizar/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2016/09/ultimas-noticias/sem-motivos-para-se-tranquilizar/#comments Wed, 21 Sep 2016 12:38:27 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=214213 Mais de 65 milhões de pessoas no mundo foram obrigadas a abandonar suas casas; se estivessem em um mesmo país, este seria o 21º entre os mais povoados. Por Tharanga Yakupitiyage, da IPS –  Nações Unidas, 21/9/2016 – Diante do número sem precedentes de pessoas que tiveram que abandonar suas casas em todo o mundo, muitos […]

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 Refugiados sírios sobrevivem em condições insuportáveis no acampamento de Idomeni, na fronteira entre Grécia e Macedônia. Foto: Dimitris Tosidi/Irin


Refugiados sírios sobrevivem em condições insuportáveis no acampamento de Idomeni, na fronteira entre Grécia e Macedônia. Foto: Dimitris Tosidi/Irin

Mais de 65 milhões de pessoas no mundo foram obrigadas a abandonar suas casas; se estivessem em um mesmo país, este seria o 21º entre os mais povoados.

Por Tharanga Yakupitiyage, da IPS – 

Nações Unidas, 21/9/2016 – Diante do número sem precedentes de pessoas que tiveram que abandonar suas casas em todo o mundo, muitos atores humanitários ficaram profundamente decepcionados com o resultado da reunião de alto nível da Organização das Nações Unidas (ONU), que deveria apresentar uma resposta justa aos grandes deslocamentos de refugiados e migrantes. Ao fim da primeira cúpula desse tipo, os governantes aprovaram uma declaração que procurará implantar uma estratégia mais coordenada, integral e humana para a situação dos refugiados.

“A cúpula representa um avanço em nossos esforços coletivos para enfrentar os desafios da mobilidade humana”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no dia 19, por ocasião da abertura da reunião de alto nível, em Nova York. Quando o documento se traduzir em ação, mais meninos e meninas terão educação, mais trabalhadores poderão buscar trabalho e mais pessoas contarão com opções de mobilidade, acrescentou Ban.

“Quando milhões de pessoas veem um convite à liberdade apenas através da barraca de campanha, quando com seus filhos e pertences às costas caminham centenas e até milhares de quilômetros, quando suas famílias correm o risco de se afogar e ficam em deploráveis centros de detenção, e uma vez livres podem sofrer agressões racistas e xenófobas, não há razões para nos sentirmos cômodos”, destacou o comissário de direitos humanos Zeid Ra’ad Al Hussein, alertando contra o otimismo pelo resultado da reunião.

“A amarga verdade é que essa cúpula foi convocada porque fracassamos. É uma vergonha que as vítimas de crimes tão abomináveis tenham que continuar sofrendo porque não conseguimos protegê-las”, lamentou Al Hussein.

Mais de 65 milhões de pessoas no mundo foram obrigadas a abandonar suas casas; se estivessem em um mesmo país, este seria o 21º entre os mais povoados. Um informe da organização Save the Children diz que esse país imaginário teria o maior crescimento populacional, ficaria nos últimos lugares quanto à matrícula escolar e teria uma alarmante proporção de casamentos infantis.

Numerosos refugiados participaram da reunião em Nova York e pediram urgência aos membros da ONU para agirem diante das difíceis circunstâncias que sofrem. Na cúpula também falou a ativista Nadia Murad Basee Taha, uma das cinco mil mulheres yazidíes escravizadas pelo Estado Islâmico (EI) que, quando conseguiu escapar, conseguiu chegar à Alemanha como refugiada.

“Devem saber que, como líderes, o que fizerem terá um impacto positivo ou negativo na vida das pessoas simples. São vocês que decidem se outra menina em outra parte do mundo terá uma vida simples ou de sofrimento e servidão”, advertiu Taha aos presentes. “Vocês e suas famílias não são os únicos a merecerem uma vida, nós também merecemos uma vida”, ressaltou.

Por sua vez, o refugiado sírio Mohammed Badran, coordenador da equipe de Voluntários Sírios na Holanda, falou da necessidade de melhorar o acesso a educação e a outras oportunidades para que as pessoas deslocadas possam reconstruir suas vidas e contribuir para a sociedade. “Se hoje os governantes são incapazes de encontrar uma solução para a crise síria e a dos refugiados, então esta cúpula não é diferente de outras”, destacou.

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O refugiado sírio Mohammed Badran se dirige aos representantes dos países membros da ONU na abertura da reunião de alto nível sobre os grandes deslocamentos de refugiados e migrantes. Foto: Cia Pak/ONU

Muitas organizações avaliam que a reunião de Nova York foi mais do mesmo, consideram-na uma “oportunidade perdida” e se mostraram especialmente decepcionados com o documento final. O rascunho inicial da declaração propunha um pacto mundial com compromissos claros, como reassentar 10% dos refugiados a cada ano e oferecer às crianças acesso a educação dentro dos primeiros 30 dias.Mas, ao fim das negociações, o texto foi eliminado do documento final, liberando os países de toda obrigação de receber os refugiados e lhes fornecer educação.

Além disso, a comunidade internacional adiou todo tipo de acordo sobre um pacto mundial até 2018.“Em lugar de demonstrar sua liderança e dar um passo à frente e assumir sua responsabilidade, os governos jogaram o problema para frente e adiaram sua decisão e seu compromisso, uma vergonha trágica, em particular para os 21 milhões de refugiados que esperam medidas da comunidade internacional”, lamentou a diretora executiva interina do capítulo norte-americano da Anistia Internacional, Margaret Huang.

A diretora executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyima, concordou e disse à IPS que “o que temos aqui são compromissos nada concretos, o que temos é apenas um linguajar florido”. Em particular, ela criticou as nações ricas por não compartilharem a responsabilidade global.Uma análise da Oxfam indica que os seis países mais ricos receberam apenas 9% dos refugiados. Entre eles se destaca o Japão, que só aceitou 27 pessoas em 2015.

Isso deixa os países do Sul Global com todo o peso dessa situação.Por exemplo, o Líbano recebeu mais de um milhão de refugiados sírios, cerca de um quarto de sua população total. O primeiro-ministro, Tammam Salam, se mostrou consternado com esses dados, e disse que nascem mais sírios no Líbano do que os que se instalam em outros países. “É impensável que o Líbano sozinho possa enfrentar um desafio existencial dessas proporções. Quando se fará algo no mundo pelo Líbano?”, perguntou aos delegados.

Além disso, o primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, cujo país abriga quase dois milhões de refugiados afegãos, também destacou a desproporcional carga dos deslocamentos globais que sofrem as nações em desenvolvimento. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou seus planos de elevar o número de refugiados reassentados para 110 mil, mas Huang afirmou à IPS que isso é apenas uma “gota de água em um balde”. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) estima que, para este ano, será preciso reassentar mais de 1,1 milhão de refugiados.

Byanyima também lamentou a falta de compromisso para apoiar economicamente as nações que recebem solicitantes de asilo. Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), apenas 39% dos pedidos de fundos das Nações Unidas conseguem os recursos solicitados. Entre eles, um pedido do Sudão do Sul, que só conseguiu 19% da quantia solicitada, enquanto os planos de resposta para a crise de refugiados no Iêmen e na Síria reuniram 22% e 49% do total, respectivamente.

O diretor do programa de refugiados da organização Human Rights Watch, Bill Frelick, apontou à IPS que a falta de apoio internacional supõe uma grande exigência para alguns países, que se veem obrigados a rejeitar solicitantes de asilo. Ele se referiu ao Quênia, que anunciou em maio o fechamento do acampamento de refugiados de Dadaab, o maior do mundo, em parte por uma significativa redução de fundos.

Por sua vez, o governo da Jordânia fechou sua fronteira com a Síria, deixando cerca de 75 mil pessoas perdidas e sem assistência humanitária. “Os Quêniae Tailândia e Paquistão e Jordânia e Líbano do mundo não devem carregar sozinhos esse peso. A responsabilidade não deve recair nos países fronteiriços, é preciso compartilhá-la”, opinou.

Mas em Nova York não se conseguiu nenhum compromisso tangível em matéria de responsabilidade compartilhada, pois governos, como o da Austrália, defenderam suas restritivas políticas migratórias. No seu caso, se trata de deixar por tempo indefinido os solicitantes de asilo em centros de detenção em Nauru e Papua-Nova Guiné. A Grã-Bretanha afirma que os refugiados só devem solicitar asilo ao primeiro país em que chegam, o que eleva a carga sobre o Sul Global.

Apesar da falta de avanços concretos, há organizações que mantêm seu otimismo. A diretora de políticas públicas humanitárias da Save the Children, Bernice Romero, pontuou à IPS que a reunião da ONU conseguiu ao menos atrair a atenção mundial para a difícil situação das pessoas refugiadas e deslocadas. E acrescentou que o desenvolvimento de um pacto mundial para uma divisão mais igual até 2018 é o primeiro passo do que poderá chegar a ser um significativo processo e plano de ação.

Entretanto, outras pessoas, como Frelick e Huang, têm as esperanças postas na cúpula de chefes de Estado e de governo organizada para hoje por Obama. O objetivo do encontro é garantir mais fundos para a ajuda humanitária, lugares para reassentar os refugiados e alternativas legais, bem como acesso a educação e autorização de trabalho. “Não podemos fechar os olhos. Não cumprem os princípios de direitos humanos e não deixaremos de falar disso, vamos continuar nos mobilizando”, enfatizou Byanyima. Envolverde/IPS

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