IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Wed, 18 Oct 2017 20:49:42 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.16 Papa Francisco: fim da fome exige compromisso contra as mudanças climáticas e contra as guerras http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/10/ultimas-noticias/papa-francisco-fim-da-fome-exige-compromisso-contra-as-mudancas-climaticas-e-contra-as-guerras/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/10/ultimas-noticias/papa-francisco-fim-da-fome-exige-compromisso-contra-as-mudancas-climaticas-e-contra-as-guerras/#comments Wed, 18 Oct 2017 20:49:42 +0000 Correspondentes da IPS http://envolverde.cartacapital.com.br/?p=223978 Nações Unidas –  Combater a fome exige lutar contra as mudanças climáticas e prevenir conflitos, defendeu o papa Francisco neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação. Em cerimônia na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, o líder da Igreja Católica descreveu como “infeliz” a decisão de alguns países de se retirar do Acordo de Paris   Combater a fome exige lutar contra as mudanças climáticas e prevenir conflitos, defendeu o papa Francisco neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação. Em cerimônia na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, o líder da Igreja Católica descreveu como “infeliz” a decisão de alguns países de se retirar do Acordo de Paris. Em 2017, a data está sendo observada pela ONU com um alerta — a fome voltou a aumentar, afetando 815 milhões de pessoas em 2016. O número representa uma alta de mais de 38 milhões de indivíduos na comparação com 2015. O crescimento, segundo as Nações Unidas, foi causado pela proliferação de conflitos e de eventos climáticos extremos — ambos os tipos de fenômenos associados também a deslocamentos populacionais. “Está claro que as guerras e as mudanças climáticas são algumas das causas da fome. Logo, não apresentemos a fome como se se tratasse de uma doença incurável”, afirmou Francisco em pronunciamento na FAO. O chefe do Vaticano fez ainda um apelo a líderes mundiais, para que garantam a segurança dos migrantes, se comprometam com o desarmamento e protejam o planeta conforme utilizem os recursos naturais para a produção e consumo de alimentos. O papa descreveu como “infeliz” a decisão de alguns Estados-membros da ONU de abandonar o Acordo de Paris. “O que está em jogo é a credibilidade de todo o sistema internacional”, disse o pontífice. Lembrando as negociações do Pacto Global para a Migração Segura, Regular e Ordenada, Francisco defendeu que o gerenciamento da mobilidade humana “requer ações coordenadas, sistemáticas e intergovernamentais, em acordo com as normas internacionais (já) existentes, e plenas de amor e de inteligência”. Para marcar o dia mundial, a FAO escolheu o tema “Mudar o futuro da migração. Investir em segurança alimentar e desenvolvimento rural”. “É nossa meta abordar as causas da migração, como pobreza, insegurança alimentar, desigualdade, desemprego e falta de proteção social”, explicou o diretor-geral da agência da ONU, José Graziano da Silva, durante o evento. “Acreditamos firmemente que aumentar investimentos em segurança alimentar, no desenvolvimento rural sustentável e em esforços para adaptar a agricultura às mudanças climáticas ajudará a criar as condições por meio das quais as pessoas, especialmente os jovens, não mais terão de ser forçadas a abandonar suas terras para buscar uma vida melhor em outro lugar”, acrescentou o dirigente. Também presente no encontro na capital italiana, David Beasley, diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA), disse que o maior problema do mundo é “o conflito produzido pelo homem”. Segundo o chefe da agência humanitária, situações de confronto armado consomem 80% do orçamento do […]

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Nações Unidas – 

Combater a fome exige lutar contra as mudanças climáticas e prevenir conflitos, defendeu o papa Francisco neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação. Em cerimônia na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, o líder da Igreja Católica descreveu como “infeliz” a decisão de alguns países de se retirar do Acordo de Paris

Em 2017, a data está sendo observada pela ONU com um alerta — a fome voltou a aumentar, afetando 815 milhões de pessoas em 2016. O número representa uma alta de mais de 38 milhões de indivíduos na comparação com 2015. O crescimento, segundo as Nações Unidas, foi causado pela proliferação de conflitos e de eventos climáticos extremos — ambos os tipos de fenômenos associados também a deslocamentos populacionais.

“Está claro que as guerras e as mudanças climáticas são algumas das causas da fome. Logo, não apresentemos a fome como se se tratasse de uma doença incurável”, afirmou Francisco em pronunciamento na FAO.

O chefe do Vaticano fez ainda um apelo a líderes mundiais, para que garantam a segurança dos migrantes, se comprometam com o desarmamento e protejam o planeta conforme utilizem os recursos naturais para a produção e consumo de alimentos. O papa descreveu como “infeliz” a decisão de alguns Estados-membros da ONU de abandonar o Acordo de Paris. “O que está em jogo é a credibilidade de todo o sistema internacional”, disse o pontífice.

Lembrando as negociações do Pacto Global para a Migração Segura, Regular e Ordenada, Francisco defendeu que o gerenciamento da mobilidade humana “requer ações coordenadas, sistemáticas e intergovernamentais, em acordo com as normas internacionais (já) existentes, e plenas de amor e de inteligência”.

Para marcar o dia mundial, a FAO escolheu o tema “Mudar o futuro da migração. Investir em segurança alimentar e desenvolvimento rural”. “É nossa meta abordar as causas da migração, como pobreza, insegurança alimentar, desigualdade, desemprego e falta de proteção social”, explicou o diretor-geral da agência da ONU, José Graziano da Silva, durante o evento.

“Acreditamos firmemente que aumentar investimentos em segurança alimentar, no desenvolvimento rural sustentável e em esforços para adaptar a agricultura às mudanças climáticas ajudará a criar as condições por meio das quais as pessoas, especialmente os jovens, não mais terão de ser forçadas a abandonar suas terras para buscar uma vida melhor em outro lugar”, acrescentou o dirigente.

Também presente no encontro na capital italiana, David Beasley, diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA), disse que o maior problema do mundo é “o conflito produzido pelo homem”. Segundo o chefe da agência humanitária, situações de confronto armado consomem 80% do orçamento do organismo internacional — o que equivale a mais de 6 bilhões de dólares.

“Eu chamo aqueles no poder, as pessoas com as armas, a pararem com o conflito agora”, afirmou Beasley, lembrando suas recentes viagens ao Iêmen, Sudão do Sul e Bangladesh. “Eu vi os ferimentos deles (da população afetada) com os meus próprios olhos e ouvi suas histórias com as minhas próprias lágrimas. Eles estavam apavorados, com fome e malnutridos após suportarem um pesadelo que a maioria das pessoas mal pode imaginar.”

O chefe do PMA acrescentou que, “se vamos verdadeiramente erradicar a fome, temos que parar esse tipo de desumanidade”.

O diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), William Lacy Swing, também se pronunciou para a data, descrevendo a ação contra as mudanças climáticas como “primordial”. Segundo o dirigente, as mudanças climáticas estão entre as “principais razões para os números recordes de pessoas obrigadas a migrar de zonas rurais para cidades em todo o mundo”.

Em 2018, a OIM e a FAO copresidirão o Grupo de Migração Global da ONU e defenderão a máxima de que “a migração deve ser uma escolha e não uma necessidade”. As duas agências da ONU trabalharão juntas para fortalecer a resiliência de comunidades do campo que estão mais suscetíveis aos fenômenos naturais extremos.

“É uma cooperação que eu acho que continuará crescendo e se fortalecendo, uma vez que a migração continuará a ser uma mega-tendência no mundo, tornando-se (um fenômeno) ainda maior com os efeitos cada vez piores das mudanças climáticas.” (Nações Unias/Envolverde)

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Com a Rota da Seda, a China entra no vácuo aberto por Trump http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/07/ultimas-noticias/com-a-rota-da-seda-a-china-entra-no-vacuo-aberto-por-trump/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/07/ultimas-noticias/com-a-rota-da-seda-a-china-entra-no-vacuo-aberto-por-trump/#comments Thu, 20 Jul 2017 19:31:12 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=222387 por Carlos Drummond, especial para Carta Capital  —  Pequim conecta 66 países em três continentes com o canteiro de obras global. O Brasil de Temer despreza os investimentos O Deutsche Bank, maior banco da Alemanha, anunciou em maio sua participação, com 3 bilhões de dólares, no financiamento do projeto chinês das novas Rotas da Seda, de conexão com países da Ásia, África e Europa por ferrovias e estradas, ao Norte, e por mar, ao Sul. A decisão, que deverá ser acompanhada de iniciativas semelhantes de várias instituições financeiras, é uma resposta positiva ao chamamento do presidente Xi Jinping de unir aquele que é considerado o maior programa de infraestrutura do mundo ao plano europeu de investimento, conhecido como Plano Juncker. Além de vias de transporte, serão construídos portos, aeroportos, barragens, dutos de petróleo e gás, obras para geração e distribuição de eletricidade e telecomunicações, sistemas de água e esgoto e habitações. DPA/FotoArena A união dos projetos chinês e europeu de investimentos significa a ocupação de parte do espaço deixado com o abandono, pelos Estados Unidos, por iniciativa de Donald Trump, dos tratados Transatlântico e Transpacífico, propostos pelo ex-presidente Barack Obama para barrar a influência econômica do país oriental no mundo. A decisão do Deutsche Bank foi anunciada duas semanas depois da realização do Belt and Road Forum, em Pequim, sobre as Rotas da Seda, convocado por Xi Jinping e prestigiado por 29 chefes de Estado, inclusive o presidente Vladimir Putin, da Rússia. A América Latina foi representada por dois presidentes, Mauricio Macri, da Argentina, e Michelle Bachelet, do Chile. O Brasil enviou só seu secretário da Presidência da República. O pouco caso brasileiro para com o projeto chinês, considerado a maior oportunidade de investimentos e negócios internacionais das últimas décadas e de grande significado político e diplomático, ocorre no quarto ano de economia doméstica estagnada, sem que o governo consiga colocar em pé nem mesmo seu acanhado programa de infraestrutura. Lançada em 2013, a iniciativa adota o mesmo nome da estrada construída entre 206 a.C. e 220 d.C., durante a dinastia Han, e tem potencial para ser a maior plataforma mundial de colaboração regional, segundo Kevin Sneader, presidente da consultoria McKinsey na Ásia. Abrange 66 países, com 65% da população do planeta, cerca de um terço do PIB e um quarto de todo o transporte de mercadorias e serviços. Só no ano passado, os projetos e negócios realizados geraram 494 bilhões de dólares, contabiliza a consultoria PwC. Números preliminares da McKinsey indicam que os novos empreendimentos anunciados em 2016 somaram 400 bilhões de dólares, valor 2,1% acima do previsto, mas eles podem superar em mais de 10% as projeções, prevê a consultoria. A PwC estima que a China gastou o equivalente a 3 trilhões de dólares em infraestrutura no ano passado, valor 10% acima de 2015 e 40% superior à média dos últimos cinco anos. Os investimentos fazem parte da estratégia definida por Pequim para enfrentar tanto as dificuldades econômicas internas quanto a Grande Recessão mundial e tem força suficiente para conduzir a uma nova […]

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por Carlos Drummond, especial para Carta Capital  — 

Pequim conecta 66 países em três continentes com o canteiro de obras global. O Brasil de Temer despreza os investimentos
Deutsche Bank, maior banco da Alemanha, anunciou em maio sua participação, com 3 bilhões de dólares, no financiamento do projeto chinês das novas Rotas da Seda, de conexão com países da Ásia, África e Europa por ferrovias e estradas, ao Norte, e por mar, ao Sul.

A decisão, que deverá ser acompanhada de iniciativas semelhantes de várias instituições financeiras, é uma resposta positiva ao chamamento do presidente Xi Jinping de unir aquele que é considerado o maior programa de infraestrutura do mundo ao plano europeu de investimento, conhecido como Plano Juncker. Além de vias de transporte, serão construídos portos, aeroportos, barragens, dutos de petróleo e gás, obras para geração e distribuição de eletricidade e telecomunicações, sistemas de água e esgoto e habitações.

DPA/FotoArena
Putin China
Na reunião de cúpula em Pequim, Xi Jinping, o anfitrião, Vladimir Putin, presidentes de vários países e um funcionário brasileiro do 3º escalão

A união dos projetos chinês e europeu de investimentos significa a ocupação de parte do espaço deixado com o abandono, pelos Estados Unidos, por iniciativa de Donald Trump, dos tratados Transatlântico e Transpacífico, propostos pelo ex-presidente Barack Obama para barrar a influência econômica do país oriental no mundo.

A decisão do Deutsche Bank foi anunciada duas semanas depois da realização do Belt and Road Forum, em Pequim, sobre as Rotas da Seda, convocado por Xi Jinping e prestigiado por 29 chefes de Estado, inclusive o presidente Vladimir Putin, da Rússia. A América Latina foi representada por dois presidentes, Mauricio Macri, da Argentina, e Michelle Bachelet, do Chile. O Brasil enviou só seu secretário da Presidência da República.

O pouco caso brasileiro para com o projeto chinês, considerado a maior oportunidade de investimentos e negócios internacionais das últimas décadas e de grande significado político e diplomático, ocorre no quarto ano de economia doméstica estagnada, sem que o governo consiga colocar em pé nem mesmo seu acanhado programa de infraestrutura.

Lançada em 2013, a iniciativa adota o mesmo nome da estrada construída entre 206 a.C. e 220 d.C., durante a dinastia Han, e tem potencial para ser a maior plataforma mundial de colaboração regional, segundo Kevin Sneader, presidente da consultoria McKinsey na Ásia. Abrange 66 países, com 65% da população do planeta, cerca de um terço do PIB e um quarto de todo o transporte de mercadorias e serviços.

Só no ano passado, os projetos e negócios realizados geraram 494 bilhões de dólares, contabiliza a consultoria PwC. Números preliminares da McKinsey indicam que os novos empreendimentos anunciados em 2016 somaram 400 bilhões de dólares, valor 2,1% acima do previsto, mas eles podem superar em mais de 10% as projeções, prevê a consultoria.

Banco de Investimento em Infraestrutura, criado pela China, é um dos financiadores das obras (Foto: Li Xin/Xinhua via Zuma/FotoArena)

A PwC estima que a China gastou o equivalente a 3 trilhões de dólares em infraestrutura no ano passado, valor 10% acima de 2015 e 40% superior à média dos últimos cinco anos. Os investimentos fazem parte da estratégia definida por Pequim para enfrentar tanto as dificuldades econômicas internas quanto a Grande Recessão mundial e tem força suficiente para conduzir a uma nova etapa da globalização, avaliam vários economistas.Marcos Antonio Macedo Cintra, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Eduardo Costa Pinto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explicam a estratégia no artigo “China em Transformação: Transição e Estratégias de Desenvolvimento”. Apesar da desaceleração, dizem, a economia chinesa permanece uma das mais dinâmicas do mundo e continua a criar entre 12 milhões e 13 milhões de postos de trabalho urbanos ao ano.

Com o aumento da taxa de investimento, de 40% do PIB para 47%, entretanto, o crescimento ficou desequilibrado, pois gera capacidade ociosa em inúmeros setores produtivos e passa a depender da construção de obras gigantescas, da expansão do mercado imobiliário, do endividamento das províncias e dos governos locais, bem como da elevada alavancagem de alguns segmentos dos setores bancário e não bancário.

Busca-se, assim, um novo regime de crescimento sustentável, ancorado em um dinamismo menos intensivo em capital e em energia, e ainda um novo contrato social (um Estado de Bem-Estar Social com características chinesas) para a redução das desigualdades sociais e regionais e a implementação de maior cobertura no sistema de saúde pública e de previdência, sublinham os economistas.

A provisão de bens públicos universais, o desenvolvimento de uma urbanização e uma industrialização com menor impacto sobre o meio ambiente, a ampliação da renda e do consumo da população são os pilares do planejamento estratégico que visa reformar o regime de crescimento nos próximos anos.

“Esse caminho de desenvolvimento, ainda em construção, pressupõe um processo de aprendizado contínuo com avanços e recuos. Articula uma estratégia nacional, inserida regional e globalmente, que visa tornar a China um país moderno, rico e poderoso. As políticas macroeconômica, industrial, de ciência e tecnologia, externa e de segurança são direcionadas pelo Estado para a construção de uma estabilidade política, a melhora das condições de vida do povo chinês e a reconquista de uma posição internacional autônoma.”

Os megaprojetos internacionais de infraestrutura são, conforme destacado acima, um dos eixos da transição interna e, ao mesmo tempo, da redefinição das relações com o restante do mundo, por desencadearem um processo de reconfiguração da ordem global. Não se trata, entretanto, de uma opção tirada da cartola, como provavelmente imaginam aqueles analistas incansáveis na elaboração reiterada de previsões furadas de derrocada do país asiático por insubmissão ao livre-mercado.

“A construção de infraestrutura para fomentar o comércio e a estabilidade social foi uma pedra fundamental da própria prosperidade de longo prazo da China durante mais de 2 mil anos. A política recentemente enunciada baseia-se na história de antigas redes de comércio e transmissão de cultura entre esse país, a Ásia Central e o Sudeste Asiático. A Europa está no longínquo terminal Oeste dessas redes”, explica o economista Peter Nolan, professor da Universidade de Cambrige e consultor do governo chinês, no livro Understanding China: The Silk Road and the Communist Manifesto.

O trem Golden Eagle percorre trecho recém-construído da nova Estrada da Seda, entre a Ásia e a Europa

O governo não abre mão da estratégia político-econômica nem da sua permanente revisão e reformulação, em sintonia com a dinâmica da realidade. A planificação estratégica visa à harmonia, ou seja, o equilíbrio de forças, destacam Cintra e Pinto. Nesse sentido, os interesses privados ou capitalistas não devem ser poderosos o suficiente para ameaçar a supremacia incontestável do Estado, que mantém amplo conjunto de empresas e bancos públicos e regula rigorosamente diversas esferas econômicas e as relações com o exterior.“Os mecanismos de mercado – a taxa de juros, a taxa de câmbio, a tributação, os preços – são considerados um instrumento e não um fim em si mesmos e a abertura assume a condição de eficácia que conduz a uma diretriz operacional, qual seja, alcançar e ultrapassar os concorrentes estrangeiros”, esclarecem os autores do artigo.

As adequações da estratégia ocorrem por meio de reformas, que consistem em mudanças feitas de modo integrado, como detalham os economistas Michel Aglietta e Guo Bai, no livro China’s Development: Capitalism and Empire: “A reforma é a transformação conjunta de estruturas e instituições econômicas. É pluralista e alimenta-se das contradições que gera, em um processo interminável. Não tem qualquer referência em relação a qualquer modelo ideal.

O seu significado não é teleológico; é imanente à prática histórica. Graças à continuidade da liderança política, a reforma pode ser gradual, informada por uma visão de longo prazo e testada no experimento pragmático. O planejamento estratégico visa à harmonia, que é o equilíbrio de forças que contribui para reforçar a soberania do Estado. Consequentemente, interesses capitalistas nunca serão tão poderosos a ponto de ameaçar a supremacia primordial do Estado. É por isso que o Estado mantém um grande domínio de propriedade soberana e regula firmemente as finanças”.

O avanço chinês foi muito além das elucubrações ocidentais. Transcorrido um quarto de século desde as reformas iniciadas entre 1989 e 1990, chama atenção Nolan, o cenário parece muito diferente daquele amplamente previsto e desejado no Ocidente. “O colapso do ‘Império do Mal’ na União Soviética não foi seguido pelo colapso do regime do Partido Comunista na China.

A ‘mudança de regime’, que muitas pessoas ainda esperam e trabalham para acontecer, não ocorreu. O PCC tem 87 milhões de integrantes e em 2021 celebrará o centenário da sua fundação. Sob seu comando o país experimenta a era mais notável de crescimento e desenvolvimento da história moderna. Sob o guarda-chuva protetor da estabilidade política e social, conquistou três décadas de crescimento em alta velocidade.”

Com o controle absoluto sobre o sistema político, o Partido Comunista Chinêsrestaurou a legitimidade anteriormente personificada no imperador, acrescentam Cintra e Pinto. Ele prolongou e radicalizou uma tradição milenar ao criar uma espécie de “dinastia mandarim”, que segue governando a China segundo os mesmos preceitos morais confucianos do período imperial. (Carta Capital/Envolverde)

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Terra, um planeta envenenado http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/07/ultimas-noticias/terra-um-planeta-envenenado/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/07/ultimas-noticias/terra-um-planeta-envenenado/#comments Tue, 04 Jul 2017 19:49:50 +0000 IPS http://www.envolverde.com.br/?p=222114 Por correspondentes da IPS –  ROMA (IPS) – Os solos estão contaminados por conta das atividades dos homens, que descartam uma grande quantidade de produtos químicos nas áreas utilizadas para produzir alimentos. O alerta é da Organização das nações unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Há no solo excesso de nitrogênio e metais pesados, como arsênico, cadmio, chumbo e mercúrio, segundo a FAO. “Quando esses compostos entram na cadeia alimentar representam riscos para a segurança alimentar, para os recursos hídricos, para a subsistência das populações rurais e para a saúde das pessoas”, assinalou um relatório da FAO divulgado dia 23 de junho. E destaca ainda que o combate à contaminação dos solos e a busca por uma gestão sustentável dos recursos agrícolas é essencial para fazer frente às mudanças climáticas e à insegurança alimentar que se acerca. A poluição dos solos é um problema cada vez mais importante e que acontece de muitas maneiras. A única forma da combate-la é aumentar a disponibilidade de informações a respeito e promover a gestão sustentável da terra. “É preciso intensificar a colaboração global na busca de provas científicas confiáveis para que se mude a forma de plantar e o uso dos agrotóxicos”, disse Ronald Vargas, secretário geral da Aliança Mundial pelo Solo. A assembleia da Aliança Mundial pelo Solo é uma plataforma neutra e multipartite para discutir os temas globais em relação aos solos e busca agrupar conhecimentos sobre boas práticas de manejo, “além de estimular medidas para manter os solos saudáveis para que sigam garantindo os serviços ambientais que garantem alimentos para todos”, disse Maria Helena Semedo, diretora geral adjunta da FAO. A Assembleia realizada no final de junho aprovou novas iniciativas para facilitar a troca de informações sobre solo, a criação da Rede Global de Laboratórios de Solos, que deverá coordenar e criar modelos de medição para uso entre todos os países, a Rede Internacional e Solos Negros, que pretende melhorar o conhecimento sobre os solos agrícolas mais férteis, que também são conhecidos por seu alto conteúdo de carbono. Cerca de um terço dos solos do mundo estão contaminados, devido principalmente a práticas insustentáveis de gestão. Além disso bilhões de toneladas de terra se perdem a cada ano na agricultura e uma das causas principais é a poluição por agrotóxicos e pelo manejo ineficiente do solo. Em alguns países cerca de um quito de todas as terras cultiváveis estão comprometidas com contaminações diversas. Contaminação do solo significa a presença na terra de substâncias químicas que estão fora de lugar ou em concentrações superiores às normais, por ação de mineração, atividades industriais ou má gestão das águas. A FAO alerta que em alguns casos as contaminações se estendem por grandes áreas por conta das chuvas e dos ventos. Os insumos agrícolas, como os fertilizantes, os herbicidas e os pesticidas, incluindo os antibióticos que são encontrados nos estercos dos animais, são importantes contaminantes que provocam problemas também por conta de suas fórmulas que são constantemente alteradas. “A contaminação dos solos é um […]

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Por correspondentes da IPS – 

ROMA (IPS) – Os solos estão contaminados por conta das atividades dos homens, que descartam uma grande quantidade de produtos químicos nas áreas utilizadas para produzir alimentos. O alerta é da Organização das nações unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Há no solo excesso de nitrogênio e metais pesados, como arsênico, cadmio, chumbo e mercúrio, segundo a FAO. “Quando esses compostos entram na cadeia alimentar representam riscos para a segurança alimentar, para os recursos hídricos, para a subsistência das populações rurais e para a saúde das pessoas”, assinalou um relatório da FAO divulgado dia 23 de junho. E destaca ainda que o combate à contaminação dos solos e a busca por uma gestão sustentável dos recursos agrícolas é essencial para fazer frente às mudanças climáticas e à insegurança alimentar que se acerca.

A poluição dos solos é um problema cada vez mais importante e que acontece de muitas maneiras. A única forma da combate-la é aumentar a disponibilidade de informações a respeito e promover a gestão sustentável da terra. “É preciso intensificar a colaboração global na busca de provas científicas confiáveis para que se mude a forma de plantar e o uso dos agrotóxicos”, disse Ronald Vargas, secretário geral da Aliança Mundial pelo Solo.

Maria Helena Semedo, diretora geral adjunta da FAO

A assembleia da Aliança Mundial pelo Solo é uma plataforma neutra e multipartite para discutir os temas globais em relação aos solos e busca agrupar conhecimentos sobre boas práticas de manejo, “além de estimular medidas para manter os solos saudáveis para que sigam garantindo os serviços ambientais que garantem alimentos para todos”, disse Maria Helena Semedo, diretora geral adjunta da FAO.

A Assembleia realizada no final de junho aprovou novas iniciativas para facilitar a troca de informações sobre solo, a criação da Rede Global de Laboratórios de Solos, que deverá coordenar e criar modelos de medição para uso entre todos os países, a Rede Internacional e Solos Negros, que pretende melhorar o conhecimento sobre os solos agrícolas mais férteis, que também são conhecidos por seu alto conteúdo de carbono.

Cerca de um terço dos solos do mundo estão contaminados, devido principalmente a práticas insustentáveis de gestão. Além disso bilhões de toneladas de terra se perdem a cada ano na agricultura e uma das causas principais é a poluição por agrotóxicos e pelo manejo ineficiente do solo. Em alguns países cerca de um quito de todas as terras cultiváveis estão comprometidas com contaminações diversas.

Contaminação do solo significa a presença na terra de substâncias químicas que estão fora de lugar ou em concentrações superiores às normais, por ação de mineração, atividades industriais ou má gestão das águas.

A FAO alerta que em alguns casos as contaminações se estendem por grandes áreas por conta das chuvas e dos ventos. Os insumos agrícolas, como os fertilizantes, os herbicidas e os pesticidas, incluindo os antibióticos que são encontrados nos estercos dos animais, são importantes contaminantes que provocam problemas também por conta de suas fórmulas que são constantemente alteradas.

“A contaminação dos solos é um risco traiçoeiro porque é mais difícil de ser observada do que outros processos de degradação, como a erosão. Os perigos estão, também, em como os contaminantes reagem com os elementos já presentes no solo e a velocidade com que esses contaminantes penetram nos ecossistemas”, alerta o documento da FAO. Segundo a organização, a diversidade de contaminantes e tipos de solos, assim como as formas que agem, fazem com que os estudos para determinar os riscos sejam especialmente difíceis e caros.

Solos Negros

A nova rede internacional de solos negros define como negros aqueles que contém ao menos 25 centímetros de húmus e com uma taxa de carbono orgânico superior a dois por cento. Segundo essa definição estão em um território de 916 milhões de hectares e cobrem 7% da superfície do planeta.

Cerca de 25% dos solos negros são do tipo clássico, co um metro de húmus, e se encontram em regiões de plantios de cereais da Europa Oriental e Ásia Central, além de antigas pradarias da América do Norte, disse o informe da FAO. São considerados solos de extrema importância para a segurança alimentar da humanidade. A Rede Internacional de Solos Negros tem como missão a conservação da produtividade a longo prazo desses solos através da colaboração técnica e intercâmbio de conhecimentos. (IPS/Envolverde)

Traduzido por Dal Marcondes

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Eleitores  jovens se afastam da democracia tradicional http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/05/ultimas-noticias/eleitores-jovens-se-afastam-da-democracia-tradicional/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/05/ultimas-noticias/eleitores-jovens-se-afastam-da-democracia-tradicional/#comments Wed, 24 May 2017 14:38:21 +0000 Roberto Savio http://www.envolverde.com.br/?p=221197 Por Roberto Savio – Em quase todos os países os eleitores mais jovens não comparecem às urnas, isso cria as distorções que elegeram Donald Trump nos EUA e retiram a Inglaterra da União Européia ROMA (IPS) – Após a votação do Brexit, milhares de jovens protestaram nas ruas de Grã-Bretanha expressando seu desacordo em sair da União Europeia. No entanto, segundo as pesquisas, se os jovens fossem em massa às urnas, e não apenas 37% deles, o resultado teria sido o oposto. O sistema político assume que a maioria dos jovens decidiu não votar e tende a ignorar cada vez mais suas opiniões. Isso cria um círculo vicioso onde surgem prioridades que não os representam. A analise eleitoral por trás da crise econômica e social de 2008 e 2009 é clara e oferece evidência nas estatísticas. Votos do Brexit por faixa etária  O Parlamento Europeu realizou uma investigação sobre as eleições europeias de 2014 nos 28 estados membros. Os jovens europeus entre 18 e 24 anos são os mais positivos em relação a União Europeia que os maiores de 55, porém poucos votaram. A presença nas urnas foi maior neste último grupo, dos quais 51% votaram contra apenas 28% dos jovens. Essa distribuição se manteve igual desde 2009. Além disso, os jovens costumam a decidir seu voto no mesmo dia das eleições ou poucos dias antes, enquanto somente 28% dos eleitores maiores de 55 anos adere a este comportamento. Em 2014, 31% dos jovens entrevistados afirmaram que nunca votaram na vida, mais de 19% dos adultos também nunca votou. No entanto, quanto menos idade eles têm mais europeus eles se sentem, segundo comprova 70% das pessoas entrevistadas entre 18 e 24 anos, 59% dos adultos com mais de 55 anos expressaram o mesmo sentimento. É possível afirmar que as eleições europeias são um caso à parte. Mas uma análise das votações nacionais na Europa confirma esta tendência. Nas eleições presidenciais da Áustria em 2016, participaram 43% dos jovens. Em 2010 foram 48%. Nas eleições parlamentares da Holanda, neste ano, 66% dos jovens entre 18 e 24 anos foram as urnas, em 2012 foram 70%. No referendo na Itália em dezembro de 2016, 38% dos jovens não votaram, número superior à média da população de 32%. Nas últimas votações na França, os dados são mais consistentes, 78% dos jovens entre 25 e 34 anos não votaram, 65% com idades entre 24 e 35 anos e 51% das pessoas entre 35 e 49 anos, assim como 44% (50 e 64 anos) e somente 30% dos maiores a 65 anos de idade. Em Israel somente 58% dos menores de 35 anos e 41% dos menores de 25 votaram em 2013, porcentagem baixa comparada aos 88% dos maiores de 55 anos que participaram. Na Grã-Bretanha e Polônia menos da metade dos menores de 25 anos votaram nas últimas eleições gerais em comparação com o 88% dos maiores de 55 anos. A crescente abstenção dos jovens teve consequências significativas. Temos por exemplo as últimas eleições dos Estados Unidos […]

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Por Roberto Savio

Em quase todos os países os eleitores mais jovens não comparecem às urnas, isso cria as distorções que elegeram Donald Trump nos EUA e retiram a Inglaterra da União Européia

ROMA (IPS) – Após a votação do Brexit, milhares de jovens protestaram nas ruas de Grã-Bretanha expressando seu desacordo em sair da União Europeia. No entanto, segundo as pesquisas, se os jovens fossem em massa às urnas, e não apenas 37% deles, o resultado teria sido o oposto.

O sistema político assume que a maioria dos jovens decidiu não votar e tende a ignorar cada vez mais suas opiniões. Isso cria um círculo vicioso onde surgem prioridades que não os representam. A analise eleitoral por trás da crise econômica e social de 2008 e 2009 é clara e oferece evidência nas estatísticas.

Votos do Brexit por faixa etária 

O Parlamento Europeu realizou uma investigação sobre as eleições europeias de 2014 nos 28 estados membros. Os jovens europeus entre 18 e 24 anos são os mais positivos em relação a União Europeia que os maiores de 55, porém poucos votaram. A presença nas urnas foi maior neste último grupo, dos quais 51% votaram contra apenas 28% dos jovens. Essa distribuição se manteve igual desde 2009.

Além disso, os jovens costumam a decidir seu voto no mesmo dia das eleições ou poucos dias antes, enquanto somente 28% dos eleitores maiores de 55 anos adere a este comportamento. Em 2014, 31% dos jovens entrevistados afirmaram que nunca votaram na vida, mais de 19% dos adultos também nunca votou. No entanto, quanto menos idade eles têm mais europeus eles se sentem, segundo comprova 70% das pessoas entrevistadas entre 18 e 24 anos, 59% dos adultos com mais de 55 anos expressaram o mesmo sentimento.

É possível afirmar que as eleições europeias são um caso à parte. Mas uma análise das votações nacionais na Europa confirma esta tendência. Nas eleições presidenciais da Áustria em 2016, participaram 43% dos jovens. Em 2010 foram 48%.

Nas eleições parlamentares da Holanda, neste ano, 66% dos jovens entre 18 e 24 anos foram as urnas, em 2012 foram 70%. No referendo na Itália em dezembro de 2016, 38% dos jovens não votaram, número superior à média da população de 32%.

Nas últimas votações na França, os dados são mais consistentes, 78% dos jovens entre 25 e 34 anos não votaram, 65% com idades entre 24 e 35 anos e 51% das pessoas entre 35 e 49 anos, assim como 44% (50 e 64 anos) e somente 30% dos maiores a 65 anos de idade.

Em Israel somente 58% dos menores de 35 anos e 41% dos menores de 25 votaram em 2013, porcentagem baixa comparada aos 88% dos maiores de 55 anos que participaram. Na Grã-Bretanha e Polônia menos da metade dos menores de 25 anos votaram nas últimas eleições gerais em comparação com o 88% dos maiores de 55 anos.

A crescente abstenção dos jovens teve consequências significativas. Temos por exemplo as últimas eleições dos Estados Unidos que levaram Donald Trump para a Casa Branca.

Como votam os millennials

A geração dos millennials (18 a 35 anos) representa 31% do eleitorado, a geração silenciosa (maiores de 71 anos) 12% e a geração X (36 a 51 anos), 25%. Bernie Sanders concentrou 2 milhões de votos nos jovens de 19 e 24 anos que basicamente sumiram no dia da votação após ele perder na primeira rodada. A abstenção dos jovens, cerca de 67%, fez com que os millennials se juntassem à geração silenciosa e perderam suas vantagens demográficas.

Jovens poderiam ter alterado o resultado eleitoral.

Cerca de 54% dos millennials que votaram apoiaram Sanders, sobre o 37% que apoiaram Hillary Clinton. Deles somente 17% tinha uma visão positiva sobre Trump. Se os millennials tivessem votado, Clinton teria vencido a eleição.

A primeira observação óbvia é que, se o tradicional desequilíbrio entre gerações desaparece, teremos poucas mudanças em matéria política, devido aos votantes mais velhos, que acostumam ser mais conservadores. E a segunda observação é sobre a participação cidadã que diminuirá, pois, os jovens vão envelhecer.

O preocupante é que não temos muitos dados sobre as razões de desencantamento político dos jovens, atribuído a um sistema que não é consciente deles. Porém, muitos analistas políticos acreditam que os partidos no poder olham com bons olhos as abstenções, em termos gerais, esse tipo de comportamento reduz os votos aos quais se sentem conectados, quem tem suas prioridades claras e são mais fáceis de satisfazer, porque as gerações mais velhas são mais seguras do que os jovens.

Prioridade invertidas

A temática dos jovens some do debate político e aflora no plano retórico. Um bom exemplo é que o governo italiano destinou no ano passado 20 milhões de dólares para resgatar quatro bancos, enquanto somente 2 milhões foram destinados para lutar contra o desemprego dos jovens em um país onde 40% dessa população não tem trabalho.

Para eles a mensagem é clara: finanças são mais importantes do que o futuro. Então eles não votam e são um fator cada vez menor no sistema político.

A educação e pesquisa são as primeiras vítimas, junto a saúde, uma tendência a ser austeros com resultados evidentes.

Na Austrália onde 25% dos jovens “não se importa com o governo que tem” os maiores de 65 anos não pagam impostos e recebem ao menos 24.508 dólares anuais. No entanto, os trabalhadores jovens têm ingressos de 15.080 dólares ao ano.

Nos países ricos, as pessoas idosas têm vários benefícios como descontos no cinema e outras atividades, não é o caso dos jovens.

Mas quando aparece alguém com uma mensagem para eles a participação muda. No Canadá, 37% das pessoas entre 18 e 24 anos votaram em 2008, 39% em 2011. Porém, quando Justin Trudeau apareceu com um discurso de esperança em 2015, a participação dos jovens foi de 57%.

A verdadeira preocupação com a democracia, relacionada a participação, é que os jovens não são apolíticos. Eles conhecem as prioridades como mudanças climáticas, igualdade de gênero, justiça social melhor que as outras gerações.

Um exemplo disso é no Chile. Em 2010, a abstenção foi de 13,1% entre a população. Em 2013, subiu a 58% e nos jovens 71%. Se eles votassem mudaria muita coisa. Mas, eles simplesmente abandonaram as instituições políticas por serem corruptas, ineficientes e distantes das suas prioridades.

A democracia em risco

Um estudo feito em 2016 concluiu que 72% dos estadunidenses nascidos antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) acreditavam que era essencial viver num pais com um governo democrático. Mas, menos de 1 pessoa por cada 3 nascidas em 1980 tinha a mesma opinião.

É preciso apontar que a queda da participação eleitoral é um fenômeno mundial e não uma característica própria dos jovens.

As últimas eleições antes deste artigo foram nas Bahamas, onde só 50% da população foi votar. Antes disso, na Eslovênia, a abstenção foi de 57,6%, no Mali de 54,2%, na Servia 53,7%, Portugal 53,5%, 52,1% na Colômbia, 51,1% na Bulgária e 50,9% na Suíça, regiões tão diferentes como América Latina, Europa, África e Ásia.

A crise da participação política ocorre também no berço do sistema parlamentar, a Grã-Bretanha, com 24% de abstenção em 1964, 34,2% em 2010 e na Itália 7,1% de abstenção em 2003, e 24,8% em 2013.

Os analistas chegaram a um consenso no qual os danos da globalização e a descrença nos partidos políticos são as principais causas da queda desta participação. Mas os ganhadores nunca consideram as razões dos perdedores.

A vitória de Emmanuel Macron nas últimas eleições francesas foi bem recebida na Alemanha. Mas quando o novo presidente francês se referiu a necessidade de fortalecer a Europa, criando um Ministério de finanças europeu, a reação de Alemanha foi rejeição, falando que não colocaria nem um euro do seu bolso ao serviço de outros países que desperdiçavam seu dinheiro em mulheres e bebidas e logo esperavam a solidariedade do norte da Europa.

Quanto tempo será necessário para que os ganhadores da União Europeia entendam que a crise política é global e precisa ser atendida de forma urgente?

A participação eleitoral caiu na Alemanha de 82% em 1988, para 70,8% em 2009. Nas últimas votações se espera que o número de votantes supere aos participantes do partido mais eleito.

O diretor da pesquisadora Forsa, Manfred Gullner, alertou sobre um número recorde de pessoas que não votam.

“Há motivos para temer que menos de 70% dos cidadãos habilitados vão para as urnas” anunciou. Se isso incluísse os que não votam num gráfico convencional da televisão, isso corresponderia ao ponto mais alto do gráfico”

Os políticos deveriam  se considerar de fato, os principais ganhadores das eleições, se não fosse pelo fato do que representam, a derrota da democracia. (IPS/Envolverde)

*Roberto Savio foi o fundador da agência Inter Press Service e seu presidente durante muitos anos.

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As verdadeiras origens da União Europeia http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/05/ultimas-noticias/as-verdadeiras-origens-da-uniao-europeia/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/05/ultimas-noticias/as-verdadeiras-origens-da-uniao-europeia/#comments Tue, 09 May 2017 13:42:39 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=220864 Por Joaquín Roy*, especial para a IPS –  MIAMI, maio 2017 (IPS) – Algumas semanas atrás (25 de março) celebrou-se o tratado de Roma (1957). Foram comemorados então sessenta anos de vida do que foi conhecido como a Comunidade Económica Europeia (CEE). Uma espécie de parto duplo que deu vida a Comunidade Europeia de Energia Atómica (Euroatom). A CEE foi referida como o “Mercado Comum” devido à sua regulamentação com base no sistema econômico. Porém, em cada aniversário da CEE me surge um incomodo porque esquecemos que o nascimento de uma Europa unida volta atrás com o andamento da Comunidade Europeia de Carvão e Aço (CECA). Juridicamente se consolidou com o Tratado de Paris em 1952, mas foi anunciada no dia 9 de maio de 1950, pela Declaração Schuman, proclamada também na capital francesa. Robert Schuman, ministro de Relações Exteriores da França, basicamente se dedicou a ler o roteiro preparado pelo verdadeiro “pai da Europa”, Jean Monnet. O herdeiro de um negócio de bebidas, foi enviado pelo seu pai para percorrer o mundo e expandir sua empresa, foi lá que ele refletiu durante anos sobre o fracasso das tentativas anteriores de alcançar a paz na Europa e conseguir a colaboração dos governos. O desastre da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que quase destruiu a civilização europeia, convenceu aos sobreviventes que deviam procurar outra alternativa. As grandes coalisões não podiam acontecer novamente nem os esquemas intergovernamentais tais como a Sociedade das Nações, onde Monet já tinha cuidado do subsecretariado no passado. Era preciso encontrar outros caminhos mais práticos e eficazes, ao invés de tentar abordar todas as dimensões da função governamental. Monnet experimentou com a seleção de poucas atividades que foram cruciais para a cooperação. Ao mesmo tempo deviam conseguir moldar o poder dos Estados, culpados pela destruição mútua. Em primeiro lugar era preciso reconhecer a culpa e a necessidade de reconciliação. Monnet observou que alguns dos líderes dos países eram aliados a Democracia Cristã. O próprio Robert Schuman compartilhava esta ideologia com Konrad Adenauer na Alemanha e com Alcide de Gasperi na Itália. Foram selecionados dois setores estratégicos, carvão e aço. Produtos necessários para a construção de armas, veículos que favoreceram o suicídio dos contendores em várias guerras europeias. A proposta era que as indústrias se tornassem propriedade comum e que seu uso e comercialização fossem controlados não pelos governos e sim por entidades inovadoras. Monnet, que não era um intelectual, era guiado por pensamentos do filosofo suíço Henry-Fréderic Amiel. Segundo os ensinamentos de um dos seus livros, que seria a leitura predileta de Monnet, a atenção principal era o papel das instituições. Amiel considerava imprescindível o protagonismo, pois era base para a civilização. Tudo era possível em função do trabalho dos homens, mas nada podia ser duradouro sem as instituições. Mas as instituições não poderiam ter a fragilidade das que dominaram tragicamente o cenário europeu da primeira guerra franco-prussiana, não poderiam ser protegidas pela omnipotência política e sim reconhecidas pelas suas qualidades. Em primeiro lugar, as instituições devem ser independentes, livres dos […]

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Por Joaquín Roy*, especial para a IPS – 

MIAMI, maio 2017 (IPS) – Algumas semanas atrás (25 de março) celebrou-se o tratado de Roma (1957). Foram comemorados então sessenta anos de vida do que foi conhecido como a Comunidade Económica Europeia (CEE). Uma espécie de parto duplo que deu vida a Comunidade Europeia de Energia Atómica (Euroatom).

A CEE foi referida como o “Mercado Comum” devido à sua regulamentação com base no sistema econômico.

Porém, em cada aniversário da CEE me surge um incomodo porque esquecemos que o nascimento de uma Europa unida volta atrás com o andamento da Comunidade Europeia de Carvão e Aço (CECA).

Juridicamente se consolidou com o Tratado de Paris em 1952, mas foi anunciada no dia 9 de maio de 1950, pela Declaração Schuman, proclamada também na capital francesa.

Robert Schuman, ministro de Relações Exteriores da França, basicamente se dedicou a ler o roteiro preparado pelo verdadeiro “pai da Europa”, Jean Monnet.

O herdeiro de um negócio de bebidas, foi enviado pelo seu pai para percorrer o mundo e expandir sua empresa, foi lá que ele refletiu durante anos sobre o fracasso das tentativas anteriores de alcançar a paz na Europa e conseguir a colaboração dos governos.

O desastre da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que quase destruiu a civilização europeia, convenceu aos sobreviventes que deviam procurar outra alternativa. As grandes coalisões não podiam acontecer novamente nem os esquemas intergovernamentais tais como a Sociedade das Nações, onde Monet já tinha cuidado do subsecretariado no passado.

Era preciso encontrar outros caminhos mais práticos e eficazes, ao invés de tentar abordar todas as dimensões da função governamental. Monnet experimentou com a seleção de poucas atividades que foram cruciais para a cooperação. Ao mesmo tempo deviam conseguir moldar o poder dos Estados, culpados pela destruição mútua.

Em primeiro lugar era preciso reconhecer a culpa e a necessidade de reconciliação. Monnet observou que alguns dos líderes dos países eram aliados a Democracia Cristã. O próprio Robert Schuman compartilhava esta ideologia com Konrad Adenauer na Alemanha e com Alcide de Gasperi na Itália.

Foram selecionados dois setores estratégicos, carvão e aço. Produtos necessários para a construção de armas, veículos que favoreceram o suicídio dos contendores em várias guerras europeias. A proposta era que as indústrias se tornassem propriedade comum e que seu uso e comercialização fossem controlados não pelos governos e sim por entidades inovadoras.

Monnet, que não era um intelectual, era guiado por pensamentos do filosofo suíço Henry-Fréderic Amiel. Segundo os ensinamentos de um dos seus livros, que seria a leitura predileta de Monnet, a atenção principal era o papel das instituições. Amiel considerava imprescindível o protagonismo, pois era base para a civilização.

Tudo era possível em função do trabalho dos homens, mas nada podia ser duradouro sem as instituições. Mas as instituições não poderiam ter a fragilidade das que dominaram tragicamente o cenário europeu da primeira guerra franco-prussiana, não poderiam ser protegidas pela omnipotência política e sim reconhecidas pelas suas qualidades.

Em primeiro lugar, as instituições devem ser independentes, livres dos ligames estatais. Em segundo lugar, devem ter um pressuposto para exercer de forma eficaz suas funções. As instituições que não forem independentes e sem meios seriam simplesmente burocracias estéreis.

Assim nasceu a ideia de que por meio da localização as indústrias de carvão e aço, sob sistemas de produção e administração comuns das instituições, conseguiriam o milagre de garantir que a guerra fosse impensável e além disso materialmente impossível (definem as palavras explicadas na Declaração).

Monnet e Schuman conseguiram dominar o panorama durante um tempo devido ao papel da instituição central, chamada de “Alta Autoridade” que logo se transformou na Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (EU).

Monnet recomendou a continuidade do método setorial e a exploração da Energia Atômica, mas não alcançou os planos mais ambiciosos e complexos como a ampliação horizontal de toda a produção e o nascimento do Mercado Comum.  Isso com base na livre circulação de bens e também de capitais, serviços e pessoas.

A história da União Europeia é uma sucessão de tentativas globais e da persistência nos setores concretos (euro ou liberdade de movimentação do Acordo de Schengen). Em todo momento é preciso lembrar da dívida de Jean Monnet e Schuman.

*Joaquim Roy é catedrático Jean Monnet e Diretor do Centro da União Europeia da Universidade de Miami jroy@miami.edu

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Desemprego e informalidade assolam mulheres da América Latina http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/05/ultimas-noticias/desemprego-e-informalidade-assolam-mulheres-da-america-latina/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/05/ultimas-noticias/desemprego-e-informalidade-assolam-mulheres-da-america-latina/#comments Wed, 03 May 2017 23:36:42 +0000 Jos http://www.envolverde.com.br/?p=220737 Por José Manuel Salazar-Xirinachs –  Este é um artigo de opinião de José Manuel Salazar-Xirinachs, diretor regional da OIT para América Latina e o Caribe. LIMA, 2017 (IPS) – Incorporar as mulheres no mercado de trabalho da América Latina e o Caribe tem sido uma tendência constante e positiva nas últimas décadas. Porém, em 2017, em tempos do incremento de desemprego e informalidade, novamente surge a necessidade de insistir no quesito igualdade de gênero e gerar mais e melhores empregos para 255 milhões de mulheres em idade de trabalhar que moram nesta região. Cerca de metade destas mulheres, 126 milhões, já fazem parte da força laboral o qual é uma vitória ao longo dos anos, porém não podemos ficar relaxados. Durante o último ano, onde o crescimento foi lento, situações de crise econômica que impactaram a região afetaram o mercado de trabalho, com um incremento abrupto do desemprego e os indicadores de qualidade, situação que afetava mais as mulheres. A taxa de desemprego feminino chegou a níveis extremos que não eram vistos faz uma década na América Latina e o Caribe, 9,8 %, um extremo. Se a dinâmica continua nesse ritmo a taxa pode superar os 10% neste ano. O nível de desemprego das mulheres cresceu em 1,6% sobre a variação dos homens que aumentou 1,3%. Dos cinco milhões de pessoas que engrossaram as filas do desemprego, 2,3 milhões eram mulheres. É dizer, hoje existem 12 milhões de mulheres procurando emprego de forma ativa, porém não o conseguem. A participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou no último ano. A nível nacional (rural e urbano) a taxa feminina foi de 49,3% a 49,7%. Uma boa notícia, no entanto, ainda continua inferior aos dos homens que é 74,6. O ponto negativo foi que a taxa de ocupação das mulheres, em relação a mão de obra, diminuiu 45,2% a 44,9%. No caso dos homens houve uma redução parecida, porém superior, 69,3%. O último relatório Cenário Laboral da América Latina e o Caribe da OIT (Organização Internacional do Trabalho) destacou que a menor atividade econômica reflete tendências na diminuição do número de trabalhadores registrados, aumentando os empregos informais e a redução dos salários formais. As estimativas mais recentes sobre informalidade nas mulheres indicam que cerca da metade está em condição de instabilidade laboral, baixa renda e falta de proteção aos direitos. Ao longo dos últimos anos se identificou alguns pontos a serem considerados ao analisar a participação laboral feminina. Cerca de 70% trabalha no setor de serviços e comercio onde as condições são precárias incluindo a falta de contratos. Além disso, 17 milhões de mulheres faz trabalho doméstico. São mais de 90% de pessoas dedicadas a esta atividade. Neste oficio os níveis de informalidade são muito elevados, cerca de 70%. Esta descrição do mercado feminino não estaria completa sem destacar o relatório regional sobre “Trabalho Decente e igualdade de gênero” de diversas agências das Nações Unidas apresentado em 2013, nesta região 53,7% das mulheres trabalhadoras têm mais de dez anos de educação […]

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Por José Manuel Salazar-Xirinachs – 

Este é um artigo de opinião de José Manuel Salazar-Xirinachs, diretor regional da OIT para América Latina e o Caribe.

LIMA, 2017 (IPS) – Incorporar as mulheres no mercado de trabalho da América Latina e o Caribe tem sido uma tendência constante e positiva nas últimas décadas. Porém, em 2017, em tempos do incremento de desemprego e informalidade, novamente surge a necessidade de insistir no quesito igualdade de gênero e gerar mais e melhores empregos para 255 milhões de mulheres em idade de trabalhar que moram nesta região.

Cerca de metade destas mulheres, 126 milhões, já fazem parte da força laboral o qual é uma vitória ao longo dos anos, porém não podemos ficar relaxados.

Durante o último ano, onde o crescimento foi lento, situações de crise econômica que impactaram a região afetaram o mercado de trabalho, com um incremento abrupto do desemprego e os indicadores de qualidade, situação que afetava mais as mulheres.

A taxa de desemprego feminino chegou a níveis extremos que não eram vistos faz uma década na América Latina e o Caribe, 9,8 %, um extremo. Se a dinâmica continua nesse ritmo a taxa pode superar os 10% neste ano.

O nível de desemprego das mulheres cresceu em 1,6% sobre a variação dos homens que aumentou 1,3%. Dos cinco milhões de pessoas que engrossaram as filas do desemprego, 2,3 milhões eram mulheres. É dizer, hoje existem 12 milhões de mulheres procurando emprego de forma ativa, porém não o conseguem.

A participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou no último ano. A nível nacional (rural e urbano) a taxa feminina foi de 49,3% a 49,7%. Uma boa notícia, no entanto, ainda continua inferior aos dos homens que é 74,6.
O ponto negativo foi que a taxa de ocupação das mulheres, em relação a mão de obra, diminuiu 45,2% a 44,9%. No caso dos homens houve uma redução parecida, porém superior, 69,3%.

O último relatório Cenário Laboral da América Latina e o Caribe da OIT (Organização Internacional do Trabalho) destacou que a menor atividade econômica reflete tendências na diminuição do número de trabalhadores registrados, aumentando os empregos informais e a redução dos salários formais.

As estimativas mais recentes sobre informalidade nas mulheres indicam que cerca da metade está em condição de instabilidade laboral, baixa renda e falta de proteção aos direitos.

Ao longo dos últimos anos se identificou alguns pontos a serem considerados ao analisar a participação laboral feminina. Cerca de 70% trabalha no setor de serviços e comercio onde as condições são precárias incluindo a falta de contratos.

Além disso, 17 milhões de mulheres faz trabalho doméstico. São mais de 90% de pessoas dedicadas a esta atividade. Neste oficio os níveis de informalidade são muito elevados, cerca de 70%.

Esta descrição do mercado feminino não estaria completa sem destacar o relatório regional sobre “Trabalho Decente e igualdade de gênero” de diversas agências das Nações Unidas apresentado em 2013, nesta região 53,7% das mulheres trabalhadoras têm mais de dez anos de educação formal comparado aos 40,4% dos homens.

Em contrapartida, 22,8 % das mulheres do mercado têm educação universitária (completa e incompleta) em relação ao 16,2% dos homens.

No entanto, isso não impede que exista um abismo salarial importante. Segundo um estudo da CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e o Caribe) adverte que em 2016, segundo os dados as mulheres recebiam 83,9 % do que os homens ganhavam em empregos iguais. A distância é maior em cargos com níveis educativos superiores. Todos esses dados são um chamado a ação.

Está temática já faz parte dos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos para todos os países na Agenda 2030. Em especial o ODS 5 “Alcançar a igualdade entre gêneros e empoderar as mulheres e meninas” a chave para o ODS 8 que fala sobre o crescimento econômico e trabalho decente. Para a OIT a igualdade de gênero é um objetivo fundamental que está presente em todas suas atividades.

Estamos frente a um desafio de estrutura que implica mudanças econômicas, sociais e culturais. É preciso que os governos como atores sociais mantenham isso como prioridade promovendo a igualdade entre homens e mulheres.
Devemos procurar estratégias para melhorar a produtividade das mulheres impulsionando sua participação nos setores de ingressos meio e alto e identificar as causas da segregação.

Para continuar avançando na igualdade do trabalho é preciso combinar diversas estratégias com foco na igualdade de gênero incluindo políticas ativas de emprego, redes de proteção e novas políticas para crianças e dependentes, estratégias para promover a divisão das responsabilidades familiares, melhorias na formação profissional e educação, promover as empreendedoras, aumento da segurança social e uma ação firme para combater a violência contra as mulheres, até mesmo no local de trabalho.

A igualdade no mercado de trabalho foi um desafio enfrentado no passado, mas que ainda é importante no presente e é um dos pilares para conseguir um futuro melhor na região. (IPS/#Envolverde)

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Incertezas e preocupação nos 100 dias do governo de Donald Trump http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/05/ultimas-noticias/incertezas-e-preocupacao-nos-100-dias-do-governo-de-donald-trump/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/05/ultimas-noticias/incertezas-e-preocupacao-nos-100-dias-do-governo-de-donald-trump/#comments Wed, 03 May 2017 21:12:21 +0000 Martin Khor http://www.envolverde.com.br/?p=220719 *Análise de Martin Khor –  Este é um artigo de opinião de Martin Khor, diretor executivo do Centro Sul, organização governamental dos países em desenvolvimento, com sede em Genebra. PENANG, 01 de maio (IPS) – Ao completar 100 dias do governo de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, é preciso avaliar seu impacto até hoje no mundo e nos países em desenvolvimento. É muito cedo para tirar conclusões, mas o que se viu desde que ele assumiu o poder um 20 de janeiro até agora é bastante preocupante. Trump disse que Estados Unidos não se vincularia as guerras dos outros países, porém no dia 6 de abril atacou Síria, apesar de não ter provas contundentes que demostrassem a responsabilidade do presidente sírio Bashar al Assad no uso de armas químicas. Na sequência, lançou uma bomba nuclear devastadora em uma cidade muito povoada em Afeganistão. Alguns analistas afirmaram que o intuito desse ataque foi enviar uma mensagem interna, pois isso aumenta a popularidade do novo presidente e sua força frente aos inimigos. Talvez suas ações sejam um sinal para o líder da Coreia do Norte, que ameaçou com lançar bombas nucleares caso receber um ataque dos Estados Unidos, e provavelmente falava sério. O próprio Trump ameaçou também com bombardear suas sedes nucleares. Com dois presidentes tão imprevisíveis poderíamos estar perto de uma guerra nuclear. “Há membros do círculo mais próximo ao presidente que acreditam que o governo Trump avalia dar primeiro o “golpe” a Coreia do Norte. Porém, o mandatário coreano Kim Jong Um pode pensar da mesma forma e atacar primeiro” comentou Gideon Rachman, do Financial Times. Rachman observou também que Trump chegou a conclusão de que a força militar o ajudaria a conseguir a imagem prometida nas urnas. O colunista do New York Times, Nicholas Kristof, acredita que o pior pesadelo para os Estados Unidos seria que Trump se envolva em uma nova guerra coreana. Isso pode acontecer se ele destruir uma base de mísseis da Coreia do Norte, este país pode responder lançando suas bombas para Seul, onde moram 25 milhões de pessoas. O general Gary Luck, ex-comandante das forças norte-americanas na Coreia do Sul, calculou que uma nova guerra coreana pode deixar um milhão de mortes e um bilhão de danos, explicou Kristof. Longe das expectativas de deixar de ser a policia do mundo para colocar os “Estados Unidos em primeiro lugar” Trump agora pensa que as guerras e lançar bombas podem ter o efeito de que “Estados Unidos volte a ser poderoso” Isso pode ser mais fácil que as batalhas internas para substituir a política de saúde do ex-presidente Barack Obama ou proibir a entrada de cidadãos e refugiados dos sete países muçulmanos, iniciativas já barradas pela justiça. A mensagem de que existem um grupo de pessoas ou países que não são bem-vindos nos Estados Unidos pode gerar consequencias, os dados mostram um declinio no turismo e nas solicitações de estudantes estrangeiros para entrar nas universidades americanas. Outro equivoco foi protagonizado com a Organização do […]

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*Análise de Martin Khor – 

Este é um artigo de opinião de Martin Khor, diretor executivo do Centro Sul, organização governamental dos países em desenvolvimento, com sede em Genebra.

PENANG, 01 de maio (IPS) – Ao completar 100 dias do governo de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, é preciso avaliar seu impacto até hoje no mundo e nos países em desenvolvimento. É muito cedo para tirar conclusões, mas o que se viu desde que ele assumiu o poder um 20 de janeiro até agora é bastante preocupante.

Trump disse que Estados Unidos não se vincularia as guerras dos outros países, porém no dia 6 de abril atacou Síria, apesar de não ter provas contundentes que demostrassem a responsabilidade do presidente sírio Bashar al Assad no uso de armas químicas. Na sequência, lançou uma bomba nuclear devastadora em uma cidade muito povoada em Afeganistão.

Alguns analistas afirmaram que o intuito desse ataque foi enviar uma mensagem interna, pois isso aumenta a popularidade do novo presidente e sua força frente aos inimigos. Talvez suas ações sejam um sinal para o líder da Coreia do Norte, que ameaçou com lançar bombas nucleares caso receber um ataque dos Estados Unidos, e provavelmente falava sério. O próprio Trump ameaçou também com bombardear suas sedes nucleares.

Com dois presidentes tão imprevisíveis poderíamos estar perto de uma guerra nuclear. “Há membros do círculo mais próximo ao presidente que acreditam que o governo Trump avalia dar primeiro o “golpe” a Coreia do Norte. Porém, o mandatário coreano Kim Jong Um pode pensar da mesma forma e atacar primeiro” comentou Gideon Rachman, do Financial Times.

Desfile das Forças Armadas Norte-Coreanas

Rachman observou também que Trump chegou a conclusão de que a força militar o ajudaria a conseguir a imagem prometida nas urnas.

O colunista do New York Times, Nicholas Kristof, acredita que o pior pesadelo para os Estados Unidos seria que Trump se envolva em uma nova guerra coreana. Isso pode acontecer se ele destruir uma base de mísseis da Coreia do Norte, este país pode responder lançando suas bombas para Seul, onde moram 25 milhões de pessoas.

O general Gary Luck, ex-comandante das forças norte-americanas na Coreia do Sul, calculou que uma nova guerra coreana pode deixar um milhão de mortes e um bilhão de danos, explicou Kristof.

Longe das expectativas de deixar de ser a policia do mundo para colocar os “Estados Unidos em primeiro lugar” Trump agora pensa que as guerras e lançar bombas podem ter o efeito de que “Estados Unidos volte a ser poderoso”
Isso pode ser mais fácil que as batalhas internas para substituir a política de saúde do ex-presidente Barack Obama ou proibir a entrada de cidadãos e refugiados dos sete países muçulmanos, iniciativas já barradas pela justiça.

A mensagem de que existem um grupo de pessoas ou países que não são bem-vindos nos Estados Unidos pode gerar consequencias, os dados mostram um declinio no turismo e nas solicitações de estudantes estrangeiros para entrar nas universidades americanas.

Outro equivoco foi protagonizado com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que Trump condenou como obsoleta, mas logo afirmou que não era mais, para o alivio dos seus aliados ocidentais.

Outras mudanças de opinião aconteceram quando Trump reconheceu que China não manipula suas exportações, mesmo que na sua campanha ele prometeu que uma das primeiras ações ao assumir a presidência seria registrar a nação como manipuladora, elevando os impostos para o ingresso de produtos chineses.

Na cúpula bilateral realizada na Florida nos dias 7 e 8 de abril estes dois países estabeleceram um acordo, uma proposta do presidente chinês Xi Jinping de elaborar um plano de 100 dias para aumentar as exportações norte-americanas para China e diminuir o déficit comercial.

Trump solicitou ao seu Ministro do Comercio, Wilbur Ross, um estudo detalhado, nos próximos 90 dias, sobre os déficits comerciais e bilaterais para entender melhor suas causas, por motivo de dumping (venda a um preço inferior ao do mercado), enganos, acordos de livre comercio, subsídios, desajuste da moeda e as normas injustas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Desta forma, o presidente tomará as medidas necessárias para corrigir os desequilíbrios, afirmou Ross.

Durante os 100 primeiros dias de governo, Trump não cumpriu também com a sua ameaça de impor taxas adicionais a México e China. Porém ele afastou os Estados Unidos do Acordo de Associação Transpacífico (TPP) e ainda se desconhece o futuro da reforma do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA).

A principal ameaça ao sistema comercial pode vir de uma reforma fiscal elaborada por líderes de governo do Partido Republicano no Poder Legislativo. O documento original contém um sistema de “ajuste comercial” com o fim de impor taxas de 20% as importações para os Estados Unidos, ao mesmo tempo que são exoneradas taxas corporativas para as exportações.

De ser aprovada esta lei, surgirão inúmeras críticas contra os Estados Unidos na OMC, assim também muitos países podem tomar represálias. É provável que este assunto fique para atrás pela oposição interna ou que sofra modificações consideráveis.

Enquanto a nova política comercial dos Estados Unidos toma forma, nos seus 100 primeiros dias Trump aderiu a uma identidade protecionista. Outro dos assuntos complicados foi a política de Trump contra as mudanças climáticas de Obama. Ele quer reduzir o orçamento da Agencia de Proteção Ambiental em 31% e eliminar os programas de investigação e prevenção sobre este fenômeno em todas as instâncias do governo federal.

A Agência de Proteção Ambiental, liderada por um cético das mudanças climáticas, mandou rever os níveis de contaminação por veículos assim como o Plano de Energia Limpa, foco da Política de Obama para reduzir as emissões de CO2. O Plano levaria ao fechamento de fabricas e substituiria as centrais de energia por sistemas eólicos e solares. “Ir contra esta política comprova que Trump não tem intenção de cumprir os compromissos de Obama no Acordo de Paris” avaliou Coral Davenport do jornal The New Times.

No marco dos acordos pelo clima, Estados Unidos se comprometeram a reduzir os gases de efeito estufa em 26% até 2025, segundo os níveis de 2005. No entanto, parece que existe um debate interno nos Estados Unidos de se afastar do Acordo do Paris, mas mesmo se permanecer, a nova delegação pode impedir que outros países avancem em medidas ou ações.

Existe uma grande preocupação com as intenções de Trump de deixar de contribuir com os três bilhões de dólares para o Fundo Verde do Clima, iniciativa que ajuda países em desenvolvimento para realizar projetos de mudanças climáticas. Obama transferiu o primeiro bilhão de dólares, porém o governo Trump não realizará mais pagamentos a não ser que o Congresso discorde da decisão do presidente, o que é pouco provável.

Outro ponto negativo destes 100 dias, em especial para os países em desenvolvimento, é a intenção de Trump de diminuir a importância da cooperação internacional para o crescimento.

No mês de março, Washington comunicou sua proposta de orçamento com um corte de 28% ou 10,9 bilhões de dólares para a ONU e outras organizações internacionais, o Departamento do Estado, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) enquanto o orçamento militar aumentou em 54 bilhões de dólares. Tudo isso aconteceu enquanto o coordenador de assuntos humanitários da ONU, Stephen O’Brien realizava um chamado para aumentar os fundos de ajuda para a pior crise humanitária desde 1945 e uma grave seca que afeta a vida de 38 milhões de pessoas em 17 países africanos.

Trump também quer fazer cortes nas contribuições dos Estados Unidos para o orçamento geral da ONU e pagar no máximo 25% das missões de paz. Até o momento o país era responsável por 22% do orçamento geral da ONU, 5,4 bilhões de dólares, e 28,5% das missões de paz, equivalente a 7,9 bilhões de dólares. Além disso Washington vai cortar 650 milhões de dólares em três anos ao Banco Mundial e outras organizações multilaterais de crédito.

A comunidade que trabalha com as relações exteriores dos Estados Unidos está surpresa com a miopia de Trump e 121 generais da reserva solicitaram que o Congresso continuasse destinando fundos para a diplomacia e assistência externa por ser uma forma fundamental de prevenir conflitos.

A ideia de Trump pode ser rediscutida no Congresso, posto que existem muitas pessoas a favor da diplomacia, preocupadas com missões humanitárias. E finalmente o problema da redução de fundos, desde a perspectiva de Trump, no contexto da política externa destrói o espirito e o senso de cooperação internacional.

Se um dos maiores emissores de gases efeito estufa desacredita e questiona o aquecimento global pela atividade humana e seu efeito devastador na terra e não se compromete a tomar medidas locais e ajudar aos outros então outros países podem seguir este mau exemplo. O mundo pode ficar sem a cooperação internacional que precisa para se salvar do catastrófico efeito do aquecimento global. (IPS/#Envolverde)

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*Análise de Martin Khor – 

Este é um artigo de opinião de Martin Khor, diretor executivo do Centro Sul, organização governamental dos países em desenvolvimento, com sede em Genebra.

PENANG, 01 de maio (IPS) – Ao completar 100 dias do governo de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, é preciso avaliar seu impacto até hoje no mundo e nos países em desenvolvimento. É muito cedo para tirar conclusões, mas o que se viu desde que ele assumiu o poder um 20 de janeiro até agora é bastante preocupante.

Trump disse que Estados Unidos não se vincularia as guerras dos outros países, porém no dia 6 de abril atacou Síria, apesar de não ter provas contundentes que demostrassem a responsabilidade do presidente sírio Bashar al Assad no uso de armas químicas. Na sequência, lançou uma bomba nuclear devastadora em uma cidade muito povoada em Afeganistão.

Alguns analistas afirmaram que o intuito desse ataque foi enviar uma mensagem interna, pois isso aumenta a popularidade do novo presidente e sua força frente aos inimigos. Talvez suas ações sejam um sinal para o líder da Coreia do Norte, que ameaçou com lançar bombas nucleares caso receber um ataque dos Estados Unidos, e provavelmente falava sério. O próprio Trump ameaçou também com bombardear suas sedes nucleares.

Com dois presidentes tão imprevisíveis poderíamos estar perto de uma guerra nuclear. “Há membros do círculo mais próximo ao presidente que acreditam que o governo Trump avalia dar primeiro o “golpe” a Coreia do Norte. Porém, o mandatário coreano Kim Jong Um pode pensar da mesma forma e atacar primeiro” comentou Gideon Rachman, do Financial Times.

Desfile das Forças Armadas Norte-Coreanas

Rachman observou também que Trump chegou a conclusão de que a força militar o ajudaria a conseguir a imagem prometida nas urnas.

O colunista do New York Times, Nicholas Kristof, acredita que o pior pesadelo para os Estados Unidos seria que Trump se envolva em uma nova guerra coreana. Isso pode acontecer se ele destruir uma base de mísseis da Coreia do Norte, este país pode responder lançando suas bombas para Seul, onde moram 25 milhões de pessoas.

O general Gary Luck, ex-comandante das forças norte-americanas na Coreia do Sul, calculou que uma nova guerra coreana pode deixar um milhão de mortes e um bilhão de danos, explicou Kristof.

Longe das expectativas de deixar de ser a policia do mundo para colocar os “Estados Unidos em primeiro lugar” Trump agora pensa que as guerras e lançar bombas podem ter o efeito de que “Estados Unidos volte a ser poderoso”
Isso pode ser mais fácil que as batalhas internas para substituir a política de saúde do ex-presidente Barack Obama ou proibir a entrada de cidadãos e refugiados dos sete países muçulmanos, iniciativas já barradas pela justiça.

A mensagem de que existem um grupo de pessoas ou países que não são bem-vindos nos Estados Unidos pode gerar consequencias, os dados mostram um declinio no turismo e nas solicitações de estudantes estrangeiros para entrar nas universidades americanas.

Outro equivoco foi protagonizado com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que Trump condenou como obsoleta, mas logo afirmou que não era mais, para o alivio dos seus aliados ocidentais.

Outras mudanças de opinião aconteceram quando Trump reconheceu que China não manipula suas exportações, mesmo que na sua campanha ele prometeu que uma das primeiras ações ao assumir a presidência seria registrar a nação como manipuladora, elevando os impostos para o ingresso de produtos chineses.

Na cúpula bilateral realizada na Florida nos dias 7 e 8 de abril estes dois países estabeleceram um acordo, uma proposta do presidente chinês Xi Jinping de elaborar um plano de 100 dias para aumentar as exportações norte-americanas para China e diminuir o déficit comercial.

Trump solicitou ao seu Ministro do Comercio, Wilbur Ross, um estudo detalhado, nos próximos 90 dias, sobre os déficits comerciais e bilaterais para entender melhor suas causas, por motivo de dumping (venda a um preço inferior ao do mercado), enganos, acordos de livre comercio, subsídios, desajuste da moeda e as normas injustas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Desta forma, o presidente tomará as medidas necessárias para corrigir os desequilíbrios, afirmou Ross.

Durante os 100 primeiros dias de governo, Trump não cumpriu também com a sua ameaça de impor taxas adicionais a México e China. Porém ele afastou os Estados Unidos do Acordo de Associação Transpacífico (TPP) e ainda se desconhece o futuro da reforma do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA).

A principal ameaça ao sistema comercial pode vir de uma reforma fiscal elaborada por líderes de governo do Partido Republicano no Poder Legislativo. O documento original contém um sistema de “ajuste comercial” com o fim de impor taxas de 20% as importações para os Estados Unidos, ao mesmo tempo que são exoneradas taxas corporativas para as exportações.

De ser aprovada esta lei, surgirão inúmeras críticas contra os Estados Unidos na OMC, assim também muitos países podem tomar represálias. É provável que este assunto fique para atrás pela oposição interna ou que sofra modificações consideráveis.

Enquanto a nova política comercial dos Estados Unidos toma forma, nos seus 100 primeiros dias Trump aderiu a uma identidade protecionista. Outro dos assuntos complicados foi a política de Trump contra as mudanças climáticas de Obama. Ele quer reduzir o orçamento da Agencia de Proteção Ambiental em 31% e eliminar os programas de investigação e prevenção sobre este fenômeno em todas as instâncias do governo federal.

A Agência de Proteção Ambiental, liderada por um cético das mudanças climáticas, mandou rever os níveis de contaminação por veículos assim como o Plano de Energia Limpa, foco da Política de Obama para reduzir as emissões de CO2. O Plano levaria ao fechamento de fabricas e substituiria as centrais de energia por sistemas eólicos e solares. “Ir contra esta política comprova que Trump não tem intenção de cumprir os compromissos de Obama no Acordo de Paris” avaliou Coral Davenport do jornal The New Times.

No marco dos acordos pelo clima, Estados Unidos se comprometeram a reduzir os gases de efeito estufa em 26% até 2025, segundo os níveis de 2005. No entanto, parece que existe um debate interno nos Estados Unidos de se afastar do Acordo do Paris, mas mesmo se permanecer, a nova delegação pode impedir que outros países avancem em medidas ou ações.

Existe uma grande preocupação com as intenções de Trump de deixar de contribuir com os três bilhões de dólares para o Fundo Verde do Clima, iniciativa que ajuda países em desenvolvimento para realizar projetos de mudanças climáticas. Obama transferiu o primeiro bilhão de dólares, porém o governo Trump não realizará mais pagamentos a não ser que o Congresso discorde da decisão do presidente, o que é pouco provável.

Outro ponto negativo destes 100 dias, em especial para os países em desenvolvimento, é a intenção de Trump de diminuir a importância da cooperação internacional para o crescimento.

No mês de março, Washington comunicou sua proposta de orçamento com um corte de 28% ou 10,9 bilhões de dólares para a ONU e outras organizações internacionais, o Departamento do Estado, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) enquanto o orçamento militar aumentou em 54 bilhões de dólares. Tudo isso aconteceu enquanto o coordenador de assuntos humanitários da ONU, Stephen O’Brien realizava um chamado para aumentar os fundos de ajuda para a pior crise humanitária desde 1945 e uma grave seca que afeta a vida de 38 milhões de pessoas em 17 países africanos.

Trump também quer fazer cortes nas contribuições dos Estados Unidos para o orçamento geral da ONU e pagar no máximo 25% das missões de paz. Até o momento o país era responsável por 22% do orçamento geral da ONU, 5,4 bilhões de dólares, e 28,5% das missões de paz, equivalente a 7,9 bilhões de dólares. Além disso Washington vai cortar 650 milhões de dólares em três anos ao Banco Mundial e outras organizações multilaterais de crédito.

A comunidade que trabalha com as relações exteriores dos Estados Unidos está surpresa com a miopia de Trump e 121 generais da reserva solicitaram que o Congresso continuasse destinando fundos para a diplomacia e assistência externa por ser uma forma fundamental de prevenir conflitos.

A ideia de Trump pode ser rediscutida no Congresso, posto que existem muitas pessoas a favor da diplomacia, preocupadas com missões humanitárias. E finalmente o problema da redução de fundos, desde a perspectiva de Trump, no contexto da política externa destrói o espirito e o senso de cooperação internacional.

Se um dos maiores emissores de gases efeito estufa desacredita e questiona o aquecimento global pela atividade humana e seu efeito devastador na terra e não se compromete a tomar medidas locais e ajudar aos outros então outros países podem seguir este mau exemplo. O mundo pode ficar sem a cooperação internacional que precisa para se salvar do catastrófico efeito do aquecimento global. (IPS/#Envolverde)

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Brasil: Política, um negócio muito rentável http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/04/ultimas-noticias/brasil-politica-um-negocio-muito-rentavel/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/04/ultimas-noticias/brasil-politica-um-negocio-muito-rentavel/#comments Tue, 18 Apr 2017 12:40:31 +0000 Mario Osava http://www.envolverde.com.br/?p=220532 Por Mario Osava, da IPS –  Rio de Janeiro, abril – A democracia no Brasil vai sobreviver aos escândalos de corrupção da geração atual de líderes políticos e impedir as reformas que governo planeja para superar a crise econômica? “A intervenção militar não está no horizonte mas pode aparecer se aumentarem os conflitos de caos […]

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Por Mario Osava, da IPS – 

Rio de Janeiro, abril – A democracia no Brasil vai sobreviver aos escândalos de corrupção da geração atual de líderes políticos e impedir as reformas que governo planeja para superar a crise econômica?

“A intervenção militar não está no horizonte mas pode aparecer se aumentarem os conflitos de caos como aconteceu em Espirito Santo” afirma, com medo, o historiador Daniel Aarão Reis, professor da Universidade Federal Fluminense em Niterói, cidade vizinha a Rio de Janeiro.

O pequeno estado de Espírito Santo região centro-oeste do Brasil vivenciou muitos roubos e assassinatos nas primeiras semanas de fevereiro, sem transporte público, comércios, escolas e hospitais que estavam fechados por motivo da greve da polícia militar, que deixou de cuidar das ruas reivindicando melhores salários.

“ Uma separação social perigosa, que coloca em risco o sistema institucional pode ser um dos cenários do futuro” prevê o sociólogo Elimar Nascimento, professor de pós-graduação em Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília.

A situação provocaria a queda de muitos líderes políticos acusados de corrupção, dos protestos de rua e a rejeição das reformas trabalhistas, assim como as greves do setor público pelo aumento de salário podem gerar rebeliões como as de Espírito Santo. Tudo isso prejudicaria a economia prolongando a rescisão, segundo Nascimento.

Outra alternativa seria acabar com a Operação Lava Jato do Ministério Público que investiga a corrupção nos negócios petroleiros e que involucra muitos líderes de governo e oito ministros, segundo o testemunho de 78 dirigentes e ex-dirigentes da Odebrecht que contribuíram com a Justiça. “Nada vai mudar, a maioria dos acusados ficaria livre, a corrupção voltará a crescer, estaríamos perdendo uma oportunidade única de renovar a política brasileira em 2018” explica Nascimento.

Exclusão de corruptos é improvável

Entre os cenários mais extremistas existe um meio termo que é limpar a política nas eleições com a exclusão dos corruptos da Lava Jato, no entanto isso é pouco provável pela cultura permissiva dos brasileiros” avaliou o professor em diálogo com a IPS.

“A corrupção na magnitude revelada pelos investigadores nos três últimos anos ameaçou a democracia de forma sistemática e generalizada” apontou Nascimento, que participou em debates internacionais sobre as carências da democracia neste século.

A ferida maior estaria nas revelações da Odebrecht, cinco ex-presidentes vivos e o atual mandatario Michel Temer, se beneficiaram de recursos ilegais além do presidente do Senado Elicio Oliveira, o da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia assim como os líderes dos principais partidos.

A batalha dos políticos denunciados na Operação Lava Jato trouxe à tona os vícios do sistema brasileiro. A reforma política, uma velha demanda nacional, pode se concretizar agora, porém sem corrigir distorções, como a fragmentação partidária há uma brecha para que velhos líderes, que poderiam estar presos, fujam da condenação.

O voto em listas fechadas para os partidos, tinha poucos adeptos, mas hoje tem seguidores inesperados, facilitando sua aprovação.

Os brasileiros preferem votar em candidatos individuais ao parlamento, porém não em partidos. Sendo que os líderes dos partidos escolheriam a lista de candidatos e sua ordem, esta seria uma forma simples de reeleger senadores e deputados envolvidos em processos judiciais, reduzindo as condenações.

No entanto, no Brasil parlamentares e governantes em geral contam com um foro privilegiado, onde são julgados por tribunais superiores e os processos são lentos e acostumam desaparecer pela prescrição de delitos. Além disso estes líderes querem ter o privilégio de se candidatar aos cargos de deputados e governador de estado aumentando as chances de ficar impunes.

O medo da primeira instância

O maior medo deles é que sem cargos públicos eles precisarão enfrentar o juiz Sergio Moro que comanda a Operação Lava Jato e já pediu 199 prisões preventivas, ajuizou 267 pessoas e condenou 27. Sem o foro privilegiado, Moro seria a alternativa.

A rapidez da primeira instancia é contrastante com a lentidão do Supremo Tribunal Federal onde cerca de 200 políticos são investigados, mas sem nenhuma condena. As sentencias da corte acostumam demorar cinco anos e medio, segundo dados do centro de estudos da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro.

“Os privilégios, mais que a corrupção são a maldição da política brasileira” declarou Aarão Reis que identifica na Constituição Nacional de 1988 um fortalecimento do sistema aristocrático vigente. “ O voto em lista fechada fortaleceria esta aristocracia” diz

Além do foro os parlamentarem usufruem de elevadas remunerações fixadas por eles mesmos. Existe um limite constitucional de 10.700 dólares, porém há mecanismos para driblar esta regra, como adicionais de moradia, passagens aéreas, verba para assessores e funcionários de escritório, assistência médica, veículos e combustível. “O senador campeão tem 79 funcionários no seu gabinete” afirmou Nascimento.

Desta forma cada senador custa a sociedade 51 mil dólares mensais, 10% menos que um deputado. Além disso os parlamentares têm direito a emendas que destinadas a inversões, hospitais, centros culturais. No entanto o Poder executivo decide quando libera estes recursos e os utiliza como moedas para assegurar a maioria parlamentaria, uma espécie de suborno para a votação de propostas polêmicas e prioritárias para o governo.

Há também chances do parlamentar se reeleger ou tentar vôos mais altos como governar um estado, dificultando o ingresso ao “castelo” e limitando a renovação do parlamento brasileiro.

Quem paga a conta das eleições

“Outra aberração é a proposta de aumentar o fundo público para financiar eleições em outubro de 2018” destacou Aarão Reis. Cerca de 2200 milhões de reais são a atual proposta em debate pelos deputados.

Somado ao Fundo Partidário de 819 milhões de reais que este ano será distribuído entre 35 partidos registrados na Justiça Eleitoral, em quantidade proporcional a votação das últimas eleições de deputados em 2014.

“À sociedade lhe é imposta a responsabilidade de financiar os gastos partidários e eleitorais. Se os partidos querem fazer campanhas caras, deveriam utilizar as doações dos seus afiliados” diz Aarão Reis, historiador que atualmente escreve um livro sobre a revolução soviética em 1917.

Tudo isso transformou a política brasileira em um grande negócio onde você ganha dinheiro, proteção judicial e vantagens diversas para se manter no poder. Em consequência hoje existem 56 novos partidos pedindo registro eleitoral. (IPS/#Envolverde)

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Uma crise de refugiados ao estilo Trump http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/04/ultimas-noticias/uma-crise-de-refugiados-ao-estilo-trump/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2017/04/ultimas-noticias/uma-crise-de-refugiados-ao-estilo-trump/#comments Mon, 17 Apr 2017 20:44:16 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=220521 Por Madeleine Penman, da IPS –  México, abril 2017 (IPS) O cenário de uma das fronteiras mais conhecidas no mundo, ao redor de 1000 quilômetros de uma cerca de metal poroso, que divide vidas, esperanças e sonhos entre os Estados Unidos e México é sem dúvida esmagador, mas não do jeito que esperávamos. Mesmo com o […]

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Por Madeleine Penman, da IPS – 

México, abril 2017 (IPS) O cenário de uma das fronteiras mais conhecidas no mundo, ao redor de 1000 quilômetros de uma cerca de metal poroso, que divide vidas, esperanças e sonhos entre os Estados Unidos e México é sem dúvida esmagador, mas não do jeito que esperávamos. Mesmo com o discurso da campanha eleitoral dos Estados Unidos no ano passado, o limite que separa estes dois países hoje se apresenta absurdamente “tranquilo”.

Não é possível encontrar homens, mulheres e crianças como Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, esperava que invadissem o local.

Também não tem ninguém trabalhando no poderoso muro que Trump prometeu construir em 3000 quilômetros de fronteira.  Nem estão os 5000 agentes que incrementariam a segurança no local.

Mas na fronteira hoje existe uma confusão e pavor gigantes. Segundo os defensores humanitários é a “calma antes da tempestade” nada novo, porém podem se tornar algo muito pior. As promessas de Trump não se materializaram, mas estão em andamento junto a outras práticas nas fronteiras.

O impacto deste controle fronteiriço na vida das pessoas que vivem constantemente o terror de ser deportadas com violência extrema estão começando a ser visíveis, o que pode gerar uma crise de refugiados.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Semear um discurso de ódio e medo

Desde que iniciou sua campanha pela presidência Trump chamou de “delinquentes e estupradores” aos imigrantes e refugiados de México e América Central. No reconheceu o sofrimento dos milhares de homens, mulheres e crianças que vivem e situações de conflito, alguns nos países mais perigosos do mundo como El Salvador e Honduras, onde precisaram fugir para sobreviver.

Elaborar leis confusas sem assessoria sobre sua aplicação

Diversas leis propostas por Trump nos primeiros dias de mandato pretendiam fechar a fronteira para imigrantes e refugiados à procura de um local seguro nos Estados Unidos. Uma normativa de 25 de janeiro tinha por objetivo garantir a expulsão de migrantes e refugiados o mais rápido possível. No entanto dados revelam que as autoridades fronteiriças não fazem ideia de como aplicar os caprichos de Trump.

Enviar as pessoas de volta sem fazer perguntas

Todo ano, milhares de pessoas da América Central e outros países atravessam a fronteira de México e Estados Unidos à procura de segurança e uma vida melhor.

No entanto ao invés de entrarem nos Estados Unidos ganhando refúgio para salvar suas vidas, o serviço de Aduanas e Proteção de Fronteiras nega a entrada delas.

Desde San Diego, Califórnia até McAllen, Texas desde 2015 os agentes das fronteiras são conhecidos por fazer justiça com as próprias mãos, rejeitando solicitações e afirmando que ninguém podem entrar. Esta realidade é imoral e vai contra os princípios jurídicos internacionais e os compromissos assumidos pelos Estados Unidos onde existe o direito de solicitar refúgio.

“Você não sente vergonha de ajudar terroristas? ” Foi assim como uma funcionária de Direitos Humanos em México foi alvo de piada por um agente de fronteira em Arizona quando acompanhava pessoas de Centroamérica para garantir que os respeitassem.

Ignorar as organizações criminosas que aterrorizam os refugiados

Entrar nos Estados Unidos sem documentação é quase um suicídio, as pessoas ficam expostas aos carteis de drogas e os grupos criminosos que controlam a fronteira e que estão dispostos a se aproveitar das pessoas desesperadas.

Desde a eleição de Trump os traficantes de pessoas aumentaram seus valores. O Secretário de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Kelly, desde novembro de 2016 a taxa pelo tráfico humano aumento de 3500 dólares a 8000. Mas o secretário não reconhece o risco da vida destas pessoas que fogem dos seus países apesar do controle de Trump. Com o muro os traficantes vão ganhar além de dinheiro, poder.

Externalizar a responsabilidade

Há múltiplos questionamentos sobre os planos dos Estados Unidos de militarizar a fronteira e negar a entrada dos refugiados. Nas últimas semanas o ministro de Relações Exteriores de México, Luis Videgaray anunciou que México não aceitaria que pessoas estrangeiras fossem deportadas dos Estados Unidos por motivo da ordem de 25 de janeiro.

Mas como isso será posto em prática? México se negará a receber imigrantes? Teremos mais campos de refugiados na fronteira México – Estados Unidos? Ou os imigrantes serão presos em centros de detenção?

Segundo Amnistia Internacional em México também não há um plano especifico para receber as pessoas que Estados Unidos rejeita, gerando uma grande confusão. Nesse contexto os imigrantes e refugiados estão expostos a violação dos seus direitos, com medo do governo americano os deter e expulsar e com a incerteza do que espera para eles em solo mexicano com inúmeros abusos. (IPS/#Envolverde)

 

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