IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Mon, 30 Mar 2015 12:46:33 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.1.1 Terramérica – Desmatamento amazônico agrava crise energética no Brasil http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/terramerica-desmatamento-amazonico-agrava-crise-energetica-no-brasil/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/terramerica-desmatamento-amazonico-agrava-crise-energetica-no-brasil/#comments Mon, 30 Mar 2015 12:46:33 +0000 Mario Osava http://envolverde.com.br/?p=131776 Rio de Janeiro, Brasil, 30 de março de 2015 (Terramérica).- No Brasil, água e eletricidade seguem unidas, assim, dois anos de chuvas escassas deixaram dezenas de milhões de pessoas à beira do racionamento hídrico e energético, fortalecendo os argumentos contra o desmatamento da Amazônia. Dois terços da energia elétrica nacional provêm de rios represados, cujos […]

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Aldeia dos indígenas araras na chamada Grande Volta do Rio Xingu, que não será inundada mas verá seu fluxo reduzido com o desvio de grande parte da água por um canal que servirá à central hidrelétrica de Belo Monte, encravada na Amazônia brasileira e que será a terceira maior do mundo. Foto: Mario Osava/IPS

Aldeia dos indígenas araras na chamada Grande Volta do Rio Xingu, que não será inundada mas verá seu fluxo reduzido com o desvio de grande parte da água por um canal que servirá à central hidrelétrica de Belo Monte, encravada na Amazônia brasileira e que será a terceira maior do mundo. Foto: Mario Osava/IPS

Rio de Janeiro, Brasil, 30 de março de 2015 (Terramérica).- No Brasil, água e eletricidade seguem unidas, assim, dois anos de chuvas escassas deixaram dezenas de milhões de pessoas à beira do racionamento hídrico e energético, fortalecendo os argumentos contra o desmatamento da Amazônia. Dois terços da energia elétrica nacional provêm de rios represados, cujos fluxos baixaram a níveis alarmantes. A crise reativou preocupações sobre a mudança climática, a necessidade de reflorestar as margens fluviais e novas teses sobre o sistema elétrico.

“É preciso diversificar as fontes e reduzir a dependência de centrais hidrelétricas e termoelétricas movidas por combustíveis fósseis, para enfrentar eventos extremos do clima que são cada vez mais frequentes”, afirmou ao Terramérica o vice-presidente do não governamental Instituto Vitae Civilis, Delcio Rodrigues.

A fonte hidráulica fornecia quase 90% da geração elétrica até o apagão de 2001, que forçou a um racionamento durante oito meses. Desde então a termoeletricidade avançou, mais cara e contaminante, para compensar instabilidades hídricas. Atualmente, as centrais térmicas, operadas majoritariamente com petróleo, alcançam 28% da capacidade nacional de geração, contra 66,3% das hidrelétricas. As demais fontes continuam marginais.

Partidários da energia hidráulica defendem um retorno às grandes represas, com capacidade para resistir a secas prolongadas. Eles argumentam que a insegurança de fornecimento se deve às centrais de passagem, com pequena capacitação de retenção de água, impostas por razões ambientais.

“Mas o maior reservatório de água é a floresta”, contrapõe Rodrigues, para explicar que sem o desmatamento, que afeta todas as bacias, haveria mais água retida no solo sustentando a corrente fluvial. “As florestas constituem fonte, meio e fim do fluxo, porque produzem a umidade atmosférica continental, a infiltração da chuva no solo acumulando água e a proteção das represas”, afirmou Antonio Donato Nobre, pesquisador de temas climáticos.

“A Amazônia já tem 47% de sua floresta impactada, somando o corte total que chega a quase 20% e a degradação”, destacou Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia e do Instituto Nacional de Estudos Espaciais. Isso favorece os incêndios. “Antes não penetravam em áreas úmidas de florestas ainda verdes, agora penetram, avançam floresta adentro, queimando imensas extensões”, ressaltou ao Terramérica. “As árvores amazônicas não têm tolerância ao fogo, ao contrário das existentes na ecorregião do Cerrado, adaptadas a incêndios periódicos. As florestas amazônicas demoram séculos para se recompor”, acrescentou.

O cientista teme que o desmatamento esteja afetando o clima sul-americano, inclusive tirando chuvas do sudeste brasileiro, a região mais povoada e que mais hidreletricidade gera no país. “Faltam estudos para quantificar a umidade transportada para diferentes bacias”, para precisar a relação climática entre a Amazônia e outras regiões, explicou Nobre. E ressaltou que na região amazônica oriental, onde se concentram a destruição e a degradação florestal, já são visíveis as alterações climáticas, como a redução das chuvas e a ampliação do período de estiagem.

Na bacia do rio Xingu, este pode ser o ano com menor precipitação em 14 anos de medição em Canarana, município que fica em sua cabeceira, segundo o Instituto Socioambiental (ISA), que desenvolve um programa de sustentabilidade para povos indígenas e ribeirinhos da bacia. Se isso se fixar como tendência, afetará a hidrelétrica de Belo Monte, em construção 1.200 quilômetros rio abaixo, que terá capacidade de geração de 11.233 megawatts (MW), o que a converterá na terceira maior do mundo quando estiver plenamente operacional, a partir de 2019.

Mas sua geração efetiva poderá cair 38% até 2050, com relação ao previsto, se o desmatamento prosseguir no ritmo atual, segundo um estudo realizado por oito pesquisadores brasileiros e norte-americanos, publicado em 2013 pela revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Esse ano, o desmatamento na bacia do Xingu já atingiu 21,3% de seu território, estimou o ISA.

A hidrelétrica de Santo Antônio, durante sua construção em 2010. Quando estava praticamente concluída, no ano passado, a obra foi afetada por uma cheia excepcional do rio Madeira, na bacia amazônica brasileira, em um fenômeno atribuído, ao menos em parte, ao desmatamento.

A hidrelétrica de Santo Antônio, durante sua construção em 2010. Quando estava praticamente concluída, no ano passado, a obra foi afetada por uma cheia excepcional do rio Madeira, na bacia amazônica brasileira, em um fenômeno atribuído, ao menos em parte, ao desmatamento.

Na Amazônia são construídas outras grandes hidrelétricas que também poderão sofrer perdas. No rio Madeira, fluxos torrenciais de seus afluentes da Bolívia e do Peru submergiram em 2014 a zona onde estão as centrais de Jirau e Santo Antonio, afetando suas operações recém-iniciadas.

A tendência na parte sul da bacia amazônica é de “eventos mais intensos, com estiagens e cheias mais fortes”, como as intensas secas de 2005 e 2010 e cheias anormais em 2009 e 2012, pontuou Naziano Filizola, hidrólogo da Universidade Federal do Amazonas. “Além de alterar o fluxo, o desmatamento se vincula à ocupação agrícola que lança pesticidas no rio, como ocorre no alto Xingu. A água perde qualidade, segundo notam os indígenas”, afirmou o especialista ao Terramérica.

Filizola afirmou que o mesmo projeto energético realimenta esse processo, ao atrair trabalhadores migrantes, aumentando a população local sem oferecer condições adequadas. De todo modo, o impacto energético mais intenso por chuvas insuficientes ocorre, no momento, na região do Planalto Central, onde predomina o Cerrado, um bioma de savana e o segundo mais extenso do Brasil, atrás da Amazônia. Ali nascem as principais bacias com aproveitamentos hidrelétricos.

A do rio Paraná, que corre para o sul e concentra a maior capacidade geradora do país, recebe do Cerrado metade de suas águas, o que sobe para 60% na bacia do rio Tocantins, que flui para o norte amazônico, afirmou Jorge Werneck, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Esses rios impulsionam as duas maiores hidrelétricas brasileiras atuais: Itaipu, compartilhada com o Paraguai, e Tucuruí. Ambas estão entre as cinco maiores do mundo. Outro exemplo é o rio São Francisco, principal fonte elétrica da região Nordeste, com 94% de seu fluxo hídrico proveniente do Cerrado.

Mapa da bacia do rio Xingu, na Amazônia brasileira. O verde das terras indígenas e áreas oficiais protegidas está cercado por zonas desmatadas e apresenta pontos vermelhos. A bacia tem 511.149 quilômetros quadrados, mais do que a Espanha, e sua parte desmatada, de 109.166 quilômetros, iguala-se a Cuba. Foto: Cortesia do Instituto Socioambiental

Mapa da bacia do rio Xingu, na Amazônia brasileira. O verde das terras indígenas e áreas oficiais protegidas está cercado por zonas desmatadas e apresenta pontos vermelhos. A bacia tem 511.149 quilômetros quadrados, mais do que a Espanha, e sua parte desmatada, de 109.166 quilômetros, iguala-se a Cuba. Foto: Cortesia do Instituto Socioambiental

Em seu campo de observação, os arredores de Brasília, onde nascem vários rios, Werneck, especialista em hidrologia da Embrapa Cerrados, notou uma tendência geral ao prolongamento da estiagem. “Mas faltam dados e estudos para comprovar a relação entre desmatamento amazônico e mudanças no regime de chuvas nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil”, afirmou.

Em 2014, houve seca nessas regiões, que compreendem a maior parte do Cerrado, mas “não faltou umidade na Amazônia e, de fato, choveu muito nos Estados de Rondônia e Acre”, na fronteira com a Bolívia e o Peru e vítimas de fortes inundações, argumentou.

As florestas prestam variados serviços ecológicos, mas ainda assim não se pode afirmar que produzem e conservam água em grande escala. Suas copas “impedem que 25% da chuva chegue ao solo” e sua evapotranspiração retira do solo a água que deixa de alimentar os rios, “onde a necessitamos”, acrescentou Werneck, concluindo que “avaliar a hidrologia das florestas continua sendo um desafio”.

Nobre, pelo contrário, defende as grandes florestas como “bombas bióticas”, que atraem e produzem chuvas. Em sua opinião, não basta evitar o desmatamento da Amazônia, sendo urgente reflorestá-la, para recuperar seus serviços climáticos. Um exemplo a ser seguido é o de Itaipu, que reflorestou sua área de influência direta na bacia paranaense, revitalizando afluentes, mediante seu programa Cultivando Água Boa. #Envolverde/Terramérica

* O autor é correspondente da IPS.

 

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Terramérica – Canal interoceânico ameaça a natureza da Nicarágua http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/terramerica-canal-interoceanico-ameaca-a-natureza-da-nicaragua/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/terramerica-canal-interoceanico-ameaca-a-natureza-da-nicaragua/#comments Mon, 30 Mar 2015 12:41:02 +0000 José Adán Silva http://envolverde.com.br/?p=131767 Manágua, Nicarágua, 30 de março de 2015 (Terramérica).- A comunidade científica da Nicarágua se debate entre boas e más notícias em torno da construção de um novo canal interoceânico: a descoberta de novas espécies ou vestígios arqueológicos e o melhor conhecimento dos ecossistemas, contra a grande ameaça ao ambiente do país. Tanto o já conhecido […]

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Executivos da empresa chinesa HKDN-Group e integrantes da Comissão Nicaraguense do Grande Canal Interoceânico, atrás de uma grande faixa, no dia 22 de dezembro de 2014, na localidade de Brito Rivas, na costa do Oceano Pacífico, no ato de início formal da gigantesca obra que dividirá o país em dois. Foto: Mario Moncada/IPS

Executivos da empresa chinesa HKDN-Group e integrantes da Comissão Nicaraguense do Grande Canal Interoceânico, atrás de uma grande faixa, no dia 22 de dezembro de 2014, na localidade de Brito Rivas, na costa do Oceano Pacífico, no ato de início formal da gigantesca obra que dividirá o país em dois. Foto: Mario Moncada/IPS

Manágua, Nicarágua, 30 de março de 2015 (Terramérica).- A comunidade científica da Nicarágua se debate entre boas e más notícias em torno da construção de um novo canal interoceânico: a descoberta de novas espécies ou vestígios arqueológicos e o melhor conhecimento dos ecossistemas, contra a grande ameaça ao ambiente do país. Tanto o já conhecido quanto as novas descobertas estão em perigo pela gigantesca obra que partirá em dois o território nicaraguense.

Informes preliminares da empresa britânica Environmental Resources Management (ERM) revelaram a existência de novas espécies no traçado do canal, até agora desconhecidas. A investigação foi pedida pela concessionária da via, a firma chinesa Hong Kong Nicaragua Canal Development (HKND-Group).

Seu estudo Grande Canal da Nicarágua, apresentado em Manágua no dia 20 de novembro por Alberto Vega, seu representante no país, indicou, entre outras descobertas, duas novas espécies de anfíbios na bacia do rio Punta Gorda, na costa sul do Mar do Caribe nicaraguense. As características de duas rãs estão sob investigação por se carecer de amparo científico, explicou.

Vega também informou que houve outras descobertas, como a existência de 213 sítios arqueológicos até agora desconhecidos, e foi atualizado o estado ambiental do traçado escolhido para o canal. O objetivo do estudo foi documentar as principais comunidades biológicas ao longo do traçado e áreas adjacentes, assinalar as espécies e os habitats que exibem medidas específicas de conservação, “para identificar as oportunidades para prevenir, mitigar e/ou compensar os impactos que o projeto possa ter”.

As obras do canal foram iniciadas em dezembro de 2014 e seu objetivo é unir o Oceano Pacífico e o Mar do Caribe, com uma via bidirecional de 278 quilômetros de comprimento, até 520 metros de largura e profundidade de até 30 metros. Atravessará 105 quilômetros do lago Cocibolca e estará pronta no final de 2019, a um custo superior a US$ 50 bilhões.

Três agricultores analisam o traçado do Grande Canal Interoceânico sobre o mapa da Nicarágua, que a empresa chinesa HKND-Group apresentou na cidade de Rivas, durante um dos encontros que o consórcio organizou em todo o país com prejudicados pela gigantesca obra. Foto: José Adán Silva/IPS

Três agricultores analisam o traçado do Grande Canal Interoceânico sobre o mapa da Nicarágua, que a empresa chinesa HKND-Group apresentou na cidade de Rivas, durante um dos encontros que o consórcio organizou em todo o país com prejudicados pela gigantesca obra. Foto: José Adán Silva/IPS

O estudo de impacto ambiental será concluído no final de abril, explicou ao Terramérica o porta-voz da presidencial Comissão Nicaraguense do Grande Canal Interoceânico, Telémaco Talavera. “Os estudos são feitos com a mais alta tecnologia e a responsabilidade da ERM, uma empresa internacional líder nestes temas, e uma equipe de especialistas de todas as partes do mundo contratados para fornecer um informe exaustivo sobre o impacto ambiental e as medidas de mitigação”, destacou.

Víctor Campos, subdiretor do não governamental Centro Humboldt, disse ao Terramérica que os documentos preliminares da HKND revelam que o canal causará graves danos ao ambiente do país e ameaça de maneira particular o lago Cocibolca. Com 8.624 quilômetros quadrados, esse lago é a segunda maior fonte de água doce da América Latina, atrás do venezuelano lago de Maracaibo.

Campos recordou que até mesmo a HKND reconhece que o traçado escolhido para o canal afetará reservas naturais sob proteção internacional, onde subsistem 40 espécies em perigo de extinção, entre aves, mamíferos e répteis.

Essa rota afetaria parte da Reserva Natural de Cerro Silva, e a reserva biológica Indio Maíz, ambas parte do Corredor Biológico Mesoamericano (CBM), onde habitam araras vermelhas e verdes, águias reais, antas, tigres-jaguar, macacos-aranha, micos, ursos formigueiro e lagartos negros, entre outras espécies. Junto às reservas de Bosawas e Wawashan, as de Indio Maíz e Cerro Silva abrigam 13% da biodiversidade mundial e aproximadamente 90% da flora e fauna do país.

A Nicarágua, com 6,1 milhões de habitantes, é um país tropical localizado no meio do istmo centro-americano, com costas no Pacífico e no Caribe, e 130 mil quilômetros quadrados de superfície de terras baixas, planícies e lagos interpostos, onde em várias ocasiões se tentou usar o Cocibolca para abrir uma rota interoceânica.

O Grupo Cocibolca, uma plataforma de mais de dez organizações ambientais da Nicarágua, detecta danos potenciais por escavações em terras indígenas, situadas no CBM, na costa caribenha do sudeste nicaraguense. Os impactos incluiriam Booby Cay, um abrigo natural de aves reconhecido pela Birdlife International, que é habitat para aves marinhas, tartarugas, peixes e corais.

Estudos desse grupo indicam que a dragagem com maquinário pesado, a construção de portos, a remoção de milhares de toneladas de sedimentos do fundo do lago e uso de explosivos para vencer solos rochosos afetariam o habitat das tartarugas marinhas que fazem ninho nas costas do Pacífico do sudoeste do país.

O traçado escolhido para o canal, o de número quatro de seis analisados, terá sua desembocadura no Pacífico em Brito, 130 quilômetros a oeste de Manágua. No local, haverá um porto de águas profundas, onde agora existe uma praia de desova de tartarugas.

Talavera rechaçou as “teorias apocalípticas” sobre o possível dano ambiental pela obra, mas reconheceu que haverá um impacto “que será focado e nos servirá para reverter os danos possíveis e os já confirmados por desmatamento e contaminação na rota do canal”.

A rota corta reservas naturais, mangues incluídos na lista de proteção da Convenção de Ramsar, reservas da biosfera reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e bacias hidrográficas. Segundo Talavera, a HKND também consultou, além das autoridades ambientais nacionais, órgãos como a própria Convenção Ramsar, Unesco, União Internacional para a Conservação da Natureza ou Birdlife “sobre a viabilidade de mitigar e compensar os impactos possíveis”.

A obra foi rechaçada por grupos ambientalistas e comunidades afetadas, inclusive perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Em uma audiência nesta instância, no dia 16 deste mês, a ativista Mónica López, do Grupo Cocibolca, denunciou que a Nicarágua concedeu à HKND o domínio do lago e suas periferias, nas quais convergem mais de 16 bacias hidrográficas e quase 15 áreas protegidas, e onde se concentram 25% das florestas úmidas do país.

López explicou ao Terramérica que o canal também causaria “um deslocamento forçado de mais de cem mil pessoas”, e criticou a “entrega aos empresários chineses do controle absoluto de recursos naturais alheios à rota, mas que a critério da HKND sirvam para o projeto, sem importar as considerações dos direitos dos nicaraguenses.

Mapa da Nicarágua com os seis traçados que foram projetadas para a rota do bidirecional canal interoceânico. O selecionado, na cor verde, foi o quatro. Foto: ERM

Mapa da Nicarágua com os seis traçados que foram projetadas para a rota do bidirecional canal interoceânico. O selecionado, na cor verde, foi o quatro. Foto: ERM

O Acordo Marco de Concessão e Implantação e a Lei do Grande Canal Interoceânico, aprovados em 2013, estabelecem a obrigação do Estado em garantir ao concessionário o “acesso ao direito de navegação em rios, lagos, oceanos e outros corpos dentro da Nicarágua e em suas águas, e o direito de estender, expandir, dragar, desviar ou reduzir tais corpos de água”. Além disso, o Estado também renuncia a processar os investidores em tribunais nacionais e internacionais por qualquer dano causado ao ambiente durante o estudo, construção e operação do projeto.

Na audiência da CIDH, em Washington, os representantes do governo, incluído Talavera, rechaçaram as denúncias dos ambientalistas, que atribuíram a “diretrizes políticas”, e argumentaram que o projeto “é amigável com o ambiente”. Também insistiram em seu grande argumento para a enorme obra, que esta permitirá um grande crescimento econômico, que dará recursos para que a Nicarágua deixe de ser o segundo país com mais pobreza da América, depois do Haiti, com 42% de sua população nessa condição. Envolverde/Terramérica

* O autor é correspondente da IPS.

 

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Os fundos para o clima são “essenciais” para o Pacífico http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/os-fundos-para-o-clima-sao-essenciais-para-o-pacifico/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/os-fundos-para-o-clima-sao-essenciais-para-o-pacifico/#comments Mon, 30 Mar 2015 12:24:14 +0000 juliana http://envolverde.com.br/?p=131782   Canberra, Austrália, 30/3/2015 – Diante da devastação causada pelo ciclone Pam, que este mês atingiu quatro países insulares do Oceano Pacífico, entre eles Vanuatu, seus governantes reiteram a urgente necessidade de tomar medidas globais para alimentar o fundo para o clima, fundamental para construir a resiliência e frear os retrocessos em matéria de desenvolvimento. […]

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O aumento do nível do mar ameaça a ilha Raolp, nas Ilhas Salomão. Foto: Catherine Wilson/IPS

O aumento do nível do mar ameaça a ilha Raolp, nas Ilhas Salomão. Foto: Catherine Wilson/IPS

 

Canberra, Austrália, 30/3/2015 – Diante da devastação causada pelo ciclone Pam, que este mês atingiu quatro países insulares do Oceano Pacífico, entre eles Vanuatu, seus governantes reiteram a urgente necessidade de tomar medidas globais para alimentar o fundo para o clima, fundamental para construir a resiliência e frear os retrocessos em matéria de desenvolvimento.

O presidente das Ilhas Marshall, Christopher Loeak, afirmou que “os melhores cientistas do mundo e o que vemos diariamente nos dizem que, sem uma ação urgente e transformadora dos grandes contaminadores para reduzir as emissões e nos ajudar a construir resiliência, nos encaminhamos para um mundo de constantes catástrofes climáticas”.

Os progressos da comunidade internacional no cumprimento das promessas de financiamento também podem decidir o desenlace da 21ª Conferência das Partes (COP 21) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC), que acontecerá em Paris, em dezembro.

“É tranquilizador ver muitos países, entre eles alguns Estados em desenvolvimento muito generosos, avançarem em suas promessas de capitalizar o Fundo Verde para o Clima”, pontuou à IPS o ministro de Assuntos Exteriores das Ilhas Marshall, Tony de Brum.

“Mas precisamos saber como os governos planejam aumentar sua contribuição nos próximos anos para garantirmos que seja cumprida a promessa de Copenhague de reunir US$ 100 bilhões ao ano até 2020”, acrescentou o ministro se referindo à 15ª Conferência das Partes (COP 15) realizada na capital da Dinamarca. “Sem essa garantia será muito difícil o encontro de Paris ser um sucesso”, ressaltou.

Nas ilhas do Pacífico vivem cerca de dez milhões de pessoas em 22 Estados e territórios, 35% das quais vivem na pobreza. O impacto da mudança climática pode chegar a custar à região até 12,7% de seu produto interno bruto (PIB) até o final deste século, estima o Banco de Desenvolvimento Asiático.

A região responde por apenas 0,03% das emissões de gases-estufa, mas sofre as piores consequências do aquecimento global. As autoridades regionais denunciam a injustiça que sofrem os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (Peid) enfrentando as nações mais ricas, as maiores emissoras de dióxido de carbono, para que implantem políticas que limitem o aumento da temperatura global abaixo de dois graus centígrados.

Nas Ilhas Marshall, onde mais de 52 mil pessoas vivem em 34 pequenas ilhas e atóis na parte norte do Oceano Pacífico, a elevação do nível do mar e os desastres naturais colocam em risco as comunidades, concentradas principalmente nas áreas costeiras baixas.

“Os desastres climáticos do ano passado devoraram mais de 5% do PIB e o número continua aumentando. Trabalhamos para melhorar e incluir a adaptação em nosso planejamento nacional, mas as emergências continuam nos fazendo retroceder”, lamentou o chanceler das Ilhas Marshall. Esse país sofreu uma severa seca em 2013, e, no ano passado, também grandes ondas que alagaram as localidades costeiras e deixaram centenas de pessoas desabrigadas.

“Como outros pequenos países vulneráveis, temos enormes dificuldades de acesso aos grandes fundos multilaterais. O Fundo Verde para o Clima deve evitar os erros do passado e priorizar projetos que sejam benéficos para as comunidades locais”, insistiu Brum. As prioridades nas Ilhas Marshall incluem reforçar e restaurar a zona costeira, a infraestrutura resiliente ao clima e a proteção de suas fontes de água doce.

A ajuda bilateral também é importante, pois os Peid receberam o maior volume de assistência para a adaptação climática por pessoa dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), entre 2010 e 2011. A região recebeu 2% da assistência concedida à adaptação, que totalizou US$ 8,8 bilhões. Da ajuda da OCDE aos países insulares do Pacífico, 6% procedem da Austrália, e outros grandes contribuintes são Nova Zelândia, França, Estados Unidos e Japão.

Mas, em dezembro, o governo australiano anunciou uma importante redução em seu orçamento para a assistência estrangeira de US$ 3,7 bilhões para os próximos quatro anos, o que, provavelmente, terá impacto na ajuda climática à região. “Não precisamos de mais informes e estudos de viabilidade de consultorias. O que precisamos é construir nossa capacidade local para enfrentar a mudança climática e manter a capacidade aqui”, ressaltou Brum.

Na diminuta nação de Kiribati, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores expressou sua preocupação pela “limitada capacidade local”, um problema que “se atende mediante a provisão de assistência técnica por meio de consultores que vêm e vão sem capacitar nossa população de forma adequada”.

Kiribati, que compreende 33 atóis baixos, onde vivem cerca de 108 mil pessoas, poderia chegar a sofrer uma elevação do nível do mar de até 0,6 metro e um aumento da temperatura do ar de 2,9 graus centígrados até 2090, segundo o Programa de Ciência da Mudança Climática do Pacífico.

O país sofre ondas cada vez maiores a cada ano, mas mal pode dar conta da erosão costeira, com uma densidade populacional de 15 mil pessoas por quilômetro quadrado em algumas áreas. A ilha de Tarawa, onde fica a capital, tem cerca de 450 metros de largura sem possibilidades de mover os assentamentos terra adentro.

Como no longo prazo estão em risco as áreas habitadas, no futuro os fundos para o clima deverão atender o deslocamento de pessoas, afirmou a chancelaria de Kiribati. “O reassentamento obrigado pelo clima e a migração forçada são inevitáveis para Kiribati, e já está planejado. A assistência deve se concentrar nesse assunto, mas é deixado de lado por ser uma necessidade futura e há urgências mais visíveis e presentes”, acrescentou.

Com vistas à cúpula de Paris, onde deverá ser aprovado um novo tratado climático universal e vinculante, as autoridades das Ilhas Marshall acreditam que para conter o aquecimento global e todo o mundo sobreviva é necessário um trabalho de colaboração. “Se os fundos para o clima diminuírem no acordo de Paris, também diminuirá nossa resposta à mudança climática”, enfatizou Brum. Envolverde/IPS

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A poluição é um fator subestimado nos ODS http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/a-poluicao-e-um-fator-subestimado-nos-ods/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/a-poluicao-e-um-fator-subestimado-nos-ods/#comments Mon, 30 Mar 2015 12:23:50 +0000 juliana http://envolverde.com.br/?p=131787   Uxbridge, Canadá, 30/3/2015 – A poluição será, com toda probabilidade, o problema de saúde mundial mais urgente nos próximos anos, se não houver prevenção nem gestões de limpeza eficazes, afirma os especialistas. A contaminação do ar, da água e do solo mata cerca de nove milhões de pessoas por ano e afeta a saúde […]

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O rio Quibú, que passa pelo bairro do Náutico, em Havana, sempre está cheio de lixo. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

O rio Quibú, que passa pelo bairro do Náutico, em Havana, sempre está cheio de lixo. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

 

Uxbridge, Canadá, 30/3/2015 – A poluição será, com toda probabilidade, o problema de saúde mundial mais urgente nos próximos anos, se não houver prevenção nem gestões de limpeza eficazes, afirma os especialistas. A contaminação do ar, da água e do solo mata cerca de nove milhões de pessoas por ano e afeta a saúde de mais de 200 milhões em todo o mundo. Muitas outras morrem mais devido à contaminação do que por malária e HIV/aids combinados.

O desenvolvimento e o aumento dos níveis de poluição seguem estreitamente vinculados, como se evidencia claramente na China e na Índia. Mas os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) oferecem uma grande oportunidade para frear a contaminação e reorientar as economias para vias de desenvolvimento limpo e verde.

“A chave para o desenvolvimento e a melhoria da saúde de todos exige estratégias novas e limpas para o desenvolvimento econômico”, afirmou Fernando Lugris, representante especial do ministro das Relações Exteriores do Uruguai para assuntos de ambiente e funcionário da embaixada de seu país em Berlim. “Não se pode ignorar o impacto global dos produtos químicos tóxicos nos ODS”, afirmou à IPS.

Existem pelo menos 143 mil produtos químicos artificiais registrados, e a maioria não foi submetida a estudos sobre suas possíveis consequências para a saúde. Além disso, o mundo gera mais de 400 mil toneladas de resíduos perigosos a cada ano, conforme denunciou Julian Cribb em Planeta Envenenado: Como a Constante Exposição a Produtos Químicos Artificiais Arrisca Sua Vida.

A neve em cima do monte Everest está muito contaminada para se beber. Um estudo concluiu que os recém-nascidos estão contaminados com uma média de 212 substâncias químicas diferentes, segundo Cribb.

Os ODS serão uma nova série de objetivos, metas e indicadores universais que os países deverão utilizar para definir suas agendas e políticas públicas entre 2016 e 2030. Eles ampliam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), o marco aplicado entre 2000 e 2015, que estavam concentrados nos países do Sul em desenvolvimento. Embora poucos ODM tenham sido alcançados, foram cruciais para enfocar a ajuda e as políticas de desenvolvimento, bem como um ponto de referência muito visível para medir os esforços internacionais.

Os 17 ODS propostos incluem metas para erradicar a pobreza e a fome, conseguir uma vida saudável, proporcionar uma educação de qualidade, conseguir a igualdade de gênero e reduzir as desigualdades. O terceiro ODS, focado em “garantir uma vida saudável e promover o bem-estar para todos de todas as idades”, inclui uma meta específica de redução da contaminação. Ele estipula: “Reduzir substancialmente até 2030 o número de mortes e doenças como consequência de produtos químicos perigosos e da contaminação do ar, da água e do solo”.

“A meta é genial, mas nos preocupa o indicador proposto atualmente”, apontou Richard Fuller, da Terra Pura, uma organização independente norte-americana, antes conhecida como Instituto Blacksmith, que ajuda a limpar locais onde é lançado lixo tóxico nos países mais pobres. A Terra Pura também integra a Aliança Mundial para a Saúde e Contra a Contaminação (GAHP).

Os indicadores dos ODS são ferramentas ou métodos para medir o progresso no êxito de uma meta. Contar com o indicador adequado é fundamental para saber se o objetivo foi alcançado, explicou Fuller. Porém, o único indicador atual é a mediação dos níveis de poluição do ar nas zonas urbanas. “Não há nada neste momento sobre a água, o solo ou a poluição do ar interior”, destacou.

Mas há tempo para mudar essa situação. Os ODS serão aprovados na sessão da Assembleia Geral da ONU dos dias 25, 26 e 27 de setembro. A Comissão de Estatística das Nações Unidas, que prepara os indicadores para os 17 ODS e suas 169 metas, avisou que não poderá concluir seu trabalho antes de março do próximo ano.

A GAHP, junto com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Alemanha, Suécia e Uruguai propuseram um conjunto mais amplo de indicadores baseados em medições de mortalidade e deficiência no contexto da metodologia denominada carga global de enfermidade. Embora se entenda que a exposição à contaminação tem efeitos graves sobre a saúde, isso pode ser difícil de quantificar.

A Organização Mundial da Saúde e o Instituto para os Indicadores e a Avaliação da Saúde, da Universidade de Washington, desenvolveram uma forma de medir as consequências da contaminação na saúde, utilizando os anos de vida ajustados por incapacidade. “Este é um indicador aceito, mas tem que ser melhorado, já que ainda não cobre os impactos da contaminação dos solos”, disse Fuller.

A GAHP propôs que o indicador da redução da contaminação mostre as taxas atuais de mortalidade e incapacidade geradas pelas diferentes formas de contaminação, em comparação com uma base de referência de 2012 fixada mediante a metodologia da carga global de enfermidade. “A contaminação afeta tudo e todos, mas a consciência de suas repercussões é escassa. Este é o momento para colocar o tema sobre a mesa”, ressaltou Lugris. Envolverde/IPS

* Stephen Leahy ganhou em 2012 o prêmio Global Príncipe Alberto/Nações Unidas para jornalismo sobre mudança climática e é autor do livro Your Water Footprint: The Shocking Facts About How Much Water We Use To Make Everyday Products (Sua Pegada de Água: Dados Impactantes Sobre a Quantidade de Água que Utilizamos para Fazer os Produtos Cotidianos).

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Afeganistão será o novo horizonte para a cooperação Sul-Sul http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/afeganistao-sera-o-novo-horizonte-para-a-cooperacao-sul-sul/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/afeganistao-sera-o-novo-horizonte-para-a-cooperacao-sul-sul/#comments Mon, 30 Mar 2015 12:20:43 +0000 juliana http://envolverde.com.br/?p=131791   Nações Unidas, 30/3/2015 – A história do Afeganistão tem muitos capítulos. Primeiro foi o centro da rota da seda, depois o palco de conflitos armados. Agora começou o mais recente, com a eleição do presidente Ashraf Ghani, em setembro de 2014. Em sua visita, no dia 26 deste mês, ao Conselho de Relações Exteriores, […]

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O Banco Asiático de Desenvolvimento investiu US$ 1,2 bilhão em projetos viários, ferroviários e aeroportuários do Afeganistão. Foto: Giuliano Battiston/IPS

O Banco Asiático de Desenvolvimento investiu US$ 1,2 bilhão em projetos viários, ferroviários e aeroportuários do Afeganistão. Foto: Giuliano Battiston/IPS

 

Nações Unidas, 30/3/2015 – A história do Afeganistão tem muitos capítulos. Primeiro foi o centro da rota da seda, depois o palco de conflitos armados. Agora começou o mais recente, com a eleição do presidente Ashraf Ghani, em setembro de 2014. Em sua visita, no dia 26 deste mês, ao Conselho de Relações Exteriores, um centro de pesquisa independente com sede em Nova York, o ex-ministro da Economia afegão se referiu aos seus planos de desenvolvimento e destacou o papel que a região do Cáucaso, bem como Paquistão e China, podem desempenhar na transformação do país.

“Nos próximos 25 anos, a Ásia se converterá na maior economia continental do mundo. O que aconteceu nos Estados Unidos em 1869, quando houve a integração nacional através da ferrovia, é muito provável que aconteça na Ásia nos próximos 25 anos. Sem o Afeganistão, a Ásia central, Ásia meridional, Ásia oriental e Ásia ocidental não se conectarão”, afirmou. “Nossa meta é chegar a ser um país de trânsito para o transporte, as transmissões de energia, os gasodutos e a fibra ótica”, acrescentou.

Ashraf Ghani herdou um país que mostra as cicatrizes de mais de uma década de ocupação por tropas norte-americanas, um milhão de jovens desempregados e um florescente tráfico de ópio. O Afeganistão ocupa um dos lugares mais baixos no último Índice de Percepção da Corrupção elaborado pela organização Transparência Internacional, superado apenas por Coreia do Norte, Somália e Sudão.

De seus 30,5 milhões de habitantes, 36% vivem na pobreza, enquanto as pressões derivadas de seus vizinhos devastados pela guerra, como o Paquistão, ameaçam afundar novamente no extremismo religioso este país sem saída para o mar. Mas esse panorama sombrio oculta as sementes do futuro do Afeganistão, que são suas vastas jazidas de metais e minerais, abundantes recursos de água e enormes extensões de terras de cultivo que atraem investimentos de todas as partes.

Em 2010, o jornal The New York Times citava um memorando interno do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que se referia ao Afeganistão como a “Arábia Saudita do lítico”, um componente essencial na produção de baterias e produtos relacionados. O país está pronto para se converter no maior produtor mundial de cobre e ferro na próxima década e, segundo algumas estimativas, teria reservas minerais sem explorar no valor aproximado de US$ 1 trilhão.

O território afegão é de primeira classe em termos geopolíticos, já que é uma porta de ligação entre Ásia e Europa. Enquanto o governo inicia um processo de reconstrução depois da guerra, olha, em primeiro lugar, para seus vizinhos em busca de um mútuo beneficio econômico.

Em Nova York, Ghani explicou que a maior parte do que o Afeganistão espera produzir na próxima década será de coisas pesadas, algo que exige uma rede ferroviária sólida. “Em três anos esperamos estar chegando à Europa no prazo de cinco dias. Em três anos, poderíamos ter 70% de nossas importações e exportações através do Cáspio”, acrescentou.

Em fevereiro, o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) e o governo afegão assinaram acordos no valor de US$ 130 milhões para “financiar uma nova ligação viária, que abrirá um corredor comercial de leste a oeste com o Tajaquistão e mais além.  “Até agora, dentro do programa de Cooperação Econômica Regional da Ásia Central, foram investidos US$ 2,6 bilhões em projetos de transporte, comércio e energia, dos quais 15 estão em curso e dez concluídos”, explicou à IPS o diretor do BAD para o Afeganistão, Thomas Panella.

O setor de transporte representou 22% do produto interno bruto do país durante a ocupação dos Estados Unidos, impulsionado principalmente pela presença das forças estrangeiras. Atualmente, o setor está em retrocesso, mas, provavelmente, siga em frente novamente com a ajuda financeira do BAC, que até 2013 havia investido US$ 1,9 bilhão na rede viária e US$ 31 milhões adicionais em quatro aeroportos regionais do Afeganistão, que então duplicaram seu tráfego anual.

No total, o BAD aprovou US$ 3,9 bilhões em empréstimos subvenções e assistência técnica para o Afeganistão desde 2002. A China, que já investiu no país em uma das maiores minas de cobre e no setor do petróleo, prometeu US$ 330 milhões em ajuda, que Ghani assegurou que será utilizada exclusivamente para reforçar a infraestrutura e “melhorar o sistema viário”.

Tanto China como Índia, a primeira pelo setor público e a segunda pelas empresas privadas, realizaram “importantes” aportes à economia incipiente, segundo Ghani, que acrescentou que os Estados do Golfo e o Azerbaijão também integram a “estratégia de consórcio” que adotou como marco para tirar seu país de seus problemas. Mas o caminho para os projetos de extração e obras de infraestrutura promete estar cheio de obstáculos.

Anand Gopal, especialista em política afegã e autor do livro No Good Men Among the Living (Não Há Homens Bons Entre os Vivos), afirma que “só uma muito poderosa fração da elite local e da comunidade internacional se beneficiou da ajuda exterior”. E acrescentou que “se examinarmos as escolas ou as clínicas que foram financiadas pela comunidade internacional veremos que essas instituições estão em um estado de deterioração, que os senhores da guerra locais ficaram com sua parte e que esta ajuda inclusive lhes deu poder, ao ajudá-los a construir uma base de apoio”.

Embora a ajuda agora tenha diminuído, o sistema que permitiu encher os bolsos dos poderosos e das elites políticas não poderá ser desmantelado facilmente. “A mentalidade aqui não está orientada para a comunidade, mas para o desenvolvimento das indústrias privadas e os empreiteiros privados”, pontuou Gopal. “Quando se tem um Estado incapaz de gerar sua própria renda e totalmente dependente da ajuda externa para tornar viáveis esses projetos, o lógico seria nacionalizar os recursos naturais e utilizá-los como base da renda para o desenvolvimento da economia”, ressaltou o analista.

Por outro lado, esse enorme potencial cai em mãos das empresas chinesas e demais. “É uma ideia muito neoliberal. Privatizar tudo e esperar que os benefícios cheguem” ao restante da população. Mas, com vemos em todo o mundo, não chegam aos que estão abaixo. De fato, as pessoas que se supõe que devem receber a ajuda não são as que as obtêm e, no processos, muita gente enriquece”, enfatizou Gopal. Envolverde/IPS

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Alta tecnologia resgata pequenos agricultores na África http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/alta-tecnologia-resgata-pequenos-agricultores-na-africa/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/alta-tecnologia-resgata-pequenos-agricultores-na-africa/#comments Fri, 27 Mar 2015 13:06:04 +0000 Kwame Buist http://envolverde.com.br/?p=131689   Durban, África do Sul, 27/3/2015 – A agricultura é um dos setores que mais emprega na África austral e também constitui um pilar para muitas de suas economias. Porém, as áreas rurais, onde se sustenta um modo de vida baseado na atividade agropecuária para a maioria dos quase 270 milhões de habitantes da região, […]

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Dube AgriZone conta com 16 hectares de estufas, a maior extensão cultivada sob um teto de vidro e com clima controlado. Foto: FAO

Dube AgriZone conta com 16 hectares de estufas, a maior extensão cultivada sob um teto de vidro e com clima controlado. Foto: FAO

 

Durban, África do Sul, 27/3/2015 – A agricultura é um dos setores que mais emprega na África austral e também constitui um pilar para muitas de suas economias. Porém, as áreas rurais, onde se sustenta um modo de vida baseado na atividade agropecuária para a maioria dos quase 270 milhões de habitantes da região, costumam ser frágeis. Os países devem enfrentar vários desafios em matéria de desenvolvimento. O setor é dominado pelo cultivo da terra, embora a criação de animais e outras práticas agrícolas aumentem paulatinamente.

A insegurança alimentar aguda e crônica continua sendo um dos maiores perigos, e a África austral deve enfrentar enormes desafios para tentar transformar e comercializar seus sistemas agrícolas baseados na pequena agricultura, mediante sua acelerada integração aos mercados competitivos em um mundo globalizado.

Esse e outros desafios que o setor enfrenta foram o centro do debate em uma reunião, entre os dias 10 e 12 deste mês, nesta cidade sul-africana, que reuniu autoridades e especialistas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O encontro foi encerrado com um chamado para priorizar a associação ampla e construir sinergias para oferecer aos países um apoio efetivo e eficiente à atividade agrícola.

O coordenador para a África austral da FAO, David Phiri, reiterou a importância de os diferentes setores trabalharem juntos, aproveitando o encontro anual que procura oferecer uma plataforma de debate e intercâmbio de informação sobre boas práticas e o desenvolvimento geral dos programas da agência na região.

“Conseguir a segurança alimentar e nutricional na África austral é um grande desafio, grande demais para ser enfrentado sozinho por qualquer governo ou pela FAO”, afirmou Phiri. “Assim como os governos dos países em desenvolvimento e ricos devem se envolver, também devem fazê-lo a sociedade civil, o setor privado e as agências internacionais. Acima de tudo, é preciso empoderar as pessoas para administrarem seu próprio desenvolvimento”, acrescentou.

Como exemplo das melhores práticas que o fórum analisou, os participantes realizaram uma visita de campo às instalações da Dube AgriZone, uma iniciativa de desenvolvimento agrícola de alta tecnologia promovida pelo governo da província sul-africana de KwaZulu-Natal. O projeto procura estimular o crescimento dos produtos perecíveis, e conseguir melhor produção agrícola, de qualidade consistente, o ano todo, bem como melhorar a gestão de enfermidades e pestes.

As instalações, estrategicamente situadas 30 quilômetros ao norte desta cidade costeira, atualmente contam com 16 hectares de estufas, o que a converte na maior extensão cultivada sob teto de vidro e com clima controlado na África. O principal objetivo da produção são verduras e flores que duram pouco nos pontos de venda e exigem transporte imediato após a colheita para sua distribuição, tanto no mercado interno quanto no externo.

Além das estufas, o local oferece armazéns para empacotamento depois da colheita, um centro de distribuição, um viveiro e o Dube AgriLab, um laboratório completo para cultivo de tecido vegetal. A Dube AgriZone pretende proteger o ambiente mediante práticas “verdes” para reduzir seu impacto ambiental, como coleta de água de chuva, uso de energia solar, gestão de resíduos no local de origem e o cultivo de plantas autóctones para os esforços de reabilitação.

Também oferece aos produtores a possibilidade de melhorar a colheita, uma qualidade constante, gestão de enfermidades e pestes, e produção ao longo de todo o ano com a perspectiva de melhorar a sustentabilidade e a competitividade agrícola.

“Nunca teria conseguido montar um lugar assim e produzir na escala atual não fosse pela inovadora AgriZone”, destacou Derrik Baird, proprietário da Qutom Farms, que hoje produz 150 mil pepinos na estufa arrendada da AgriZone. “O centro de alta tecnologia com várias instalações, como transporte e fretamento, permitiu nos concentrarmos na produção de pepinos a um custo muito menor do que nos outros lugares que havíamos testado”, acrescentou.

A associação entre o governo provincial e o setor privado que permitiu essa iniciativa recebeu elogios como um exemplo de sucesso do qual se pode tirar várias lições para levar a outros lugares da África austral.

“Podemos aprender muitas coisas com ela e, talvez, uma das mais importantes seja a de formar alianças e associações”, destacou Tobias Takavarasha, representante da FAO na África do Sul. “Temos que criar capacidades sobre o que já funciona, adotando e adaptando as tecnologias à situação local e depois as expandindo de norte a sul, leste a oeste, para conseguir melhores resultados”, enfatizou. Envolverde/IPS

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Mulheres lideram movimento por alimentos saudáveis nas Filipinas http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/mulheres-lideram-movimento-por-alimentos-saudaveis-nas-filipinas/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/mulheres-lideram-movimento-por-alimentos-saudaveis-nas-filipinas/#comments Fri, 27 Mar 2015 13:02:47 +0000 Diana Mendoza http://envolverde.com.br/?p=131685   Manila, Filipinas, 27/3/2015 – Quando uma equipe da Arugaan, uma organização de saúde integrada por mulheres, visitou Visayas Oriental, uma zona das Filipinas devastada pelo tufão Haiyan em novembro de 2013, constatou que nos locais de ajuda e resgate era abundante o leite artificial, que as mães davam aos seus bebês em grandes quantidades. […]

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Nas Filipinas, 22% dos menores de cinco anos têm baixo peso, e 32% sofrem atraso no crescimento. Foto: Kara Santos/IPS

Nas Filipinas, 22% dos menores de cinco anos têm baixo peso, e 32% sofrem atraso no crescimento. Foto: Kara Santos/IPS

 

Manila, Filipinas, 27/3/2015 – Quando uma equipe da Arugaan, uma organização de saúde integrada por mulheres, visitou Visayas Oriental, uma zona das Filipinas devastada pelo tufão Haiyan em novembro de 2013, constatou que nos locais de ajuda e resgate era abundante o leite artificial, que as mães davam aos seus bebês em grandes quantidades. “Interviemos porque sabíamos que precisávamos ensinar as mulheres a amamentar e sua importância para elas, seus filhos e suas famílias”, disse à IPS Tinay Alterado, integrante da organização.

A Arugaan – que em filipino significa nutrir ou cuidar de alguém – é uma creche dirigida por mães trabalhadoras, em sua maioria de origem urbana e pobre, que cuidam de crianças de até três meses e meio e promovem um estilo de vida saudável, especialmente por meio da amamentação materna. “Informamos às mulheres que podem e devem amamentar, e que deveriam fazê-lo até um mínimo de seis meses”, explicou Alterado. Nas áreas afetadas pelo tufão, as mães foram ensinadas a extrair o leite com de massagens e armazená-lo.

Alterado contou que seus colegas reforçaram os esforços para sensibilizar as mulheres sobre esse aspecto crucial da maternidade, que não está arraigado na cultura do país. Poucas pessoas vinculam o aleitamento materno com seus correspondentes benefícios econômicos e ambientais, como redução do lixo ou alívio dos problemas financeiros da família.

Em um país de aproximadamente cem milhões de habitantes onde 22% dos menores têm baixo peso e 32% sofrem atraso no crescimento, o papel das mulheres na luta contra a fome e a desnutrição não pode ser subestimado.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a “dependência excessiva do arroz, os baixos níveis de aleitamento materno e as recorrentes ameaças naturais, vinculadas e amplificadas pela pobreza, implicam que as crianças não comem o suficiente” nas Filipinas. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estimam que neste país ocorram anualmente, em média, 20 tufões, afetando gravemente as terras de cultivo.

Em 2014, as Filipinas juntou-se a 63 países em desenvolvimento que cumpriram o primeiro dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), ao reduzir pela metade a pobreza extrema antes do vencimento do prazo, no final deste ano. Entretanto, o país ainda registra uma das taxas de desnutrição mais altas do mundo. Enquanto governo e organizações internacionais buscam soluções para este problema, as mulheres das Filipinas estão na vanguarda no combate à fome.

A cruzada de Alterado não difere da de Angelina Galang, que dirige a Direito do Consumidor a Alimentos Seguros (DCAS), uma coalizão de organizações filipinas pelo acesso à alimentação saudável. Para ela, a luta começa em casa. Quando seus netos a visitam, ela não lhes serve bebidas açucaradas, comida chatarra (tipo fast food) ou a pizza comprada que muitos jovens preferem. Ela dá frutas, sanduíches e pratos caseiros saudáveis, como bananas fervidas.

No começo não gostaram, mas depois de alguns meses se acostumaram a não encontrar refrigerantes nem salsichas na casa da avó. “Com sorte, aprenderão e adotarão esse estilo de vida quando crescerem”, afirmou Galang à IPS. Ela disse que ensinar à “geração do fast food” sobre os tipos e as quantidades adequadas de alimentos é um desafio, sobretudo porque as atraentes táticas de marketing das empresas seduzem muitos jovens.

Porém, o problema não termina aí. A DCAS pretende que o governo realize uma pesquisa melhor sobre os cultivos modificados geneticamente e rotule os produtos alimentícios que contenham organismos transgênicos, que alteram a composição genética dos cultivos para melhorar sua aparência, conteúdo de nutrientes e crescimento.

“Ninguém sabe se é seguro comer alimentos transgênicos, mas há mais provas de que podem ser um perigo para a saúde”, destacou Galang. “Os consumidores são as cobaias dos transgênicos”, ressaltou, acrescentando que oito cultivos geneticamente modificados foram aprovados pelo governo para plantio e 63 para importação.

Recentemente, o movimento contra os cultivos geneticamente modificados uniu-se contra as tentativas do governo de plantar “arroz dourado” transgênico, uma variedade fortificada com betacaroteno, que no corpo se converte em vitamina A. O governo afirma que seu experimento pretende remediar a deficiência dessa vitamina no país, que afeta 1,7 milhão de menores de cinco anos e cerca 500 mil mulheres grávidas e lactantes, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz, com sede nas Filipinas.

Porém, os ativistas sustentam que os transgênicos agravarão a fome, acabarão com a biodiversidade e possivelmente contaminarão outros cultivos. Mulheres como Galang também recomendam que, até que sejam feitos estudos exaustivos no longo prazo, “é melhor comer e comprar alimentos locais, orgânicos e não processados”.

Os especialistas dizem que o primeiro passo do movimento pela alimentação saudável é educar as crianças sobre a importância de comer produtos locais e orgânicos. Camille Genuino, integrante da Fundação Voluntários de Negrense pela Mudança, com sede na cidade de Bacolod, é testemunha de primeira mão. Sua filha de quatro anos, que frequenta uma creche, está aprendendo a plantar ervas e fazer macarrão e pizza com os produtos frescos colhidos em sua pequena horta.

“Educar as crianças e expô-las aos benefícios da agricultura é lhes dar uma boa criação”, garantiu Genuino, cuja organização não governamental produz o pó nutritivo Mingo, uma fórmula instantânea que se converte em ensopado quando misturado com água e que é distribuído em zonas afetadas por desastres.

A creche de sua filha fica na cidade de Quezon, uma zona urbana pobre, situada perto de um centro de eliminação de resíduos, onde os habitantes cultivam em seus telhados para produzir seus alimentos. O centro realiza programas de alimentação para cerca de 80 a cem crianças da região. É um esforço humilde, mas iniciativas semelhantes em todo o país sugerem um movimento crescente, encabeçado principalmente por mulheres, que lideram as mudanças no setor da alimentação e nutrição. Envolverde/IPS

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Os meninos trabalhadores deixam os canaviais salvadorenhos http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/os-meninos-trabalhadores-deixam-os-canaviais-salvadorenhos/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/os-meninos-trabalhadores-deixam-os-canaviais-salvadorenhos/#comments Fri, 27 Mar 2015 12:58:13 +0000 Claudia Ávalos http://envolverde.com.br/?p=131681   San Juan Opico, El Salvador, 27/3/2015 – A participação de crianças e adolescentes na safra da cana-de-açúcar, uma perigosa atividade agrícola, está prestes a ser coisa do passado em El Salvador, que há dez anos foi denunciado internacionalmente por essa prática. “Antes, quando era cipote (criança), meus irmãos me levavam para ajudá-los a cortar […]

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O cortador de cana Evaristo Pérez, de 22 anos, na propriedade La Isla, no município de San Juan Opico, em El Salvador. Ele foi um dos meninos trabalhadores temporários nos canaviais, de onde praticamente desapareceram graças a um compromisso de “tolerância zero” com o trabalho infantil na agroindústria açucareira. Foto: Edgardo Ayala/IPS

O cortador de cana Evaristo Pérez, de 22 anos, na propriedade La Isla, no município de San Juan Opico, em El Salvador. Ele foi um dos meninos trabalhadores temporários nos canaviais, de onde praticamente desapareceram graças a um compromisso de “tolerância zero” com o trabalho infantil na agroindústria açucareira. Foto: Edgardo Ayala/IPS

 

San Juan Opico, El Salvador, 27/3/2015 – A participação de crianças e adolescentes na safra da cana-de-açúcar, uma perigosa atividade agrícola, está prestes a ser coisa do passado em El Salvador, que há dez anos foi denunciado internacionalmente por essa prática.

“Antes, quando era cipote (criança), meus irmãos me levavam para ajudá-los a cortar cana, não havia problema, mas agora é diferente”, contou à IPS o diarista Evaristo Pérez, durante uma pausa em seu trabalho no canavial, em meio ao sol abrasador, na propriedade La Isla, no município de San Juan Opico, no departamento de La Libertad.

“Precisei completar 18 anos para ser aceito como cortador”, acrescentou Pérez, de 22 anos, ao lado de 20 homens suados, que realizam o mesmo trabalho como temporários. O jovem reconheceu que trabalhar nos canaviais quando criança foi “algo duro”.

Por décadas, El Salvador sofreu o fenômeno do trabalho infantil em atividades de risco como a colheita, catalogada pela Organização Internacional do Trabalho como perigosa, pelo uso de facões afiados no corte da cana. Também é prejudicial à saúde, pois as plantações são queimadas superficialmente para facilitar o corte, e isso produz cinza que é aspirada pelos trabalhadores.

Mas a penúria de muitas famílias camponesas faz com que nem o risco nem a intensidade das jornadas evitem que peçam trabalho para seus filhos durante a safra. O salário de um cortador de cana gira em torno de US$ 200 mensais, segundo alguns entrevistados pela IPS.

“É um fenômeno cultural e econômico, afinal a base está na pobreza e na falta de oportunidades no campo”, explicou Julio César Arroyo, diretor-executivo da Associação Açucareira de El Salvador (AAES), que aglutina os seis engenhos locais, todos privados, que processam a cana no país.

El Salvador tem 6,3 milhões de habitantes e 38% vivem na área rural, onde a pobreza afeta 36% das famílias, diante da média nacional de 29,6%, segundo estatísticas oficiais de 2013.

O tema do trabalho infantil na safra explodiu, nacional e internacionalmente, quando, em junho de 2004, a organização Human Rights Watch, com sede em Washington, divulgou o informe Ouvidos Surdos, no qual denunciava como os produtores de açúcar salvadorenhos utilizavam crianças e adolescentes, sobretudo para plantar e cortar cana.

A investigação causou forte reação por parte de organizações de direitos humanos, bem como de compradores internacionais do açúcar de El Salvador. O Canadá, segundo mercado para o produto, atrás dos Estados Unidos, ameaçou deixar de adquiri-lo. A posição canadense foi “preocupante, porque poderia causar um efeito dominó” no setor e deixar sem fonte de renda milhares de camponeses, pontuou Arroyo à IPS.

O informe sobre o trabalho infantil e as pressões geradas atuaram como revulsivo e, em 2006, os produtores de cana, os engenhos e o governo, aglutinados no Conselho Salvadorenho da Agroindústria Açucareira, adotaram em conjunto um código de conduta a respeito do tema. O processo foi reforçado um ano depois com a inclusão coletiva de uma cláusula de “tolerância zero” ao trabalho infantil.

Também foram implantadas medidas para supervisionar o cumprimento dessa cláusula, como o constante monitoramento pelo Ministério do Trabalho, por auditores nas plantações e um auditor externo especial. A melhora foi sensível. Segundo a AAES, o número de crianças que trabalham em atividades açucareiras caiu, dos 12 mil existentes em 2004, para 3.407 em 2009, redução de 72%.

Na safra 2013-2014, foram registrados apenas 700 menores de 18 anos, o que representa queda de 92% em relação a dez anos atrás. “Satisfeitos estaremos quando o problema estiver erradicado, mas o que conseguimos é um progresso muito importante”, destacou Arroyo. Outro fator positivo foi que as famílias aos poucos tomaram consciência da importância de crianças e adolescentes não trabalharem nos canaviais.

Pablo Antonio Merino, capataz em La Isla, afirmou à IPS que, embora lhe peçam para incluir algum menor na lista de cortadores de cana, “ele tem claro” que não deve fazê-lo. “Não encontrarão um menor entre meus trabalhadores”, garantiu Merino, de 63 anos. “Às vezes chegam em minha casa, me pedindo para arrumar emprego para alguém, mas, quando vejo o rosto dos menores, digo não, não quero problemas”, acrescentou. Mas, apesar de tudo, ainda existem resistências.

Outro diarista, David Flores, de 53 anos, disse à IPS que as normas que proíbem o trabalho infantil na produção de açúcar são inconvenientes porque deixam os adolescentes sem nada para fazer, e isso os leva a andar “com más companhias”, se referindo às atividades criminosas das gangues.

El Salvador vive uma onda de violência criminosa que em 2014 registrou taxa de 63 homicídios para cada cem mil habitantes. Muitos desses crimes foram cometidos por integrantes de gangues, também conhecidas na América Central com maras. “Foi ruim para o país tirar o trabalho dos jovens, pois isso os leva a perambular”, ressaltou Flores, convencido do que diz.

Mas Ludin Chávez, diretora em El Salvador da organização internacional Save the Children, ressaltou à IPS que a erradicação do trabalho infantil passa por meninos e meninas deixarem de se desenvolver em um ambiente em que veem a exploração trabalhista como normal.

“Interioriza-se com sendo natural outras pessoas continuarem explorando, e que nunca podem reclamar seus direitos. Consideramos esse círculo perigoso de ser mantido”, acrescentou. Segundo ela, outras formas de trabalho infantil perigoso são a extração de moluscos nos mangues, fabricação de fogos em oficinas caseiras e o trabalho doméstico.

A Pesquisa de Famílias e Propósitos Múltiplos 2013 revelou que 144.168 meninos, meninas e adolescentes, com idades entre cinco e 17 anos, estavam em situação de trabalho infantil, o que representava uma redução de 11,9% em relação ao ano anterior. Desde 2009, quando chegou ao poder a esquerdista Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, o governo traçou um mapa do caminho para erradicar as piores formas de trabalho infantil este ano, e de forma total até 2020, em um esforço conjunto com setores econômicos e sociais do país.

Dados açucarados

A agroindústria açucareira gera 50 mil empregos diretos em El Salvador, embora 18 mil desse total sejam cortadores temporários, e no total 250 mil pessoas se beneficiam da atividade, segundo dados do setor.

Durante a colheita 2013-2014 foram obtidas 720 mil toneladas de açúcar que representaram 2,28% do produto interno bruto (PIB), de US$ 24,26 bilhões, e 20% do PIB agrícola.

O cultivo da cana ocupa 3% da área agrícola. Os engenhos beneficiam apenas 10% da produção, os restantes 90% estão em mãos de sete mil produtores independentes, dos quais quatro mil integrados em cooperativas, em um país onde o setor agropecuário gera 20% do emprego total e 40% do emprego rural. Envolverde/IPS

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Dúvidas e contradições sobre o destino excepcional dos Estados Unidos http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/duvidas-e-contradicoes-sobre-o-destino-excepcional-dos-estados-unidos/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/duvidas-e-contradicoes-sobre-o-destino-excepcional-dos-estados-unidos/#comments Fri, 27 Mar 2015 12:45:15 +0000 Roberto Savio http://envolverde.com.br/?p=131677   Roma, Itália, março/2015 – Durante longo tempo, os norte-americanos acreditaram firmemente que seu país tinha um destino excepcional, e mantêm essa convicção na atualidade, apesar de seu sistema político ter se tornado totalmente disfuncional. Os três pilares da democracia norte-americana – os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário – já não se dirigem a palavra, […]

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e a chanceler alemã, Angela Merkel, na Casa Branca. Foto: BPA Germany Info

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e a chanceler alemã, Angela Merkel, na Casa Branca. Foto: BPA Germany Info

 

Roma, Itália, março/2015 – Durante longo tempo, os norte-americanos acreditaram firmemente que seu país tinha um destino excepcional, e mantêm essa convicção na atualidade, apesar de seu sistema político ter se tornado totalmente disfuncional.

Os três pilares da democracia norte-americana – os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário – já não se dirigem a palavra, por isso o diálogo ou a possibilidade de realizar uma política bipartidária praticamente desapareceu.

Nesse contexto, com vistas às eleições presidenciais de 2016, o presidente Barack Obama está sendo cada vez mais pressionado para que atue como um homem forte.

Essa é a única explicação razoável sobre porque, inesperadamente, Obama declarou que a Venezuela é uma ameaça às segurança dos Estados Unidos, poucos meses depois de iniciar o processo de normalização das relações com Cuba, velha inimiga de Washington e aliada da Venezuela.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, está muito satisfeito porque suas denúncias de um complô dos Estados Unidos com a oposição venezuelana para tirá-lo do cargo agora são oficialmente confirmadas por Obama.

O problema é que, às costas de Obama, os senadores republicanos estão adotando posições sem precedentes, tais como advertir o líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que qualquer acordo assinado com Obama será válido somente durante sua administração.

Essa mensagem deve ter deixado Khamenei muito descontente, bem como a linha dura do Irã, porque sempre disse que não se pode confiar nos Estados Unidos e que as negociações nucleares em curso não têm sentido.

Isso parece uma extensão do conceito do destino excepcional dos Estados Unidos, cuja política externa também pode ser excepcional, não sujeita à lógica e às regras.

Do outro lado do Atlântico, o que é sem dúvida excepcional é que – enquanto a Europa quase sempre seguiu a política externa norte-ameircana, inclusive quando vai contra seus interesses, como é o caso do enfrentamento com a Rússia pela Ucrânia –, a Grã-Bretanha, que tem uma relação especial com os Estados Unidos, está se encaminhando para uma ação divergente.

Por meio de seu ministro da Fazenda, George Osborne, Londres anunciou que pretende aderir à iniciativa chinesa para a criação de um Banco Asiático de Investimentos para Infraestruturas (BAII), no qual Pequim está investindo US$ 50 bilhões.

Isso provocou a ira dos Estados Unidos porque o BAII é considerado uma alternativa às instituições financeiras com sede em Washington, o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento, nos quais Estados Unidos (e Japão) têm fortes interesses.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, respondeu que seu país se une ao BAII porque “acreditamos que é de interesse nacional para a Grã-Bretanha”.

Pouco depois do anúncio de Cameron, seguiram-se os de França, Alemanha e Itália, enquanto a Austrália também se unirá e a Coreia do Sul terá que fazê-lo. Isso deixará os Estados Unidos isolados e emergirá uma nova dimensão “excepcional”: o poder econômico (China) é mais atraente do que o poderio militar (Estados Unidos).

Naturalmente, Cameron está atuando para agradar o eleitorado, que é muito consciente de seus interesses financeiros, inclusive quando não coincidem com os interesses dos Estados Unidos.

Afinal, a participação da China na produção manufatureira mundial, que foi de 3% em 1990, aumentou para quase 25% no ano passado.

Pior ainda, Cameron também decidiu cortar o gasto com defesa. Atualmente o gasto militar de Londres é de 2% do produto interno bruto – objetivo que Washington espera que seja observado por todos os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – e Cameron só o manterá até maio, ao terminar a atual legislatura.

Segundo Washington, o presidente russo, Vladimir Putin, poderia considerar isso como um sinal de fraqueza. Por essa ótica, é preciso submeter Putin a uma crescente pressão, fazendo com que veja que as represálias por sua política em relação à Ucrânia se intensificarão até que ele retroceda.

Essa escalada está indo em uma direção que as mentes mais esclarecidas deveriam examinar em uma perspectiva de longo prazo.

Os membros da Otan, uma instituição que precisa de conflitos para justificar sua existência agora que a União Soviética já não existe, estariam dispostos a entrar em uma guerra apenas para mantê-la viva?

Os cenários são os que costumam preceder uma guerra.

O ministro da Defesa britânico, Michael Fallon, declarou que a Rússia é “uma ameaça tão grande para a Europa quanto o Estado Islâmico”. Tropas da Otan estão se concentrando nos países bálticos para combater uma hipotética invasão russa.

A maioria republicana do Congresso norte-americano está pedindo abertamente o envio maciço de armas pesadas ao exército ucraniano. Centenas de soldados norte-americanos foram destacados para a Ucrânia, a fim de reforçar o regime de Kiev contra os rebeldes apoiados por Moscou. A Grã-Bretanha enviou 75 assessores militares.

Entretanto, segundo o The New York Times, o governo polonês está apoiando a criação e capacitação de milícias e prevê proporcionar treinamento militar aos muitos poloneses que estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de “o gigante russo não se saciar com a Ucrânia e uma vez mais voltar seus olhos para o Ocidente”.

O mesmo está ocorrendo nos países bálticos, todos eles com uma presença russa considerável e temerosos de que Putin possa invadi-los a qualquer momento.

Meios de comunicação de todo o mundo participam de um frenesi para denegrir pessoalmente Putin, criando uma imagem do presidente russo e do conflito na Ucrânia que possa servir de desculpa para o expansionismo militar da Otan.

É difícil olhar Putin com simpatia, mas esse enfrentamento fez o povo russo apoiar seu líder em um nível sem precedentes, que agora se situa em torno dos 80%.

Seria um erro subestimar o papel que pode desempenhar a humilhação na história.

Como é bem sabido, o poder de Hitler nasceu das frustrações pelas fortes sanções que os alemães tiveram que pagar aos vencedores da Primeira Guerra Mundial.

A mesma sensação de humilhação fez com que a guerra do presidente Slobodan Milosevic contra a Otan fosse tão popular entre a população sérvia.

É na humilhação dos árabes, que foram divididos entre os vencedores da Primeira Guerra Mundial, que encontramos as raízes do Califado, ou do grupo extremista Estado Islâmico, que afirma que os árabes finalmente estão por recuperar sua dignidade e identidade.

É também a humilhação pela imposição da austeridade o que agora está criando um forte sentimento antialemão na Grécia.

Alguém já considerou quem se encarregará da Rússia se Putin se for? Certamente não será a débil oposição atual. E o que significaria assumir a responsabilidade de um Estado tão débil como a Ucrânia?

O Fundo Monetário Internacional aprovou um fundo de ajuda de US$ 17,5 bilhões para a Ucrânia, mas advertiu que o resgate do país “está exposto a riscos excepcionais, especialmente os derivados do conflito no Leste” desse país.

Na realidade, a Ucrânia precisa de ajuda urgente para tapar um fosso de pelo menos US$ 40 bilhões. Os economistas coincidem em que o país não conta com uma economia saudável. São necessários muitos anos de ajuda constante para chegar a algum equilíbrio econômico e isso sem que haja guerra.

A Europa se encontra próxima da recessão e ao que parece é incapaz inclusive de resolver os problemas da pequena Grécia. Porém, empenha-se em apoiar Kiev contra os rebeldes apoiados pela Rússia.

Roberto Savio. Foto: IPS

Roberto Savio. Foto: IPS

A Otan pode apoiar os soldados ucranianos até seu último homem, mas é impossível vencer a Rússia. Então, o Ocidente vai intervir ou retroceder e perder seu prestígio, depois de muitas mortes e destruições incalculáveis?

Generalizou-se a opinião de que as sanções deveriam fazer a Rússia morrer de fome, agora que reduziu sua renda com o petróleo. O que acontecerá se Putin, apoiado pelo povo russo, não der marcha à ré?

Estão os europeus dispostos a marchar para a guerra, a fim de agradar o Congresso dos Estados Unidos, dominado pelo Partido Republicano? Envolverde/IPS

* Roberto Savio é fundador da agência IPS e editor do boletim Other News.

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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável também devem ser obrigatórios para os países ricos http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/os-objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-tambem-devem-ser-obrigatorios-para-os-paises-ricos/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/03/ultimas-noticias/os-objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-tambem-devem-ser-obrigatorios-para-os-paises-ricos/#comments Thu, 26 Mar 2015 12:40:07 +0000 Thalif Deen http://envolverde.com.br/?p=131595   Nações Unidas, 26/3/2015 – A crescente desigualdade na sociedade atual será o tema principal da reunião anual do Fórum Social Mundial (FSM), que começou no dia 24, na capital da Tunísia. Quando a contraparte do FSM, o Fórum Econômico Mundial, se reuniu em janeiro na cidade suíça de Davos, com presença majoritária de superricos, […]

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Este homem vive na casa de chapa de zinco que aparece atrás dele, na Eslováquia, um Estado membro da União Europeia. Foto: Mano Strauch © Banco Mundial

Este homem vive na casa de chapa de zinco que aparece atrás dele, na Eslováquia, um Estado membro da União Europeia. Foto: Mano Strauch © Banco Mundial

 

Nações Unidas, 26/3/2015 – A crescente desigualdade na sociedade atual será o tema principal da reunião anual do Fórum Social Mundial (FSM), que começou no dia 24, na capital da Tunísia.

Quando a contraparte do FSM, o Fórum Econômico Mundial, se reuniu em janeiro na cidade suíça de Davos, com presença majoritária de superricos, um informe da organização humanitária Oxfam alertou que, mantida a tendência atual, mais de 50% da riqueza do planeta estará nas mãos do 1% mais rico da população em 2016. Também apontou que apenas 80 das pessoas mais ricas terão tanta riqueza quanto a metade da população mundial, ou 3,5 bilhões de pessoas.

O Grupo de Reflexão da Sociedade Civil sobre Perspectivas de Desenvolvimento Mundial apresentou em Túnis, capital tunisiana, um estudo que recomenda novos objetivos e compromissos, sobretudo por parte dos ricos, para que prosperem os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que a Organização das Nações Unidas (ONU) está discutindo e que farão parte da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015.

A IPS perguntou a Jens Martens, diretor da organização Global Policy Forum, com sede em Nova York, se os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujo prazo vencerá em dezembro, incluem metas específicas para os ricos. A resposta foi sim, o ODM número oito, sobre uma aliança mundial para o desenvolvimento, inclui, “mas esse objetivo continua sendo vago e não inclui compromissos vinculantes para os países ricos”.

Por essa razão os 17 ODS propostos objetivam fortalecer os meios de aplicação e revitalizar a aliança mundial para o desenvolvimento sustentável, afirmou Martens. Além disso, os governos acordaram incluir metas nos meios de aplicação dos 16 ODS, mas muitas delas não são “inteligentes”, isto é, não são específicas, mensuráveis, alcançáveis, realistas nem têm prazos determinados, acrescentou.

Para Martens, os objetivos sem os meios para alcançá-los não têm sentido, e a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 só prosperará se os ODS incluírem metas e compromissos significativos e com prazos determinados para os ricos, que provoquem mudanças de política regulatória e fiscal necessárias.

Os objetivos específicos para os ricos são indispensáveis para a Agenda Pós-2015, destacou Barbara Adams, assessora da Global Policy Forum e membro do comitê coordenador da organização Social Watch, com sede no Uruguai.

Os oito ODM, que serão substituídos pelos 17 ODS uma vez sejam aprovados em uma cúpula mundial em setembro, estavam destinados em grande parte ao Sul em desenvolvimento com metas específicas. Os 17 ODS propostos por um Grupo de Trabalho Aberto incluem a erradicação da pobreza e da fome, alcançar uma vida saudável, proporcionar educação de qualidade, conseguir a igualdade de gênero e reduzir as desigualdades, até 2030.

Também incluem o uso sustentável da água, saneamento, energia para todos, emprego produtivo, industrialização, proteção dos ecossistemas terrestres e fortalecimento da aliança mundial para o desenvolvimento sustentável.

Roberto Bissio, coordenador da Social Watch, pontuou que “três objetivos específicos para os ricos” são particularmente importantes, aqueles que se referem à redução da desigualdade dentro e entre os países, às pautas de produção e consumo sustentáveis, ao fortalecimento dos meios de aplicação e à revitalização da aliança mundial para o desenvolvimento. O princípio de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas,” deve ser aplicado com rigor, acrescentou.

Henning Melber, diretor emérito da Fundação Dag Hammarskjold, disse que para o sueco Dag Hammarskjold, ex-secretário-geral da ONU, o fórum mundial era uma organização guiada pela solidariedade. Os ricos devem se dar conta de que menos é mais em função da estabilidade, sustentabilidade, igualdade e o futuro da humanidade, afirmou.

Em seu novo estudo, o Grupo de Reflexão assegura que os 17 ODS propostos são relevantes para as economias ricas, pobres e emergentes, tanto do Norte industrializado quanto do Sul em desenvolvimento. Todos os governos que assinaram a Agenda Pós-2015 devem cumprir todos os objetivos. Para os países ricos, muitos dos objetivos e metas seriam de fácil cumprimento ou já foram alcançados, especialmente os relacionados com os êxitos sociais, como erradicação da pobreza absoluta ou a universalidade da educação primária ou, ainda, a atenção primária à saúde, acrescentou.

Segundo o estudo, “lamentavelmente, os êxitos sociais na realidade costumam ser frágeis, em particular para as pessoas socialmente excluídas, e podem retroceder facilmente em consequência dos conflitos (como no caso da Ucrânia), do capitalismo em crise (em muitos países depois de 2008), ou por políticas mal orientadas, economicamente insensatas e socialmente destrutivas, como no caso das políticas de austeridade em muitas regiões, da América Latina até a Ásia ou o sul da Europa”.

Em nome da redução da dívida e da melhora da competitividade, essas políticas provocaram desemprego em grande escala e empobrecimento generalizado, frequentemente junto com a perda de renda e do acesso à atenção básica de saúde. Muito frequentemente, isso aumentou a dívida soberana em lugar de reduzi-la, assegurou o Grupo de Reflexão.

Mas também em circunstâncias “normais” alguns dos objetivos relativos à erradicação da pobreza e demais problemas de desenvolvimento social podem ser um verdadeiro desafio em muitas partes do mundo rico, onde a pobreza está aumentando. Segundo o estudo, nos Estados Unidos a pobreza cresceu constantemente nas duas últimas décadas, e atualmente afeta cerca de 50 milhões de seus 320 milhões de habitantes, medida pelo limite oficial de US$ 23,85 mil por ano para uma família de quatro integrantes.

Na Alemanha, 20,3% da população, ou 16,2 milhões de pessoas, sofreram pobreza ou exclusão social em 2013. No conjunto da União Europeia, a proporção de pessoas pobres ou excluídas socialmente foi de 24,5%, segundo o Grupo de Reflexão.

Para abordar essas situações, a meta 1.2 na proposta dos ODS do Grupo de Trabalho Aberto pede aos países que “até 2030 reduzam ao menos pela metade a proporção de homens, mulheres e crianças de todas as idades que vivem na pobreza em todas as suas dimensões, segundo as definições nacionais”. Envolverde/IPS

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