IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Tue, 28 Jul 2015 13:34:19 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.3 Sol, terra, ar: energia pouco aproveitada http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/sol-terra-ar-energia-pouco-aproveitada/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/sol-terra-ar-energia-pouco-aproveitada/#comments Tue, 28 Jul 2015 13:34:19 +0000 Diego Arguedas Ortiz http://www.envolverde.com.br/?p=198101 Por Diego Arguedas Ortiz, da IPS –  São José, Costa Rica, 28/7/2015 – Com localização privilegiada pelas correntes aéreas e pela radiação solar, a América Central continua presa à geração de energia térmica e hidrelétrica em grande escala e desperdiça a possibilidade de incluir as comunidades em projetos menos invasivos e mais limpos. Embora há anos […]

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A cooperativa Coopesantos instalou em 2011 um parque eólico nas montanhas de La Paz e Casamata, cerca de 50 quilômetros a sudeste da capital da Costa Rica. Com capacidade instalada de 12,7 megawatts e 15 torres eólicas, a instalação abastece 120 comunidades vinculadas à cooperativa. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS

A cooperativa Coopesantos instalou em 2011 um parque eólico nas montanhas de La Paz e Casamata, cerca de 50 quilômetros a sudeste da capital da Costa Rica. Com capacidade instalada de 12,7 megawatts e 15 torres eólicas, a instalação abastece 120 comunidades vinculadas à cooperativa. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS

Por Diego Arguedas Ortiz, da IPS – 

São José, Costa Rica, 28/7/2015 – Com localização privilegiada pelas correntes aéreas e pela radiação solar, a América Central continua presa à geração de energia térmica e hidrelétrica em grande escala e desperdiça a possibilidade de incluir as comunidades em projetos menos invasivos e mais limpos. Embora há anos tente avançar na geração de energia renovável, a região tem, em média, 36% de eletricidade produzida a partir de enormes usinas que consomem carvão e derivados de petróleo.

Os tomadores de decisão da América Central ainda desprezam o enorme potencial eólico e solar que poderia reduzir suas emissões de carbono e, principalmente, empoderar comunidades vulneráveis, em especial em áreas distantes, facilitando seu acesso à eletricidade.

“De maneira geral, a região não está aproveitando todo o seu potencial, principalmente porque não escolheu as rotas de inversão”, observou à IPS Javier Mejía, oficial de energias renováveis do não governamental Centro Humboltd, da Nicarágua. Ao contrário dos megaprojetos do passado, “os solares e eólicos poderiam ter mais lugar em zonas isoladas e atender pequenos grupos populacionais onde for complicado chegar o sistema interligado”, explicou.

Uma análise do próximo Estado da Região, produzido pelo Conselho Nacional de Reatores, da Costa Rica, concluiu que a América Central utiliza apenas 1% de seu potencial eólico. Além disso, esse informe, que será publicado em 2016 e ao qual um grupo de jornalistas teve acesso, aponta que os países da região possuem entre duas e três vezes mais radiação solar anual do que a Alemanha, a líder mundial no aproveitamento dessa fonte. O estudo utiliza dados de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá, que em conjunto contam com 45 milhões de habitantes.

Parte das comportas da usina hidrelétrica de Cachí, construída na década de 1960 no centro da Costa Rica, cuja ampliação, entre 2014 e 2015, elevou sua capacidade de 103 para 150 megawatts. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS

Parte das comportas da usina hidrelétrica de Cachí, construída na década de 1960 no centro da Costa Rica, cuja ampliação, entre 2014 e 2015, elevou sua capacidade de 103 para 150 megawatts. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS

Durante décadas, os países centro-americanos apostaram em produzir eletricidade com a força dos rios e enormes usinas que consomem derivados de petróleo ou carvão, apoiados em um sistema que descarrega a maior parte dos investimentos em corporações privadas. Em 2014, as hidrelétricas forneceram 45% da eletricidade final da região e os combustíveis fósseis 36%, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Segundo Mejía, uma debilidade da região é que “muitos países dependem do investimento estrangeiro, que muitas vezes é destinado a megaprojetos que por si só não resolvem a problemática energética e acarretam uma série de danos sociais e ambientais”.

Um estudo do não governamental Observatório de Multinacionais na América Latina (Omal), publicado em 2014, revela que 11 empresas privadas (apenas três delas centro-americanas) controlam 40% da produção elétrica da América Central. Segundo o Omal, a participação estatal gira em torno dos 35,7%.

A situação da presença de energias limpas na região varia de país a país. Enquanto a Costa Rica espera fechar 2015 com 97% de sua eletricidade fornecida por fontes renováveis, Nicarágua e Honduras ainda abastecem mais da metade de sua demanda com carvão e derivados de petróleo. O Panamá aumentou sua dependência dos combustíveis fósseis entre 2000 e 2013, enquanto El Salvador apostou fortemente no potencial geotérmico, uma fonte abundante no país. A Guatemala se destaca por ter a maior presença relativa de carvão, a fonte energética mais suja.

A América Central aumentou sua produção eólica e geotérmica, mas ainda depende em grande parte dos derivados de petróleo e das hidrelétricas, segundo dados da Cepal. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS

A América Central aumentou sua produção eólica e geotérmica, mas ainda depende em grande parte dos derivados de petróleo e das hidrelétricas, segundo dados da Cepal. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS

 

O intergovernamental Sistema de Integração Centro-Americana (Sica) controla o mercado elétrico entre os países do istmo e, teoricamente, opera como bloco de negociação nas cúpulas climáticas, mas nos momentos decisivos cada país vota por sua conta. Em uma reunião em Antiga, em junho, os governantes centro-americanos, junto com os de México e Colômbia, se comprometeram a manter uma posição conjunta durante a 21ª Conferência das Partes (COP 21) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontecerá em Paris no mês de dezembro.

As emissões centro-americanas de gases que elevam o aquecimento global somam apenas 0,8% do total mundial, mas a necessidade de fazer a mudança para uma matriz energética mais limpa é urgente. O último informe da Comissão Global sobre Economia e Clima afirma que cerca de 96% das emissões contaminantes devem ser reduzidas até 2030, se a intenção é manter o aumento da temperatura global abaixo dos dois graus centígrados, o teto que por anos foi recomendado pelos cientistas para evitar mudanças irreversíveis no planeta.

“Apesar de não sermos a origem das principais emissões de gases-estufa, existe um fator de vulnerabilidade no abastecimento futuro”, pontuou à IPS o coordenador do informe Estado da Região, Alberto Mora, que alertou para os efeitos nocivos de uma matriz energética suja nas economias da região. Entre 2000 e 2013, o peso da fatura petroleira no produto interno bruto da região passou de 3,5% para 8,5%.

Onze companhias controlam 40% da produção elétrica na América Central, segundo o Observatório de Multinacionais na América Latina (Omal). Foto: Cortesia do Omal

Onze companhias controlam 40% da produção elétrica na América Central, segundo o Observatório de Multinacionais na América Latina (Omal). Foto: Cortesia do Omal

 

A pesquisa também mostra que os centro-americanos usam somente 15% de seu potencial geotérmico, a energia mais limpa e mais estável, embora uma parte importante esteja em áreas protegidas da região. Porém, Mora recordou que a infraestrutura necessária para aproveitar a energia armazenada dentro da terra, como ocorre com a hidroeletricidade, costuma ser mais custosa e mais invasiva do que aquela destinada a usar o potencial das fontes fotovoltaica e eólica. “Isso deveria nos motivar a diversificar a matriz energética e a buscar fontes renováveis e locais”, afirmou Mora.

Há passos que a América Central está dando em direção a essas energias renováveis. Assim reconhece Sonia Wheelock, coordenadora de incidência e energia para a Nicarágua do holandês Instituto Humanista de Cooperação com Países em Desenvolvimento (Hivos). “Houve um avanço bem grande nos últimos 20 anos, mais acentuado na última década, rumo à energia renovável e principalmente para as não tradicionais”, afirmou à IPS.

Este aumento permitiu a incursão na produção geotérmica e eólica, que juntas agora somam 12% do total regional, contra 8% há uma década. Lentamente, isso está fechando certas brechas entre as comunidades mais necessitadas e as cidades com maior desenvolvimento energético. Porém, Wheelock diz que, “nas condições atuais, se não houver uma mudança de prioridades, duvido que possamos chegar a avançar muito mais do que avançamos em energias renováveis”.

Na falta de políticas públicas claras, a geração renovável comunitária foi liderada pela Aliança Centro-Americana para a Sustentabilidade Energética (Accese), formada pela sociedade civil para impulsionar o aproveitamento das fontes de energia renováveis de baixa potência e a eficiência energética.

“As energias renováveis resolvem o problema dos sistemas de combustíveis fósseis que estão baseados em matérias-primas importadas e contaminantes, e ao mesmo tempo facilitam o acesso à energia para as pessoas que não a têm”, ressaltou à IPS a coordenadora da Accese, Melina Campo. Para ela, há um amplo potencial que permite aproveitar tanto “o caráter ambiental da energia renovável quanto o caráter humano. Creio que este é o o cerne da questão”, acrescentou. Envolverde/IPS

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Jovens na luta contra a intolerância http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/jovens-na-luta-contra-a-intolerancia/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/jovens-na-luta-contra-a-intolerancia/#comments Tue, 28 Jul 2015 12:30:57 +0000 Thalif Deen http://www.envolverde.com.br/?p=198098 Por Thalif Deen, da IPS –  Nações Unidas, 28/7/2015 – Quando, aos seus 21 anos, o príncipe herdeiro da Jordânia, Hussein bin Abdalá, presidiu em abril uma sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), se converteu na pessoa mais jovem à frente de um dos órgãos políticos mais poderosos do mundo. O […]

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Gabriela Rivadeneira, presidente da Assembleia Nacional do Equador, fala no Fórum Juvenil do Conselho Econômico e Social 2015. Foto: Evan Schneider/ONU

Gabriela Rivadeneira, presidente da Assembleia Nacional do Equador, fala no Fórum Juvenil do Conselho Econômico e Social 2015. Foto: Evan Schneider/ONU

Por Thalif Deen, da IPS – 

Nações Unidas, 28/7/2015 – Quando, aos seus 21 anos, o príncipe herdeiro da Jordânia, Hussein bin Abdalá, presidiu em abril uma sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), se converteu na pessoa mais jovem à frente de um dos órgãos políticos mais poderosos do mundo. O cargo foi temporariamente seu porque a Jordânia ocupou nesse mês a presidência mensal do Conselho de Segurança, cujos 15 Estados membros têm a faculdade para fazer a guerra e declarar a paz.

“Eu disse ao príncipe: estamos vivendo no século 21 e você está liderando o mundo no século 21”, contou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, após a sessão, que se centrou no papel dos jovens na luta contra o extremismo violento e pela promoção da paz. Para Ban, esta é uma época de grande poder para os jovens, e os educadores têm o papel de lhes ensinar aquilo que é importante para serem cidadãos do mundo e futuros líderes.

A ONU recorre às gerações mais jovens para dirigir a luta contra a intolerância, que inclui homofobia, racismo, discriminação por motivo de gênero e xenofobia. A iniciativa Impacto Acadêmico (Unai), que as Nações Unidas lançaram em 2010, pretende ter a colaboração de instituições de educação superior para realizar os princípios universalmente aceitos de direitos humanos, a alfabetização, a sustentabilidade e a solução de conflitos.

Atualmente, cerca de 30 redes internacionais de universidades e outros institutos de ensino superior apoiam a Unai, representando quase mil instituições que aderiram à campanha de base. “Trabalhamos com instituições educacionais e outros membros da sociedade civil por mais de 11 anos em uma série de seminários intitulada Desaprendendo a Intolerância, explicou Ramu Damodaran, chefe da Divisão de Extensão do Departamento de Informação Pública da Unai.

Em junho, a Unai colaborou com a Fundação UnHate (deixar de odiar), do italiano Grupo Benetton, em um concurso de diversidade para mostrar a contribuição de “jovens de todo o mundo para as soluções elaboradas pessoalmente, que abordam alguns dos problemas mais urgentes do mundo”, informou Damodaran. “Quando a Unai foi criada em 2009, era evidente que este deveria ser um de seus princípios básicos”, acrescentou.

Segundo Damodaran, “quando a Fundação UnHate nos apresentou essa iniciativa, aproveitamos a oportunidade, já que o projeto vai além de falar ou debater sobre os problemas vitais da diversidade e do respeito, e financia projetos específicos, até dez no total”. Cada aspecto é gerido pelos estudantes e professores que concebem o projeto, calculam seu alcance e os custos e em seguida, caso seja escolhido, se encarregam de sua execução, acrescentou.

O concurso teve mais de cem inscritos de 31 países com ideias e soluções inovadoras para lidar com a intolerância, o racismo e o extremismo, entre outros problemas. Um painel de juízes escolheu dez ganhadores que receberam 20 mil euros cada um, doados pela United Colors of Benetton, com sede na Itália.

A ONU afirma que o concurso foi notável por várias razões. Primeiro, em lugar de pedir que os interessados se limitassem a escrever sobre os problemas do mundo, teve um enfoque proativo e solicitou soluções, dando-lhes recursos financeiros importantes para realizá-las. “Este é um empoderamento real da sociedade civil, e da juventude, para mudar o mundo, como muitos dos ganhadores reconheceram com razão em suas reações ao ganhar o prêmio”, diz um comunicado da ONU.

A variedade de tipos de intolerância abordada foi notável, e incluiu a capacitação e a educação das mulheres, os direitos da população LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexuais), os direitos indígenas e propostas para enfrentar a intolerância das principais religiões e os conflitos entre grupos étnicos. Os dez ganhadores são de Alemanha, Burundi, Canadá, China, Estados Unidos, Índia, México, Paquistão e África do Sul.

Os projetos escolhidos propõem, por exemplo, facilitar a educação secundária e superior das mulheres indígenas no sul da Índia, promover a harmonia e o conhecimento religioso entre cristãos, hindus e muçulmanos no Paquistão, enfrentar o preconceito e a discriminação que sofre o coletivo LGBTI na Índia e no México, maiores oportunidades de emprego para as mulheres muçulmanas na Alemanha, documentar as vozes dos imigrantes mexicanos nos Estados Unidos, retratar a vida cotidiana e as aspirações de palestinos de diversas origens.

Ban Ki-moon identificou várias outras iniciativas da Unai que ajudam a ONU, como a de pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, integraram uma equipe que estudou a origem do vírus ebola, causador de um foco mortal da doença em 2014 em vários países africanos e a da Faculdade de Arquitetura para Mulheres Bhanuben Nanavati da Índia, que colabora com entidades associadas na Tanzânia em matéria de moradia sustentável.

O secretário-geral citou ainda a Universidade Nacional Al Farabi, do Cazaquistão, que investiga novos modelos para a energia renovável, enquanto a Universidade JF Oberlin, do Japão, lançou um ramo juvenil da Unai, chamada Aspire (ação estudantil para promover a inovação e a reforma por meio da educação).

No Catar, a fundação Educação Acima de Tudo, presidida pela xequesa Mozah bint Nasser al Missned, defende o direito das crianças de continuar aprendendo em zonas de perigo. Na Coreia do Sul, a Universidade Global Handong continua seus programas de formação empresarial para ajudar os jovens a criarem postos de trabalho e não apenas buscá-los. Envolverde/IPS

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Milhões de iraquianos precisam de ajuda http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/milhoes-de-iraquianos-precisam-de-ajuda/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/milhoes-de-iraquianos-precisam-de-ajuda/#comments Tue, 28 Jul 2015 12:25:48 +0000 talita http://www.envolverde.com.br/?p=198117 Por Kanya D’Almeida, da IPS –  Nações Unidas, 28/7/2015 – A luta continua entre as forças armadas do Iraque e o grupo extremista Estado Islâmico (EI), enquanto milhões de refugiados presos entre os combatentes precisam de assistência humanitária com urgência. Em um ato para arrecadar fundos, realizado no dia 4 na sede do Parlamento Europeu, em […]

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Refugiados yezidies iraquianos recebem ajuda do Comitê Internacional de Resgate. Foto: Departamento para o Desenvolvimento Internacional da Grã-Bretanha/CC-BY-2

Refugiados yezidies iraquianos recebem ajuda do Comitê Internacional de Resgate. Foto: Departamento para o Desenvolvimento Internacional da Grã-Bretanha/CC-BY-2

Por Kanya D’Almeida, da IPS – 

Nações Unidas, 28/7/2015 – A luta continua entre as forças armadas do Iraque e o grupo extremista Estado Islâmico (EI), enquanto milhões de refugiados presos entre os combatentes precisam de assistência humanitária com urgência. Em um ato para arrecadar fundos, realizado no dia 4 na sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas, Lise Grande, coordenadora de Assuntos Humanitários para o Iraque, da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou que a comunidade internacional deve ajudar com pelos menos US$ 500 milhões para cobrir as necessidades de 5,6 milhões de iraquianos até o final deste ano.

No total, a Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), calcula que, dos 32 milhões de iraquianos, 8,2 milhões precisam de algum tipo de ajuda de emergência, como rações de alimentos e suprimentos médicos. O número poderá chegar aos dez milhões de pessoas nos próximos seis meses. Desde janeiro de 2014, cerca de três milhões de pessoas fugiram de suas casas devido ao conflito armado, cujas frentes mudam a um ritmo alarmante, segundo os observadores.

“Todos os segmentos da sociedade iraquiana – yezidies, cristãos, shabaks, turcomanos, chiíes, sunitas e curdos – foram afetados pela violência”, afirmou o subsecretário-geral da ONU, Kyung Wha Kang, falando em nome do secretário-geral-adjunto de Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien. “As famílias tiveram que se deslocar várias vezes para se manterem um passo à frente da horrorosa violência que açoita regiões inteiras do país. Outras não sabem onde podem encontrar segurança, presas em uma divisão sectária que não é sua responsabilidade”, destacou.

A escala da operação humanitária necessária no Iraque fica clara quando se somam, aos afetados pelo conflito atual, 1,3 milhão de pessoas deslocadas internamente por episódios anteriores de violência e 250 mil sírios que buscam refúgio nesse país vizinho à Síria. Acredita-se que os refugiados estão distribuídos em cerca de três mil acampamentos onde os serviços básicos são insuficientes ou simplesmente não existem.

As cadeias de entrega de alimentos estão interrompidas, os hospitais reduzidos a pó e as escolas transformadas em abrigos improvisados para a população civil em fuga. A situação das mulheres e meninas é especialmente preocupante, já que são cada vez mais comuns as denúncias de sequestros, abusos sexuais sistemáticos e escravidão. Segundo a ONU, o estado de direito sofreu colapso total, e as execuções e violações em massa são a realidade cotidiana de milhares de pessoas.

Entretanto, as necessidades do povo iraquiano e a disponibilidade de fundos para fins humanitários parecem ser inversamente proporcionais. “Os sócios humanitários fazem todo o possível para ajudar, porém, mais de 50% da operação terá que ser paralisada ou reduzida se o dinheiro não chegar rapidamente”, alertou Grande. A falta de dinheiro levou ao fechamento de 77 clínicas de saúde situadas perto das frentes de combate e reduziu a entrega de alimentos recebidos por mais de um milhão de pessoas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que só os centros de saúde iraquianos necessitam mais de US$ 60 milhões para cobrir suas operações até finais deste ano. Funcionários da OMS informaram que os refugiados correm risco de contrair doenças transmissíveis, como sarampo, hepatite e outras enfermidades transmitidas pela água, e reiteraram a necessidade de serem aplicados sistemas de alerta, bem como campanhas de vacinação e informação entre a população de refugiados sobre como evitar a propagação de epidemias.

“Neste verão boreal, com temperaturas acima dos 50 graus centígrados em partes do sul e centro do Iraque, a OMS se preocupa com os riscos que os refugiados enfrentam e sua extrema vulnerabilidade aos focos, entre eles de cólera e hepatite”, ressaltou, em Genebra, Jaffar Hussain, chefe de operações desta agência sanitária no Iraque.

Atualmente, os funcionários da saúde trabalham sem infraestrutura, pessoal e equipamentos necessários. Os fundos que permitiram à OMS operar clínicas móveis acabaram no decorrer do mês passado, o que acrescenta mais urgência à situação extrema que vivem milhões de iraquianos. Envolverde/IPS

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África deve buscar sua própria resiliência http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/africa-deve-buscar-sua-propria-resiliencia/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/africa-deve-buscar-sua-propria-resiliencia/#comments Mon, 27 Jul 2015 12:56:14 +0000 Fabíola Ortiz http://www.envolverde.com.br/?p=198029 Por Fabíola Ortiz, da IPS –  Paris, França, 27/7/2015 – Os países africanos deveriam buscar suas próprias estratégias para melhorar sua adaptação ao aquecimento global e mitigar os efeitos da mudança climática nas futuras gerações, em lugar de continuar dependendo da assistência estrangeira. Esta foi a mensagem que ecoou na conferência científica internacional Nosso Futuro Comum […]

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Cadáveres de ovelhas e cabras espalhados em uma paisagem desértica após a seca que assomou Somalilândia em 2011, uma das consequências da mudança climática que, segundo os especialistas, os países africanos devem enfrentar sem depender da assistência internacional. Foto: Oxfam East África/CC by 2.0

Cadáveres de ovelhas e cabras espalhados em uma paisagem desértica após a seca que assomou Somalilândia em 2011, uma das consequências da mudança climática que, segundo os especialistas, os países africanos devem enfrentar sem depender da assistência internacional. Foto: Oxfam East África/CC by 2.0

Por Fabíola Ortiz, da IPS – 

Paris, França, 27/7/2015 – Os países africanos deveriam buscar suas próprias estratégias para melhorar sua adaptação ao aquecimento global e mitigar os efeitos da mudança climática nas futuras gerações, em lugar de continuar dependendo da assistência estrangeira. Esta foi a mensagem que ecoou na conferência científica internacional Nosso Futuro Comum com a Mudança Climática, realizada este mês na capital francesa, que receberá a 21ª Conferência das Partes (COP 21) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática.

Essa cúpula, que acontecerá de 30 de novembro a 11 dezembro, deverá forjar um acordo universal e vinculante para evitar que a temperatura global da Terra supere os dois graus centígrados. A África já sente diariamente os efeitos do aquecimento global, segundo a sul-africana Penny Urquhart, especialista independente e uma das autoras do quinto informe de avaliação do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC).

As projeções sugerem que nesse continente a temperatura vai superar os dois graus até 2100, e que localmente haverá aumento mais rápido do que em escala global. As avaliações científicas também concordam que a África sofrerá cada vez mais os efeitos desse fenômeno, suportando eventos climáticos extremos que aumentarão em frequência, intensidade e duração. “A maioria dos países da África subsaariana tem um alto grau de vulnerabilidade climática”, apontou Urquhart à IPS.

“Com os anos, as pessoas foram se adaptando a essas variações, mas o que vemos é um aumento dos riscos vinculados à mudança climática”, afirmou Urquhart. Os sistemas para monitorar os dados ainda não são bons e são escassos, mas “na África sabemos que existe um aumento de temperatura”, acrescentou. Se a temperatura global aumentar dois graus até o final deste século, o impacto será sentido na África austral como se o aumento fosse de quatro graus, ressaltou.

A vulnerabilidade à variação climática depende muito do contexto e da exposição das pessoas às suas consequências, segundo a especialista sul-africana, por isso é difícil estimar quantas pessoas serão afetadas pelo aquecimento global nesse continente. Mas o IPCC assinala que, dos 800 milhões de pessoas que se estima vivem na África, mais de 300 milhões sofrem escassez hídrica, e que até 2050 o número dos que estarão em risco de sofrer maior estresse em relação à água girará entre 350 milhões a 600 milhões de pessoas.

Segundo Urquhart, em algumas áreas não é fácil prever o que acontecerá com a chuva. “Na região do Chifre da África, as observações parecem mostrar uma redução nas chuvas, mas os modelos preveem um aumento das precipitações”. Houve eventos climáticos extremos ao longo da costa ocidental do continente, enquanto em Moçambique foi registrado aumento de ciclones, os quais causaram inundações. “Essa é a soma de tendências que vemos. Secas principalmente no oeste e aumento das precipitações no leste da África”, destacou.

Para Edith Ofwana, especialista de programa do canadense Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento (IDRC), um dos setores mais vulneráveis à variação climática na África é a agricultura, o eixo da maioria das economias africanas, o que pode ter um impacto negativo na segurança alimentar. “O maior desafio é como trabalhar com as comunidades, não só para enfrentar os impactos no curto prazo, como também para se adaptar e ter resiliência na medida em que passa o tempo. Devemos idealizar soluções práticas que sejam acessíveis e criadas com base nos conhecimentos das comunidades”, explicou.

Os especialistas concordam que qualquer medida para fazer frente à mudança climática deve responder às necessidades sociais, especialmente quando os eventos climáticos severos podem desarraigar comunidades inteiras, obrigando as famílias a buscarem melhores oportunidades. “Esse fenômeno criou o que já se chama de migrantes climáticos”, pontuou Ofwana.

A mudança climática poderia exacerbar os conflitos sociais, que se agravam por outros problemas, como a competição pelos recursos e a degradação do solo. Para a especialista do IDRC, “é preciso considerar a natureza multicausal da pobreza sobre o meio de vida das pessoas: enquanto as mais ricas poderão se adaptar, as mais pobres terão dificuldades”.

Ofwana opinou que a chave é combinar evidência científica com o que é de conhecimento das próprias comunidades afetadas, e fazer com que seja acessível e sustentável. “É importante vincular a ciência à sociedade, e que seja prática para que possa mudar vidas e fazer frente aos desafios que enfrentam as pessoas, especialmente com relação à segurança alimentar”, acrescentou.

Na África, a consciência sobre a mudança climática “é bastante alta”, segundo Ofwana. Alguns países já definiram suas próprias políticas e estratégias climáticas, e outros têm estratégias para um crescimento com baixas emissões de dióxido de carbono e um desenvolvimento sustentável. A especialista destacou o papel fundamental das nações africanas na hora de criar uma política ambiental adequada, e ressaltou que devem ser protagonistas na luta contra a mudança climática e não apenas passivos receptores da assistência internacional.

Os governos africanos devem entrar com parte dos fundos necessários para implantar projetos de adaptação e mitigação e, embora “possamos obter algo dos fundos internacionais, em certo ponto devemos entrar com nossos próprios recursos. Apesar de haver grande conscientização a respeito, o compromisso não é igualmente elevado”, enfatizou Ofwana. Envolverde/IPS

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Ceuta, enclave espanhol que ignora migrantes http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/ceuta-enclave-espanhol-que-ignora-migrantes/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/ceuta-enclave-espanhol-que-ignora-migrantes/#comments Mon, 27 Jul 2015 12:47:40 +0000 IPS http://www.envolverde.com.br/?p=198026 Por Andrea Petrachin, da IPS –  Ceuta, Espanha, 27/7/2015 – Alguns quilômetros antes da fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta, um cartaz informa aos transeuntes que este posto avançado da Espanha em solo africano ocupa um lugar privilegiado para os que desejam observar a migração anual das aves através do estreito de Gibraltar, […]

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O radar funciona em silêncio e sem cessar em cima do monte Hacho, em Ceuta, para identificar os imigrantes que tentam entrar no enclave espanhol. Foto: Andrea Petrachin/IPS

O radar funciona em silêncio e sem cessar em cima do monte Hacho, em Ceuta, para identificar os imigrantes que tentam entrar no enclave espanhol. Foto: Andrea Petrachin/IPS

Por Andrea Petrachin, da IPS – 

Ceuta, Espanha, 27/7/2015 – Alguns quilômetros antes da fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta, um cartaz informa aos transeuntes que este posto avançado da Espanha em solo africano ocupa um lugar privilegiado para os que desejam observar a migração anual das aves através do estreito de Gibraltar, a rota mais curta da África para a Europa. Mas a população de Ceuta prefere manter o silêncio e não chamar a atenção sobre outro fenômeno que ocorre no enclave.

Na fronteira há enormes barreiras para bloquear as tentativas diárias dos migrantes africanos de escapar da fome, do desespero e, com frequência, dos conflitos armados em seus países de origem.

O silêncio foi quebrado drasticamente no começo de maio, quando uma máquina de raio X na aduana fronteiriça detectou Abu, um menino de oito anos oriundo da Costa do Marfim, dentro de uma mala com a qual seu pai pretendia entrar no enclave espanhol. Essa é uma das últimas estratégias, mais ou menos engenhosas, utilizadas pelos migrantes amontoados nas florestas marroquinas junto à fronteira espanhola com a intenção de traspassar a chamada “fortaleza Europa”.

Ceuta é um dos principais e escassos “portais” no norte da África que abrem caminho para o território da União Europeia (UE). Esse portal está fechado desde o final da década de 1990, quando as autoridades espanholas começaram a construir ao redor do enclave dois muros paralelos de seis metros de altura arrematados por arame farpado, além de postos de vigilância e uma rua entre os dois muros para as patrulhas policiais. O mesmo acontece em Melilla, o outro enclave espanhol na África.

Embora não chamem a atenção dos meios de comunicação, como ocorreu com Abu, todos os dias jovens imigrantes africanos, quase todos entre 15 e 30 anos, tentam chegar ao território espanhol de maneiras tão ou mais perigosas que o método escolhido pelo pai de Abu.

A grande maioria faz a tentativa por mar, já que Ceuta está situada na península Tingitana, na margem africana do estreito de Gibraltar, e é banhada ao norte, leste e sul pelo Mar Mediterrâneo. Eles embarcam principalmente em lanchas ou escondidos sob botes infláveis, daqueles que as crianças costumam usar na praia. Em fevereiro do ano passado, 15 africanos morreram tentando superar o cerco a nado, quando os guardas fronteiriços dispararam balas de borracha na água. Outros tentam cruzar a fronteira escondidos em compartimentos secretos sob automóveis, e alguns inclusive tentam escalar as cercas.

O que mais chama a atenção sobre Ceuta são suas surpreendentes contradições. A cidade, com pouco mais de 80 mil habitantes em 18,6 quilômetros quadrados, e orgulhosamente espanhola desde 1668, passa a impressão de querer viver como se os migrantes africanos e suas tentativas de entrada no enclave não existissem. Quando a imprensa de todo o mundo dedicava suas manchetes ao caso de Abu, a notícia mais destacada no site de um dos dois jornais de Ceuta era o resultado de uma pesquisa de opinião sobre as próximas eleições administrativas.

O Centro de Estadia Temporária de Imigrantes, onde são alojados todos os migrantes africanos que conseguem entrar no enclave, é uma estrutura enorme que está praticamente oculta e é impossível de ser vista de qualquer lugar da cidade ou das colinas atrás dela.

Ceuta é singular do ponto de vista demográfico, já que 50% da população é marroquina ou de origem marroquina. A população se divide em algo semelhante a um sistema de castas, firmemente estabelecido e bastante rígido. A maior e mais rica das comunidades é a espanhola, cujos membros costumam ser muito conservadores, religiosos e aferrados às tradições. O conservador Partido Popular governa a cidade há décadas e se opõe a toda mudança no statu quo. Assim, por exemplo, o idioma árabe não é ensinado nas escolas.

O segundo grupo é dos ceutas marroquinos, integrado por súditos espanhóis de origem marroquina ou por súditos marroquinos com residência e permissão de trabalhar. Alguns desses ceutas marroquinos fizeram grandes fortunas graças ao contrabando de mercadorias pela fronteira, mas muitos outros vivem no bairro empobrecido de El Príncipe, onde os atritos com a população espanhola são ocasionalmente graves. Esse subgrupo inclui um pequeno, mas importante, número de crianças apátridas que nasceram no enclave espanhol de pais marroquinos.

Em consequência do vencimento das permissões de residência de seus progenitores, ficaram em uma situação de ilegalidade no território espanhol e não tiveram a possibilidade de registrar o nascimento de seus filhos no Marrocos. Nenhum desses meninos ou meninas tem acesso a escola pública, embora a lei espanhola estabeleça o direito a educação de todas as crianças no território espanhol, independente de sua nacionalidade ou situação jurídica.

O terceiro grupo é o dos transfronteiriços, os marroquinos que residem majoritariamente no vizinho povoado de Fnideq e que cruzam a fronteira todos os dias para trabalhar em Ceuta ou comprar e vender produtos no mercado negro. Um acordo, assinado pelos governos da Espanha e do Marrocos na década de 1960, estipula que o que uma pessoa pode carregar sobre seus ombros está isento de impostos aduaneiros.

Um quarto grupo é o dos chamados “negros”, a casta de migrantes que a cidade procura ignorar, sem levar em conta que são a fonte de suas principais rendas, os fundos que o Estado espanhol e a UE destinam às autoridades locais, e que sua presença justifica numerosos postos de trabalho nos setores público e de segurança.

Ceuta é, mais do que tudo, um posto militar. A quantidade de policiais, guardas civis e soldados que patrulham ou simplesmente passam pelos poucos caminhos do enclave é impressionante, bem como o número de exercícios militares realizados no território. O mar é constantemente patrulhado pelas lanchas de borracha do exército e da polícia da Espanha e do Marrocos.

Aqui, o espectro da morte, a morte de muitas pessoas que tentam cruzar a fronteira, persiste inclusive no nome da montanha marroquina mais próxima de Ceuta, Jebel Musa, também conhecida como Mulher Morte. Envolverde/IPS

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China joga pingue-pongue com uigures http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/china-joga-pingue-pongue-com-uigures/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/china-joga-pingue-pongue-com-uigures/#comments Mon, 27 Jul 2015 12:41:26 +0000 Zhai Yun Tan http://www.envolverde.com.br/?p=198022 Por Zhai Yun Tan, da IPS –  Washington, Estados Unidos, 27/7/2015 – Dois informes da organização de direitos humanos Human Rights Watch destacam a difícil situação que vive a minoria uigur na China, e lançam luz sobre a sorte que correm os que tentam encontrar um abrigo seguro na região. No dia 10 deste mês, a […]

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A minoria muçulmana uigur na China suporta anos de repressão por parte do governo chinês, segundo organizações de direitos humanos. Foto: Gustavo Jerónimo/CC-BY 2.0

A minoria muçulmana uigur na China suporta anos de repressão por parte do governo chinês, segundo organizações de direitos humanos. Foto: Gustavo Jerónimo/CC-BY 2.0

Por Zhai Yun Tan, da IPS – 

Washington, Estados Unidos, 27/7/2015 – Dois informes da organização de direitos humanos Human Rights Watch destacam a difícil situação que vive a minoria uigur na China, e lançam luz sobre a sorte que correm os que tentam encontrar um abrigo seguro na região. No dia 10 deste mês, a HRW, com sede em Nova York, divulgou uma declaração condenando o governo da Tailândia por deportar cem imigrantes uigures para a China, onde essa comunidade é perseguida, segundo a organização.

Os uigures lutam contra o controle do governo central chinês há décadas, e muitos de seus ativistas estão no exílio ou nas prisões. Outro documento da HRW, divulgado no dia 13 deste mês, revela as restrições de viagem internacional que Pequim impõe às minorias religiosas, incluídos os uigures – que são majoritariamente muçulmanos – por motivos de “estudo religioso e de peregrinação”. Um sistema de solicitação de passaporte aplicado há 12 anos exclui os uigures e outras minorias, segundo o informe.

“As autoridades chinesas devem agir rapidamente para desmantelar esse sistema de passaporte descaradamente discriminatório”, destacou Sophie Richardson, da HRW, na declaração do dia 10. “As restrições também violam a liberdade de cultos ao negar ou limitar a capacidade das minorias religiosas de participarem de peregrinações fora da China”, acrescentou.

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia divulgou, no dia 9, um comunicado à imprensa condenando a Tailândia pela repatriação dos uigures para a China. As deportações geraram protestos diante da embaixada chinesa e do consulado honorário da Tailândia em Ancara, a capital turca.

A Região Autônoma Uigur de Sinkiang fica no oeste da China, a mais de três mil quilômetros de Pequim. Também conhecida como Turquistão Oriental, é o lar de grupos étnicos com ascendência e idioma turcos. Segundo a Associação Uigur Norte-Americana, ali há mais de 15 milhões de uigures.

Alim Seytoff, presidente da Associação com sede em Washington, afirmou, em uma declaração, que a deportação dos refugiados uigures foi uma violação de sua segurança. “A comunidade internacional deve adotar uma posição firme para garantir os direitos dos refugiados uigures”, ressaltou. “Na medida em que mais uigures fugirem da repressão no Turquistão Oriental, e que Pequim continuar pressionando por seu regresso, os governos interessados e os órgãos multilaterais não deverão permitir que a China ignore as normas internacionais de direitos humanos”, ressaltou.

A Região Autônoma Uigur de Sinkiang fica no oeste da China, a mais de três mil quilômetros de Pequim. Foto: futureatlas.com/CC-BY 2.0

A Região Autônoma Uigur de Sinkiang fica no oeste da China, a mais de três mil quilômetros de Pequim. Foto: futureatlas.com/CC-BY 2.0

Além das restrições impostas às viagens com fins de peregrinação, também se afirma que os uigures na China são proibidos de realizar o jejum religioso durante o Ramadã, mês sagrado dos islâmicos. Segundo o Congresso Mundial Uigur e vários portais de notícias, departamentos locais do governo chinês publicaram comunicados na internet alertando estudantes, funcionários e membros do partido comunista que não podiam jejuar, participar de atividades religiosas ou entrar em mesquitas.

O órgão legislativo de Sinkiang aprovou, em janeiro, um regulamento que proíbe o uso da burca, a tradicional vestimenta de algumas mulheres muçulmanas. “Isto não é novo, mas as restrições têm sido cada vez mais rígidas nos últimos anos”, afirmou Greg Fay, do Projeto de Direitos Humanos Uigur, com sede em Washington.

Os uigures mantêm relações tensas com Pequim desde a fundação da República Popular da China, em 1949. Uma série de ataques violentos em 2014 levou o governo a declarar o “combate ao separatismo, o extremismo religioso e o terrorismo”, em uma repressão que durou um ano. As detenções duplicaram desde o anúncio oficial, com um total de 27.164 prisões.

Em março de 2014, um ataque com facas em Kunming, a 2.677 quilômetros de Pequim, causou 30 mortes. Dois meses mais tarde, uma bomba explodiu em Urumqi, capital de Sinkiang, matando 31 pessoas. Em julho, um atentado contra delegacias de polícia, repartições públicas e veículos nessa cidade deixou pelo menos 50 mortos. As autoridades responsabilizam os separatistas de Sinkiang pela violência.

No começo de 2009, distúrbios em Urumqi causaram cerca de 140 mortes, o que levou o governo a bloquear o acesso à internet durante meses. “Creio que muitos funcionários de nível local identificam o Islã com o extremismo”, disse Sean Roberts, professor da Universidade George Washington, em entrevista à IPS.

Em um artigo divulgado pelo canal de notícias Al Jazeera, em junho de 2014, Seytoff afirma que, embora os uigures ocupem uma região autônoma, muitos dos funcionários da etnia han, majoritária na China, ainda mantêm o poder político e econômico na região. “A China suprimiu sem piedade todo sinal de descontentamento uigur e transferiu milhões de fiéis colonos chineses para o Turquistão Oriental, aos quais proporcionou emprego, moradia, empréstimos bancários e oportunidades econômicas que são negadas aos uigures”, detalhou.

Segundo Seytoff, “a população uigur no Turquistão Oriental, que era quase 90% (do total na região) em 1949, mas agora chega a apenas 45%, enquanto a população chinesa cresceu muito devido aos assentamentos apoiados pelo Estado, de 6% em 1953 para os atuais 40%”. Muitos uigures tentam fugir da perseguição, migrando para o território turco e países asiáticos vizinhos.

A Turquia recebeu mais de mil refugiados desde 1949, mas Camboja e Tailândia deportaram muitos uigures para a China.  Um artigo do jornal The New York Times informava, em dezembro de 2009, que o Camboja havia deportado 20 uigures que solicitaram asilo no país, e que dois dias depois o governo cambojano assinou um acordo de cooperação econômica com a China. Pequim nega que os uigures estejam oprimidos e insiste em afirmar que o ato de repatriação do Camboja foi legal. Envolverde/IPS

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Era digital chegou para ficar http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/era-digital-chegou-para-ficar/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/era-digital-chegou-para-ficar/#comments Fri, 24 Jul 2015 13:43:12 +0000 Fabiana Frayssinet http://www.envolverde.com.br/?p=197954 Por Fabiana Frayssinet, da IPS –  La Plata, Argentina, 24/7/2015 – A imagem do Colégio Nacional Rafael Hernández, na cidade argentina de La Plata, mostra o passado de um austero edifício neoclássico. Mas suas salas de aula refletem a era digital, graças aos computadores de um programa governamental de inclusão social para os alunos de escolas […]

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A professora Graciela Fernández Troiano durante uma aula de formação visual no primeiro curso de educação secundária do Colégio Nacional Rafael Hernández, uma escola pública da cidade de La Plata, na Argentina. É o processo de aprendizado se transformando nas escolas públicas argentinas, com o programa Conectar Igualdade, que entrega um computador portátil a cada estudante. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

A professora Graciela Fernández Troiano durante uma aula de formação visual no primeiro curso de educação secundária do Colégio Nacional Rafael Hernández, uma escola pública da cidade de La Plata, na Argentina. É o processo de aprendizado se transformando nas escolas públicas argentinas, com o programa Conectar Igualdade, que entrega um computador portátil a cada estudante. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

Por Fabiana Frayssinet, da IPS – 

La Plata, Argentina, 24/7/2015 – A imagem do Colégio Nacional Rafael Hernández, na cidade argentina de La Plata, mostra o passado de um austero edifício neoclássico. Mas suas salas de aula refletem a era digital, graças aos computadores de um programa governamental de inclusão social para os alunos de escolas públicas.

Há alegria e burburinho durante a aula do primeiro ano sobre formação visual, embora os alunos estejam concentrados na realização de um curta-metragem computadorizado que, nascido a partir das majestosas escadarias do colégio, busca refletir sobre a habitualmente traumática experiência de passar da escola primária para a secundária.

“Aqui chegam alunos de muitas escolas primárias diferentes. Enfatizamos acompanhá-los mediante a imagem e a metáfora que a arte pode propiciar, na transformação que estão vivendo”, explicou à IPS a professora da matéria, Graciela Fernández Troiano. “Quando chegamos a essa escola, ninguém conhecia ninguém. Com esse projeto, começamos a conhecer gente, a ter amigos, porque trabalhamos em grupo”, contou o aluno Giancarlo Gravang.

Os estudantes de 12 e 13 anos dessa sala tiraram fotos das escadarias com seus computadores portáteis ou telefones celulares, as digitalizaram e animaram, graças ao programa Conectar Igualdade, coordenado pela Administração Nacional de Assistência Social.

Desde 2010, foram distribuídos 5,1 milhões de notebooks a todos os alunos e professores das escolas secundárias, de educação especial e dos institutos estatais de formação de docentes. Os computadores, conectados à internet, são usados em todas as matérias, na escola e em casa. “Pode-se fazer melhor os trabalhos e procurar mais coisas”, afirmou a aluna Lourdes Alano.

No projeto Escadarias Transformadoras, Troiano as vincula, por exemplo, a obras de arte como as escadas infinitas do pintor holandês Maurits Cornelis Escher, mais conhecido como M. C. Escher, ou ao conto do argentino Julio Cortázar Instruções Para Subir Uma Escada. A professora acrescentou que “o fato de sair da aula, usar o computador e estar em outro local do colégio, ao contrário do que se pensava que seria um fator de distração, os concentrou no trabalho, quebrou a rotina de ficar sentado. A inclusão tecnológica e do espaço faz com que trabalhem muito mais”.

Iniciativas criativas como as dessa professora, que integra disciplinas diversas, é um exemplo para os gestores do programa de como o acesso ao computador é uma forte ferramenta pedagógica, como comprovou a IPS durante o dia que passou no colégio, construído em 1884 nesta cidade a 52 quilômetros de Buenos Aires.

Silvina Gvirtz, diretora-executiva do Conectar Igualdade, explicou à IPS que o programa nasceu por decisão da presidente Cristina Fernández, a partir de uma política educacional integrada que desde 2006 tornou obrigatória a educação secundária, que termina aos 18 anos. “Surge com uma ferramenta didática que permite melhorar a qualidade do ensino e, portanto, dos alunos”, afirmou.

Um computador portátil dos que são entregues a todos os alunos do curso secundário público argentino. Na tela a imagem de uma vaca voando, símbolo do sistema operacional Huayra, baseado no sistema livre Linux e criado localmente para o programa governamental Conectar Igualdade. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

Um computador portátil dos que são entregues a todos os alunos do curso secundário público argentino. Na tela a imagem de uma vaca voando, símbolo do sistema operacional Huayra, baseado no sistema livre Linux e criado localmente para o programa governamental Conectar Igualdade. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

O programa não se limita a distribuir notebooks. “O que tenta é reduzir a brecha digital entre os que têm acesso à tecnologia e os que não têm, cumprindo um primeiro objetivo de justiça social, e o segundo objetivo, igualmente ou mais importante, é melhorar a qualidade do ensino”, destacou Gvirtz.

“Todo adolescente tem seu computador, não importa onde viva, de onde venha. Além disso, provoca mudanças na família, e pode ser, às vezes, o único computador familiar, possibilitando o acesso de todo seu núcleo à informática e à internet”, pontuou à IPS o especialista em ciências da educação, Daniel Feldman. “Só esse fato gera um efeito compensador”, ressaltou.

Para este professor de didática e currículo da Universidade de Buenos Aires, as brechas estão do outro lado, não são resolvidas apenas dando computadores, mas está claro que alivia as desigualdades”. Desigualdades como a do estudante Ezequiel Zanabria agora “feliz” por ter um “computador próprio” com “todas minhas coisas nele”, ou a de Esteban López, que orgulhoso ensina sua mãe como usá-lo.

É que, segundo Feldman, também há efeitos “subjetivos”: o reconhecimento de “um direito e de um sentimento de dignidade”, que por sua vez “gera outros mecanismos de integração e participação social”. “É muito bonito ver as crianças na entrada da escola sentados em longas filas na calçada, todos com seus notebooks. Não importa se estão estudando, brincando, no bate-papo, mas estão tendo acesso a isso, que é uma primeira grande mudança”, ressaltou.

Cada unidade inclui conteúdos e aplicações pedagógicas. “Em lugar dos tradicionais desenhos no quadro negro, com um programa que desenvolvemos, vemos como os átomos se entrelaçam e se transformam em moléculas. Em uma escola de dança, algumas meninas filmavam com seus notebooks enquanto dançavam, para analisar os erros cometidos”, detalhou Gvirtz sobre os muitos usos da ferramenta.

“O computador não substitui a experiência direta de um museu, mas indiretamente permite o acesos a fontes históricas, científicas, imagens, filmes, não somente educativos, mas com conteúdo educativo, bastando acessar os canais comuns para ter uma grande quantidade de informação”, explicou Feldman.

O Conectar Igualdade impulsionou a indústria informática nacional. Foram abertas dez fábricas que produzem os computadores e em cada licitação se exige que haja mais componentes nacionais e melhorias tecnológicas, como mais memória e definição das câmeras de vídeo, ressaltou Gvirtz. O Huayra, o sistema operacional aberto baseado em Linux que foi criado para o programa e está nos computadores junto com o Windows da Microsoft, foi desenvolvido localmente e, ao contrário dos que são fechados, pode ser modificado e melhorado, explicou.

“Quando se dizia que cada aluno teria um notebook, ninguém acreditava e se dizia que seria no dia em que as vacas voassem”, recordou a aluna María Elena Davel. Mas a vaca alada, hoje logotipo do Huayra, já voa e pretende voar mais. O próximo passo é incorporar a matéria de programação nas escolas. “Isso é fundamental, porque queremos ter a soberania tecnológica. Queremos formar produtores de tecnologia e consumidores inteligentes de tecnologia”, afirmou Gvirtz.

A formação desses novos consumidores se promove em grupo e com acompanhamento do professor, por exemplo, “filtrando” a informação que circula na internet, destacou Feldman, ao comparar esse processo com o tradicional “cortar e colar”. Os computadores são entregues aos alunos mediante um contrato de comodato com seus pais e, em definitivo, quando terminam seus estudos.

Um desafio é capacitar e adaptar os professores a essa nova cultura pedagógica digital, nesse país de 42 milhões de habitantes, onde, segundo dados oficiais, o sistema educacional atende quase 12 milhões de estudantes. “É como passar do quadro-negro com giz nas mãos de cada aluno para o caderno escolar e a lapiseira. Também houve uma mudança tecnológica escolar e foi preciso uma adaptação a isso”, recordou Feldman. “Isso chegou para ficar. Todos teremos que nos adaptar e aceitar que trará mudanças nos formatos pedagógicos”, enfatizou. Envolverde/IPS

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Sacerdotisas preservam sementes de milho http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/sacerdotisas-preservam-sementes-de-milho/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/sacerdotisas-preservam-sementes-de-milho/#comments Fri, 24 Jul 2015 13:25:07 +0000 Manipadma Jena http://www.envolverde.com.br/?p=197959 Por Manipadma Jena, da IPS –  Niyamgiri, Índia, 24/7/2015 – Um grupo de mulheres no Estado de Odisha, na Índia, dança ritmicamente e oferece uma canção ao deus da floresta em troca de uma colheita abundante. Com panelas de barro na cabeça e suas criaturas espirituais às costas – uma pomba ou uma galinha –, partem […]

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Sacerdotisas da comunidade tribal de dongria kondh, na Índia, realizam um elaborado ritual antes de irem em busca de sementes de milho. Foto: Manipadma Jena/IPS

Sacerdotisas da comunidade tribal de dongria kondh, na Índia, realizam um elaborado ritual antes de irem em busca de sementes de milho. Foto: Manipadma Jena/IPS

Por Manipadma Jena, da IPS – 

Niyamgiri, Índia, 24/7/2015 – Um grupo de mulheres no Estado de Odisha, na Índia, dança ritmicamente e oferece uma canção ao deus da floresta em troca de uma colheita abundante. Com panelas de barro na cabeça e suas criaturas espirituais às costas – uma pomba ou uma galinha –, partem a pé de Kadaraguma, seu povoado na cordilheira de Niyamgiri, no distrito de Rayagada. Pertencentes à tribo dos dongria kondhs, habitantes das florestas que veneram as colinas circundantes como a morada sagrada de seu deus, Nyiam Raja, essas mulheres são sacerdotisas, conhecidas no dialeto local como bejunis.

A cerimônia é a primeira etapa de uma viagem a um povoado vizinho para recolher uma rara variedade de milho, o alimento básico da tribo de mais de dez mil habitantes. No passado, esse cereal resistente e de alto valor nutritivo era cultivado em enormes extensões de terra em toda a Índia. Aqui, nas colinas de Niyamgiri, os dongria kondhs acreditam firmemente nos benefícios do milho e dedicam partes das ladeiras montanhosas à sua produção.

Porém, nas últimas décadas, o desenvolvimento industrial e a mineração neste Estado rico em recursos minerais absorveram muitos hectares de terra e relegaram a segundo plano o cultivo resistente à seca. Um programa público que subsidia o arroz também contribuiu para a queda na produção e no consumo do milho, para tristeza das comunidades indígenas que asseguram que sua fonte local de alimentos não só protege sua saúde como também tem valor espiritual e cultural.

“Somos dongria kondhs. Vamos morrer sem nossos morros e nossas sementes sagradas”, afirmou à IPS uma das sacerdotisas. “Quando era menina soube que colhíamos mais de 30 variedades tradicionais de milho”, recordou Dasara Kadraka, que aos 68 anos é a sacerdotisa mais veterana das 22 aldeias que colaboram na preservação do cereal. “Há dez anos estava reduzido a 11 variedades e, atualmente, só são cultivadas duas”, afirmou à IPS.

A sacerdotisa Dasara Kadraka explica porque a tribo se dedica a preservar as sementes ancestrais. Foto: Manipadma Jena/IPS

A sacerdotisa Dasara Kadraka explica porque a tribo se dedica a preservar as sementes ancestrais. Foto: Manipadma Jena/IPS

Dasara é oriunda de Kadaraguma, aldeia de 31 casas que tem papel fundamental na coleta das sementes, que consiste em um complexo ritual. A pé, as sacerdotisas visitam os povoados que cultivam uma variedade antiga de milho. Elas oferecem a galinha e a pomba à bejuni local, e em troca pedem quatro medidas de sementes para encher quatro cestas de bambu, que despejam sobre um tecido branco.

As sementes são, então, distribuídas em partes iguais entre cinco famílias da aldeia das sacerdotisas viajantes, para serem plantadas em junho. Graças à chuva, a colheita resultante em dezembro equivale, em média, a 50 vezes a quantidade de semente plantada. Como pagamento, as sacerdotisas entregam oito cestas do cereal aos seus vizinhos, o dobro das sementes que receberam inicialmente.

As notícias sobre as variedades pouco comuns de sementes são passadas de boca em boca. Membros da comunidade dom, vizinha dos dongria kondhs, atuam como mensageiros. As visitas dos doms a localidades distantes permitiram recentemente a preservação de milho em desaparecimento: o khidi janha, aparentado com o sorgo, no povoado de Jangojodi, e uma versão do milho rabo de raposa chamada kanga-arka, na aldeia de Sagadi.

O purê de milho é transportado em cabaças que mantêm uma temperatura estável, mesmo ao sol. Foto: Manipadma Jena/IPS

O purê de milho é transportado em cabaças que mantêm uma temperatura estável, mesmo ao sol. Foto: Manipadma Jena/IPS

Há 60 anos, o milho ocupava 40% das terras cultivadas com cereais na Índia. Atualmente, esse número caiu para apenas 11%. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) revela que a produção de milho começou a diminuir com a mudança do milênio, e que os níveis em 2010 pouco superam os de 1990. Em Niyamgiri, os números são piores.

“O plano do governo que incentivou cultivos comerciais como abacaxi, cúrcuma e gengibre na comunidade dongri kondh invadiu 50% das terras dedicadas ao milho nos últimos 15 anos”, afirmou Susanta Kumar Dalai, um voluntário do setor social que trabalha com a tribo.

Como o milho cresce bem em situação adversa, prospera em condições de seca e não exige irrigação além da chuva habitual, as comunidades rurais não entendem a decisão do governo que pretende limitar sua produção.

O milho também fornece altas quantidades de proteínas, vitamina B e minerais como magnésio, potássio, zinco e cobre aos povos tribais, e preenche os vazios nutricionais que não podem ser complementados com outros alimentos mais caros. A desnutrição em Niyamgiri é comum, e a fome extrema, que o governo mede segundo sua referência de ingestão diária de 2.400 calorias, alcança 83% da população.

Os moradores locais afirmaram à IPS que as práticas agrícolas tradicionais, como os cultivos mistos e os hábitos alimentares antigos, poderiam resolver muitos problemas. “Quando tínhamos mais variedades de milho, plantávamos até nove cereais e lentinha diferentes em uma área”, disse Krusna Kadraka, de 53 anos, chefe da aldeia de Kadaraguma.

No momento da colheita, cada casa tinha várias “gulis” (cestas de bambu com capacidade de até 200 quilos) cheias de cereais. Agora que as variedades de cereais são substituídas por monoculturas como o arroz, 27 das 31 famílias do povoado colhem apenas duas gulis de grãos por ano em suas áreas individuais de um hectare.

Um grupo de sacerdotisas discute seus planos antes de sair em busca das variedades de milho “que estão desaparecendo” em um povoado no leste da Índia. Foto: Manipadma Jena/IPS

Um grupo de sacerdotisas discute seus planos antes de sair em busca das variedades de milho “que estão desaparecendo” em um povoado no leste da Índia. Foto: Manipadma Jena/IPS

Mankombu Sambavisan Swaminathan, destacado geneticista de 88 anos, disse à IPS que a Índia desenvolveu uma “hierarquia dos grãos”, pela qual o arroz – um cultivo lucrativo para os empresários que vendem fertilizantes e uma importante fonte de renda em razão da exportação – é considerado superior aos cultivos mais tradicionais.

Diante da insistência de Swaminathan, o milho será incluído no sistema público de distribuição de alimentos, que entrega cereais subsidiados a dois terços dos 1,2 bilhão de habitantes da Índia, alimentando 820 milhões de pessoas. Embora o sistema esteja repleto de corrupção, converteu grandes populações rurais em consumidoras de arroz e relegou o milho ao lugar de grão “ordinário”, destinado a ser forragem para o gado e não um alimento básico para os seres humanos.

Swaminathan destaca que não se quer apenas que o governo da Índia reconheça o milho, mas que a Organização das Nações Unidas (ONU) dedique um ano internacional ao que ele chama de “cultivo órfão”, porque, apesar de ter sido muito popular, agora está abandonado por um sistema cada vez mais globalizado e impulsionado pelas exportações.

Essa medida poderia ser justamente o que precisa a Índia, que tem uma das mais altas taxas de fome no mundo. Segundo a FAO, 194,6 milhões de pessoas estão “desnutridas” nesse país. A Organização Mundial da Saúde calcula que 1,3 milhão de crianças morrem de desnutrição a cada ano na Índia. Envolverde/IPS

* Esta reportagem é parte de uma série concebida em colaboração com Ecosocialista Horizons.

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Cabras ajudam a enfrentar mudança climática http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/cabras-ajudam-a-enfrentar-mudanca-climatica/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/cabras-ajudam-a-enfrentar-mudanca-climatica/#comments Fri, 24 Jul 2015 12:50:27 +0000 Jeffrey Moyo http://www.envolverde.com.br/?p=197965 Por Jeffrey Moyo, da IPS –  Harare, Zimbábue, 24/7/2015 – No momento em que um clima incomum, quente e seco, afeta o Zimbábue, a mudança climática e a consequente seca fizeram com que muitos criadores perdessem grande número de animais. Isso os levou a optar por criar cabras como forma de preservar seus bens pecuários. Especialistas […]

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Muitos zimbabuenses se dedicam à criação de pequenos animais, como cabras, que suportam condições ambientais mais secas, para evitar as consequências da mudança climática, que já causou a morte de várias vacas ao longo dos anos. Foto: Jeffrey Moyo/IPS

Muitos zimbabuenses se dedicam à criação de pequenos animais, como cabras, que suportam condições ambientais mais secas, para evitar as consequências da mudança climática, que já causou a morte de várias vacas ao longo dos anos. Foto: Jeffrey Moyo/IPS

Por Jeffrey Moyo, da IPS – 

Harare, Zimbábue, 24/7/2015 – No momento em que um clima incomum, quente e seco, afeta o Zimbábue, a mudança climática e a consequente seca fizeram com que muitos criadores perdessem grande número de animais. Isso os levou a optar por criar cabras como forma de preservar seus bens pecuários. Especialistas em mudança climática coincidem em que a criação de animais tolerantes à seca, que se alimentam de arbustos e necessitam menos trabalho humano, é uma alternativa melhor às vacas, as quais exigem muito mais cuidados.

Isso acontece enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) pede urgência às nações do mundo para tomarem medidas de combate à mudança climática e enfrentem suas consequências no contexto das discussões sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que deverão ser aprovados pela Assembleia Geral em setembro. Os ODS são um conjunto de 17 objetivos, metas e indicadores para que os Estados membros da ONU os utilizem como parâmetros de referência em matéria de desenvolvimento, para criar suas agendas e suas próprias políticas para os próximos 15 anos.

“Com as flutuações dos padrões de chuva no Zimbábue, a criação de gado ficou insustentável. Mas as cabras, que suportam melhor a seca, oferecem muito mais benefício”, disse à IPS o especialista em mudança climática Happison Chikova, formado em geografia e estudos ambientais na Midlands State University.

Inclusive, Chrispen Kadiramwando, presidente da Associação de Criadores de Cabras, confirmou que “há planos iminentes para impulsionar a produção desses animais nas regiões secas do Zimbábue, onde prosperam pequenos rebanhos, e identificamos mercados para exportar sua carne em países como África do Sul, Tanzânia, Nigéria e outros do Oriente Médio, onde é considerada um manjar”.

Dados do Ministério de Pequenas e Médias Empresas e Desenvolvimentos Cooperativos mostram que há cerca de 136 mil criadores de cabras no país, que vão de pastores comunitários até periurbanos. Livias Ncube, da região 5, a mais quente do país no distrito de Mwenezi, é um dos que optaram pela criação e venda de cabras. “Dificilmente as chuvas são suficientes nessa parte do país, a zona mais seca do Zimbábue, mas não uso nenhuma ração para alimentar minhas cabras, pois se adaptam às condições e inclusive são mais gordas”, contou Ncube à IPS.

Além de vender as cabras localmente, Ncube se converteu em exportador de carne de caprino para países vizinhos como África do Sul e Moçambique. “Apesar de manter um gado considerável, apesar de uma série de secas que deixaram várias vacas mortas, agora tenho um rebanho de 130 cabras e também ganho dinheiro vendendo-as”, ressaltou. Ele disse que ganha US$ 1.600 por mês vendendo cabras, por cerca de US$ 70 cada uma. Esses animais se reproduzem mais rápido do que as vacas, apesar das condições de seca da região.

Por meio do programa Gado para a Resiliência Melhorada e a Recuperação Acelerada do Zimbábue (ZRR), com apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), Ncube aprendeu a gerir a criação de cabras e o mercado para melhorar sua renda. O programa ZRR oferece aos criadores capacitação para a criação de cabras e a gestão de sua saúde, além de formar os trabalhadores rurais em técnicas de prevenção e cuidado de animais.

Já são mais de dois milhões de cabras no Zimbábue e quase todas (cerca de 98%) estão em áreas comunitárias, segundo um estudo sobre criação de cabras e atividades de desenvolvimento, da Estação de Pesquisa Matobo. Porém, especialistas agrários temem que os indígenas que criam cabras não se deem conta do valor monetário que representam seus pequenos rebanhos.

“Milhares se dedicam à criação de cabras, mas poucos podem avaliar o valor de seus animais pela falta de fluxo adequado de informação entre os produtores e o mercado, o que fez com que os criadores acabassem se dedicando à troca, o que prejudica suas possibilidades de comercialização”, apontou à IPS Leonard Vazungu, funcionário de extensão agrícola.

No começo deste ano, o governo zimbabuense distribuiu dez mil cabras para criação e procura aumentar o número para 44 milhões até 2018. A iniciativa coincide com um momento em que o gado diminuiu nesse país da África austral, de 6,8 milhões de cabeças, em 2000, para os atuais 5,2 milhões.

“Investir em pequenos animais como cabras, que têm maiores possibilidades de sobreviver em zonas propensas às secas, protege o país contra os prejuízos da perda de rebanhos”, explicou Barnabas Mawire, diretor da organização Environment Africa, em um painel sobre mudança climática realizado este mês em Harare, capital do país. Mas não será fácil se não existir uma política nacional para frear o aquecimento global.

A legisladora Annastancia Ndlovu apoiou, na Assembleia Nacional, no início deste ano, uma moção para criar uma política de mudança climática em nível nacional. Ndlovu também é a presidente do Comitê da Carteira Parlamentar de Indústria da Hospitalidade, Turismo, Água e Ambiente. No Zimbábue, a escassez de recursos econômicos dificulta a luta contra a mudança climática.

“A redução dos fundos estatais para a mudança climática significa que devemos trabalhar com outros sócios para promover a agenda climática e estamos desenvolvendo uma política climática nacional, a primeira do país e para a qual precisamos da maior quantidade de recursos possível”, afirmou à IPS Veronica Gundu, principal responsável de ambiente do Ministério de Ambiente, Água e Clima.

Mas, com ou sem uma política nacional de mudança climática, muitos criadores de cabras do Zimbábue, como Ncube, dizem que avançaram sozinhos para enfrentar os impactos da mudança climática. “Seguimos com nossas vidas dentro do aprofundamento dos impactos da mudança climática e com a criação de cabras. Para nós, a vida continua apesar de terem morridos vários de nossos animais por causa da mudança climática”, acrescentou. Envolverde/IPS

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Crescem vozes por acordo climático audacioso http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/crescem-vozes-por-acordo-climatico-audacioso-2/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/crescem-vozes-por-acordo-climatico-audacioso-2/#comments Thu, 23 Jul 2015 18:17:53 +0000 IPS http://www.envolverde.com.br/?p=197927 Por Kitty Stapp, da IPS –  Nova York, Estados Unidos, 23/7/2015 – Uma aliança de 24 destacadas instituições científicas britânicas exortou os governos a tomarem medidas enérgicas e imediatas na crucial cúpula sobre mudança climática que a Organização das Nações Unidas (ONU) realizará em dezembro, em Paris. Uma declaração, publicada pela aliança no dia 21, alerta […]

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A praia de Negril, na Jamaica, com sinais de erosão costeira. Foto: Mary Vieira/IPS

A praia de Negril, na Jamaica, com sinais de erosão costeira. Foto: Mary Vieira/IPS

Por Kitty Stapp, da IPS – 

Nova York, Estados Unidos, 23/7/2015 – Uma aliança de 24 destacadas instituições científicas britânicas exortou os governos a tomarem medidas enérgicas e imediatas na crucial cúpula sobre mudança climática que a Organização das Nações Unidas (ONU) realizará em dezembro, em Paris.

Uma declaração, publicada pela aliança no dia 21, alerta que, para que a humanidade tenha uma possibilidade razoável de limitar o aquecimento do planeta a dois graus centígrados, o mundo deverá emitir 0% de dióxido de carbono até princípios da segunda metade do século, segundo a esmagadora evidência na qual se basearam as instituições.

O economista climático Nicholas Stern, presidente da Academia Britânica e um dos signatários do comunicado, afirmou que este “demonstra a fortaleza da concordância entre as instituições dedicadas à pesquisa na Grã-Bretanha sobre os riscos que geram os níveis em crescimento dos gases-estufa na atmosfera”. “Nossa comunidade de pesquisa esteve durante muitas décadas na vanguarda dos esforços para expandir nossa compreensão e nosso conhecimento das causas e potenciais consequências da mudança climática”, acrescentou.

Segundo Stern, “enquanto alguns de nossos políticos e órgãos de imprensa continuam apoiando a negociação irracional e irresponsável dos riscos da mudança climática, as principais instituições de pesquisa da Grã-Bretanha estão unidas em reconhecer a esmagadora evidência de que as atividades humanas estão impulsionando a mudança climática”.

Entre os signatários do comunicado estão a Sociedade Britânica Ecológica, o Instituto de Física, a Real Sociedade de Astronomia e a Real Sociedade de Meteorologia.

Segundo o documento, os perigos não são teóricos, e, de fato, muitos dos sistemas ecológicos e humanos já estão em risco. O aumento de dois graus na temperatura provocaria fenômenos meteorológicos cada vez mais extremos, com o consequente perigo para ecossistemas e culturas inteiras. Se este aumento chegar aos quatro graus ou mais, o mundo correrá o risco da extinção de um número considerável de espécies animais, insegurança alimentar mundial e regional, e mudanças fundamentais em atividades humanas que hoje são dadas como assentadas.

Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial e presidente da Academia Britânica, quer que a conferência sobre mudança climática que a ONU realizará, em dezembro, em Paris, tome medidas audaciosas para combater o problema. Foto: IPS

Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial e presidente da Academia Britânica, quer que a conferência sobre mudança climática que a ONU realizará, em dezembro, em Paris, tome medidas audaciosas para combater o problema. Foto: IPS

Porém, as entidades destacam que a solução do problema tem um enorme potencial para a inovação, por exemplo, nas tecnologias com baixas emissões de dióxido de carbono. As medidas de mitigação e adaptação diante da mudança climática, como segurança alimentar, energia e água, qualidade do ar, melhorias na saúde e proteção dos serviços proporcionados pelos ecossistemas, gerariam benefícios econômicos consideráveis.

Também no dia 21, o Vaticano recebeu prefeitos das principais cidades do mundo, que assinaram uma declaração exortando os governantes do planeta a tomarem medidas audaciosas na 21ª Conferência das Partes (COP 21) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontecerá na capital francesa, entre 30 de novembro e 11 de dezembro.

A cúpula de Paris “poderá ser a última oportunidade real de se negociar acordos que mantenham o aquecimento induzido pela humanidade abaixo dos dois graus”, destaca uma declaração assinada por prefeitos da África, América Latina, Ásia, Estados Unidos e Europa.

Os governantes devem chegar a um “acordo audacioso que restrinja o aquecimento mundial a um limite seguro para a humanidade, e que proteja os pobres e os vulneráveis”, acrescenta a declaração, que também foi assinada pelo papa Francisco, que assumiu uma forte posição pública sobre a mudança climática.

Entre os presentes no Vaticano, estava Jerry Brown governador da Califórnia, nos Estados Unidos, que qualificou de “trogloditas” os que negam a mudança climática, em uma entrevista ao jornal Sacramento Bee. Os que negam, como os multimilionários e norte-americanos “irmãos (Charles e David) Koch não ficam quietos”, afirmou.

“Arrecadam dinheiro, apoiando candidatos, colocando dinheiro em centros de pesquisa, e a negação, a dúvida e o ceticismo se propagam por diversos meios de comunicação, e, portanto, a sinceridade e a autoridade do papa é um bem-vindo antídoto para essa cepa virulenta de negação da mudança climática”, ressaltou Brown.

Segundo uma pesquisa do Greenpeace, os irmãos Koch, que também financiam o partido direitista Tea Party nos Estados Unidos, doaram, desde 1997, mais de US$ 79 milhões a organizações que negam as conclusões científicas sobre a mudança climática.

“Temos que tomar medidas contra um futuro incerto que pode ser algo que ninguém quer. Estamos falando da extinção… de regimes climáticos que não se viu em dezenas de milhões de anos. Ainda não chegamos aí, mas estamos a caminho”, enfatizou o governador. Envolverde/IPS

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