IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Fri, 17 Mar 2017 13:00:02 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.13 ONU pede apoio a sistema multilateral ‘forte e eficaz’ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/onu-pede-apoio-a-sistema-multilateral-forte-e-eficaz/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/onu-pede-apoio-a-sistema-multilateral-forte-e-eficaz/#comments Fri, 17 Mar 2017 13:00:02 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=220065 ONU e organismos multilaterais demonstram espanto pelo orçamento enviado pelo presidente norte-americano Donald Trump, que corta verbas de cooperação internacional e reforça orçamento militar “A comunidade internacional enfrenta enormes desafios globais que só podem ser enfrentados por um sistema multilateral forte e eficaz, do qual as Nações Unidas continuam a ser o pilar fundamental”, diz […]

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ONU e organismos multilaterais demonstram espanto pelo orçamento enviado pelo presidente norte-americano Donald Trump, que corta verbas de cooperação internacional e reforça orçamento militar

“A comunidade internacional enfrenta enormes desafios globais que só podem ser enfrentados por um sistema multilateral forte e eficaz, do qual as Nações Unidas continuam a ser o pilar fundamental”, diz o comunicado do porta-voz do secretário-geral da ONU.

O porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, emitiu uma nota nesta quinta-feira (16) informando ter tomado conhecimento do projeto de orçamento de 2018 enviado pelo governo dos Estados Unidos ao Parlamento norte-americano. A proposta ainda passará por um longo processo orçamentário até ser aprovado, observou o comunicado da ONU.

António Guterres, Secretário Geral da ONU

“O secretário-geral [António Guterres] agradece o apoio que os Estados Unidos deram às Nações Unidas ao longo dos anos como o maior contribuinte financeiro da Organização”, diz o comunicado.

“O secretário-geral está totalmente empenhado em reformar as Nações Unidas e garantir que a Organização esteja adequada para seus fins e para a entrega de resultados da forma mais eficiente e eficaz em termos de custos. No entanto, cortes abruptos de financiamento podem forçar a adoção de medidas ad hoc [com finalidades específicas] que minarão o impacto dos esforços de reforma no longo prazo”, acrescentou o comunicado da ONU.

O secretário-geral afirmou estar “pronto para discutir com os Estados Unidos e com qualquer outro Estado-membro a melhor forma de criar uma organização mais eficaz em termos de custos para prosseguir os nossos objetivos e valores comuns”.

“O secretário-geral subscreve plenamente a necessidade de combater eficazmente o terrorismo, mas acredita que isso exige mais do que despesas militares. É também necessário abordar os fatores subjacentes ao terrorismo através de investimentos contínuos na prevenção de conflitos, na resolução de conflitos, na luta contra o extremismo violento, na manutenção da paz, na construção da paz, no desenvolvimento sustentável e inclusivo, no reforço e no respeito dos direitos humanos, bem como nas respostas em tempo ágil para as crises humanitárias.”

“A comunidade internacional enfrenta enormes desafios globais que só podem ser enfrentados por um sistema multilateral forte e eficaz, do qual as Nações Unidas continuam a ser o pilar fundamental”, conclui o comunicado.

O trecho do projeto de orçamento da Casa Branca relativo aos organismos internacionais encontra-se na página 33 e 34 e está disponível em http://bit.ly/2mNznPG. Acesse este comunicado na íntegra, em inglês, em http://bit.ly/2mwPpvP; em português em http://bit.ly/2mwYkgH

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Supercomputador facilita pesquisa climática http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/supercomputador-facilita-pesquisa-climatica/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/supercomputador-facilita-pesquisa-climatica/#comments Wed, 15 Mar 2017 13:56:15 +0000 Zadie Neufville http://www.envolverde.com.br/?p=220010 Por Zadie Neufville, da IPS –  Kingston, Jamaica, 15/3/2017 – O Caribe já desfruta de seu novo supercomputador de alto rendimento conhecido como Sparks (acrônimo em inglês de Plataforma Científica para a Pesquisa Aplicada e o Intercâmbio de Conhecimento), fundamental para prognosticar as variações do clima e mitigar os efeitos da mudança climática. O Sparks, instalado […]

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Por Zadie Neufville, da IPS – 

Kingston, Jamaica, 15/3/2017 – O Caribe já desfruta de seu novo supercomputador de alto rendimento conhecido como Sparks (acrônimo em inglês de Plataforma Científica para a Pesquisa Aplicada e o Intercâmbio de Conhecimento), fundamental para prognosticar as variações do clima e mitigar os efeitos da mudança climática. O Sparks, instalado no dia 30 de novembro na Universidade das Índias Ocidentais, na Jamaica, já prepara os macrodados necessários para que os países insulares do Caribe não sucumbam ao aquecimento global.

Os especialistas preparam a região para mitigar os devastadores efeitos derivados da mudança climática, como elevação do nível do mar, prolongamento das secas, precipitações mais extremas e crescentes impactos dos ciclones tropicais. As consequências do aquecimento da Terra poderiam dizimar as economias dos Estados em desenvolvimento e de muitos pequenos países insulares, ao reverterem os avanços sociais obtidos nos últimos anos e exacerbarem a pobreza.

Antes de contar com o Sparks, os cientistas da região tinham dificuldades para reunir dados confiáveis, necessários para elaborar projeções climáticas de longo prazo. Há apenas uns meses, a incapacidade da universidade de trabalhar com a informação fazia os pesquisadores terem de processar um único grupo de dados por vez, explicou Jay Campbell, cientista do grupo de estudo do clima.

Cada processamento de dados demorava seis meses, devido à limitada capacidade de armazenamento e à falta de redundância, acrescentou Campbell, afirmando que, “se algo dava errado, simplesmente tínhamos que recomeçar”. Quando foi instalado, o Sparks começou a atender à necessidade de armazenamento, análise, modelação, acesso e difusão de informação climática sobre o Caribe.

No longo prazo, os especialistas poderão elaborar projeções climáticas mais precisas e confiáveis com maior resolução espacial para facilitar, entre outras coisas, o desenho de inovadoras iniciativas-piloto para melhorar a resiliência e depois ampliá-las. Quando Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) elaborar o próximo informe de avaliação, em 2018, haverá muito mais informação sobre o Caribe, o que converte o supercomputador em um instrumento essencial da luta contra a mudança climática.

O Sparks, descrito como um dos mais rápidos do Caribe, não só impulsionou as possibilidades de pesquisa como, segundo o professor principal, Archibald Gordon, “deverá ajudar os governantes da região a tomar melhores decisões no tocante às suas respostas e estratégias de adaptação, a fim de mitigar o impacto da mudança climática”.

Os especialistas destacaram a necessidade de contarem com macrodados para fornecer a informação necessária a fim de melhorar os prognósticos de curto, médio e longo prazos. Agora têm capacidade e habilidade para completar o processamento de dados em apenas dois dias. O sistema ajudará os cientistas a melhorarem a “avaliação dos possíveis riscos e impactos e mitigá-los de forma efetiva, na medida em que construímos uma infraestrutura mais resiliente”, apontou Gordon.

Os cientistas do Caribe utilizam macrodados para elaborar prognósticos sobre as condições de seca para os agricultores e outros interessados do setor. Foto: Zadie Neufville/IPS

 

Quando a Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou, em junho de 2016, que se vivia o “14º mês consecutivo da maior calor registrado em terra e nos oceanos, e o 378º mês consecutivo com temperaturas acima da média do século 20”, os cientistas da região se comprometeram a fornecer a informação que os governos do Caribe necessitam para tomarem as medidas que permitam diminuir as consequências da mudança climática.

A região busca constantemente formas para fortalecer sua capacidade de fornecer dados climáticos precisos e consistentes. Os esforços foram redobrados depois que, em setembro de 2013, uma “análise climática rápida” no Caribe oriental identificou o que ficou conhecido como certo “número de limitações e vulnerabilidades à mudança climática para uma adaptação efetiva”.

O estudo, da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), identificou, entre outras coisas, “a falta de dados climáticos precisos e consistentes para compreender a mudança climática, prognosticar seus impactos e planejar medidas de adaptação”. Para enfrentar o desafio, a OMM e o Instituto de Meteorologia e Hidrologia do Caribe, com fundos da Usaid, criaram o Centro Climático Regional, em Barbados.

A instalação do novo computador é outro passo para superar as limitações. Sua inauguração, por ocasião de uma reunião do IPCC na sede da Jamaica da Universidade das Índias Ocidentais, foi significativa, porque mostrou aos especialistas que o Caribe não estava pronto e não seria capaz de produzir os macrodados necessários para o próximo informe de avaliação de 2018.

O diretor do Grupo Climático do Caribe, professor Michael Taylor, explicou que a credibilidade e a precisão dos dados são obtidas com computadores muito velozes, com rápida devolução de resultados, bem como com capacidade de processar múltiplos conjuntos de dados e maior resolução para produzir a informação que as autoridades da região necessitam.

“A pesquisa climática e os métodos de redução de escala já não estarão limitados pelo computador nem pelos programas de computação”, ressaltou Taylor, tentando, sem êxito, conter a emoção. O Sparks coloca a Jamaica e a Universidade das Índias Ocidentais bem acima de outros países do Caribe anglo-saxão, e ao lado de algumas das maiores instituições do Norte Global.

Essa melhoria na capacidade informática é um valor que atrairá especialistas mais capacitados e estudantes de fora da região. Fundamentalmente, contribui para o esforço da Universidade destinado a se colocar como importante instituição de pesquisa, além de seus estudos sobre os usos medicinais da maconha. “Isso expande as capacidades de pesquisa, uma área em que a Universidade não havia incursionado até agora. Antes, o processamento de macrodados só podia acontecer com colaboradores de fora da região”, explicou Taylor.

Além de sua importância na contribuição com dados valiosos para o informe do IPCC, o Sparks revoluciona as pesquisas de sequenciamento de dados do DNA, médicas e biológicas, entre outras, que são realizadas na Universidade. E o mais importante: os pesquisadores universitários concordam que um supercomputador reúne os esforços das instituições que estão à frente da luta climática regional.

Fica claro que o Sparks representa “um ponto de inflexão e uma grande mudança” para a pesquisa climática em escala regional, bem como para a comunidade acadêmica da Universidade das Índias Ocidentais. Envolverde/IPS

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Oriente Médio pode se tornar inabitável http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/oriente-medio-pode-se-tornar-inabitavel-2/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/oriente-medio-pode-se-tornar-inabitavel-2/#comments Wed, 15 Mar 2017 13:49:28 +0000 IPS http://www.envolverde.com.br/?p=220006 Por Baher Kamal, da IPS –  Roma, Itália, 15/3/2017 – Novos dados confirmam que o Oriente Médio e o norte da África poderiam se tornar inabitáveis em algumas décadas, já que a disponibilidade de água doce diminuiu quase dois terços nos últimos 40 anos, algo que muitos cientistas já temiam. A escassez não afeta apenas o […]

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Por Baher Kamal, da IPS – 

Roma, Itália, 15/3/2017 – Novos dados confirmam que o Oriente Médio e o norte da África poderiam se tornar inabitáveis em algumas décadas, já que a disponibilidade de água doce diminuiu quase dois terços nos últimos 40 anos, algo que muitos cientistas já temiam. A escassez não afeta apenas o já precário fornecimento de água potável na maioria dos 22 países da região, onde vivem quase 400 milhões de pessoas, mas também a disponibilidade desse recurso para a agricultura e a produção alimentar da população em rápido crescimento.

A disponibilidade de água doce por habitante no Oriente Médio e norte da África é dez vezes menor do que a média mundial. Por outro lado, as mais altas temperaturas podem reduzir as safras de cultivos em 18 dias e diminuir os rendimentos agrícolas entre 27% e 55% até o fim deste século. Além disso, os recursos de água doce da região estão entre os menores do mundo e a estimativa é que diminuam mais de 50% até 2050, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Outro problema é que 90% da superfície total de terra está em zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, enquanto 45% da superfície agrícola total está exposta à salinidade, ao esgotamento dos nutrientes do solo e à erosão hídrica do vento, acrescenta a FAO. A agricultura regional utiliza cerca de 85% da água doce disponível, e mais de 60% dos recursos hídricos procedem de zonas externas às fronteiras nacionais e regionais.

O lençol freático está descendo nos oásis do deserto do Egito, o que gera problemas de sustentabilidade. Foto: Cam McGrath/IPS

 

Essa alarmante situação levou o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, a pedir medidas urgentes. O acesso a água é uma “necessidade fundamental para a segurança alimentar, saúde humana e agricultura”, e sua iminente escassez no norte da África e Oriente Médio exige uma “resposta urgente e maciça”, ressaltou em sua visita ao Cairo, onde, no dia 9 deste mês, se reuniu com altas autoridades egípcias.

Enquanto isso, o aumento do nível do mar no delta do Nilo – que abriga as terras mais férteis do Egito – expõe o país mais habitado da região, com quase cem milhões de pessoas, à perda de partes substanciais de sua terra fértil mais produtiva, devido à salinização. “A competição entre os setores pelo uso da água se intensificará no futuro, entre agricultura, energia, produção industrial e as necessidades das famílias”, advertiu Graziano.

O diretor-geral participou de uma reunião de alto nível sobre a colaboração da FAO com o Egito na iniciativa “1,5 milhão de feddan” (equivalente a 0,42 hectare), um plano do governo para recuperar até dois milhões de hectares de terras desérticas para uso agrícola e de outro tipo. “O Egito precisa estudar seriamente a escolha dos cultivos e dos padrões de consumo”, recomendou Graziano, lembrando o possível desperdício de água que representa o cultivo de trigo.

As secas recorrentes destruíram a maioria das colheitas na zona do Sahel. Foto: Kristin Palitza/IPS

Entre as “medidas urgentes” necessárias estão as “destinadas a reduzir a perda e o desperdício de alimentos e reforçar a resiliência dos pequenos camponeses e agricultores familiares, o que exige implantar uma combinação de intervenções de proteção social, investimentos e transferência de tecnologia”, detalhou Graziano. A FAO lidera a Iniciativa de Escassez de Água no Oriente Médio e Norte da África que oferece assessoria em matéria de políticas e ideias de melhores práticas sobre a governança nos sistemas de irrigação e tem apoio de uma rede de mais de 30 organizações nacionais e internacionais.

Vários estudos científicos sobre o impacto da mudança climática em curso na região do Oriente Médio, particularmente na zona do Golfo, já advertiam para o problema. “Neste século, partes da região do Golfo Pérsico poderiam ser afetadas por eventos sem precedentes de calor mortal como resultado da mudança climática, segundo um estudo de modelos climáticos de alta resolução”, alertava uma pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos.

A pesquisa, intitulada O Golfo Pérsico Poderia Experimentar Calor Mortal, revela o que acontecerá se as emissões de gases-estufa se mantiverem iguais às atuais, mas também mostra que a redução das mesmas poderia prevenir esses “extremos mortais da temperatura”. O estudo, publicado pela revista Nature Climate Change, foi elaborado por Elfatih Eltahir, professor de engenharia civil e ambiental do MIT, e Jeremy Pal, da Universidade Loyola Marymount.

Os autores concluíram que as condições na região do Golfo, incluindo suas águas pouco profundas e o sol intenso, a convertem em um “ponto estratégico regional, onde a mudança climática, na falta de mitigação significativa, provavelmente afetará gravemente a habitabilidade humana no futuro”.

Ao aplicar versões de alta resolução de modelos climáticos correntes, Eltahir e Pal descobriram que muitas cidades poderiam superar um ponto de inflexão para a sobrevivência humana, inclusive em espaços sombreados e bem ventilados. Eltahir diz que esse umbral, “pelo que sabemos, nunca foi reportado em nenhum lugar do planeta”. Por sua vez, a última avaliação do IPCC prevê que o clima árido e quente se acentuará na maior parte do Oriente Médio e do norte da África. Envolverde/IPS

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A Argentina e sua longa crise energética http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/a-argentina-e-sua-longa-crise-energetica/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/a-argentina-e-sua-longa-crise-energetica/#comments Tue, 14 Mar 2017 14:45:03 +0000 IPS http://www.envolverde.com.br/?p=219943 Por Daniel Gutman, da IPS –  Buenos Aires, Argentina, 14/3/2017 – Buscar petróleo e gás no mar, ativar as jazidas não convencionais, desenvolver, por fim, as energias renováveis, construir centrais hidrelétricas. Todas as receitas que levam a uma produção maior de energia parecem bem-vindas hoje na Argentina, que nos últimos anos tem suas contas em vermelho […]

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Por Daniel Gutman, da IPS – 

Buenos Aires, Argentina, 14/3/2017 – Buscar petróleo e gás no mar, ativar as jazidas não convencionais, desenvolver, por fim, as energias renováveis, construir centrais hidrelétricas. Todas as receitas que levam a uma produção maior de energia parecem bem-vindas hoje na Argentina, que nos últimos anos tem suas contas em vermelho nesse setor.

O governo do presidente Mauricio Macri tenta reverter uma crise energética que é produto de muito tempo sem investimentos, e que se fez visível a partir de 2010, quando o país perdeu o autoabastecimento de petróleo e gás pela primeira vez em 17 anos. Os hidrocarbonos constituem 87% da matriz energética nacional e também são o insumo fundamental que abastece o sistema elétrico em particular, ao alimentar as centrais térmicas que respondem por 64% da capacidade instalada, segundo dados oficiais.

Macri responsabilizou sua antecessora, Cristina Fernández (2007-2015) pela situação, no dia 1º deste mês, quando abriu o período de sessões ordinárias do Congresso e anunciou: “Depois de uma década de desperdício e corrupção, começamos a normalizar o setor energético”.

Fernández havia admitido a crise energética já em 2012, quando, ao fim de um processo de grave queda na produção e nas reservas de hidrocarbonos, que levou o país a gastar milhares de milhões de dólares em importações, impulsionou a nacionalização da petroleira Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), privatizada 19 anos antes por Carlos Menem (1989-1999). “Se continuarmos assim, seremos um país inviável”, advertiu a ex-presidente ao enviar ao Congresso o projeto de expropriação de 51% das ações da YPF que estavam nas mãos da companhia espanhola Repsol.

Embora a iniciativa tenha sido aprovada rapidamente, desde então a situação não mudou de maneira substancial. Em fevereiro, em pleno verão austral e em meio a uma onda de calor na cidade de Buenos Aires e em outras partes do país, que levou o consumo de eletricidade para além dos 25 mil megawatts (MW), no limite da capacidade do sistema, o governo importou essa energia de Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile, para evitar cortes maciços de luz que fizeram disparar o mau humor social.

Trata-se de um tema muito sensível para o governo de Macri, porque uma de suas primeiras medidas após tomar posse, em dezembro de 2015, foi aumentar as tarifas de eletricidade e gás, que estiveram congeladas durante anos, com o argumento de que foi a energia barata que provocou a falta de investimentos e a deterioração do sistema energético. Esses aumentos tiveram que ser moderados por causa dos questionamentos da opinião pública e, inclusive, por uma série de decisões judiciais.

“O sistema está no limite também para o inverno, porque o gás natural é utilizado para calefação, provocando escassez de combustíveis para as centrais térmicas, que deve ser coberta com a importação de diesel e óleo combustível a preços elevados”, explicou Juan Bosch, advogado especialista em energia e presidente da empresa Saesa. “Há consenso de que a Argentina não tem outra alternativa a não ser ampliar sua oferta energética, como demonstra, por exemplo, o amplo acordo político com que foi aprovada a nova lei de energias renováveis”, apontou à IPS.

O presidente Mauricio Macri, segundo à esquerda, ao apresentar projetos de energia solar junto a outras autoridades. O mandatário anunciou investimentos de US$ 4 bilhões em energias renováveis, como parte do esforço para aumentar a oferta elétrica. Foto: Presidência da Nação

 

Ao contrário de outros países da região, e apesar de ter um notável potencial, especialmente para energia eólica, graças aos fortes ventos na região da Patagônia, a Argentina não desenvolveu até agora as fontes renováveis, cujo peso na matriz elétrica nacional é insignificante. Depois da sanção de duas leis de promoção desse tipo de energia, em 1998 e 2006, que fracassaram rotundamente, o Congresso sancionou, em 2015, uma nova lei que, dessa vez, abre expectativas em setores empresariais e ambientalistas.

Essa norma, que exige que as energias renováveis cubram 20% da demanda elétrica nacional até 2025, foi aprovada nos meses finais do governo de Fernández, com apoio de todos os setores políticos, e foi rapidamente implantada pelo novo governo. “Já entregamos 59 projetos (de energias renováveis) com os quais captaremos a energia em 17 províncias, com investimento privado de aproximadamente US$ 4 bilhões”, afirmou Macri no Congresso.

No entanto, a aposta nas energias renováveis não exclui, mas complementa, a busca por combustíveis fósseis. O governo procura desenvolver o potencial de Vaca Muerta, uma jazida de 30 mil quilômetros quadrados que se estende por quatro províncias, com depósitos de gás e petróleo de xisto, descoberta em 2011 pela YPF. Sua exploração teve início em 2013, depois que a norte-americana Administração de Informação e Energia (EIA) colocou a Argentina como o terceiro país com maiores reservas de hidrocarbonos de xisto, superada apenas pelos Estados Unidos e pela China.

Mas justamente essa jazida, onde petróleo e gás estão presos em rochas a grandes profundidades e são recuperáveis com a polêmica tecnologia da fratura hidráulica, exige investimentos muito elevados, com a desvantagem adicional de nos últimos anos ter ocorrido uma baixa significativa nos preços dos hidrocarbonos. Depois de anunciar, no fim de 2015, um acordo com o sindicato petroleiro para baixar os custos trabalhistas e incentivar a chegada de investimentos a Vaca Muerta, o govenro garantiu este mês, por decreto, um preço máximo para o gás extraído de reservas não convencionais, que está acima dos valores de mercado.

“Junto com os trabalhadores do setor petroleiro, estamos gerando as condições para que a exploração da bacia de petróleo e gás não convencional de Vaca Muerta deixe de ser um potencial e se transforme em uma realidade”, declarou o ministro de Energia, Juan José Aranguren. A busca por hidrocarbonos também inclui a plataforma marinha. Em janeiro, o ministro assinou uma resolução autorizando a YPF a estudar uma área de 360 quilômetros quadrados diante da costa nas províncias de Buenos Aires, Rio Negro e Chubut, no Atlântico.

Já em dezembro, o governo havia encomendado um estudo para medir o interesse de empresas internacionais para explorar o Mar Argentino, como se chama localmente a plataforma continental da oriental costa atlântica do país. O governo também garante que este ano será iniciada a construção de duas gigantescas represas no rio Santa Cruz, na Patagônia, cuja construção, ao custo aproximado de US$ 5 bilhões, foi acordada pela administração anterior e terá financiamento de três bancos estatais chineses.

O projeto foi questionado desde o começo por organizações ambientais, porque o rio Santa Cruz nasce no Lago Argentino, o maior e mais austral da Patagônia, dentro do espetacular Parque Nacional Los Glaciares, uma das principais atrações turísticas do país. No final do ano passado, a Suprema Corte de Justiça considerou que o estudo de impacto ambiental não foi realizado de maneira adequada e ordenou que a obra não começasse, embora o governo prometa uma nova avaliação para poder iniciar o trabalho. Envolverde/IPS

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O dia tem mais horas para as mulheres http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/o-dia-tem-mais-horas-para-as-mulheres/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/o-dia-tem-mais-horas-para-as-mulheres/#comments Tue, 14 Mar 2017 14:36:53 +0000 Sally Nyakanyanga http://www.envolverde.com.br/?p=219939 Por Sally Nyakanyanga, da IPS –  Harare, Zimbábue, 14/3/2017 – O canto do galo desperta Tambudzai Zimbudzana, de 32 anos, que rapidamente dobra suas cobertas e sai de sua casa, com teto de zinco e três cômodos, em Masvingo, uma localidade rural do sudeste do Zimbábue. Ela colhe alguma lenha de uma enorme pilha e prepara […]

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Por Sally Nyakanyanga, da IPS – 

Harare, Zimbábue, 14/3/2017 – O canto do galo desperta Tambudzai Zimbudzana, de 32 anos, que rapidamente dobra suas cobertas e sai de sua casa, com teto de zinco e três cômodos, em Masvingo, uma localidade rural do sudeste do Zimbábue. Ela colhe alguma lenha de uma enorme pilha e prepara fogo para ferver água e fazer a comida para que seu marido se banhe e coma antes de ir para o trabalho de bicicleta.

Zimbudzana chama “Shorai!” Shorai!” Shorai!”, sua filha de 14 anos que ainda dorme e deve ajudá-la com as tarefas diárias. “Meu dia termina normalmente às dez da noite, já que preciso ver se todo o trabalho doméstico está feito, inclusive atender meus seis filhos, antes de poder descansar”, contou à IPS essa mulher que raramente tem tempo para participar de atividades comunitárias.

Muitas mulheres e meninas fazem o trabalho – pesado, desigual e aparentemente natural – de cuidar da família, algo que poucas vezes é reconhecido, não é financeiramente benéfico e está profundamente arraigado na cultura desse país do sul da África.

Constance Huku transporta lenha, na localidade rural de Masvingo, no sudeste do Zimbábue. Foto: Sally Nyakanyanga/IPS

 

“Nos últimos anos, consideráveis evidências e resultados de pesquisas mostram que o investimento no trabalho do cuidado não remunerado – pelos governos, pela sociedade civil e por empregadores – melhora o bem-estar, o gozo dos direitos das mulheres, o desenvolvimento econômico e reduz a desigualdade”, afirmou Anna Giolitto, da organização humanitária Oxfam.

Desde 2014, essa entidade trabalha no Zimbábue para fortalecer os direitos econômicos das mulheres, mediante coleta de dados sobre o trabalho de cuidados não remunerado, a inovação nas intervenções e a influência em políticas e práticas para abordar a atenção como parte do empoderamento feminino.

A Oxfam realizou três programas em três distritos desde 2014, e desenvolveu duas ferramentas para avaliar o trabalho doméstico não remunerado e o cuidado das pessoas nas comunidades, a Análise de Atenção Rápida e a Pesquisa sobre o Cuidado no Lar.

“O objetivo principal é reduzir o tempo ou o trabalho necessários para as tarefas domésticas diárias e o cuidado das pessoas, e assim aumentar a participação das mulheres, seu empoderamento, sua liderança e representação nas esferas públicas e privadas”, explicou Giolitto. Os resultados da pesquisa mostraram que as mulheres fazem de três a seis vezes mais horas de trabalho de cuidados do que os homens.

Segundo a ONU Mulheres, o mundo do trabalho está evoluindo, com importantes consequências e oportunidades para as mulheres devido à globalização e às revoluções tecnológica e digital. Entretanto, a crescente informalidade do trabalho, a instabilidade dos meios de subsistência e da renda, as novas políticas fiscais e comerciais e os impactos ambientais têm um efeito negativo no bem-estar de muitas mulheres em todo o mundo.

Por isso, devem ser abordados no contexto de seu empoderamento econômico. As mulheres que trabalham na economia informal do Zimbábue enfrentam diariamente a hostilidade do contexto econômico e dos funcionários de segurança, inclusive nas aduanas.


Charity Ncube carrega seu filho e um balde de 20 litros de água, na localidade rural de Masvingo, no sudeste do Zimbábue. Foto: Sally Nyakanyanga/IPS

 

“Eles confiscam nossos bens nos postos de fronteira devido à quantidade limitada de mercadorias que pode entrar no país. Acabamos pagando mais aos transportadores para passar uma quantidade razoável pela fronteira”, detalhou Lorraine Sibanda, a presidente da Câmara de Associações da Economia Informal do Zimbábue (ZCIEA). Cerca de 65% de seus integrantes são mulheres, acrescentou.

Segundo Sibanda, as tarifas dos transportadores não são uniformes, por isso pode-se pagar várias vezes pela mesma mercadoria. Além disso, as mulheres envolvidas no comércio transfronteiriço têm de carregar grande peso durante muito tempo, o  que pode ter consequências nocivas para sua saúde. “Pouco ou nulo conhecimento dos trâmites aduaneiros, como a declaração de bens, também colabora para que as comerciantes sejam vítimas dos transportadores desonestos, do pessoal de imigração e de outros elementos que rondam os postos de fronteira para ganhar a vida”, ressaltou.

O Escritório Nacional de Estatísticas do Zimbábue informou que 84% da classe trabalhadora do país pertence ao setor informal e apenas 11% tem emprego formal. A Oxfam não trabalha com mulheres do comércio transfronteiriço no Zimbábue, mas aplica a estratégia dos “quatro erres” para a mudança em seu empoderamento:

  • reconhecer o trabalho de cuidados nas políticas, na comunidade e no lar, para torná-lo visível e valorizado; mudar a ideia de que se trata apenas de uma atividade natural das mulheres, é trabalho;
  • reduzir o trabalho dos cuidados mediante o uso de tecnologias e serviços que economizem tempo;
  • redistribuir a responsabilidade do cuidado de maneira mais equitativa – de mulheres para homens e de famílias para o Estado e empregadores;
  • representar as cuidadoras na tomada de decisões.

“As mulheres serão capazes de fazer mais quando houver homens que compartilhem a responsabilidade dentro da família, bem como quando desempenharem um papel importante nas decisões em seu lar”, destacou Giolitto.

Kelvin Hazangwi, do Padare (Fórum de Homens sobre Gênero), também enfatizou a necessidade de compartilhar o trabalho de cuidados não remunerados, e afirmou que “os homens devem tomar a iniciativa para reduzir o peso do trabalho de cuidados que fazem as mulheres, já que isso tem efeito positivo na família, na comunidade e no país em geral”. O Padare é um fórum de homens que defende a igualdade de gênero no Zimbábue.

A ZCIEA acredita que o setor informal é o futuro, e que políticas econômicas de inclusão de gênero, a formalização do comércio informal, a infraestrutura digna, a proteção social, os serviços de saúde, o reconhecimento dos comerciantes informais como atores econômicos essenciais darão lugar a um crescimento sustentável e inclusivo. Envolverde/IPS

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Estoura a corrupção acumulada na história http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/estoura-a-corrupcao-acumulada-na-historia/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/estoura-a-corrupcao-acumulada-na-historia/#comments Mon, 13 Mar 2017 14:15:01 +0000 Mario Osava http://www.envolverde.com.br/?p=219824 Por Mario Osava, da IPS –  Rio de Janeiro, Brasil, 13/3/2017 – A corrupção é inerente ao sistema político nacional, é o que permite concluir a esmagadora onda de denúncias que veio à luz pela colaboração judicial da Odebrecht, conglomerado empresarial encabeçado pela maior construtora do Brasil. Mas é uma conclusão viciada, que dilui responsabilidades pessoais […]

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Por Mario Osava, da IPS – 

Rio de Janeiro, Brasil, 13/3/2017 – A corrupção é inerente ao sistema político nacional, é o que permite concluir a esmagadora onda de denúncias que veio à luz pela colaboração judicial da Odebrecht, conglomerado empresarial encabeçado pela maior construtora do Brasil. Mas é uma conclusão viciada, que dilui responsabilidades pessoais e favorece a impunidade. Tanto os políticos que receberam subornos como os empresários que as ofereceram se disseram forçados pelas regras do jogo, uns para suprir desvantagens eleitorais, outros como única via para obter contratos públicos.

Setenta e sete dirigentes e ex-dirigentes da Odebrecht aceitaram revelar o que sabem da criminosa relação que mantiveram com os políticos nos últimos dez anos, pelo menos. Estima-se que cerca de 200 parlamentares e governantes estão em sua lista de “beneficiários”. “Uma corrupção implacável sempre esteve presente na história do Brasil, desde sua origem colonial. O que acontece agora é que se destampou o caldeirão, o choque de pela primeira vez julgar gente de poder”, resumiu Roberto Livianu, promotor de Justiça do Estado de São Paulo e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção.

Destapar o caldeirão se deu graças à Operação Lava Jato, iniciada em março de 2014 por uma investigação do Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, sobre operações ilegais de câmbio de um grupo que usava como fachada uma rede de postos de combustível com lava a jato, daí o motivo do nome. A operação cresceu ao identificar o desvio de elevadas somas dos grandes projetos da Petrobras, por meio da cumplicidade entre diretores da empresa, políticos e companhias que conquistaram grandes negócios públicos.

Milhares de milhões de dólares ajudaram as campanhas eleitorais dos grandes e médios partidos para eternizá-los no governo, consagraram coalizões e persuadiram parlamentares a aprovarem leis e emendas de interesse das empresas doadoras. Esse fisiologismo do sistema político foi desnudado pela delação premiada de dezenas de envolvidos, multiplicados desde dezembro pela adesão, de um só golpe, dos 77 da Odebrecht. A Operação Lava Jato descarrilhou esse trem.

Uma das tumultuadas sessões da Câmara de Deputados. Boa parte dos parlamentares brasileiros estão sob suspeita ou são acusados por corrupção. Foto: Nilson Bastian/Câmara dos Deputados

 

“É a luz no fim do túnel, cria um novo modelo de investigação com o trabalho integrado de vários órgãos em forças-tarefa”, comemorou Livianu, reconhecendo, porém, muitos desafios pela frente para um combate efetivo à corrupção. “O grande obstáculo é o foro privilegiado”, disse à IPS, se referindo às prerrogativas de muitas autoridades de serem investigadas e julgadas exclusivamente por tribunais superiores.

“Sem esse foro já estariam presos hoje os senadores Renan Calheiros, Edson Lobão e Romero Jucá”, explicou Livianu. Os três foram ministros em governos anteriores e seguem com importantes funções de liderança no parlamento, embora respondam a dezenas de processos por corrupção, que tramitam com lentidão no Supremo Tribunal Federal (STF).

São mais de 50 mil membros do parlamento, governo e do judiciário beneficiados por esse “resquício monárquico único no mundo, anacrônico e insustentável”, que deve ser abolido com urgência, ressaltou Livianu. Também é necessária uma reforma política para corrigir “o afastamento entre representantes e representados e um Congresso que legisla em causa própria e não pelo bem comum, sem respeitar a sociedade”, pontuou.

Um exemplo desse “desprezo pelo povo” foi a desfiguração na Câmara Federal de uma proposta do Ministério Público assinada por dois milhões  de eleitores, com dez emendas para fortalecer o combate à corrupção, votada com profundas alterações na madrugada de 30 de novembro. O Instituto Não Aceito Corrupção, associação “apartidária” fundada em 2015 por cidadãos de variadas formações em São Paulo, busca acumular conhecimento e fomentar boas práticas “para derrubar a cultura da corrupção”.

“A corrupção sempre existiu no Brasil”, afirma João Pedro Stédile, economista e um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Mas, em sua visão, essa realidade histórica se deve “a uma parte da classe dominante que sempre se apropriou de recursos públicos para suas famílias e empresas, além de evadir impostos e desfrutar de créditos nos bancos oficiais que depois deixam de pagar”. “As grandes empresas devem à previdência social mais de R$ 420 bilhões”, apontou à IPS.

Stédile acrescentou que “o drama dos últimos dez anos, em todo o mundo, como denunciou o papa Francisco, é que as empresas sequestram a democracia e financiam a escolha de seus candidatos. Nas últimas eleições no Brasil, foram gastos R$ 6 bilhões em doações legais”, sem constar as ilegais. “Disso resultou muitos governadores e ampla maioria parlamentar claramente conservadores, a serviço dos interesses do capital”, ressaltou.

Por isso, para Stédile, julgar corruptos, em uma tentativa de prendê-los, nada resolve, embora seja positivo. “A solução seria uma profunda reforma política, que devolva ao povo o direito de eleger seus verdadeiros representantes, sem influência do poder econômico. O atual Congresso, corrupto, não fará essa reforma”, opinou, defendendo a mobilização popular por uma Assembleia Constituinte. E lamentou que “essa mobilização não ocorre porque o povo, atônito, ouve diariamente denúncias sobre corrupção na televisão sem reagir”.

A forte repercussão da Lava Jato acentua a dimensão política da corrupção e das visões partidárias. Foi bandeira da direita na mobilização para destituir Dilma Rousseff em 2016, embora ela não esteja envolvida nos escândalos, mas sim os dirigentes do seu esquerdista Partido dos Trabalhadores (PT), moralista em suas origens. À esquerda interessa debilitar a operação, que tem como um dos principais alvos o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esperança de volta do PT ao poder como candidato presidencial para as eleições de 2018, se uma condenação judicial não o tornar inelegível.

Mas os alvos mais numerosos são hoje os parlamentares da coalizão governante, os 20 partidos que apoiam o presidente Michel Temer, especialmente o PMDB, com ministros e vários senadores sob investigação ou já julgados. Esse quadro gerou uma confrontação entre os poderes Judiciário e Legislativo. A decisão do STF, do dia 7 deste mês, de julgar o senador Valdir Raupp, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), por suspeita de lavagem de R$ 500 mil doados por uma construtora, agravou o conflito.

A doação, registrada no Tribunal Eleitoral, é legal para os parlamentares. Mas o STF reconheceu indícios de que se trata de dinheiro desviado de contratos com a Petrobras. Essa “exageração” acelerou iniciativas do Senado e da Câmara, onde são analisados projetos para impedir a criminalização dessas doações e anistiar os atuais investigados, inclusive por caixa dois, apontou Antônio de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.

O esforço legislativo busca tolerância para o uso eleitoral inclusive de dinheiro ilegal, distinguindo-o de propina para enriquecimento pessoal. É inaceitável porque “burla as regras, golpeia a democracia”, condenou Livianu. Envolverde/IPS

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Comunidade indígena protege a natureza http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/comunidade-indigena-protege-a-natureza/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/comunidade-indigena-protege-a-natureza/#comments Mon, 13 Mar 2017 13:27:00 +0000 IPS http://www.envolverde.com.br/?p=219827 Por Baher Kamal, da IPS –  Roma, Itália, 13/3/2017 – No norte do Monte Quênia há uma comunidade indígena chamada Il Lakipiak Maasai (povo da vida silvestre), que é dona e administra o único santuário de rinocerontes que é propriedade de uma comunidade aborígine nesse país africano. A comunidade conseguiu reduzir os conflitos entre as populações […]

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Por Baher Kamal, da IPS – 

Roma, Itália, 13/3/2017 – No norte do Monte Quênia há uma comunidade indígena chamada Il Lakipiak Maasai (povo da vida silvestre), que é dona e administra o único santuário de rinocerontes que é propriedade de uma comunidade aborígine nesse país africano. A comunidade conseguiu reduzir os conflitos entre as populações humanas e a fauna silvestre que surgiam na região pela intrusão de animais selvagens que buscavam água, presas e pastagem em tempos de seca.

A forma que encontraram para resolver o problema foi deixar de cortar tantos arbustos para que ficasse forragem para os animais em suas terras. Mediante essa estratégia de conservação, esse povo indígena demonstrou que é possível coexistir em harmonia com a fauna silvestre e ao mesmo tempo manter sua cultura e seu estilo de vida pastoril. Não surpreende o fato de que durante milhares e milhares de anos os primeiros habitantes da Terra tiveram de enfrentar enormes desafios e usar a criatividade para sobreviver e conservar seu entorno natural.

Continuam fazendo isso, apesar de os indígenas atuais sofrerem de forma sistemática abusos de direitos humanos, além de serem despojados de suas terras confinados em reservas e tendo desprezados seus conhecimentos tradicionais e suas culturas. Atualmente, a comunidade científica e os especialistas em desenvolvimento reconhecem o papel inestimável que desempenham os povos indígenas no tocante a um dos desafios mais perigosos da história recente: a extinção da diversidade biológica.

Por exemplo, a Organização das Nações Unidas afirma que é fundamental a inclusão ativa dos povos indígenas e das comunidades locais na conservação da vida silvestre para manter a biodiversidade e garantir a sustentabilidade de seus meios de vida rurais.

Para enfrentar o desafio atual de manter a biodiversidade, é necessário empoderar os povos indígenas para que atuem em escala nacional com ajuda da comunidade internacional, afirmou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) por ocasião do Dia Mundial da Vida Silvestre, celebrado no dia 3 deste mês.

“As culturas dos indígenas e das comunidades locais incluem o cuidado da vida silvestre”, explicou Eva Müller, diretora da Divisão de Recursos e Política Florestal da FAO. “Simplesmente não podem imaginar uma vida divorciada da natureza e têm um forte interesse no uso sustentável dos recursos”, acrescentou. O empoderamento desses grupos, junto com seus conhecimentos e suas capacidades de planejamento no longo prazo, é essencial para garantir a sobrevivência das futuras gerações, tanto de humanos como da vida silvestre, destacou.

A relação entre humanos e fauna silvestre é ressaltada na nova edição da Unasylva, publicação trimestral da FAO elaborada pela Associação de Colaboração sobre Manejo Sustentável da Fauna Silvestre, que inclui 14 organizações internacionais. O informe menciona vários casos de estudo de diversos países que ilustram como os povos indígenas podem otimizar os benefícios de seus meios de geração de renda, ao mesmo tempo em que preserva a fauna silvestre sempre e quando podem tomar suas próprias decisões dentro dos limites do território que habitam.

A cultura dos povos indígenas tende a proteger uma boa gestão da fauna silvestre. Na foto, um pastor maasai carrega uma ovelha prenha, em Narok, no Quênia. Foto: FAO

 

Os conflitos entre humanos e fauna silvestre se tornaram cada vez mais frequentes e graves, particularmente na África, pela crescente competição pela terra em áreas desabitadas e agrestes, diz a publicação. E acrescenta que “esse costuma ser o resultado do crescimento das populações humanas, da maior demanda por recursos naturais e da crescente pressão pelo acesso a terra, como ampliação de estradas, da agricultura e da indústria”.

Mais especificamente, a publicação destaca que, no centro e sul da África, a fauna silvestre e as populações humanas continuam compartilhando paisagens e recursos com conflitos, que provavelmente vão piorar se não forem adotadas medidas. A FAO, junto com o francês Centro de Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento (Cirad) e outros sócios, criou a primeira ferramenta para atender conflitos entre humanos e fauna silvestre, que ajudou uma comunidade do Parque Nacional dos Montes de Cristal, no Gabão.

Os agricultores locais estavam bastante descontentes porque, por um lado, animais como ratos da cana, porcos selvagens e elefantes destruíam os cultivos, pondo em risco seu sustento, e, de outro, a legislação proíbe caçar a fauna protegida, seja para comer ou proteger sua plantação.

Grandes organizações dedicadas a preservar a biodiversidade, com União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), concordam que “os povos indígenas e tradicionais são um alvo injusto das práticas e políticas de conservação, que não chegaram a compreender totalmente os direitos e o papel que estes têm na gestão, no uso e na conservação da biodiversidade”.

Segundo numerosos instrumentos internacionais, várias resoluções da UICN destacam os direitos dos indígenas a terrenos, territórios e recursos naturais graças aos quais subsistem há três gerações. Essas resoluções ressaltam a necessidade de se melhorar a participação dos indígenas em todas as iniciativas de conservação e no desenvolvimento de políticas que os afetam. Além disso, reconhecem que as comunidades originais possuem um único corpo de conhecimentos relevante para a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais.

Além disso, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) reconhece a importância da participação dos povos indígenas, bem como a valiosa contribuição que esses portadores de conhecimentos tradicionais, obtidos ao longo de gerações de experiências, observações e transmissão oral, podem dar ao desenvolvimento e à gestão sustentável dos ecossistemas.

“Sua estreita relação e dependência de ecossistemas que funcionem bem deixou os povos indígenas em situação extrema de vulnerabilidade diante das mudanças e dos danos ambientais. O corte de madeira, as atividades de mineração, a contaminação e a mudança climática supõem uma crescente ameaça para seus meios de vida e sua sobrevivência”, ressaltou o Pnuma. Envolverde/IPS

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Poucas mulheres em altos cargos da ONU http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/poucas-mulheres-em-altos-cargos-da-onu/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/poucas-mulheres-em-altos-cargos-da-onu/#comments Fri, 10 Mar 2017 13:32:24 +0000 Thalif Deen http://www.envolverde.com.br/?p=219817 Por Thalif Deen, da IPS –  Nações Unidas, 10/3/2017 – A Organização das Nações Unidas (ONU) é questionada por defender de capa e espada o empoderamento feminino e os direitos das mulheres, e de ser incapaz de colocá-lo em prática dentro de sua própria estrutura. Segurança, o mais poderoso, com poder de veto, se inclinam de […]

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Por Thalif Deen, da IPS – 

Nações Unidas, 10/3/2017 – A Organização das Nações Unidas (ONU) é questionada por defender de capa e espada o empoderamento feminino e os direitos das mulheres, e de ser incapaz de colocá-lo em prática dentro de sua própria estrutura. Segurança, o mais poderoso, com poder de veto, se inclinam de forma esmagadora pelos homens, em detrimento das mulheres, em seus 71 anos de existência.

Além disso, a Secretaria da ONU e suas 35 agências trabalham, sem muito êxito, para implantar uma velha resolução que defende a paridade entre homens e mulheres, especialmente em altos cargos e de decisão. Por ocasião do Dia Internacional da Mulher a ONU publicou o estudo O Status das Mulheres no Sistema das Nações Unidas, de 36 páginas, que atualiza a situação em matéria de igualdade dentro do fórum mundial e assinala a falta de progressos e os desafios que há pela frente.

“Há alguns avanços animadores para a paridade de gênero em todo o sistema das Nações Unidas, embora não seja uniforme e avance em velocidade insuficiente. A mudança que precisamos não ocorrerá sem um enfoque múltiplo e comprometido”, destacou a diretora da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. “A igualdade não é uma questão de estatística. É de mentalidade, mesmo quando a ONU lançou uma campanha mundial em favor da paridade de gênero 50:50 em todos os setores da vida até 2030”, acrescentou.

A ONU conta atualmente com 94 mil funcionários e funcionárias e 78 mil consultores e consultoras no mundo. Segundo o estudo, apenas cinco dos 35 organismos da ONU conseguiram ou superaram a paridade 50:50: ONU Mulheres, com 78,9% de funcionárias, Tribunal Internacional de Justiça, com 57,1%, Onusida com 50,8%, Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (Unesco), com 50,6%, e Organização Mundial do Turismo, com 50%.

A seguir figuram outras 17 entidades da ONU com relação de 40% a 49%, incluída sua Secretaria, e 13 com paridade em torno dos 40%. “Enquanto maior entidade dentro do sistema da ONU, a Secretaria (com sede em Nova York) tem possibilidades de gerar um impacto em toda a organização para o equilíbrio de gênero. Porém, tem a menor representação feminina em todos os níveis do sistema”, diz o estudo.

“Existe uma correlação negativa entre a representação feminina e os cargos mais altos; maiores cargos, menor proporção de mulheres”, acrescenta o documento, que também afirma que “a maior defasagem ocorre entre os (cargos profissionais) P-2 e P-3, e P-4 e P-5, com 12,2% e 5,9%, respectivamente. Essa redução indica que há obstáculos que freiam a carreira das mulheres dentro das Nações Unidas.

Mavic Cabrera-Balleza, coordenadora internacional da Rede Global de Mulheres Construtoras de Paz, observou que “o secretário-geral Kofi Annan em sua época promoveu com força os direitos das mulheres e Ban Ki-moon, seu sucessor, defendeu a igualdade de gênero”. E acrescentou que, “como disse o atual secretário-geral, António Guterres, o objetivo inicial para uma representação equitativa na ONU foi fixada em 2000”. Ele terá um papel fundamental, mas “não podemos depender só dele”, alertou.

Campanha da ONU por um planeta 50-50 até 2030.

 

Além dos países membros, a sociedade civil também tem que desempenhar um papel fundamental na escolha ou recomendar pessoas com experiência e antecedentes em matéria de empoderamento feminino, direitos das mulheres e igualdade de gênero, apontou Cabrera-Balleza.

Sanam Naraghi-Anderlini, uma das fundadoras e diretora executiva da Rede Internacional de Ação da Sociedade Civil (Ican), pontuou à IPS que, em um mundo com crescente número de mulheres com educação terciária e trabalhando, é inconcebível que a ONU não tenha, ou não possa conseguir, a igualdade entre homens e mulheres em todos os níveis de sua estrutura.

“Não é um problema de demanda. Será de fornecimento? Não precisamente, se olharmos os dados duros, para conseguir a paridade para os subsecretários-gerais, o secretário-geral teria que contratar 67,5 mulheres, outras 109 para os de D-2 (diretores), e, para os D-1, 848,5”, afirmou Naraghi-Anderlini. E acrescentou que “pode parecer muito, mas, se olharmos a sociedade civil, o setor privado e muitos governos, as mulheres estão presentes, prontas e dispostas”.

Para conseguir a paridade, muitos dos homens que são profissionais P-4 e P-5 e diretores D-1 e D-2 terão que pagar o preço pelas muitas gerações masculinas que ocuparam esses cargos, frequentemente independente de suas capacidades, observou Naraghi-Anderlini, especialista em questões de gênero e inclusão da equipe de reserva de especialistas da ONU.

Por sua vez, Ian Richards, presidente do comitê coordenador de Associações e Sindicatos Internacionais, disse que “a organização está na época das trevas no tocante a acordos trabalhistas flexíveis, com poucas dependências que ofereçam ou desejem oferecer assistência para o cuidado infantil, e o sistema de promoção carece de objetividade, o que faz com que se enraízem de forma inconsciente preferências e tendências.

Uma das questões que o informe não analisa, mas deveria, é que 30% de seus funcionários são consultores. Seus honorários são negociados individualmente com seus superiores, em lugar de estarem sujeitos a uma escala salarial, e não há pesquisas sobre as diferenças em matéria de remuneração entre homens e mulheres pelo mesmo trabalho.

Cabrera-Balleza se mostrou de acordo com a designação por Guterres de várias mulheres em altos cargos. “Mas me decepciona que as qualificações para tais cargos não incluam experiência em igualdade de gênero. O chamado só menciona ‘grande compromisso com os valores e princípios reitores da ONU e familiaridade com o sistema das Nações Unidas’”, afirmou.

“Os antecedentes em igualdade de gênero deveriam estar explícitos na hora de fazer uma chamada e de contratar alguém, e também nos termos de referência para todos os funcionários da ONU. Não se pode e não se deve assumir que existem”, pontuou Cabrera-Balleza.

“Devemos ter presente que promover o status das mulheres e conseguir a igualdade de gênero no sistema da ONU não é um jogo de números. Precisamos de mulheres e homens que representem os interesses das mulheres, que lutem pelos direitos das mulheres”, explicou Cabrera-Balleza. E ressaltou que “necessitamos ter um histórico, não apenas um compromisso. Qualquer um pode declarar seu compromisso com os direitos das mulheres e a igualdade de gênero, mas só uns poucos têm antecedentes”.

Em um mundo ideal, segundo Naraghi-Anderlini, o secretário-geral deveria assumir este desafio e se concentrar em que apenas os melhores homens e mulheres ingressem, permaneçam e progridam no sistema da ONU. “Todas e todos devem aderir aos valores centrais das Nações Unidas, de direitos humanos iguais, pluralismo e paz. Mas as capacidades e os conhecimentos necessários devem ser tão variados e diversos como as sociedades nas quais busca estar presente e ser efetiva”, ressaltou.

Nove a zero e 68 a três

O primeiro alvo das críticas pela desigualdade de gênero dentro da ONU é a Assembleia Geral, de 193 membros, que só elegeu três mulheres para presidir o plenário: Vijaya Lakshmi Pandit, da Índia (1953), Angie Brooks, da Libéria (1969) e a xequesa Haya Rashed Al-Jalifa, do Bahrein (2006), contra 68 homens que ocuparam o cargo.

Mas, provavelmente, o pior seja o Conselho de Segurança, de 15 membros, que continua elegendo homens para o cargo máximo dentro da ONU, de secretário-geral, com aprovação da Assembleia Geral. E o ano passado talvez tenha sido o pior de todos pelo grande número de candidatas qualificadas.

No caso desse órgão, a disparidade é de zero mulheres contra nove homens que ocuparam o cargo de secretário-geral ao longo da história: Trygve Lie, da Noruega, Dag Hammarskjold, da Suécia, U. Thant, da Birmânia (atualmente Myanmar), Kurt Waldheim, da Áustria, Javier Pérez de Cuellar, do Peru, Boutros Boutros-Ghali, do Egito, Kofi Annan, de Gana, Ban Ki-moon, da Coreia do Sul, e, atualmente, António Guterres, de Portugal. Envolverde/IPS

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Gana quer mais do que assistência http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/gana-quer-mais-do-que-assistencia/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/gana-quer-mais-do-que-assistencia/#comments Fri, 10 Mar 2017 13:29:30 +0000 Kwaku Botwe http://www.envolverde.com.br/?p=219783 Por Kwaku Botwe, da IPS –  Acra, Gana, 10/3/2017 – Gana completou 60 anos esta semana e figura como exemplo de democracia e estabilidade. Porém, atualmente seu crescimento é de apenas 3,6%, o menor em 20 anos, e sua arrecadação tributária representa 18% do produto interno bruto (PIB), a menor proporção entre as economias de renda […]

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Por Kwaku Botwe, da IPS – 

Acra, Gana, 10/3/2017 – Gana completou 60 anos esta semana e figura como exemplo de democracia e estabilidade. Porém, atualmente seu crescimento é de apenas 3,6%, o menor em 20 anos, e sua arrecadação tributária representa 18% do produto interno bruto (PIB), a menor proporção entre as economias de renda média.

Esse país da África ocidental ficou independente da Grã-Bretanha em 6 de março de 1957, e continua cheio de contradições. Aos 60 anos, tem uma dívida de 73% do PIB, uma das maiores dessa região africana; um serviço irregular de eletricidade, que tem consequências negativas no setor empresarial; e o setor informal ainda não está suficientemente formalizado para ampliar a rede fiscal.

Aos 60 anos ainda tem meninos e meninas que estudam debaixo de árvores. Os indicadores econômicos instalaram um debate nacional quanto a ser prudente preservar US$ 4,3 milhões para celebrar o dia da independência. Muitas pessoas afirmam que seria melhor destinar essa quantia para projetos que deixem algum tipo de dividendo econômico, em lugar de gastá-la com pombas e desfiles.

O presidente, Nana Akufo-Addo, respondeu às críticas argumentando que o orçamento para os festejos não sairia dos contribuintes, mas do setor empresarial. Além disso, o presidente do comitê organizador, de 30 membros, se apressou em acrescentar que trabalhariam de forma voluntária. Mas algumas pessoas demonstraram reservas com essas declarações, talvez por considerarem que nos festejos dos 50 anos houve malversação de fundos e uma enorme corrupção. Há dez anos, foram gastos mais de US$ 60 milhões.

Patrick Stephenson, diretor do Centro para Assuntos Políticos e Governança Econômica do grupo de estudo Imani-Ghana, quer que o governo publique os nomes de todas as companhias que asseguraram sua participação, bem como a quantia que prometeram entregar, a fim de garantir a responsabilidade e a transparência. Ele considera que essa “é a única forma de garantir que uma entidade corporativa não aproveite para conseguir contratos de forma indevida, apenas por participar desse evento”.

A independência sempre foi comemorada com desfiles das forças de segurança, de sindicatos, comerciantes e estudantes, entre outros. Os festejos, que costumam começar com uma chama sendo acesa, também contam com a inspeção, pelo presidente, da guarda montada em sua honra.

Stephenson quer que os organizadores sejam criativos e usem formas inovadoras para projetar e desenvolver certos aspectos da economia e cultura do país. “Por exemplo, o cacau, um de nossos cultivos comerciais, poderia ser o tema do ano de uma das comemorações na qual se revise a história, os desafios, a situação atual e que se possa fixar objetivos sobre como aumentar sua produção”, sugeriu.

“Os desfiles são divertidos, mas não é necessário estar parado e saudar. Deve-se evitar a desnecessária desidratação das crianças”, observou Ete Skanku, especialista em comunicação. “Deve-se participar de outra forma. Promovendo uma grande iniciativa nacional de forma prática ou dar significado e vida a um projeto nacional, acrescentou.

Em Acra, artista produz um grafite do líder independentista de Gana, Kwame Nkrumah. Foto: Kwaku Botwe/IPS

 

Nesse dia é feriado, mas a maioria das pessoas no setor informal, especialmente os comerciantes, não pode deixar de trabalhar. No distrito comercial dessa capital, estes seguem com suas atividades. Mas acreditam que é um dia para festejar porque o orçamento nacional, apresentado pelo ministro das Finanças há alguns dias, parece animador.

O governo revogou nove impostos, sobre a importação de peças de reposição e outro especial para o petróleo, com o argumento de que são pesados, “com poucas possibilidades de gerar renda, e ao mesmo tempo supõem uma carga significativa para o setor privado e para o cidadão médio”.

“Essas medidas ajudarão muito os empresários, e a política de uma fábrica por distrito do novo governo, se for implantada, permitirá que alguns de nós voltemos aos nossos povoados para buscar trabalho, porque em Acra destinamos uma boa parte de nossa renda para pagar o aluguel”, disse Francis Agyei, de 32 anos, que ganha a vida vendendo roupa de segunda mão nesta capital. “Se estivesse em meu povoado não teria que pagar aluguel e usaria o dinheiro para outras coisas”, acrescentou.

Mas o especialista do departamento de economia da Universidade de Gana, Owusu Adu Sarkodie, opinou que os desejos de Agyei só se concretizarão se os responsáveis pela economia e pelos recursos fizerem as coisas de forma diferente. Para ele, as autoridades devem aumentar a base de impostos para cobrir a maioria das pessoas e abandonar a mentalidade de endividamento.

“Não temos que continuar pedindo emprestado pelo simples fato de pedir. Mesmo tendo de pedir empréstimos, devemos usar o dinheiro com prudência. Se analisarmos a dívida pública atual, a maior parte foi para o consumo”, explicou Sarkodie. “Por exemplo, no ano passado pedimos emprestados mais de US$ 3,6 bilhões e investimos apenas US$ 1,483 bilhão. Onde está o restante? No consumo”, acrescentou.

Se palavras fossem ações, as que o presidente proferiu em seu discurso inaugural sobre o Estado da Nação no parlamento deveriam levar esperança à população. “Implantaremos políticas para promover o desenvolvimento sustentável e terminar com a corrupção. Marcaremos um caminho para construir uma Gana que não dependa da caridade, uma Gana que possa cuidar de sua população mediante uma gestão inteligente dos recursos que possui”, declarou Akufo-Addo há algumas semanas.

“Esta Gana se define por sua integridade, soberania, costumes comuns, disciplina e valores compartilhados. Nela apostamos ser artífices de nosso próprio destino, mobilizar nossos próprios recursos para o futuro, romper as cadeias da economia colonial (do administrador britânico Gordon) ‘Guggisberg’ e a mentalidade de dependência, resgates bancários e extração”, acrescentou.

“É uma economia na qual olhamos para além de nossas matérias básicas para nos colocarmos no mercado global. É um país em que nos concentramos no comércio, não na assistência, em apoiar, não em retirar a ajuda. É um país com um setor privado forte. É uma Gana que vai além da assistência”, ressaltou o presidente. Envolverde/IPS

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A mulher no mutável mundo do trabalho http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/a-mulher-no-mutavel-mundo-do-trabalho/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/03/ultimas-noticias/a-mulher-no-mutavel-mundo-do-trabalho/#comments Wed, 08 Mar 2017 14:22:53 +0000 Phumzile Mlambo-Ngcuka http://www.envolverde.com.br/?p=219675 Por Phumzile Mlambo-Ngcuka, da IPS – Nova York, Estados Unidos, 9/3/2017 – Em todo o mundo, muitas mulheres e meninas dedicam um número excessivo de horas às tarefas do lar; habitualmente, destinam a esse trabalho mais que o dobro do tempo dedicado por homens e meninos. Elas cuidam das irmãs e dos irmãos, dos familiares idosos, […]

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Por Phumzile Mlambo-Ngcuka, da IPS –

Nova York, Estados Unidos, 9/3/2017 – Em todo o mundo, muitas mulheres e meninas dedicam um número excessivo de horas às tarefas do lar; habitualmente, destinam a esse trabalho mais que o dobro do tempo dedicado por homens e meninos. Elas cuidam das irmãs e dos irmãos, dos familiares idosos, dos doentes da família, e fazem os trabalhos da casa.

Em muitos casos, essa divisão desigual do trabalho ocorre à custa do aprendizado das mulheres e meninas, e de suas possibilidades de obter um trabalho remunerado, praticar esporte ou serem líderes cívicas ou comunitárias. Isso determina os padrões de desvantagens e vantagens, a posição das mulheres e dos homens na economia, suas aptidões e os lugares de trabalho.

Este é o mundo imutável do trabalho sem recompensa, uma cena familiar de futuros desoladores em todo o mundo; as meninas e suas mães sustentam a família com trabalho não pago e sua trajetória de vida é muito diferente da dos homens da casa.

Trabalhadoras da construção, em uma obra no Rio de Janeiro. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

 

Queremos construir um mundo do trabalho diferente para as mulheres. Na medida em que crescem, as meninas devem ter a possibilidade de acesso a uma ampla variedade de carreiras, e devem ser incentivadas a realizar escolhas que as levem para além das opções tradicionais nas áreas de serviço e cuidado, e que lhes permitam conseguir empregos na indústria, na arte, no serviço público, na agricultura moderna e na ciência.

Temos que iniciar a mudança na família e na fase escolar mais precoce, para que não haja nenhum lugar no ambiente de uma menina ou um menino em que aprendam que as meninas devem ser menos, ter menos e sonhar em menor escala do que os homens.

Isso exigirá ajustes na criação, nos programas de estudos, nos ambientes educacionais e nos canais que transmitem os estereótipos cotidianos, como televisão, publicidade e diversos tipos de espetáculos. Além disso, será necessário dar passos decididos para proteger as meninas menores das práticas culturais nocivas, como o casamento precoce e todas as formas de violência.

As mulheres e as meninas devem estar preparadas para serem parte da revolução digital. Atualmente, apenas 18% dos títulos de graduação em ciências da computação correspondem a mulheres. Em todo o mundo é necessária uma mudança significativa na educação das meninas, que terão que cursar matérias principais (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) se quiserem competir com êxito pelos “novos empregos” bem remunerados. Na atualidade, as mulheres representam apenas 25% da força de trabalho da indústria digital.

Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres. Foto: Devra Berkowitz/ONU

Segundo o Grupo de Alto Nível sobre Empoderamento Econômico das Mulheres, do secretário-geral das Nações Unidas, para conseguir a igualdade no local de trabalho será preciso ampliar as oportunidades de emprego e de trabalho decente.

Para isso, os governos deverão realizar esforços concertados para promover a participação das mulheres na vida econômica; os coletivos importantes, como os sindicatos, terão que dar seu apoio, e se deverá dar lugar à voz das próprias mulheres para gerar soluções que permitam superar as barreiras atuais para a participação das mulheres.

Há muito em jogo: no caso de se conseguir avançar na igualdade de gênero será possível dar um impulso ao PIB mundial de US$ 12 bilhões até 2025.

Também é preciso atuar com determinação para eliminar a discriminação que as mulheres encontram em múltiplas frentes, que convergem para além do tema do gênero: a orientação sexual, a deficiência, a idade avançada e a raça.

Esses fatores contribuem para a desigualdade salarial: a brecha salarial de gênero é, em média, de 23%, mas aumenta para 40% no caso das mulheres afro-americanas nos Estados Unidos. Na União Europeia, as mulheres de idade avançada têm 37% mais probabilidades de viverem na pobreza do que os homens de mesma faixa etária.

Devemos conseguir que funcionem melhor para as mulheres aquelas áreas de atividade em que já estão excessivamente representadas mas recebem baixa remuneração, além de contar com escassa ou nenhuma proteção social.

Trata-se, por exemplo, de que exista uma economia do cuidado sólida – que atenda as necessidades das mulheres e as empregue em troca de uma remuneração –, de serem aplicadas condições de trabalho igualitárias para o trabalho remunerado ou não remunerado das mulheres, e do apoio às mulheres empresárias, incluindo seu acesso ao financiamento e aos mercados.

As mulheres que trabalham no setor informal também precisam que sua contribuição seja reconhecida e protegida. Isso exige políticas macroeconômicas propícias que contribuam para um crescimento inclusivo e permitam uma aceleração considerável do progresso, em beneficio dos 770 milhões de pessoas que vivem na extrema pobreza.

Para enfrentar as injustiças é necessário resolução e flexibilidade por parte dos que empregam, tanto no setor público como no privado. Será preciso oferecer incentivos para contratar e reter as trabalhadoras, como, por exemplo, uma ampliação do auxílio-maternidade para as mulheres, com o objetivo de apoiar também sua reinserção ao trabalho, adoção dos princípios para o empoderamento das mulheres e a representação direta nos níveis de tomada de decisões.

Junto com isso, deverá haver mudanças importantes no auxílio para os pais recentes, além de mudanças culturais que façam da aceitação da licença paternidade uma opção viável e, por fim, um benefício real para toda a família. Em meio a essa trama complexa, também são necessárias algumas mudanças simples mas de grande envergadura: que os pais se ocupem da criação, que as mulheres participem e que as meninas tenham a liberdade de crescer em igualdade com os meninos.

É preciso que todas as partes façam ajustes, se desejam aumentar o número de pessoas que pode obter um trabalho decente, conseguir que esse conjunto de pessoas seja inclusivo, e tornar realidade os benefícios para todas e todos previstos na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com a promessa de um mundo igualitário. Envolverde/IPS

* Este artigo de Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres, integra a cobertura especial da IPS por ocasião do Dia Internacional da Mulher.

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