IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Wed, 22 Oct 2014 16:49:25 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.9.2 Custo e oportunidade do petróleo não convencional na Argentina http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/custo-e-oportunidade-do-petroleo-nao-convencional-na-argentina/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/custo-e-oportunidade-do-petroleo-nao-convencional-na-argentina/#comments Wed, 22 Oct 2014 16:49:25 +0000 Fabiana Frayssinet http://envolverde.com.br/?p=123466 Añelo, Argentina, 22/10/2014 – A vida deste povoado da Patagônia argentina mudou para sempre, por ser o município mais próximo da maior jazida de petróleo e gás não convencionais da América Latina. Añelo agora tem cinco mil habitantes, o dobro de apenas dois anos atrás, e calcula-se que em 15 anos terá 25 mil moradores. […]

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Añelo, Argentina, 22/10/2014 – A vida deste povoado da Patagônia argentina mudou para sempre, por ser o município mais próximo da maior jazida de petróleo e gás não convencionais da América Latina. Añelo agora tem cinco mil habitantes, o dobro de apenas dois anos atrás, e calcula-se que em 15 anos terá 25 mil moradores.

A jazida de Loma Campana é parte da formação geológica de Vaca Muerta, cujos 430 mil quilômetros quadrados ficam na província de Neuquén e suas vizinhas. Mas a fratura hidráulica utilizada para extrair os hidrocarbonos da rocha alarma os ativistas ambientais e sociais.

A IPS constatou no local como as opiniões se dividem entre os que defendem o progresso, que a seu ver o xisto trará, tanto para a região como para o país, e aqueles que alertam para os danos ao ambiente e à produção agrícola da região, decorrentes de um modelo energético baseado em uma fonte suja, em lugar das renováveis, das quais a Argentina também tem abundância. Envolverde/IPS

Para assistir o vídeo (em espanhol) acesse aqui.

video Custo e oportunidade do petróleo não convencional na Argentina

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2015 será um ano decisivo para o desarmamento nuclear http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/2015-sera-um-ano-decisivo-para-o-desarmamento-nuclear/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/2015-sera-um-ano-decisivo-para-o-desarmamento-nuclear/#comments Wed, 22 Oct 2014 16:40:51 +0000 Thalif Deen http://envolverde.com.br/?p=123462   Nações Unidas, 22/10/2014 – “Um dos grandes paradoxos da ciência moderna” é que os seres humanos buscam vida em outros planetas enquanto as potências nucleares do mundo mantêm e modernizam suas armas para destruir a vida na Terra, afirmou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. “Devemos lutar contra o militarismo […]

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BAN 2015 será um ano decisivo para o desarmamento nuclear

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lê uma declaração à imprensa após visitar a zona zero do local de testes nucleares de Semipalatinsk, no Cazaquistão, em abril de 2010. Ban exortou os governantes do mundo, e dos Estados possuidores de armas nucleares em particular, a trabalharem por um mundo livre destas armas. Foto: Eskinder Debebe/ONU

 

Nações Unidas, 22/10/2014 – “Um dos grandes paradoxos da ciência moderna” é que os seres humanos buscam vida em outros planetas enquanto as potências nucleares do mundo mantêm e modernizam suas armas para destruir a vida na Terra, afirmou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. “Devemos lutar contra o militarismo que engendra a busca por essas armas”, afirmou Ban no dia 6 de agosto, aniversário do lançamento pelos Estados Unidos da primeira bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroxima, em 1945.

A partir de abril, uma série de reuniões converterá 2015 em um ano decisivo para o sucesso ou o fracasso do desarmamento nuclear. Uma das mais importantes será a conferência quinquenal de exame do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), programada para os meses de abril e maio. Quase ao mesmo tempo, haverá uma conferência internacional da sociedade civil sobre paz, justiça e ambiente, nos dias 24 e 25 de abril, em Nova York, uma manifestação internacional e uma marcha pacifista rumo à sede da ONU, no dia 26 de abril, junto com protestos não violentos nas capitais de todo o mundo.

Em 2015 também se completarão 70 anos dos bombardeios atômicos sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki, pelos Estados Unidos. E também 45 anos desde que as primeiras cinco potências nucleares – China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia (P5) – acordaram no Artigo VI do TNP a realização de negociações de boa fé para a eliminação de seus arsenais nucleares. Além disso, é possível que a conferência internacional sobre uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio, acordada na conferência de exame de 2010, aconteça no próximo ano, após numerosos adiamentos.

O Grupo Internacional de Planejamento para a Mobilização da Revisão 2015 do TNP, uma rede de organizações não governamentais internacionais que terá um papel preponderante nas próximas reuniões, apresentará uma petição, com milhões de assinaturas, a favor da abolição das armas nucleares. Caso a conferência de exame de 2015 não decida pelo início das negociações sobre a abolição, “o próprio tratado poderá fracassar, acelerar a proliferação das armas nucleares e aumentar a probabilidade de uma guerra nuclear catastrófica”, segundo o Grupo.

“O que devemos fazer? Deixar que os realistas pirados nos levem ao inferno? Não creio”, afirmou Joseph Gerson, coordenador da rede internacional, ao ser perguntado se seria possível algum avanço diante da intransigência das potências nucleares. A perspectiva do exame do TNP não é otimista, acrescentou. “Mas tenho esperança ao saber que nossos movimentos da sociedade civil não estão sozinhos na luta pela abolição”, acrescentou.

As última conferência de exame do TNP, em 2010, reafirmou “o compromisso inequívoco dos Estados possuidores de armas nucleares de alcançar a eliminação total de seus arsenais, com vistas ao desarmamento nuclear”, acrescentou a rede internacional. Cinco anos depois, com outra conferência no horizonte, os arsenais “capazes de destruir civilizações inteiras”, persistem, e inclusive se deteve o escasso progresso obtido para o desarmamento.

Há mais de 16 mil armas nucleares no planeta, dez mil no serviço militar e 1.800 em estado de alerta, segundo a rede. “Todos os Estados com armas nucleares estão modernizando seus arsenais nucleares, manifestando a intenção de mantê-los nas próximas décadas”, apontou a organização, lembrando que os países com armas nucleares gastam mais de US$ 100 bilhões ao ano com elas.

O gasto com armas de alta tecnologia aprofunda a dependência de alguns governos de seus arsenais nucleares e fomenta a crescente brecha entre ricos e pobres. Em 2013 o gasto militar chegou a US$ 1,75 trilhão, mais do que a renda total anual do um terço mais pobre da população mundial. Jackie Cabasso, da Fundação Legal dos Estados Ocidentais e também organizadora da rede internacional, destacou que as potências nucleares “se negam a cumprir sua obrigação legal e moral de iniciar as negociações para proibir e eliminar completamente seus arsenais nucleares”.

“Como vimos na Reunião de Alto Nível das Nações Unidas para o Desarmamento e nas conferências de Oslo e Nayarit sobre as consequências humanas das armas nucleares, a imensa maioria dos governos do mundo exige a aplicação do TNP”, assegurou Cabasso. “Estamos trabalhando com organizações associadas nos Estados Unidos e em outros países para mobilizar ações internacionais a fim de gerar pressão popular e influir na conferência de exame de 2015”, acrescentou.

A mobilização destacará as conexões entre a preparação para a guerra nuclear, as repercussões ambientais da mesma e do ciclo do combustível nuclear, e o gasto militar em detrimento das necessidades humanas essenciais, ressaltou Cabasso. Gerson disse à IPS que, “ao longo da minha vida, vi a superação do sistema de segregação racial nos Estados Unidos, o fim da guerra do Vietnã e o fim do sistema de apartheid sul-africano, fatos que antes de se converterem em história às vezes pareciam insuperáveis”.

Em cada um desses casos, “acontecimentos inesperados e a poderosa vontade humana provocaram a mudança para a qual nos havíamos sacrificado e lutado”, destacou Gerson, membro da junta diretora do Escritório Internacional da Paz e da rede Não à Guerra/Não à Otan. A realidade é que todos os Estados possuidores de armas nucleares estão modernizando seus arsenais e há colaboração entre os membros do P5 para resistir à reclamação da maioria dos demais países para que cumpram o Artigo VI do TNP, enfatizou.

O que está acontecendo com a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a União Europeia e as respostas da Rússia e Ásia oriental recorda a Europa dos anos prévios à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), com sua ameaça de guerra catastrófica e aniquilação, advertiu Gerson. “Sei que a lei das consequências imprevistas significa que nunca podemos saber realmente quais serão as consequências de nossas ações. Mas confio em que nossa mobilização dará ânimo a numerosos diplomatas e atores governamentais que são nossos potenciais aliados”, ressaltou. Envolverde/IPS

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Estados Unidos ajudam combatentes curdos na Síria e na Turquia http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/estados-unidos-ajudam-combatentes-curdos-na-siria-e-na-turquia/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/estados-unidos-ajudam-combatentes-curdos-na-siria-e-na-turquia/#comments Wed, 22 Oct 2014 16:38:05 +0000 Jim Lobe http://envolverde.com.br/?p=123458 Washington, Estados Unidos, 22/10/2014 – Os Estados Unidos lançaram por ar armas e provisões para os combatentes curdos na cidade síria de Kobani, na fronteira com o Iraque, indicando a intensificação dos esforços de Washington para “degradar e destruir” o grupo extremista Estado Islâmico (EI). O lançamento, no dia 19, de 27 fardos com armas […]

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kurdos 354x472 Estados Unidos ajudam combatentes curdos na Síria e na Turquia

Escola convertida em acampamento para refugiados em Erbil, capital do Curdistão iraquiano, em setembro. Foto: Annabell Van den Berghe/IPS

Washington, Estados Unidos, 22/10/2014 – Os Estados Unidos lançaram por ar armas e provisões para os combatentes curdos na cidade síria de Kobani, na fronteira com o Iraque, indicando a intensificação dos esforços de Washington para “degradar e destruir” o grupo extremista Estado Islâmico (EI). O lançamento, no dia 19, de 27 fardos com armas leves, incluídas as antitanques, munições e outros suprimentos, também ajudou a desencadear uma mudança importante na política turca, segundo especialistas em Washington.

Até então, a Turquia se negava firmemente a ajudar os defensores curdos de Kobani, comandados por membros do Partido da União Democrática (PYD), considerado por Ancara uma organização terrorista vinculada ao Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK). O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, confirmou, no dia 20, que as forças pesmergas curdas do Iraque terão permissão para cruzar a fronteira com a Turquia e reforçar os combatentes de Kobani que enfrentam o Estado Islâmico.

O EI teria perdido grande parte de seu controle sobre a cidade após os fortes combates e os bombardeios aéreos dos Estados Unidos nos últimos dias. “Creio que os trucos estão fazendo redução de danos”, disse à IPS Henri Barkey, especialista em Turquia da Universidade de Lehigh, dos Estados Unidos. “Todo mundo queria salvar Kobani, e fundamentalmente eram os turcos que tornavam isso impossível. Agora estão fazendo isso para poderem dizer que ‘também estamos fazendo algo’”, apontou.

Apesar dos recentes e preocupantes avanços do EI no vizinho Iraque, sobretudo na província de Al Anbar, a batalha por Kobani atraiu a cobertura da imprensa da campanha aérea dos Estados Unidos contra o grupo extremista, em grande parte porque a imprensa pode seguir de perto os combates a partir da segurança das colinas do lado turco da fronteira. Embora altos funcionários do governo e militares dos Estados Unidos tenham declarado em repetidas ocasiões que o destino de Kobani não é fundamental em sua estratégia contra o EI, a cobertura jornalística converteu a cidade em um potente símbolo político das perspectivas de êxito de Washington.

Praticamente, o governo de Barack Obama havia ignorado a batalha até este mês. Mas, na medida em que os meios de comunicação se concentravam no avanço das forças do Estado Islâmico nos arredores da cidade vindo de três direções diferentes, Washington começou seus ataques aéreos, que foram reforçados nas duas últimas semanas, embora Ancara, seu aliado na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), tenha destacado sua oposição a qualquer intervenção externa em nome do PYD.

“O governo da Turquia não vê o EI como seu pior problema”, afirmou Eric Edelman, ex-embaixador dos Estados Unidos nesse país, em um fórum realizado no Centro de Política Bipartidária, em Washington. Segundo declarações recentes de funcionários turcos de alto nível, Ancara considera pior o PKK, que atualmente mantém negociações de paz com o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan, acrescentou. O PYD é considerado o braço sírio do PKK. “Olham Kobani através da lente das negociações com o PKK e querem colocar o PKK em seu lugar”, destacou.

Mas essa estratégia pode ter sido contraproducente, enquanto o PYD e o Governo Regional Curdo no Iraque reclamavam ajuda urgente para Kobani, ou que fosse permitida a entrada de combatentes curdos como reforços para a defesa da cidade. Os curdos, que somam aproximadamente 20% da população da Turquia, realizaram manifestações contra o governo em todo o país. Mais de 30 pessoas morreram devido à violência de rua antes da aplicação de toques de recolher no começo deste mês. Por outro lado, o PKK ameaçou suspender as negociações de paz, que foram um dos êxitos claros de Erdogan.

Além da pressão interna, Washington e alguns de seus aliados na Otan também pressionaram Ancara para que modificasse sua política. Mas Erdogan insistiu que só ajudaria Kobani e permitiria aos Estados Unidos o uso de sua enorme base aérea de Incirlik para lançar ataques aéreos se Washington cumprisse certas condições quanto à sua política geral para a Síria.

Em particular, exigiu que Washington e seus aliados estabelecessem zonas de exclusão aérea na fronteira com a Turquia, que pudessem ser usadas como refúgio pelos insurgentes que combatem o governo de Bashar al Assad na Síria. Também reclamou que os Estados Unidos atacassem a infraestrutura militar de Assad, e não apenas o EI. Embora o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, dissesse que seu governo estava disposto a considerar tais medidas, a Casa Branca se manteve firmemente contrária.

Devido à importância simbólica de Kobani, o próprio Obama telefonou para Erdogan no dia 18 para informá-lo que decidira autorizar o reabastecimento da defesa da cidade e pedir que abrisse a fronteira aos reforços curdos. A primeira operação de reabastecimento foi feita por três aviões cargueiros C-130 na noite do dia 19, o que implica um nível novo na intervenção de Washington na Síria.

Embora poucos legisladores do governante Partido Democrata nos Estados Unidos expressassem sua preocupação, membros do opositor Partido Republicano elogiaram a operação, já que no passado cobraram medidas mais fortes, como zonas de exclusão aérea e ataques a objetivos militares sírios. “Apoiamos a decisão da administração para reabastecer as forças curdas em Kobani com armas, munições e outros suprimentos”, declararam os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham, em um comunicado conjunto.

Ao mesmo tempo, se queixaram de que “esse ajuste tático não deve ser confundido com uma estratégia eficaz, o que ainda falta”. Exortaram o governo de Obama a enviar forças especiais e assessores militares à Síria para ajudar a oposição “moderada” contra o Estado Islâmico e o governo de Assad. Não está claro se Obama limitou-se a informar Erdogan que a operação de abastecimento aconteceria com ou sem sua aprovação, ou se o presidente turco exigiu algumas condições adicionais.

“Creio que não receberam nada em troca. Acredito que os turcos estão fazendo redução de danos. Diria que estão aturdidos pela decisão dos Estados Unidos”, pontuou Barkey à IPS. Ao mesmo tempo, é provável que Erdogan negocie duramente o pedido dos Estados Unidos para usar a base aérea de Incirlik – localizada perto da fronteira com a Síria e muito mais próxima do território sírio e iraquiano do que os porta-aviões e as bases norte-americanas no Golfo Arábico – para operações ofensivas contra o Estado Islâmico nos dois países. Envolverde/IPS

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Empreendedoras cubanas sofrem com vulnerabilidades machistas http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/empreendedoras-cubanas-sofrem-com-vulnerabilidades-machistas/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/empreendedoras-cubanas-sofrem-com-vulnerabilidades-machistas/#comments Wed, 22 Oct 2014 16:34:21 +0000 Patricia Grogg http://envolverde.com.br/?p=123454   Havana, Cuba, 22/10/2014 – A máquina de costura de Leonor Pedroso vestiu, nos últimos 30 anos, meninos e meninas do povoado cubano de Florida. Mas só há alguns meses esta costureira pôde formalizar seu trabalho por contra própria, que sempre combinou com as tarefas do lar e o cuidar da família. “Meu marido, que […]

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15357490101 931b920880 z 629x468 Empreendedoras cubanas sofrem com vulnerabilidades machistas

Trabalhadora da Cooperativa Vivero Alamar carrega uma planta ornamental em um subúrbio de Havana. O acesso ao emprego é um problema para as mulheres rurais cubanas. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

 

Havana, Cuba, 22/10/2014 – A máquina de costura de Leonor Pedroso vestiu, nos últimos 30 anos, meninos e meninas do povoado cubano de Florida. Mas só há alguns meses esta costureira pôde formalizar seu trabalho por contra própria, que sempre combinou com as tarefas do lar e o cuidar da família. “Meu marido, que é camponês, não permitia que eu trabalhasse fora de casa, só podia costurar para os vizinhos e amigos próximos, sem cobrar ou cobrando barato. Segundo ele, ter um trabalho formal não era coisa de mulheres”, contou à IPS essa mulher de 63 anos.

Ela é uma das beneficiárias de um projeto de cooperação internacional de gênero no atual processo de reforma socioeconômica de Cuba. Dedicada principalmente ao cuidado de sua família de quatro filhos, Leonor não contava com renda estável nem conhecimentos para tirar partido de suas habilidades até receber aulas gratuitas de gestão comercial, plano de negócios, administração e gênero, junto com outras empreendedoras.

“Enfrentei meu marido para fazer o que me agrada e agora estou montando em minha casa um local de trabalho em que possa vender o que faço e ensinar as jovens a costurar e bordar”, disse, satisfeita, enquanto esperava novas máquinas de costura para seu negócio. Graças a isso, é sócia recente da Cooperativa de Produção Animal 25 Aniversário, da região.

O projeto, impulsionado pela organização não governamental espanhola Acsur Las Segovias e pela local Associação Nacional de Pequenos Agricultores (Anap) e com financiamento da União Europeia, favorece com capacitação e insumos 24 produtoras agropecuárias, artesãs e líderes camponesas.

Quando o projeto concluir, no final deste ano, a experiência “Incorporação ao desenvolvimento socioeconômico local das mulheres empreendedoras rurais a partir de uma adequada perspectiva de gênero” terá estendido as opções de integração local para mulheres tradicionalmente dedicadas às tarefas do lar em três províncias cubanas. Trata-se de Artemisa, Camagüey, onde fica o povoado de Florida, e Granma.

“Antes o homem era visto como principal provedor e proprietário da terra, mas elas foram sendo reconhecidas por suas contribuições para a economia familiar”, disse à IPS a técnica de projetos Lorena Rodríguez, da Acsur Las Segovias, para quem o machismo continua golpeando a incorporação das mulheres rurais ao trabalho remunerado.

É o caso de Neysi Fernández, que, buscando um meio de ganhar a vida, saiu de sua natal Yateras, na província de Guantânamo, no extremo leste do país, até Guanajay, no outro lado da ilha, na província de Artemisa. Ali, um familiar lhe cedeu quatro hectares de terra onde cultiva mandioca, taioba, feijões, milho e banana-da-terra. “Fui para onde estava o trabalho porque minha filha, hoje com 12 anos, não podia passar fome. Depois aprendi como vender a colheita e investir o dinheiro”, contou à IPS esta camponesa de 42 anos, casada há quatro com um operário.

Pesquisas sociais valorizam o acesso das mulheres ao emprego como uma das iniquidades mais sérias do meio rural cubano, onde elas representam 47% entre mais de 2,8 milhões de habitantes, em um país com 11,2 milhões de habitantes no total. O trabalho realizado por esposas e filhas de camponeses no cuidado de animais, hortas familiares e tarefas domésticas não é reconhecido nem remunerado, conforme ressaltado no Terceiro Seminário de Avaliação do Plano de Ação Nacional, realizado em 2013 em acompanhamento à Conferência Mundial da Mulher, de Pequim.

Apenas 65.993 mulheres estão associadas à Anap, representando apenas 17% de seus membros, segundo dados deste ano publicados no jornal estatal Granma. Em 2013, elas foram mais de 142.300 entre mais de 1,838 milhão de pessoas ocupadas na agricultura, pecuária, silvicultura e pesca, segundo o estatal Escritório Nacional de Estatísticas e Informação (Onei).

A reforma que é realizada pelo presidente Raúl Castro desde 2008, para injetar dinamismo na deprimida economia da ilha, incluiu a entrega de terras ociosas em usufruto pelos decretos-lei 259, de 2008, e 300, de 2012. Isso implicaria o despontar da produção de alimentos em um país onde 40% das terras aráveis estão em mãos privadas, segundo o Anuário Estatístico de 2013 do Onei.

Mas os homens seguem sendo os principais donos dos recursos agrícolas como terra, água, insumos, créditos e também são maioria entre os que tomam decisões no setor. À falta de ações afirmativas do Estado para o setor feminino rural, várias organizações da sociedade civil e agências de cooperação internacional insistem em favorecer um desenvolvimento local com perspectiva de gênero.

Com apoio da organização humanitária Oxfam, no final deste ano estarão funcionando em dez municípios do leste cubano mais de 15 empreendimentos coletivos de mulheres, entre eles uma floricultura, um salão de beleza, uma lavanderia, uma queijaria, várias mini-indústrias e alguns centros de gestão de micro-organismos para a agricultura ecológica.

Com fundos da União Europeia, a Agência Basca de Cooperação para o Desenvolvimento e da embaixada do Japão em Cuba, esses pequenos negócios contarão com equipamentos e meios de transporte. Além disso, suas gestoras receberam capacitação por meio de painéis de autoestima, liderança e crescimento pessoal.

Segundo a socióloga Yohanka Valdés, o valor desses projetos está em fortalecer a capacidade das mulheres a partir de uma lógica favorável ao seu empoderamento e em reconhecimento de seus direitos. “Se existe uma oportunidade, os homens estão em melhores condições de aproveitá-la porque não precisam cuidar da família”, pontuou à IPS.

Por estas e outras razões, a economista Dayma Echevarría garante que a metade feminina chegou em desvantagem à diversificação de atividades do setor estatal. A seu ver, em Cuba persistem estereótipos de gênero que mantêm as mulheres no papel reprodutivo, como cuidadoras e administradoras do lar. Em um dos capítulos do livro Olhares para a Economia Cubana (Editora Caminos, 2013), Echevarría avalia a falta de serviços de apoio ao cuidado como uma das causas da vulnerabilidade das mulheres rurais diante do emprego.

Os recentes processos de entrega de terra não se traduziram, segundo a especialista, em oportunidades para impulsionar a igualdade de gênero porque não favoreceram a ativa participação feminina na mudança. Por outro lado, são poucas as cubanas com recursos para desenvolverem negócios próprios dentro do contexto regulatório estabelecido. “Ainda se espera que sejam colocadas em prática normas que permitam uma inserção mais equitativa para todos e todas nas novas condições de trabalho e que integrem em sua visão o olhar de gênero”, ressaltou Echevarría.

Cuba ocupa o 15º lugar no Índice Global de Brechas de Gênero, de 2013, mas no quesito participação e oportunidade econômica cai para o 66º posto entre as 153 nações estudadas. Envolverde/IPS

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Guerreiros climáticos bloqueiam o maior porto de carvão do mundo http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/guerreiros-climaticos-bloqueiam-o-maior-porto-de-carvao-do-mundo/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/guerreiros-climaticos-bloqueiam-o-maior-porto-de-carvao-do-mundo/#comments Tue, 21 Oct 2014 12:12:26 +0000 Lyndal Rowlands http://envolverde.com.br/?p=123356   Nações Unidas, 21/10/2014 – Trinta ativistas contra a mudança climática oriundos de 12 pequenos países insulares do Oceano Pacífico bloquearam com suas canoas, junto com centenas de australianos em caiaques e pranchas de surf, o maior porto de exportação de carvão do mundo, em Newcastle, na Austrália. Organizado com apoio do grupo ecologista 350.org, […]

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canoa Guerreiros climáticos bloqueiam o maior porto de carvão do mundo

Um ativista rema rumo a um navio no porto de carvão de Newcastle, na Austrália, para chamar a atenção sobre o impacto da mudança climática nas ilhas do Pacífico. Foto: Dean Sewell/Oculi para 350.org

 

Nações Unidas, 21/10/2014 – Trinta ativistas contra a mudança climática oriundos de 12 pequenos países insulares do Oceano Pacífico bloquearam com suas canoas, junto com centenas de australianos em caiaques e pranchas de surf, o maior porto de exportação de carvão do mundo, em Newcastle, na Austrália. Organizado com apoio do grupo ecologista 350.org, com sede nos Estados Unidos, o ato, realizado no dia 17, atrasou a saída de oito dos 12 navios que passaram pelo porto durante as nove horas de bloqueio.

A intenção foi chamar a atenção para as consequências da mudança climática nesses países. Os ativistas, que se autodenominam Guerreiros Climáticos do Pacífico, eram de 12 países insulares do Pacífico, incluindo Fiji, Tuvalu, Tokelau, Micronésia, Vanuatu, Ilhas Salomão, Tonga, Samoa, Papua Nova Guiné e Niue. “Queremos que a Austrália recorde que faz parte do Pacífico e que somos uma família, e ter esta família significa que permanecemos juntos. Não podemos permitir que um dos irmãos mais velhos destrua tudo”, declarou à IPS Mikaele Maiava, um dos ativistas.

A Austrália é o quarto maior produtor de carvão no mundo. “Assim, queremos que a comunidade australiana, especialmente os líderes da Austrália, pensem em algo mais além de seus bolsos… na humanidade, não apenas para o povo australiano, mas para todos”, acrescentou Mikaele, nascido em Tokelau.

Ao discursar na inauguração de uma mina de carvão no dia 13, o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, disse que “o carvão é bom para a humanidade”. Porém, Mikaele discorda. “Falamos de humanidade. A humanidade tem a ver com as pessoas perderem sua terra? Sua cultura e identidade? Tem a ver com viver com medo de que as futuras gerações já não possam viver em uma ilha bonita? Essa é a resposta para o futuro?”, questionou o ativista.

Mikaele afirmou que ele e seus companheiros estão conscientes de que sua luta não se limita ao Pacífico, e que a mudança climática também afeta outros países do Sul em desenvolvimento. “Estamos conscientes de que essa luta não é só pelo Pacífico. A mensagem que queremos passar, sobretudo aos governantes, é que somos seres humanos. Essa luta não se trata só de nossa terra, mas é pela sobrevivência”, ressaltou.

Mikaele contou como seu país já sofre as consequências da mudança climática: “Vemos mudanças nos padrões climáticos e também vemos a ameaça para nossa segurança alimentar. É difícil gerar um futuro sustentável se a terra já não é tão fértil e os cultivos não crescem devido à invasão da água salgada”.

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Mikaele Maiava, de Tokelau, com outros ativistas da Guerreiros Climáticos do Pacífico no porto de carvão de Newcastle, na Austrália. Foto: Dean Sewell/Oculi para 350.org

 

A costa de Tokelau sofre erosão. “A linha costeira está mudando. Há 15 anos, quando ia para a escola, podia caminhar em linha reta. Agora tenho que andar por uma linha torcida porque a praia sofreu a erosão”, contou Mikaele. Tokelau se converteu no primeiro país do mundo a utilizar 100% de energia renovável quando adotou a energia solar em 2012 para abastecer sua população, de aproximadamente 1.400 pessoas.

Mikaele e seus companheiros ativistas construíram com as próprias mãos as canoas que trouxeram para a Austrália para o protesto, o meio tradicional de transporte e pesca em seus países. Outra “guerreira” climática, Kathy Jetnil-Kijiner, das Ilhas Marshall, fez chorar o público presente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro, ao ler um poema escrito por sua pequena filha, Matafele Peinam.

“Ninguém se mudará, ninguém perderá sua terra natal, ninguém se converterá em um refugiado da mudança climática. Ou deveria dizer ninguém mais. Aos ilhéus de Carteret, em Papua Nova Guiné, e aos de Taro, em Fiji, aproveito este momento para pedir-lhes desculpas”, afirmou Jetnil-Kijiner, se referindo aos que são considerados os primeiros refugiados climáticos do mundo.

O Fórum das Ilhas do Pacífico qualificou a mudança climática como “maior ameaça para os meios de vida, a segurança e o bem-estar dos povos” da região. Segundo Jetnil-Kijiner, “a mudança climática é uma ameaça imediata e grave para o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza em muitos países insulares do Pacífico, e para a própria sobrevivência de alguns”.

“Entretanto, esses países estão entre os menos capazes de se adaptar e responder a esta mudança, e as consequências que enfrentam são desproporcionais em relação à sua minúscula contribuição coletiva para as emissões mundiais” dos gases-estufa, ressaltou Jetnil-Kijiner. As autoridades das ilhas do Pacífico redobraram suas cobranças e desafiaram o governo australiano a não demorar mais na adoção de medidas contra a mudança climática.

“A Austrália é um país do Pacífico. Ao optar por desmantelar suas políticas climáticas, se retirar das negociações internacionais e seguir adiante com a expansão de sua indústria de combustíveis fósseis está totalmente em desacordo com o resto da região”, afirmou Simon Bradshaw, da organização Oxfam. “Os vizinhos mais próximos da Austrália identificam sistematicamente a mudança climática como seu maior desafio e prioridade absoluta. Portanto, é inevitável que as ações recentes de Canberra repercutam em sua relação com as ilhas do Pacífico”, acrescentou.

“Uma pesquisa recente encomendada pela Oxfam mostra que 60% dos australianos acreditam que a mudança climática tem consequências negativas na capacidade da população dos países mais pobres para cultivar alimentos e ter acesso a eles, chegando a 68% entre a faixa etária de 18 aos 34 anos”, destacou Bradshaw. Envolverde/IPS

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Israel planeja expulsão maciça de beduínos na Cisjordânia http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/israel-planeja-expulsao-macica-de-beduinos-na-cisjordania/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/israel-planeja-expulsao-macica-de-beduinos-na-cisjordania/#comments Tue, 21 Oct 2014 12:07:49 +0000 Mel Frykberg http://envolverde.com.br/?p=123352   Ramalá, Palestina, 21/10/21014 – Naifa Yussef, de 30 anos, e outros 50 integrantes de sua comunidade beduína vivem em condições precárias, à margem da estrada que leva de Jerusalém ao Mar Morto e à antiga cidade de Jericó. E agora correm o risco de serem retirados à força pelas autoridades de Israel. O leste […]

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beduinos Israel planeja expulsão maciça de beduínos na Cisjordânia

Lar beduíno improvisado em um acampamento a leste de Jerusalém, rumo a Jericó. Foto: Mel Frykberg

 

Ramalá, Palestina, 21/10/21014 – Naifa Yussef, de 30 anos, e outros 50 integrantes de sua comunidade beduína vivem em condições precárias, à margem da estrada que leva de Jerusalém ao Mar Morto e à antiga cidade de Jericó. E agora correm o risco de serem retirados à força pelas autoridades de Israel. O leste de Jerusalém, onde está assentado o grupo de beduínos, consiste em um conjunto de moradias precárias além de barracas de campanha instaladas em colinas rochosas e escarpadas que margeiam a estrada.

As moradias não estão ligadas à rede elétrica nem aos serviços de água e coleta de lixo. No inverno, a fria chuva e o vento as castigam, e o barro e o esgoto se acumulam formando piscinas em volta das barracas. Os moradores são obrigados a buscar água no povoado mais próximo, Anata, a cinco quilômetros e 15 minutos de carro, e pagar US$ 2 por pessoa.

A comunidade de Yussef vive em condições de extrema pobreza. Os homens se esforçam para manter suas famílias, trabalhando como diaristas e pastoreando suas cabras e ovelhas, mas em uma área cada vez mais limitada pelos assentamentos de Israel. A comunidade se assentou na região há 50 anos, após sua expulsão do deserto do Neguev, em 1948. A maioria das comunidades beduínas da Cisjordânia foi expulsa do deserto nesse mesmo período.

Nos próximos anos, as autoridades israelenses preveem expulsar e reassentar cerca de 27 mil beduínos da Área C, o território palestino da Cisjordânia sob completa ocupação e administração israelense, para construir mais colônias judias. Em agosto, o governo de Israel anunciou que planejava confiscar mais 404,6 hectares da Cisjordânia, a maior apropriação de terras por Israel em três décadas.

A Cisjordânia está dividida na Área A, sob controle nominal das autoridades palestinas; Área B, sob administração conjunta palestino-israelense; Área C, cerca de 60% de todo o território, sob total controle de Israel, embora, em última instância, toda Cisjordânia seja responsabilidade de Tel Aviv enquanto potência ocupante.

O argumento israelense é que, segundo os Acordos de Oslo de 1993, a Área C não pertence aos palestinos e que a maioria das construções existentes foi sido feita sem autorização. Mas, na realidade, é extremamente difícil para os palestinos obter permissão para construir em Jerusalém oriental e na maior parte da Cisjordânia, e é quase impossível na Área C. Os críticos da política israelense afirmam que se trata de uma política deliberada das autoridades para manter o território ocupado como parte do Estado de Israel.

As autoridades israelenses advertiram a família de Yussef e seus vizinhos que têm menos de dois meses para deixar a área. Também os informaram que, no caso de se negarem a sair, serão expulsos pelas forças de segurança. “Não temos para onde ir. Há muitos anos vivemos aqui e não temos outra terra. Tampouco temos os meios para viver em uma aldeia palestina porque não podemos pagar alugue.”, lamentou Yussef.

Milhares de famílias beduínas como a de Yussef sofrem o mesmo problema, e outras milhares o sofrerão, na medida em que Israel avançar em seu esforço para expulsar quase todos os palestinos da maior parte da Cisjordânia, para que nela só vivam colonos judeus. Em preparação do que alguns chamam de onda acelerada de limpeza étnica, funcionários da Administração Civil israelense, encarregada da Cisjordânia, derrubam construções palestinas na Área C, moradias precárias, barracas de campanha, abrigos de animais, entre várias outras que consideram “ilegais”.

Nesse reassentamento forçado, mais de 12 mil beduínos serão reassentados perto da cidade de Jericó, na Cisjordânia, onde estarão rodeados por uma zona de tiro, colônias judias e um posto de controle israelense, o que limitará suas possibilidades de pastorear gado, que é a principal fonte de subsistência desse povo pastor.

Várias comunidades de beduínos foram reassentadas na década de 1990. Viviam próximo a Jerusalém oriental e foram levadas para um terreno perto de um lixão em Abu Dis, na Área B. A expulsão de beduínos naquela ocasião se deu principalmente pela necessidade de expandir o assentamento israelense de Maale Adumim, um dos maiores da Cisjordânia.

Além de ampliar Maale Adumim, parte do plano de Israel foi manter uma área conhecida como corredor E1, que une essa colônia a Jerusalém oriental, contígua e sob controle israelense, mediante a construção de mais assentamentos, fazendo com que a Cisjordânia ficasse, de fato, dividida em dois.

A iniciativa também isola mais a Cisjordânia de Jerusalém oriental, de grande importância para os palestinos por motivos culturais, educativos, familiares, empresariais e religiosos. Além disso, a capital do futuro Estado palestino deveria ser Jerusalém oriental.

“O plano da Administração Civil atenta flagrantemente contra o direito humanitário internacional, que proíbe a transferência forçada de pessoas protegidas, como é o caso das comunidades de beduínos, a menos que o deslocamento seja temporário ou necessário para sua segurança ou para cumprir um requisito militar”, afirma a organização de direitos humanos israelense B’tselem.

Mas “a expulsão prevista pela Administração Civil não cumpre nenhuma dessas condições. Israel, enquanto potência ocupante, está obrigado a agir em beneficio e pelo bem-estar dos residentes do território ocupado. A expansão de assentamentos não inclui nenhum desses requisitos”, destaca a organização. Envolverde/IPS

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O último capítulo da luta contra o HIV/aids? http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/o-ultimo-capitulo-da-luta-contra-o-hivaids/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/o-ultimo-capitulo-da-luta-contra-o-hivaids/#comments Tue, 21 Oct 2014 12:04:56 +0000 Miriam Gathigah http://envolverde.com.br/?p=123348   Nairóbi, Quênia, 21/10/2014 – O HIV/aids representou um enorme desafio para a ciência ao fazer milhões de vítimas fatais na África nas três últimas décadas. Mas agora os especialistas acreditam ter encontrado a fórmula mágica para em 15 anos acabar com a epidemia como ameaça à saúde pública. Os números mágicos são 90-90-90 e […]

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sida O último capítulo da luta contra o HIV/aids?

Exames, tratamento e supressão da carga viral em grandes quantidades ajudarão a frear a propagação do HIV/aids até 2020. Foto: Mercedes Sayagues/IPS

 

Nairóbi, Quênia, 21/10/2014 – O HIV/aids representou um enorme desafio para a ciência ao fazer milhões de vítimas fatais na África nas três últimas décadas. Mas agora os especialistas acreditam ter encontrado a fórmula mágica para em 15 anos acabar com a epidemia como ameaça à saúde pública. Os números mágicos são 90-90-90 e se baseiam na crescente evidência clínica de que o tratamento contra o HIV (vírus da deficiência imunológica humana), causador da aids (síndrome da deficiência imunológica adquirida), é uma forma de prevenção, porque, com a prescrição de antirretrovirais aos pacientes, se reduz as novas infecções.

Os novos objetivos para o tratamento contra o HIV/aids até 2020 são: 90% de todas as pessoas com HIV estarão diagnosticadas; 90% das pessoas diagnosticadas receberão antirretrovirais; 90% das pessoas tratadas com antirretrovirais conseguirão uma supressão duradoura da carga viral no organismo.

A estratégia 90-90-90, anunciada pelo Programa Conjunto das Nações Unidas Contra a Aids (Onusida) no começo deste ano, busca frear a propagação do vírus até 2020 e pôr fim à epidemia até 2030. É o plano mais ambicioso para eliminar o HIV/aids, mas factível, segundo a especialista Lucy Matu, diretora de serviços técnicos da Fundação Elizabeth Glaser para a Aids Pediátrica, no Quênia.

Matu explicou à IPS que 72% dos portadores do HIV são diagnosticadas no Quênia, e 76% dos 880 mil adultos e crianças com o vírus recebem antirretrovirais, segundo os últimos dados de abril deste ano. O Quênia se aproximará do objetivo 90-90-90 se implantar a diretriz divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2013, que aumenta de 350 para 500 a quantidade de células do sistema imunológico CD4, abaixo da qual deve se iniciar o tratamento, acrescentou. Essas células são as encarregadas de lutar contra as infecções no organismo.

Matu explicou que, como será ampliado o direito a receber o tratamento, “aumentará o número de pessoas que recebem antirretrovirais em 250 mil a 300 mil, 90% dos que necessitam deles e, naturalmente, mais pessoas começarão a receber atenção médica”. As pautas da OMS se baseiam nos benefícios clínicos de começar o mais cedo possível a receber esse medicamento. Os pacientes têm melhor estado de saúde e evitam as infecções oportunistas, como pneumonia, meningite e tuberculose.

O Quênia não é o único país que caminha para conseguir os ambiciosos objetivos 90-90-90. Em Botswana, que tem a maior prevalência de HIV entre adultos depois da Suazilândia, mais de 70% das pessoas com o vírus da aids recebem antirretrovirais.

Todos os países da África oriental e meridional adotam as novas pautas, disse à IPS Eleanor Gouws-Williams, assessora de informação estratégica da Onusida. Malawi, Ruanda, Uganda, Suazilândia e Zâmbia estão “terminando de elaborar suas pautas nacionais, enquanto outros, como a África do Sul, pretendem implantar as normas partir do ano que vem”, acrescentou. Gouws-Williams considera que o plano 90-90-90 é alcançável.

Só metade das pessoas com HIV que residem na África subsaariana têm diagnóstico, segundo a Onusida, por isso o primeiro passo será conseguir que sejam feitos exames. Estudos no Quênia e em Uganda demonstraram que incluir o exame de HIV nas campanhas de saúde se traduziu em um aumento da cobertura em 86% e 72%, respectivamente.

Mas os especialistas alertam que os objetivos pretendem muito mais do que administrar antirretrovirais a um grande número de pessoas. A chave é alcançar a supressão da carga viral. “Em Ruanda, 83% das pessoas que recebiam esse medicamento conseguiram a supressão viral após 18 meses de tratamento”, explicou Gouws-Williams.

No Zimbábue, Agnes Mahomva, diretora no país da Fundação Elizabeth Glaser para a Aids Pediátrica, afirmou à IPS que os objetivos 90-90-90 não são muito ambiciosos para esse país da África meridional. “As grávidas ou mulheres amamentando já são universalmente beneficiárias do tratamento com antirretrovirais por toda a vida, bem como os menores de cinco anos soropositivos, sem importar a contagem de CD4”, explicou à IPS.

Embora numerosos especialistas sejam otimistas sobre alcançar as metas 90-90-90, a ativista de Uganda, Annabel Nkunda, opinou que os objetivos não necessariamente dialogam entre si. Muitos pacientes, “quando começam a receber tratamento, não o seguem pelo estigma”, explicou. Sem um objetivo específico para reduzir o estigma “nenhum tipo de intervenção nos levará a zero HIV/aids”, ressaltou.

Porém, Matu discordou e pontuou que “se uma pessoa conhece seu estado de saúde, é mais provável que receba tratamento. Se recebe antirretrovirais, é mais provável que permaneça no sistema de saúde para o acompanhamento”.

Ainda não é possível estimar quanto gastarão os países para alcançar os objetivos 90-90-90, mas parece haver coincidência quanto a necessitarem de muitos recursos. Já há alguns países africanos que exploram opções de financiamento inovadoras, como o imposto contra aids e fundos fiduciários nacionais para o HIV.

Gouws-Williams apontou que os antirretrovirais são mais acessíveis do que antes. No Malawi custam menos de US$ 100 por pessoa ao ano. Mas igualmente será necessária a assistência dos doadores, especialmente aos cinco países mais pobres, onde o tratamento contra o HIV consome mais de 5% do produto interno bruto: Burundi, Malawi, Moçambique, Lesoto e Zimbábue.

Segundo Matu, alcançar os 90-90-90 exige uma combinação de fatores, um sistema de saúde forte, bom equipamento nos laboratórios, exames clínicos mais baratos e um bom pessoal de saúde. Mahmova acrescentou que é necessário um forte componente comunitário, “porque ali é onde ocorrem gargalos como o estigma, que colocam em risco o tratamento”. Apesar da árdua tarefa que há pela frente, muitos acreditam que a estratégia 90-90-90 escreverá o capítulo final da epidemia da aids. Envolverde/IPS

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Poder no Brasil se conquista em zonas ricas e se afirma entre os pobres http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/poder-no-brasil-se-conquista-em-zonas-ricas-e-se-afirma-entre-os-pobres/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/poder-no-brasil-se-conquista-em-zonas-ricas-e-se-afirma-entre-os-pobres/#comments Mon, 20 Oct 2014 15:48:06 +0000 Mario Osava http://envolverde.com.br/?p=123306   Rio de Janeiro, Brasil, 20/10/2014 – Eleger-se com os votos concentrados das áreas metropolitanas e industrializadas para depois garantir o poder com o apoio disperso do interior pobre é o itinerário das forças políticas no Brasil, em ciclos que poderão se renovar no segundo turno das eleições presidenciais, no dia 26. O Partido dos […]

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AecioDilma Poder no Brasil se conquista em zonas ricas e se afirma entre os pobres

O candidato Aécio Neves, durante um debate com a presidente Dilma Rousseff, no dia 16 deste mês. Foto: Marcos Fernandes/Fotos Públicas

 

Rio de Janeiro, Brasil, 20/10/2014 – Eleger-se com os votos concentrados das áreas metropolitanas e industrializadas para depois garantir o poder com o apoio disperso do interior pobre é o itinerário das forças políticas no Brasil, em ciclos que poderão se renovar no segundo turno das eleições presidenciais, no dia 26.

O Partido dos Trabalhadores (PT), que apresenta a presidente Dilma Rousseff à reeleição, é o exemplo típico e recente desse deslocamento das bases eleitorais. De origem operária na rica região metropolitana de São Paulo, seu reduto forte atualmente é o Nordeste, a região mais pobre do país.

Os pequenos municípios das áreas menos desenvolvidas dependem totalmente do apoio financeiro do governo central e de seus programas sociais, por isso seus eleitores tendem a apoiar quem está no poder, explicou à IPS o professor Ricardo Ismael de Carvalho, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Essa dependência se agravou por causa da maior centralização dos recursos tributários desde os anos 1990.

Especialistas atribuem 77% dos votos nordestinos obtidos por Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), em sua reeleição presidencial de 2006, e os 70,58% alcançados por Dilma em sua vitória em 2011, à maciça distribuição de subsídios criados pelos governos do PT desde que chegou ao poder em 2003.

Em muitos municípios do Nordeste, mais da metade das famílias se beneficiam do Programa Bolsa Família, que varia segundo o número de filhos, e paga, em média, US$ 70 mensais. Em nível nacional, o programa chega a quase 14 milhões de famílias e estima-se que tirou 36 milhões de pessoas da extrema pobreza.

Além disso, a economia do Nordeste cresce a um ritmo muito superior ao resto do país desde a década passada. Grandes projetos industriais, portos, ferrovias e o avanço da agroindústria, especialmente da soja, geram milhares de empregos em uma região antes conhecida como exportadora de mão de obra não qualificada.

Esse processo também favorece o PT, porque começou no governo de Lula, um filho do Nordeste, que, para escapar da seca e do subdesenvolvimento local, migrou com a família na década de 1950, ainda criança, e se converteu em metalúrgico e líder sindical na região industrial do ABC, no Estado de São Paulo.

O PT, fundado em 1980 com um discurso de esquerda radical, começou conquistando prefeituras de capitais importantes, como São Paulo, Fortaleza e Porto Alegre, e depois se organizou nacionalmente, com seu principal apoio nas grandes cidades e entre eleitores de maior escolaridade.

Lula venceu as eleições de 2002 com votos bem distribuídos por todo o país, tanto que ganhou em 26 dos 27 Estados. Mas ainda não contava com a avalanche de votos provenientes de sua política social, e sua força ainda vinha dos grandes centros urbanos. Em sua reeleição de 2006, sua vantagem se concentrou em 20 Estados, com esmagadora maioria no Nordeste e no Norte do país, que soma 16 Estados e a maior quantidade de pobres beneficiados pelo Bolsa Família.

Essa concentração se intensificou com Dilma em 2010, que venceu com maioria em 16 Estados e nos municípios com menos de 50 mil habitantes, invertendo a geografia eleitoral do PT antes de chegar ao Palácio do Planalto. Agora, no primeiro turno das eleições deste ano, a candidata petista teve apenas 25,8% dos votos válidos no Estado de São Paulo, o mais rico e povoado do país, com 22,7% do eleitorado nacional e cinco conglomerados urbanos.

PalaciodoPlanalto Poder no Brasil se conquista em zonas ricas e se afirma entre os pobres

No dia 26 se definirá se continua ou acaba a era do Partido dos Trabalhadores no Palácio do Planalto. Foto: Presidência do Brasil

 

Nas regiões metropolitanas, menos dependentes do poder central, com um eleitorado melhor informado e de interesses mais variados, a votação “mais fragmentada” se divide entre os partidos, afirmou Carvalho, cientista político voltado ao estudo de temas do federalismo. O isolamento do PT nas grandes cidades se deve a uma “crise política”, ao se esgotar sua coalizão com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), encabeçada por velhos dirigentes de imagem corrupta, e ao multiplicar ministérios, que já somam 39, sem contribuir para novos rumos para o país, acrescentou.

A erosão se refletiu também nos resultados legislativos. Nessas eleições, o PT elegeu apenas 70 deputados, 18 a menos do que em 2010, embora continue sendo a primeira força na Câmara, mais conservadora e fragmentada, com 28 partidos dividindo 513 cadeiras. Também existe uma crise econômica que alimenta o baixo crescimento, uma inflação acumulada de 6,75% ao ano e a “falta de credibilidade” dos investidores na gestão de Dilma na área, pontuou Carvalho.

São fatores que seu adversário Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), aproveita em sua tentativa de ocupar o Palácio do Planalto a partir de 1º de janeiro, uma façanha rara em países com reeleição imediata de seus governantes. É muito indicativo que Aécio tenha chegado ao segundo turno graças ao Estado de São Paulo, onde obteve 44% dos votos válidos e onde se concentram os eleitores cujo interesse principal é acabar com a era petista.

O PSDB, nascido em 1988 como cisão progressista do PMDB, manteve suas raízes nas metrópoles, mas também se garantiu com votos de regiões pobres e de conservadores. Com essa estratégia, chegou à Presidência com o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Para isso, aliou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL), forte no Nordeste e em pequenas cidades, desde que funcionava como braço parlamentar da ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985.

Essa ditadura manteve o Congresso Nacional para ratificar suas medidas, inclusive com o ritual das eleições. Mas, diante da crescente oposição das grandes cidades na década de 1970, ampliou a representação dos Estados menores e mais rurais, para manter a maioria parlamentar liberal.

O deslocamento das bases eleitorais do PT se distingue das anteriores porque fortalece um partido de esquerda, e não um conservador, em um processo de efetiva redução da pobreza e da desigualdade, comprovada por estudos nacionais e internacionais, incluídos diversos da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Bolsa Família, que promove esse deslocamento, “empodera” os pobres ao ser concedida de “forma impessoal” e paga por meio de cartão a todos os que têm direito e se cadastraram, apontou à IPS Alessandra Aldé, professora de Comunicação e Política na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O método difere do “clientelismo”, no qual políticos oferecem benefícios diretamente às pessoas ou a comunidades, quase como uma compra de votos, destacou Carvalho.

Mas os programas sociais, mesmo sem o controle direto de políticos locais, se revelaram um poderoso fator de força eleitoral para os governantes e seus partidos. “É uma tentação” para o governo nacional, que centraliza a maior parte dos recursos orçamentários, distribuí-los a populações dependentes do setor público, onde o mercado é débil ou praticamente inexistente, ressaltou Carvalho. Institucionalizá-lo como programas do Estado pode ser um avanço, acrescentou. Envolverde/IPS

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A solidariedade se veste de verde em Istambul http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/a-solidariedade-se-veste-de-verde-em-istambul/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/a-solidariedade-se-veste-de-verde-em-istambul/#comments Mon, 20 Oct 2014 15:45:19 +0000 Tessa Love http://envolverde.com.br/?p=123322   Istambul, Turquia, 20/10/2014 – O rosto do ativismo e da consciência ambiental mudou na Turquia, um ano depois do levante no Parque Gezi, um protesto que começou para salvar algumas árvores e se converteu na reclamação de várias organizações contra megaprojetos urbanísticos. “Não é coincidência que as manifestações tenham ocorrido por uma questão ecológica, […]

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 A solidariedade se veste de verde em Istambul

Barricada policial em maio de 2013 no Parque Gezi, um dos últimos espaços verdes do distrito de Beyoğlu, em Istambul, na Turquia, e um “oásis” na Praça Taksim, um espaço aberto de cimento com algumas poucas estátuas, fontes e entradas para as estações subterrâneas. Foto: Wikimedia Commons

 

Istambul, Turquia, 20/10/2014 – O rosto do ativismo e da consciência ambiental mudou na Turquia, um ano depois do levante no Parque Gezi, um protesto que começou para salvar algumas árvores e se converteu na reclamação de várias organizações contra megaprojetos urbanísticos.

“Não é coincidência que as manifestações tenham ocorrido por uma questão ecológica, por preocupações com o desenvolvimento urbano”, apontou Morat Ozbank, professor-adjunto de teoria política na Universidade Bigli e membro da junta do Partido Verde da Turquia. “E, depois, isso se tornou um assunto de direitos humanos e democratização”, acrescentou.

Às 23 horas do dia 27 de maio de 2013, alguns tratores avançaram sobre o Parque Gezi, um dos últimos espaços verdes que restam no distrito de Beyoğlu, em Istambul, e um “oásis” na Praça Taksim, uma vasta extensão de cimento, com estátuas, fontes e entradas para as estações subterrâneas.

As máquinas deveriam retirar algumas árvores para a construção de um centro comercial ao estilo otomano, mas em 20 minutos uma multidão encheu o Parque e impediu que fossem retiradas. As pessoas permaneceram no local por 20 dias, até que foram retirados pela polícia. O centro comercial era um dos projetos promovidos pelo então primeiro-ministro e agora presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

A lista é longa e inclui uma terceira ponte sobre o estreito de Bósforo, um túnel para veículos sob o estreito e o maior aeroporto do mundo, entre outros megaprojetos. Muitos dos projetos são realizados com a oposição de entidades como a União de Câmaras de Arquitetos e Engenheiros da Turquia (TMMOB), responsável por avaliar o impacto das obras e alertar sobre possíveis danos ao ambiente.

Segundo Akif Burak Atlar, secretário da junta na Câmara de Planejadores Urbanos da Turquia, todos os projetos estão nessa categoria. “Os megaprojetos são um desastre para Istambul. Todas as obras danificam algo”, destacou. O planejamento urbano é uma profissão racional, mas o governo não ouve os argumentos e entrega nossos espaços públicos à construção.

Atlar acredita que cada bairro de Istambul deveria ter por lei certa quantidade de espaço verde para manter os padrões de planejamento urbano. Mas os parques públicos são destruídos e, fora da cidade, ocorreu o mesmo com vários quilômetros de florestas destruídos para a construção da terceira ponte.

Todos os projetos motivaram críticas de várias organizações pequenas e ações legais por parte da TMMOB antes de maio de 2013, mas nada parecido com a mobilização no Parque Gezi. “Gezi foi um momento único na história da Turquia”, pontuou Atlar. “Não houve um líder nem uma organização formal. Foi um despertar”, acrescentou. Após um ano, o movimento segue ativo, e, embora o governo não tenha mudado as políticas de planejamento urbano, as organizações de base uniram-se com a esperança de conseguir mudanças.

Uma dessas entidades é a Defesa da Floresta do Norte, movimento organizado por voluntários para defender as últimas florestas do norte de Istambul. Conhecido como “filho de Gezi”, dedica-se a tentar deter o desenvolvimento de megaprojetos como a terceira ponte, bem como trabalhar com comunidades pequenas para frear a destruição de espaços públicos.

Embora com esforços pequenos, Cigdem Cidamli, fundador da organização, acredita que são essenciais para a defesa urbana. “Os pequenos movimentos não podem gerar mudanças como os grandes, mas não podemos ter os segundos sem os primeiros. Agora tentamos criar mais canais integrados de solidariedade”, afirmou.

Cidamli, Atlar e Ozbank concordam que a integração das organizações é o êxito mais visível de Gezi. Muitos bairros agora contam com um grupo de defesa urbana para discutir uma ampla variedade de assuntos. Muitos desses pequenos grupos uniram-se para formar organizações maiores, como Solidariedade Taksim, Defesa Urbana de Istambul e Defesa da Floresta do Norte.

O pequeno grupo Caferaga Dayanismasi é um coletivo do bairro de Kadikoy que realiza reuniões e organiza atividades em um prédio abandonado, ocupado e reformado por seus membros. Behadir, um de seus integrantes, contou que o melhor que fizeram como grupo foi ocupar e cultivar um espaço vazio que seria transformado em uma área de estacionamento. Agora é uma horta comunitária onde os vizinhos, jovens e velhos, sujam as mãos.

Cidamli agradece a Gezi por esta evolução. “A partir daí as pessoas buscam para o interior formas de criar pequenas expressões de solidariedade”, afirmou. “Não podemos ter um Gezi todos os dias. Por outro lado, cultivamos tomates”, acrescentou. Com esse conhecimento de um ativismo arraigado na comunidade, explicou Behadir, a cidade não pode cortar nem uma só árvore sem desatar um protesto. Mas, até agora, o único projeto que se conseguiu deter foi o centro comercial em Gezi. “O engraçado é que neste momento não podem fazer nada na Praça Taksim. Não podem tocar em nada, nem mesmo melhorar o lugar”, observou Ozbanco, sorrindo. Envolverde/IPS

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Os pobres definham sob o sol abrasador do Sri Lanka http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/os-pobres-definham-sob-o-sol-abrasador-do-sri-lanka/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/os-pobres-definham-sob-o-sol-abrasador-do-sri-lanka/#comments Mon, 20 Oct 2014 15:40:42 +0000 Amantha Perera http://envolverde.com.br/?p=123318   Colombo, Sri Lanka, 20/10/2014 – A última vez que os caminhos da aldeia ficaram lamacentos foi há um ano, contou Murugesu Mohanabavan, um agricultor de Karachchi, 300 quilômetros ao norte da capital do Sri Lanka, em um testemunho da forte seca que sofre este país insular. Dados da unidade de gestão de desastre da […]

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srilanka1 Os pobres definham sob o sol abrasador do Sri Lanka

Camponeses se preparam para cavar um poço manualmente, na aldeia de Tunukkai, atingida pela seca, no distrito de Mullaithivu, no Sri Lanka. Foto: Amantha Perera/IPS

 

Colombo, Sri Lanka, 20/10/2014 – A última vez que os caminhos da aldeia ficaram lamacentos foi há um ano, contou Murugesu Mohanabavan, um agricultor de Karachchi, 300 quilômetros ao norte da capital do Sri Lanka, em um testemunho da forte seca que sofre este país insular. Dados da unidade de gestão de desastre da Secretaria do distrito de Kilinochchi, onde fica a aldeia de Mohanabavan, revelam que, desde novembro de 2013, não chove o suficiente – caiu menos de 30% das precipitações previstas.

O Sri Lanka atravessa uma das piores secas de que se tem lembrança, que já afetou 1,6 milhão de pessoas e reduziu a produção agrícola em 42%, segundo fontes oficiais. Aproximadamente 900 mil pessoas afetadas pela seca vivem nas províncias Norte e Leste, tradicionalmente as mais pobres, dependem da agricultura e carecem de mecanismos ou infraestrutura para enfrentar o impacto dos desastres naturais.

Dos 120 mil habitantes do distrito de Kilinochchi, 74 mil sofrem o impacto da seca. No vizinho Mullaithivu, 56 mil dos pouco mais de cem mil residentes estão nessa situação. A vasta maioria dos habitantes desses distritos retornaram após os 26 anos de guerra civil, que terminou em maio de 2009.

Refugiados e evitando cair no fogo cruzado dos cruentos combates que caracterizaram os últimos enfrentamentos entre as forças do governo e as dos insurgentes e desaparecidos Tigres para a Libertação da Pátria Tâmil Ealam (LTTE), os que regressaram começaram a chegar às aldeias devastadas no final de 2010. O plano de desenvolvimento de infraestrutura de US$ 3 bilhões para a província Norte não trouxe consigo a redução da pobreza na região.

Neste país de 20 milhões de habitantes, 6,7% da população vive na pobreza, mas nos grandes distritos do norte e leste a proporção é pior: 28,8% em Mullaithivu, 12,7% em Kilinochchi, 8,3% em Jaffna e 20,1% em Mannar. Os números são desproporcionalmente altos se comparados como 1,4% registrado em Colombo, e 2,1% em Gampaha, ambos na província Ocidental.

“Os distritos do Norte já sofriam altos níveis de pobreza, o que seguramente se agravou pela prolongada seca”, apontou Muttukrishna Saravananthan, encarregado do Instituto de Desenvolvimento Point Pedro, com sede em Jaffna. Mohanabavan, de 40 anos, tem 0,8 hectare que lhe rendia cerca de 200 mil rúpias (US$ 1,5 mil) ao ano, mas a seca o deixou endividado. “Não nos restam economias. Ainda tenho que terminar de construir metade da minha casa e mandar meus dois filhos para a escola. O pesadelo continua”, lamentou.

A agricultura representa 10% do produto interno bruto do Sri Lanka, nas províncias majoritariamente rurais do norte e leste pelo menos 30% da população depende da agricultura para viver.

Kugadasan Sumanadas, secretário de gestão de desastre da Secretaria do Distrito de Kilinochchi, declarou que, desde meados do ano, foram implantados programas para ajudar as populações nas áreas com seca. Cerca de 37 mil recebem água potável diariamente de caminhões-pipa. Além disso, há programas que pagam 800 rúpias (US$ 6,00) por pessoa ao dia por seu trabalho na renovação das tubulações de água e irrigação.

Porém, mesmo para realizar o limitado trabalho que é realizado agora, seria necessário destinar nove milhões de rúpias por semana, mas o dinheiro chega lentamente. “O maior problema é que, se não chover logo, teremos de buscar água fora da província, mais pessoas vão precisar de assistência por mais tempo, ou seja, será necessário mais dinheiro”, destacou Sumanadas.

Em abril, uma avaliação conjunta do Programa Mundial de Alimentos e do governo alertou que metade da população do distrito de Mullaithivu e uma em cada três pessoas em Kilinochchi careciam de segurança alimentar. E, segundo Sumanadas, a situação poderá piorar nos próximos meses.

A produção agrícola diminuiu 42% este ano em comparação com 2013. O cultivo de arroz caiu 17% com relação às quatro milhões de toneladas do ano anterior. O governo decidiu levantar a proibição das importações de arroz nesse mesmo mês. Assim, a previsão é cobrir pelo menos 5% das colheitas perdidas.

A principal fonte de água no distrito, o extenso reservatório Iranamadu, de 50 quilômetros quadrados com capacidade para irrigar quase 43 hectares, é uma gigantesca bacia de terra, segundo fontes oficiais, uma situação que não é exclusiva do norte e leste do país. “O nível de todos os reservatórios de água caiu 30%”, pontuou à IPS Ivan de Silva, secretário do ministro de Irrigação e Gestão de Água.

Segundo Silva, a magnitude do impacto da seca se deve a dois fatores: maior frequência de eventos climáticos extremos e falta de uma adequada gestão dos recursos hídricos. “Antes se esperava por secas severas a cada dez ou 15 anos, agora é ano sim, ano não”, ressaltou. A seca anterior, de 2012, semelhante à atual, também teve impacto em cerca de dois milhões de pessoas e reduziu sua produção agrícola em 20% com relação ao ano anterior. No entanto, tudo terminou com as inundações trazidas pelo furacão Nilam no final daquele ano.

Este país se dá conta lentamente de que a variabilidade climática exige uma gestão hídrica melhor. Na última semana de setembro, o governo lançou um programa de resiliência climática de US$ 100 milhões, dos quais destinará a maior parte, US$ 90 milhões, à melhoria da infraestrutura. Desse valor, US$ 47 milhões serão destinados a melhorar as redes de drenagem e os sistemas de água, US$ 36 milhões para reforçar as estradas e US$ 7 milhões para melhorar a segurança escolar em áreas propensas a desastres ambientais. Também haverá investimento para estudar as bacias dos nove rios principais para melhorar as políticas de gestão.

S M Mohammed, secretária do Ministério de Gestão de Desastres, reconhece que os níveis de prevenção não estiveram à altura do desafio no lançamento do programa ao afirmar que “nosso país deve passar de uma tradição de responder aos desastres naturais para uma cultura de resiliência”. Se essa política for implantada, haverá resultados na vida de milhões de pessoas que lentamente são cozidos sob o sol abrasador. Envolverde/IPS

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