IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Wed, 01 Jul 2015 12:47:29 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.2 Pescadores à míngua por causa de megaobras como Belo Monte http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/pescadores-a-mingua-por-causa-de-megaobras-como-belo-monte/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/pescadores-a-mingua-por-causa-de-megaobras-como-belo-monte/#comments Wed, 01 Jul 2015 12:47:29 +0000 Mario Osava http://www.envolverde.com.br/?p=196907 Por Mario Osava, da IPS –  Altamira, Brasil, 1/7/2015 – A construção da central hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, na Amazônia brasileira, confirma os pescadores artesanais como vítimas precoces e esquecidas dos megaprojetos que avassalam as águas do Brasil. “Sou um pescador sem rio que sonha viajar, que sonha navegar em um barco de […]

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Pescadores e pescadoras da ribeira do rio Xingu, na Amazônia brasileira, durante uma das reuniões de supervisão sobre os impactos para eles da construção da hidrelétrica de Belo Monte, promovida pela Procuradoria do país. Foto: Mario Osava/IPS

Pescadores e pescadoras da ribeira do rio Xingu, na Amazônia brasileira, durante uma das reuniões de supervisão sobre os impactos para eles da construção da hidrelétrica de Belo Monte, promovida pela Procuradoria do país. Foto: Mario Osava/IPS

Por Mario Osava, da IPS – 

Altamira, Brasil, 1/7/2015 – A construção da central hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, na Amazônia brasileira, confirma os pescadores artesanais como vítimas precoces e esquecidas dos megaprojetos que avassalam as águas do Brasil.

“Sou um pescador sem rio que sonha viajar, que sonha navegar em um barco de esperança. Há três anos minha vida parece ter acabado, mas também se renovou o sonho de um novo rio”, disse Elio Alves da Silva sobre o fim de sua Comunidade Santo Antonio, a primeira removida em razão das obras. Agora, vive isolado em uma propriedade a 75 quilômetros dali, trabalha como pedreiro “para não passar fome” e sentir menos falta do rio e suas praias, da vida comunitária, da igreja demolida e do futebol no campo de Santo Antonio, agora convertido em estacionamento para os construtores.

Seu testemunho sobre a dispersão de 245 famílias de sua agrovila foi ouvido por representantes da Promotoria, do Conselho Nacional de Direitos Humanos, do governo e de universidades de Brasília e outras cidades, que se reuniram em Altamira, em junho, para inspecionar os impactos de Belo Monte sobre a população ribeirinha do rio Xingu. Altamira, com 140 mil habitantes estimados, é o maior dos 11 municípios do Pará afetados pela megaobra, iniciada em 2011.

“Os grupos ribeirinhos, embora sejam expressão de um modo de vida tradicional, ficaram invisíveis no processo de licitação da central de Belo Monte, e hoje não encontram nesse processo soluções que sejam adequadas à sua peculiaridade”, diz o informe conclusivo da inspeção em uma de suas 55 “constatações”.

Às famílias que vivem e pescam em ilhas e margens não urbanas do trecho afetado do rio a empresa concessionária da hidrelétrica, Norte Energia, ofereceu indenizações e reassentamentos de forma individual ou coletiva. Mas, em nenhum caso, são recompostas suas condições de vida anteriores, como exigem as normas ambientais brasileiras. A empresa só ofereceu reassentá-los longe do rio e as indenizações, em dinheiro ou carta de crédito, não são suficientes para comprar terras ribeirinhas mais caras.

A Norte Energia não reconhece a singularidade de muitos pescadores locais, que têm dupla moradia, uma ribeirinha para trabalho de pesca, que pode durar muitos dias, e outra urbana para a comercialização e o acesso a serviços públicos. Isso reduz a compensação às famílias, ao obrigá-las a renunciar a uma parte de sua vida e serem separadas por sua residência ribeirinha ou pela urbana, critica o informe. Sua outra moradia é indenizada como “ponto de apoio”, pela edificação e pelos equipamentos, bens simples e baratos.

Barcos de pesca já abandonados à margem do rio Xingu, em um bairro da cidade de Altamira, no Pará, que foi evacuado antes de ser inundado pela represa da hidrelétrica de Belo Monte. Foto: Mario Osava/IPS

Barcos de pesca já abandonados à margem do rio Xingu, em um bairro da cidade de Altamira, no Pará, que foi evacuado antes de ser inundado pela represa da hidrelétrica de Belo Monte. Foto: Mario Osava/IPS

Centenas de famílias pescadoras foram desalojadas e quase todas preferiram as indenizações, mesmo insuficientes para garantir seu modo de vida e seu futuro, porque não há alternativa satisfatória de reassentamento, segundo constatou a inspeção promovida pela Promotoria. Mas ainda há muitas resistindo. É o caso de Socorro Arara, cujo sobrenome é o mesmo de seu povo indígena, pescadora da ilha do Padeiro, que ficará inundada pela represa principal de Belo Monte.

“A Norte Energia ofereceu R$ 28 mil (US$ 9 mil), não aceitei, é muito pouco para as sete famílias” do grupo que engloba seus pais, três filhos e duas irmãs com seus companheiros, explicou Arara à IPS. “Queremos um reassentamento coletivo à beira do Xingu, com todas as famílias, e tem de ser rio acima, porque rio abaixo está tudo impactado”, acrescentou, destacando que por causa dessa luta esteve em Brasília, apresentando a situação aos magistrados do Supremo Tribunal Federal e a assessores da Presidência e de ministérios.

Mas será difícil, porque a empresa só admite registrar uma família para as compensações, não as sete. Além disso, Arara reclama terras amplas para pequenos cultivos e extração de frutos nativos, como fazia na ilha.

Melhor sorte teve outro pescador indígena, José Nelson Kuruaia, e sua mulher, Francisca dos Santos Silva, que viviam em um bairro de Altamira que será inundado pela represa central. Eles conseguiram uma das 4.100 moradias construídas pela Norte Energia para os deslocados urbanos.

Também receberam R$ 20,7 mil de indenização por uma casinha e equipamentos que mantinham na ilha de Barriguda, águas acima de Altamira, onde pescavam de segunda-feira a sábado e conseguiam cerca de 150 quilos por semana. Agora, aposentado e com 71 anos, Kuruaia vai pescar “às vezes”. Ele conta que gosta “muito do rio e se não trabalho adoeço”, disse à IPS, diante da oposição de seus seis filhos e da mulher que o acompanhava como “boa pescadora”, até ter problemas em seus joelhos.

Jatobá, o novo bairro onde Kuruaia foi assentado, ocupa um monte longe do rio. Para os pescadores isso representa um custo de R$ 30 (US$ 9,6) para transportar o motor até à margem, onde se deixa o barco com o risco de ser roubado. Antes, todos viviam em bairros inundáveis, mas na margem do rio.

Diante da pressão dos pescadores, reassentados ou por serem reassentados, a Norte Energia decidiu construir outro bairro urbano perto do rio, para cerca de 500 famílias dedicadas ao ofício. Mas é destinado a pescadores urbanos, não aos ribeirinhos como Socorro Arara.

José Nelson Kuruaia e Francisca dos Santos Silva, um casal de pescadores deslocados pelo megaprojeto da hidrelétrica de Belo Monte, na casa nova no bairro construído pela empresa concessionária, que os afastou das margens do rio Xingu, na Amazônia brasileira, truncando sua forma de vida. Foto: Mario Osava/IPS

José Nelson Kuruaia e Francisca dos Santos Silva, um casal de pescadores deslocados pelo megaprojeto da hidrelétrica de Belo Monte, na casa nova no bairro construído pela empresa concessionária, que os afastou das margens do rio Xingu, na Amazônia brasileira, truncando sua forma de vida. Foto: Mario Osava/IPS

A batalha dos pescadores não se limita ao lar e aos locais de trabalho. Muitos querem indenizações por perdas nos últimos quatro anos devido à construção da hidrelétrica. “Pesquei quatro dias, de quinta a domingo, e só consegui 30 quilos de tucunaré. Antes pescava de 60 a cem em um só dia e de peixes variados, como pacu, tucunaré, pescada, curimatá e bagre, que havia o ano todo”, contou Giácomo Dallacqua, presidente da Colônia de Pescadores de Vitória do Xingu, com 1.600 membros.

“As explosões na margem do rio são nossa dor de cabeça, porque afugentam os peixes”, pontuou Dallacqua à IPS, se referindo aos explosivos para quebrar rochas e preparar a represa e os canais que comporão a terceira maior hidrelétrica do mundo em potência geradora, de 11.233 megawatts.

A isso se somam a forte iluminação durante toda a noite nas proximidades da obra, a água turva, a dragagem de praias para usar sua areia na construção, o aterramento de igarapés e o trânsito de embarcações pesadas para transportar os equipamentos que vão gerar eletricidade, acrescentou a bióloga Cristiane Costa.

Ponte em construção na rodovia Transamazônica, sob a qual passarão as águas da central de Belo Monte, antes de desaguarem no rio Xingu, no norte do Brasil. As explosões, a forte iluminação noturna e as alterações do curso fluvial afugentaram os peixes, denunciam os pescadores. Foto: Mario Osava/IPS

Ponte em construção na rodovia Transamazônica, sob a qual passarão as águas da central de Belo Monte, antes de desaguarem no rio Xingu, no norte do Brasil. As explosões, a forte iluminação noturna e as alterações do curso fluvial afugentaram os peixes, denunciam os pescadores. Foto: Mario Osava/IPS

Tais impactos ocorrem especialmente nas proximidades de Belo Monte, um distrito do município de Vitória do Xingu, onde é construída a unidade principal, com 11 mil megawatts de capacidade, e onde a pesca era mais produtiva na região. Mas também ocorrem em Pimental, dentro do município de Altamira, onde é instalada outra unidade geradora, de 233 megawatts, e a represa que inundará parte da cidade de Altamira.

A Norte Energia não reconhece que suas obras tenham causado uma redução na pesca. Não há comprovação científica, apesar das queixas generalizadas dos pescadores, dos quais há cerca de três mil diretamente afetados. Por outro lado, a empresa anunciou investimentos de US$ 7 milhões, em um acordo de cooperação com o Ministério da Pesca, para implantar o Centro Integrado de Pesca Ambiental de Altamira, laboratórios de aquicultura e criadouros de peixes ornamentais, além de capacitar pescadores. Envolverde/IPS

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Ban Ki-moon quer equidade na cúpula do clima http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/ban-ki-moon-quer-equidade-na-cupula-do-clima/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/ban-ki-moon-quer-equidade-na-cupula-do-clima/#comments Wed, 01 Jul 2015 12:32:42 +0000 Thalif Deen http://www.envolverde.com.br/?p=196904 Por Thalif Deen, da IPS –  Nações Unidas, 1/7/2015 – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, advertiu que todo acordo proposto na próxima cúpula mundial sobre mudança climática, que acontecerá em dezembro na cidade de Paris, deverá se basear no princípio da equidade. Ban fez essas declarações no dia 29, em uma […]

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O secretário-geral Ban Ki-moon (ao microfone), acompanhado por Manuel Pulgar, ministro de Ambiente do Peru (primeiro à esquerda), Laurent Fabius, ministro de Relações Exteriores da França (segundo) e Sam Kutesa, presidente da 69ª sessão da Assembleia Geral (direita). Foto: ONU

O secretário-geral Ban Ki-moon (ao microfone), acompanhado por Manuel Pulgar, ministro de Ambiente do Peru (primeiro à esquerda), Laurent Fabius, ministro de Relações Exteriores da França (segundo) e Sam Kutesa, presidente da 69ª sessão da Assembleia Geral (direita). Foto: ONU

Por Thalif Deen, da IPS – 

Nações Unidas, 1/7/2015 – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, advertiu que todo acordo proposto na próxima cúpula mundial sobre mudança climática, que acontecerá em dezembro na cidade de Paris, deverá se basear no princípio da equidade. Ban fez essas declarações no dia 29, em uma reunião de alto nível sobre a mudança climática celebrada na Assembleia Geral da ONU.

A cúpula de Paris, oficialmente conhecida como 21ª Conferência das Partes (COP 21) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, deverá aprovar um novo tratado vinculante e universal que apoie as necessidades de adaptação do Sul em desenvolvimento e, sobretudo, “demonstre solidariedade com os países mais pobres e vulneráveis mediante um pacto de ajuda focada”, afirmou Ban.

O secretário-geral pretende conseguir US$ 100 bilhões por ano até 2020, para fortalecer a capacidade de resistência dos países em desenvolvimento à mudança climática e reduzir as emissões de gases-estufa que a provocam. Os Estados insulares dos oceanos Índico e Pacífico estão em perigo de desaparecer da face da Terra devido à elevação do nível do mar causado pela mudança climática.

“Os impactos da mudança climática estão sofrendo uma aceleração”, disse Ban, no dia 17 deste mês, no Fórum Mundial de Seguros, realizado em Nova York. “Os desastres meteorológicos são mais frequentes e mais intensos. Todos nós somos afetados, mas não todos igualmente”, ressaltou, insistindo nas desigualdades do impacto da mudança climática.

O ugandense Sam Kutesa, presidente da 69ª sessão da Assembleia Geral da ONU, que convocou a reunião de alto nível, disse que os desastres recorrentes afetam distintas regiões como consequência das mudanças dos padrões climáticos, que “são motivo de profunda preocupação para todos nós”.

Kutesa destacou que muitos pequenos Estados insulares em desenvolvimento, como Kiribati, enfrentam uma ameaça existencial devido ao aumento do nível do mar, enquanto outros países sofrem secas devastadoras que deixam suas terras inabitáveis e improdutivas. “Também presenciamos cada vez mais secas, inundações, deslizamentos de terra. Em meu país, Uganda, o impacto da mudança climática afeta os meios de vida da população rural que depende da agricultura”, ressaltou.

Por outro lado, Ban apontou que, desde 2009, quase duplicou o número de leis e políticas climáticas nacionais, e que 75% das emissões anuais do mundo estão cobertas pelas metas nacionais. “As maiores economias do mundo (China, União Europeia e Estados Unidos) apostaram no crescimento com baixo consumo de carbono e resistente ao clima”, acrescentou.

“Me agrada o fato de a resiliência estar presente na discussão de alto nível sobre a mudança climática na ONU”, afirmou Roger Mark de Souza, diretor de População, Segurança Ambiental e Resiliência da organização Wilson Center, com sede em Washington. A resiliência tem o potencial de ser uma estratégia transformadora para abordar os riscos de fragilidade climática, ao permitir que os países vulneráveis prevejam, se adaptem e saiam fortalecidos das crises, acrescentou.

Segundo Souza, três intervenções em nível internacional, e no contexto dos debates sobre a mudança climática anteriores e posteriores à COP 21, liberarão esse potencial transformador. Em primeiro lugar, a análise de prognóstico que proporcione uma metodologia de avaliação de riscos unificada, compartilhada e acessível, e rigorosos indicadores de medição da capacidade de recuperação que informam as ações práticas e a eficácia operacional em nível regional, nacional e local, detalhou.

Em segundo lugar, Souza propôs que a redução do risco, as estratégias de recuperação e o planejamento de adaptação de longo prazo se integrem a todos os mecanismos de resposta em matéria de mudança climática, de desenvolvimento e humanitárias. E, em terceiro lugar, afirmou que o fortalecimento das alianças nesses níveis é vital, em todos os setores, como no caso das novas tecnologias e do financiamento de cunho inovador.

“Já não se pode esperar que as medidas ou decisões internacionais tenham um efeito de gotejamento para gerar resultados locais, e isso deverá ser fomentado e apoiado deliberadamente, mediante a análise prognóstica, com a participação do setor privado e o vínculo com as políticas e os programas de mitigação e adaptação”, disse Souza à IPS.

Perguntado sobre as consequências ambientais dos atuais conflitos no Oriente Médio, Ban respondeu aos meios de comunicação, no dia 29, que a instabilidade política tem sua origem na falta de bom governo e na injustiça social. A pobreza extrema e a degradação ambiental também incidem na instabilidade sociopolítica, já que afetam as oportunidades de emprego e a situação econômica, pontuou.

Para o secretário-geral, “é importante que os benefícios que vamos conseguir com o acordo sobre a mudança climática (em Paris) ajudem principalmente os 48 países menos adiantados e os países em conflito”.

O ator norte-americano Robert Redford, firme defensor do ambiente, também falou aos delegados, no dia 29, na qualidade de “pai, avô e também um cidadão preocupado, um dos milhares de milhões de todo o mundo que pedem aos senhores que tomem medidas, agora, sobre a mudança climática”.

“Sou ator de profissão, mas ativista por natureza, alguém que sempre acreditou que temos de encontrar o equilíbrio entre o que desenvolvemos para nossa sobrevivência e o que conservamos para nossa sobrevivência. A missão de vocês é tão simples quanto esmagadora. Salvar o mundo antes que seja muito tarde”, enfatizou Redford.

O ator também afirmou que a mudança climática é real e resultado da atividade humana. “Vemos as consequências à nossa volta, as secas e a fome na África, as ondas de calor no sul da Ásia, os incêndios florestais na América do Norte, e os furacões devastadores, e as paralisantes inundações aqui em Nova York. Assim, para onde olhamos, o clima moderado está se extinguindo”, ressaltou.

Os 15 primeiros anos do século 21 estão entre os mais quentes da história. E, na medida em que as temperaturas sobem, também se exacerba a instabilidade mundial, a pobreza e os conflitos armados, concluiu Redford. Envolverde/IPS

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Pessoas com deficiência como agentes de mudança http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/pessoas-com-deficiencia-como-agentes-de-mudanca/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/07/ultimas-noticias/pessoas-com-deficiencia-como-agentes-de-mudanca/#comments Wed, 01 Jul 2015 12:25:35 +0000 Nora Happel http://www.envolverde.com.br/?p=196915 Por Nora Happel, da IPS –  Nações Unidas, 1/7/2015 – Participação, empoderamento político e econômico, inclusão, infraestrutura e tecnologia acessível, bem como indicadores para uma significativa implantação são algumas das questões fundamentais que as pessoas com deficiência pretendem ver refletidas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Na fase final das negociações para definir a Agenda de […]

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A deficiência e a pobreza estão relacionadas, devido à discriminação, ao nível educacional e ao consequente desemprego. Foto: Bigstock

A deficiência e a pobreza estão relacionadas, devido à discriminação, ao nível educacional e ao consequente desemprego. Foto: Bigstock

Por Nora Happel, da IPS – 

Nações Unidas, 1/7/2015 – Participação, empoderamento político e econômico, inclusão, infraestrutura e tecnologia acessível, bem como indicadores para uma significativa implantação são algumas das questões fundamentais que as pessoas com deficiência pretendem ver refletidas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Na fase final das negociações para definir a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, as pessoas com deficiência pedem que os governos coloquem fim à exclusão e à discriminação, melhorando sua visibilidade e a de seus direitos nos ODS, que devem entrar em vigor no final do ano.

Rachel Kachaje, vice-presidente de Grupos Sub-Representados e Desenvolvimento no escritório da Organização Mundial de Pessoas com Deficiência, na capital do Malawi, afirmou que “gostaria que os ODS convertessem os deficientes em cidadãos produtivos em seus respectivos países. É muito doloroso ver as pessoas com deficiência lutando para serem reconhecidas na sociedade”.

Kachaje, ex-ministra de Deficiência e Assuntos de Pessoas Idosas do Malawi, sabe bem do que fala, porque aos três anos de idade foi infectada pelo vírus da poliomielite e perdeu a mobilidade nas duas pernas. Como sua família não podia pagar uma cadeira de rodas, seus problemas de deslocamento dificultaram seus estudos primário e secundário.

Ao terminar a escola e sem poder ir à universidade, demorou muito para conseguir trabalho porque as empresas se negavam a contratar pessoas com problemas físicos. Finalmente, graças ao seu empenho e a um ambiente familiar propício, Kachaje conseguiu superar as dificuldades e avançar em sua carreira chegando a ser ministra de seu país.

Sua história pessoal ilustra as barreiras físicas, sociais, educacionais e profissionais com as quais costumam se encontrar as pessoas deficientes na hora de desenvolver seu potencial e conseguir plena participação social, quando mediante um ambiente propício se pode conseguir importantes efeitos de habilitação. O empoderamento das pessoas com deficiência é, de fato, uma das demandas centrais dos ativistas.

Ao ser consultada pela IPS, Kachaje destacou a importância de facilitar o acesso à educação, como “chave-mestra para abrir todas as portas da vida” e propiciar um sustento que permita a atividade agrícola e a segurança alimentar. Outras medidas como serviços médicos, atividades sociais e maior participação na política ajudam os que lutam para se converterem em cidadãos totalmente produtivos.

“Gostaria que as pessoas com deficiência, em geral, e as mulheres com deficiências, em particular, bem como as organizações que as representam, participem, se envolvam e sejam consultadas para os processos governamentais. Não deve ficar apenas no papel”, pontuou Kachaje. “Desejaria que as autoridades passassem da palavra à ação”, ressaltou.

No Malawi houve avanços significativos em termos de inclusão educacional e econômica, bem como participação política. “As escolas se tornam mais acessíveis e são formados professores especializados. Ainda restam muitos desafios, mas pelo menos se faz algo e há vontade política para que a educação seja mais inclusiva. As pessoas deficientes também recebem uma ajuda econômica. Outras foram designadas para cargos de decisão”, explicou Kachaje.

Há duas semanas, foram discutidas medidas para superar a exclusão e incorporar os direitos desse setor da população na agenda de desenvolvimento sustentável, na oitava sessão da Conferência dos Estados Partes da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Este ano, a conferência se concentrou na redução da pobreza, na igualdade e no desenvolvimento. Como apontaram muitos oradores, a deficiência está estreitamente relacionada com a pobreza, que deriva, principalmente, da discriminação, do baixo nível educacional e do grau de desemprego.

Dias antes da conferência foi divulgado o rascunho zero do documento final da Cúpula da ONU que adotará a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015. Nesse contexto, muitos dos participantes lamentaram que não sejam mencionadas de forma específica as pessoas com deficiência no primeiro ODS, que procura acabar com a pobreza em todas suas formas e em todas as partes.

Segundo Venkatesh Balakrishna, presidente honorário da Rede Global de Reabilitação Comunitária, “ser invisível nos objetivos significa ser invisível para os benefícios”. E pediu aos governos que mencionem de forma específica as pessoas com deficiência no primeiro ODS e agreguem metas e indicadores concretos. “Deem alguma esperança a milhões de pessoas. Por favor, usem sua caneta para a justiça”, ressaltou.

Mas, em comparação com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), acordados em 2000 e que os ODS vão substituir, as pessoas deficientes conseguiram maior visibilidade no rascunho zero. De fato, Priscille Geiser, diretora da unidade técnica Apoio à Sociedade Civil da Handicap International, afirmou à IPS que “aplaudimos que as referências às pessoas com deficiências tenham sido reforçadas em toda a declaração”.

Por outro lado, disse Geiser, há carências em termos de tecnologia acessível para todos e de indicadores concretos para medir sua implantação. Além disso, deve-se dar maior ênfase na participação ativa das pessoas com deficiência. “É fundamental conseguir compromissos para que os ODS sejam implantados e revisados mediante uma participação significativa. Em linhas gerais, o papel ativo das pessoas como agentes de mudança, em lugar de simples beneficiários, está totalmente subestimado nessa nova agenda”, acrescentou.

Na conferência, várias vezes foi reiterado o fato de que a inclusão não deve ser vista como caridade, mas como um investimento na sociedade que gerará benefícios econômicos e melhorará a vida de todas as pessoas. “Já não podemos nos permitir o custo da exclusão”, destacou Catalina Devandas Aguilar, relatora especial da ONU para os direitos das pessoas com deficiência, se referindo à potencial perda econômica pela exclusão escolar de meninos e meninas deficientes e pela discriminação atual no mercado de trabalho.

Sobre os futuros desafios, Devandas enfatizou a necessidade de traduzir as disposições da Convenção em medidas legais no terreno. Também é necessário oferecer às pessoas com problemas físicos serviços acessíveis, como infraestrutura, e melhorar a proteção social, a coleta de dados, um conjunto de objetivos e indicadores concretos e apoio à criação de instituições, acrescentou. Para ela, o objetivo final é a total participação das pessoas com deficiência na vida de sua comunidade.

Esses elementos foram apontados por quase todos os participantes, o que demonstra um notável consenso sobre as medidas a serem tomadas. Isso permite abrigar a esperança de que, mediante procedimentos mais concertados, aumentará a visibilidade das pessoas deficientes na Agenda Pós-2015 e se conseguirá de forma sustentada a implantação da Convenção. Envolverde/IPS

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Panamá e Nicarágua, dois canais e um sonho novamente compartilhado http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/panama-e-nicaragua-dois-canais-e-um-sonho-novamente-compartilhado/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/panama-e-nicaragua-dois-canais-e-um-sonho-novamente-compartilhado/#comments Tue, 30 Jun 2015 13:10:50 +0000 Iral http://www.envolverde.com.br/?p=196859 Por Iralís Fragiel, IPS –  Cidade do Panamá, Panamá, 30/6/2015 – Nicholas Suchecki Guillén é cego. Mas, para ele, era um sonho conhecer a ampliação do Canal do Panamá. Tocar a câmara de concreto e ser parte da nova história de seu país. Seus pés se apoiaram sobre o terceiro jogo de eclusas em Cocolí, na […]

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As novas eclusas do Canal do Panamá contam com tecnologia radicalmente superior às construídas há cem anos, e suas comportas são rodantes e não com dobradiças. Na foto, um dos operários na câmara do canal ampliado em Cocolí, na costa do Oceano Pacífico. Foto: Iralís Fragiel/IPS

As novas eclusas do Canal do Panamá contam com tecnologia radicalmente superior às construídas há cem anos, e suas comportas são rodantes e não com dobradiças. Na foto, um dos operários na câmara do canal ampliado em Cocolí, na costa do Oceano Pacífico. Foto: Iralís Fragiel/IPS

Por Iralís Fragiel, IPS – 

Cidade do Panamá, Panamá, 30/6/2015 – Nicholas Suchecki Guillén é cego. Mas, para ele, era um sonho conhecer a ampliação do Canal do Panamá. Tocar a câmara de concreto e ser parte da nova história de seu país. Seus pés se apoiaram sobre o terceiro jogo de eclusas em Cocolí, na costa do Oceano Pacífico. Ele teve o privilégio de integrar o último grupo que pôde visitar o complexo antes de começar sua inundação, um longo processo que nesse lado começou no dia 22 deste mês.

Assim como esse garoto de 11 anos, muitos panamenhos visitaram gratuitamente as novas eclusas, com visitas promovidas pela Autoridade do Canal do Panamá (ACP), órgão estatal que dirige a via interoceânica desde que foi devolvida pelos Estados Unidos, em 1999.

“É um orgulho ver o que fizemos. Quando foram construídas as primeiras eclusas, participaram 222 panamenhos. Agora foram 36.276”, afirmou à IPS o engenheiro Luis Ferreira, porta-voz da ACP. A ampliação também representa uma promessa de crescimento econômico. “O dinheiro arrecadado com o Canal foi superior a US$ 9 bilhões entre 2000 e 2014. Com as novas eclusas, se prevê que possa chegar a US$ 3 bilhões por ano”, acrescentou.

A obra, que neste final de mês já completou 89,8%, exigiu investimento de US$ 5,25 bilhões e começou no dia 3 de setembro de 2007. Seu funcionamento comercial será ativado no primeiro trimestre de 2016. Com esse megaprojeto, o Panamá espera aumentar o trânsito diário dos atuais 35 a 40 navios para 48 a 51 embarcações. O novo canal também permitirá a circulação de navios de maior capacidade.

Início do enchimento das novas eclusas do ampliado Canal do Panamá, em Cocolí, na costa do Oceano Pacífico. A monumental obra já está 90% pronta e entrará em operação no começo de 2016. Foto: Cortesia da Autoridade do Canal do Panamá

Início do enchimento das novas eclusas do ampliado Canal do Panamá, em Cocolí, na costa do Oceano Pacífico. A monumental obra já está 90% pronta e entrará em operação no começo de 2016. Foto: Cortesia da Autoridade do Canal do Panamá

Atualmente, passam pelo Canal embarcações que podem transportar até cinco mil toneladas e, com a ampliação, os chamados navios NeoPanamax poderão carregar até 13 mil toneladas. As novas eclusas têm 427 metros de comprimento e funcionarão com 16 comportas rodantes. O emblemático prédio do Empire State, de Nova York, caberia deitado, incluindo sua antena, no canal ampliado.

Cada navio utiliza em sua passagem cerca de 197 milhões de litros de água doce procedentes do lago Gatún. Com as novas eclusas, foi criado um sistema que permite economizar ao menos 7% do recurso, mediante recipientes de reutilização que reciclarão a água três vezes antes de despejá-la no mar.

Porém, nem tudo é positivo. Para Marco Gandásegui, sociólogo e professor da Universidade do Panamá, a arrecadação proveniente do Canal não é aproveitada para um desenvolvimento com inclusão social neste país de 3,8 milhões de pessoas, e teme que o mesmo aconteça com sua ampliação. “Há grande preocupação quanto a que a ampliação do canal sirva à marinha mercante e não às pessoas”, afirmou à IPS.

Segundo Gandásegui, “os que nos governam não estabeleceram um plano de desenvolvimento nacional e algumas localidades nem mesmo têm água potável. Desde 2000, foram arrecadados US$ 25 bilhões e se desconhece como foram investidos”. O professor deu como exemplo do déficit de desenvolvimento criado pelo dinheiro obtido com o canal o fato de apenas 40% da força de trabalho panamenha ter emprego formal, enquanto 60% atua no setor informal. “Temos uma estrutura social que poderia ser mudada com essa enorme riqueza gerada pelo Canal”, ressaltou.

Nicholas Suchecki Guillén, menino cego de 11 anos, concretizando seu sonho de tocar as eclusas da ampliação do Canal do Panamá, no complexo de Cocolí, na costa do Oceano Pacífico, no dia 25 deste mês, durante a última visita permitida antes de começar o enchimento da monumental obra. Foto: Iralís Fragiel/IPS

Nicholas Suchecki Guillén, menino cego de 11 anos, concretizando seu sonho de tocar as eclusas da ampliação do Canal do Panamá, no complexo de Cocolí, na costa do Oceano Pacífico, no dia 25 deste mês, durante a última visita permitida antes de começar o enchimento da monumental obra. Foto: Iralís Fragiel/IPS

A União de Práticos do Canal do Panamá realiza protestos desde 2014 diante da ACP por sua gestão da obra. O último foi no dia 3 deste mês, quando também denunciou, em um comunicado, que o processo “sofreu tropeço após tropeço”, com “custos adicionais, improvisos e atrasos”. O maior contratempo durante a construção foi registrado em 2014, quando em fevereiro o consórcio encarregado da obra, o Grupo Unidos pelo Canal (GUPC), paralisou os trabalhos por 15 dias, porque a ACP rejeitou assumir alegados aumentos nos custos.

Segundo dados da ACP, atualmente as reclamações por custos adicionais do GUPS, liderado pela construtora espanhola Sacyr Vallehermoso, totalizam US$ 2,337 bilhões e estão em processo de resolução por uma junta especial. A primeira dessas reclamações resolvidas foi de US$ 463 milhões de custo adicional, pela menor qualidade do basalto fornecido por uma mina local. A ACP informou que reconheceu apenas US$ 233 milhões.

Outra sombra que paira sobre a ampliação do Canal é o projeto de construção do Canal da Nicarágua, que forçará o Panamá a se mover em um novo xadrez marítimo. Nicarágua e Panamá têm uma história compartilhada com o Canal. David McCullough conta em seu livro Um Caminho Entre Dois Mares que o primeiro estudo sobre a construção do canal surgiu em 1811 e designava a Nicarágua com “a rota com menos dificuldades”. E acrescenta que, inicialmente, se propunha a entrada do canal pela desembocadura do nicaraguense rio San Juan, porque “atravessar pelo Panamá era mais curto, mas o da Nicarágua estava mais próximo dos Estados Unidos”.

Os estudos técnicos determinaram que o Panamá era o lugar ideal. Os franceses já haviam escavado um caminho para construí-lo, embora o projeto tenha fracassado. O presidente norte-americano Theodore Roosevelt inclinou-se, em 1903, pelo Panamá e com esse fim apoiou a separação de seu território da Colômbia. Em 1914, terminou a construção da via interoceânica, que ficou sob controle militar até que a assinatura dos tratados Torrijos-Carter estabeleceram, em 1977, sua devolução no último dia do século 20.

“Minha opinião é que os nicaraguenses percebem que o desenvolvimento de seu país foi truncado quando os Estados Unidos escolheram o rio Chagres, no Panamá, para fazer o canal. É a sombra de um sonho não realizado”, disse à IPS o antropólogo Stanley Heckadon. Mas, de 1811 até agora, as coisas mudaram. E a rota do rio San Juan se desfez, possivelmente pelas implicações políticas, por se tratar de um rio binacional, compartilhado com a Costa Rica. “Ao não escolher a rota do rio San Juan, cuidado, o sonho da Nicarágua se torna irrealizável”, alertou.

O antropólogo participou em março de um encontro de 15 especialistas de alto nível, convocado pela Universidade da Flórida, em Miami, nos Estados Unidos, para avaliar o impacto ambiental do traçado nicaraguense, quando foi alertado sobre o irreparável dano à biodiversidade e aos corpos de água do país.

Heckadon explicou que o painel considerou muito inconveniente o fato de a rota escolhida ser a do rio de Punta Gorda, muito mais larga do que a do San Juan. O investimento no projeto da Nicarágua é de US$ 50 bilhões, dez vezes mais do que o custo da ampliação do canal panamenho.

O canal nicaraguense será significativamente mais longo do que o do Panamá, “que tem 80 quilômetros. O da Nicarágua pretende ter 280 quilômetros. No Panamá um barco demora de dez a 12 horas para ir do Pacífico ao Atlântico ou vice-versa, e na Nicarágua demorará de dois a três dias”, afirmou Ferreira, da ACP. Porém, tanto Ferreira quanto Gadásegui coincidem em ver de maneira positiva a construção de um canal na Nicarágua, pois “há mercado para todos”.

Impacto irreversível

Stanley Heckadon assegurou que os impactos na Nicarágua da rota selecionada serão “monumentais” no aspecto ambiental e, se a gigantesca obra for concretizada, se estará jogando com o futuro de sua população. Da reunião em Miami participaram representantes do consórcio chinês Hong Kong Nicaragua Development (HKND), concessionário do projeto, e da empresa responsável pelo estudo de impacto ambiental, a Environmental Resources Management, mas a informação apresentada foi considerada insuficiente pelo painel.

O controle dos dados, o estudo ambiental ter sido feito em apenas um ano e meio, as curtas observações sobre a biodiversidade e os planos insuficientes para restaurar as bacias afetadas, entre outros aspectos, foram fatores de alarme para os especialistas. “A parte hidrológica era um dos grandes vazios de informação. O que acontecerá se dentro de cinco anos tivermos uma grande seca? O lago da Nicarágua (Cocibolca) é o maior lago de água doce da América Central e do qual depende uma grande quantidade de pessoas”, advertiu Heckadon.

O antropólogo recordou que a rota nicaraguense passará por cinco áreas protegidas de biodiversidade do Corredor Biológico Mesoamericano. “Além disso, não há informação sobre minorias indígenas e comunidades negras. Saímos preocupados, com mais dúvidas do que respostas”, ressaltou. Envolverde/IPS

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Igualdade, um jogo difícil para as jogadoras argentinas ganharem http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/igualdade-um-jogo-dificil-para-as-jogadoras-argentinas-ganharem/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/igualdade-um-jogo-dificil-para-as-jogadoras-argentinas-ganharem/#comments Tue, 30 Jun 2015 13:08:22 +0000 Fabiana Frayssinet http://www.envolverde.com.br/?p=196856 Por Fabiana Frayssinet, IPS –  Buenos Aires, Argentina, 30/6/2015 – Durante uma partida de futebol feminino em um bairro pobre de Buenos Aires, a diretora da equipe, Mónica Santino, precisa interromper o jogo e pedir a um grupo de homens que não invadam o espaço das mulheres. É um símbolo de uma luta que, centímetro a […]

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Mulheres de diferentes idades da Villa 31, que integram a equipe de futebol de La Nuestra, esperando o início do treinamento no campo desse bairro pobre de Buenos Aires, que muitas vezes precisa ser interrompido porque os homens invadem. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

Mulheres de diferentes idades da Villa 31, que integram a equipe de futebol de La Nuestra, esperando o início do treinamento no campo desse bairro pobre de Buenos Aires, que muitas vezes precisa ser interrompido porque os homens invadem. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

Por Fabiana Frayssinet, IPS – 

Buenos Aires, Argentina, 30/6/2015 – Durante uma partida de futebol feminino em um bairro pobre de Buenos Aires, a diretora da equipe, Mónica Santino, precisa interromper o jogo e pedir a um grupo de homens que não invadam o espaço das mulheres. É um símbolo de uma luta que, centímetro a centímetro, também se trava nos campos da Argentina.

“Calma, esperem um pouco que já terminaremos. Não fiquem no meio”, Santino tenta persuadir amavelmente os meninos e adolescentes que avançam violentamente com sua bola pelo campo onde se joga uma partida de futebol feminino, em Villa 31, emblemático assentamento informal no nordeste de Buenos Aires, dentro do cotado bairro do Retiro.

“Se fosse um jogo masculino nem loucos fariam isso, porque teriam sérios problemas. Mas como são moças que estão jogando…”, pontuou Santino à IPS, na noite em que foi compartilhar a atividade da equipe La Nuestra, nesta vila com população estimada de 40 mil habitantes. As mulheres são metade da população dessa favela, mas não foi fácil para elas conquistarem um lugar em campo, território tradicionalmente masculino. “Pensam que o futebol e o campo são para eles”, protestou à IPS a jogadora Augustina Olaña, de 15 anos.

Em 2007, quando o projeto começou, as mulheres tiveram que delimitar seu espaço de jogo com cones e pedras. Hoje treinam duas vezes por semana. “Parece pouco, mas, como conquista, a mensagem de gênero é importantíssima porque os campos de futebol são os espaços públicos mais importantes do bairro”, ressaltou Santino, de 49 anos, ex-jogadora e primeira mulher a ser diretora técnica da Associação de Futebol Argentino (AFA).

“Vivemos em um país onde o futebol é o esporte nacional, que nos explica como argentinos e nos representa em campeonatos mundiais, mas as mulheres no futebol continuam sendo cidadãs de segunda”, lamentou Santino. La Nuestra também é uma organização que busca com que mais mulheres tenham acesso ao esporte e que usa o futebol para reforçar suas capacidade, autonomia e autoestima, a partir de uma perspectiva igualitária.

O projeto inicialmente convocava apenas adolescentes, mas logo se viu vencido pela demanda espontânea de meninas e mulheres adultas. Atualmente participam 70, metade de seis a 12 anos e o restante a partir dos 13. “Me presenteavam com bonecas ou bolas pequeninas, mas eu queria bolas de futebol”, contou uma das alunas, Florencia Carabajal, de nove anos.

“Sinto que os homens não aprendem que nós também podemos jogar. Os homens me chamavam de ‘mulher-macho’. Mas agora não me dizem mais nada. Eu digo a eles que se quero jogar bola eles não são ninguém para me dizer não”, contou Juanita Burgos, de dez anos, que pretende ser jogadora profissional. Este é um sonho difícil de alcançar na Argentina, apesar de sua seleção masculina ser bicampeã mundial e o país um seleiro de míticos jogadores, como Diego Maradona e Leonel Messi.

O futebol feminino, por outro lado, nunca venceu um campeonato mundial, porque para os grandes clubes “não é espetáculo, não gera renda” e por isso não se investe nas jogadoras como em outros países, segundo Santino. “Nenhum clube tem estrutura para que haja divisões inferiores ou para que as meninas comecem a se formar como esportistas ainda com pouca idade, que é quando se cresce como esportista e se pode competir”, explicou.

“As vezes que a Argentina participou de competições internacionais foi doloroso porque, quando jogamos com seleções como as da Alemanha ou dos Estados Unidos, nos metem 11, 13, 15 gols”, lamentou Santino. “Depois vêm as criticas fortíssimas: que a camisa argentina não se mancha, que não se faz um papelão internacional como esse. Mas aqui não temos infraestrutura. É um discurso muito perverso”, acrescentou.

“Tive a sorte de estar na seleção, de disputar um mundial mas à custa de sacrifício”, acrescentou a treinadora de La Nuestra, Vanina García, de 33 anos, que alternava o futebol com outro trabalho. Santino impulsiona o projeto para que seja replicado em outros bairros, e para isso conta com sua experiência como selecionadora do chamado Futebol de Rua. Também pretende criar um clube de futebol feminino, onde, além de se jogar, também sejam debatidas questões de esporte e gênero.

La Nuestra surgiu a partir do trabalho de Santino como coordenadora do Programa de Futebol Feminino do Centro da Mulher, do município de Vicente López, na grande Buenos Aires. Conta com fundos do Programa de Adolescência, do governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires, e da Secretaria da Infância, do governo nacional. “Tudo se consegue com esforço”, afirmou.

Segundo Santino, ativista pelos direitos da mulher no esporte e integrante da não governamental Fundação Mulheres em Igualdade, “esse é um tema pendente na agenda feminista”. E acrescentou que “de uma mulher espera-se uma conduta que não tem a ver com correr, transpirar, fazer força. Dizem que, se jogar futebol, o corpo da mulher se transformará no de um homem. Há uma ideia muito firme de acreditar que todas as que jogam futebol são lésbicas”.

Santino prosseguiu dizendo que acredita “que se coloca em jogo o mesmo que quando falamos do direito ao aborto e de todos os preconceitos que surgem. É uma forma de tutelar os corpos das mulheres, como devem ser”. Para ela, o futebol feminino é uma boa desculpa para falar sobre outras reivindicações feministas, como o direito ao lazer.

“Para vir a campo, o grande problema eram os afazeres domésticos. Elas vinham depois de lavar os pratos, cuidar dos irmãos ou filhos desde pequenas. Coisas que estão destinadas às mulheres. Os homens, por outro lado, chegam da escola, jogam a mochila e vêm para o campo automaticamente”, comparou Santino. “Aqui, jogando futebol, as mulheres dispõem de duas horas nas quais não têm de pensar em outra coisa, período em que se divertem, estabelecem um vínculo entre si. Muitas coisas acontecem, que para nós são fatos políticos, que têm um componente revolucionário, porque alguma coisa muda”, ressaltou.

Para Karen Marín, vendedora de frangos de 19 anos, que migrou da Bolívia com seus pais quando tinha oito anos, La Nuestra foi uma maneira de se integrar. “Sofria discriminação por ser boliviana e me fechava muito, vivia no meu quarto. Um dia me convidaram. Nunca faltei, comecei a ter amigas. O futebol me ajudou em tudo, principalmente a ser mais solta”, contou.

Apesar das dificuldades, a treinadora García acredita que já não se questiona tanto o futebol feminino, presente nas escolas e em quase todos os torneios de bairros. “Suponho que isso acontece porque a mulher assumiu outro papel. Em um monte de coisas, e também no futebol. A mulher se coloca e quer jogar futebol, e joga”, resumiu. Envolverde/IPS

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Mulheres negras das Américas lançam década de luta http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/mulheres-negras-das-americas-lancam-decada-de-luta/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/mulheres-negras-das-americas-lancam-decada-de-luta/#comments Tue, 30 Jun 2015 12:29:55 +0000 José Adán Silva http://www.envolverde.com.br/?p=196873 Por José Adán Silva, IPS –  Manágua, Nicarágua, 30/6/2015 – Dizem que se cansaram de esperar por justiça após três séculos de esquecimento e desprezo por causa da cor de sua pele. Mulheres líderes afrodescendentes de 22 países das Américas acordaram criar uma plataforma política que busca, no prazo de dez anos, empoderar as mulheres negras […]

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Delegadas presentes na Primeira Cúpula de Líderes Afrodescendentes das Américas participam de um dos grupos de trabalho durante o encontro realizado em Manágua, na Nicarágua, entre os dias 26 e 28 deste mês. Foto: José Adán Silva/IPS

Delegadas presentes na Primeira Cúpula de Líderes Afrodescendentes das Américas participam de um dos grupos de trabalho durante o encontro realizado em Manágua, na Nicarágua, entre os dias 26 e 28 deste mês. Foto: José Adán Silva/IPS

Por José Adán Silva, IPS – 

Manágua, Nicarágua, 30/6/2015 – Dizem que se cansaram de esperar por justiça após três séculos de esquecimento e desprezo por causa da cor de sua pele. Mulheres líderes afrodescendentes de 22 países das Américas acordaram criar uma plataforma política que busca, no prazo de dez anos, empoderar as mulheres negras da região e superar a discriminação de que são vítimas.

“Lutaremos com todas as nossas forças para romper as cadeias do racismo e da violência por motivos raciais”, afirmou à IPS a colombiana Shary García, ao fim da Primeira Cúpula de Líderes Afrodescendentes das Américas, realizada em Manágua entre os dias 26 e 28 deste mês, da qual participaram 270 delegadas.

Segundo García, dos três dias de debate nasceu uma plataforma de 17 demandas e eixos de luta, colocada na Declaração Política de Manágua e destinada a desterrar no continente toda forma de discriminação por uma combinação de motivos raciais e de gênero.

“Não foi fácil resumir em 17 ideias as queixas e demandas de 270 mulheres e suas famílias, que levam uma vida inteira de discriminação, violência e negação de direitos, mas todas, e cada uma das que aqui vieram, sabemos que assim é o início do fim da discriminação histórica”, ressaltou García.

A dominicana Altagracia Balcácer afirmou à IPS que esses 17 eixos cortam transversalmente conceitos como combater o racismo, exigir vida digna, políticas de superação da pobreza, direito de decidir sobre seu futuro e liberdade para decidir sobre direitos sexuais reprodutivos.

“As demandas incluem deter a violência contra as mulheres negras e tornar visíveis as populações afrodescendentes em censos e estatísticas nacionais, proteger e dar oportunidades para a infância, a juventude e a adolescência dessas populações”, acrescentou Balcácer, lembrando que também incorporam “proteger o ambiente, ampliar o acesso aos recursos naturais e econômicos, garantir a segurança e a soberania alimentar”.

Segundo Balcácer, além disso “exige proteção e tratamento digno aos migrantes, resgate e reconhecimento do nosso patrimônio cultural, respeito por parte dos meios de comunicação, defesa da não estigmatização das pessoas negras, ampliação do acesso à justiça e garantia de segurança social para as mulheres e suas comunidades”.

Abertura da Primeira Cúpula das Líderes Afrodescendentes das Américas, realizada em Manágua, que terminou com a declaração de uma década de luta por seus direitos. Foto: Cortesia da RMAAD

Abertura da Primeira Cúpula das Líderes Afrodescendentes das Américas, realizada em Manágua, que terminou com a declaração de uma década de luta por seus direitos. Foto: Cortesia da RMAAD

A nicaraguense Dorotea Wilson, coordenadora-geral da Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, Afro-Caribenhas e da Diáspora (RMAAD), explicou à IPS que a plataforma não exige o reconhecimento de direitos, mas a aplicação de todos os tratados, de todas as leis e convenções internacionais sobre as mulheres afro que foram subscritos após a Conferência Mundial Contra o Racismo, realizada na cidade sul-africana de Durban, em 2001.

O de Manágua “não é um documento de boas intenções, é um documento oficial de exigência e demanda de implantação de políticas públicas em todos os países americanos, para finalmente se começar a reconhecer e dar lugar às populações negras do continente”, destacou Wilson. “Com essa plataforma, queremos avançar no cumprimento de todos os nossos direitos no contexto da Década Internacional da População Afrodescendente da ONU”, acrescentou a líder da RMAAD, que tem sede central em Manágua e está presente em 24 países.

A ONU declarou em janeiro o período 2015-2024 como Década Internacional dos Afrodescendentes, centrado na proteção dos direitos das pessoas de ascendência africana, reconhecendo sua contribuição e a preservação de seu rico patrimônio cultural. Segundo as Nações Unidas, na América vivem 200 milhões de pessoas que se identificam como descendentes de africanos.

Wilson explicou que, no encerramento da década, as mulheres latino-americanas esperam ter reduzido o nível de pobreza e documentado com dados confiáveis e indicadores verificáveis a situação real da população afrodescendente do continente. “Se falamos em dados confiáveis é porque nós não existimos nas estatísticas atuais, somos invisíveis, por isso outro êxito dessa cúpula é que em cada país da América vamos implantar um observatório de acompanhamento das demandas dessa reunião em Manágua”, acrescentou.

Para esse outro objetivo, elas garantem contar com apoio técnico e institucional de agências da ONU, países cooperantes europeus, organizações não governamentais, defensores dos direitos humanos e promotores de direito de gênero. Também tentarão fazer com que sua plataforma de demandas seja acolhida pela Organização de Estados Americanos para seu acompanhamento.

A nicaraguense Dorotea Wilson, coordenadora-geral da Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, Afro-Caribenhas e da Diáspora, durante uma sessão de trabalho na cúpula americana realizada em Manágua. Foto: Cortesia da RMAAD

A nicaraguense Dorotea Wilson, coordenadora-geral da Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, Afro-Caribenhas e da Diáspora, durante uma sessão de trabalho na cúpula americana realizada em Manágua. Foto: Cortesia da RMAAD

Segundo Wilson, a ideia é incidir nos Estados para obrigá-los a definir políticas públicas a favor das mulheres e da população afrodescendente, e criar métodos de observação e verificação das demandas que permitam, quando acontecer a próxima cúpula, dentro de cinco anos, analisar o desenvolvimento das propostas.

A coordenadora-geral da RMAAD contou que os depoimentos das mulheres participantes revelam uma percepção de aumento da violência por parte de policias e grupos raciais contra pessoas negras, sobretudo nos Estados Unidos e no Brasil, dois países representados na cúpula. “Nos Estados Unidos os crimes por ódio racial são conhecidos mundialmente, mas, pela mesma condição de invisibilidade da população afrodescendente da América Latina, as mortes violentas por razões raciais na região não vêm a público”, destacou Wilson.

Nilza Iriaci reafirmou, durante sua participação na mesa sobre direitos humanos, que “em meu país, o Brasil, os crimes de ódio acontecem diariamente, mas não há escândalo por isso”, e que a violência racial está aumentando no contexto regional. O Brasil é o país latino-americano com maior população afro.

Em 2010, um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, intitulado População Afrodescendente da América Latina, atualizado dois anos depois, revela que, apesar de haver progressos legais e institucionais quanto aos direitos deste segmento populacional, suas condições de vida eram, em sua maioria, de pobreza e discriminação.

Para Vicenta Camusso, representante das mulheres afrodescendentes do Uruguai, o contexto segue sendo o mesmo de quando foi realizado o estudo. “É o mesmo de sempre: nossos direitos e nossas condições de pobreza não melhoraram nem um pingo”, afirmou à IPS. Para ela, apesar de em todos os países da região existirem marcos legais a favor dos direitos das mulheres e das populações afro, não existe destinação de recursos para sua implantação.

Segundo Camusso, “em parte por isso, a maioria das mulheres afro continua vivendo em condições de vida inferiores em relação a mulheres de outras raças, e a juventude negra vive o mesmo processo de exclusão e violência que seus antepassados contemporâneos”. Também denunciou que, “depois de Durban, pouco ou nada mudou para a população feminina afrodescendente das Américas, e mais de 80% dos afrodescendentes da região vivem em estado de pobreza e desigualdade social, com poucas oportunidades de superação por razões étnico-raciais”.

Camusso recordou que a conferência contra o racismo, realizada nessa cidade da África do Sul, surgiu a partir dos esforços oficiais da comunidade internacional para estabelecer ações a fim de combater o racismo, a discriminação racial, os conflitos étnicos e a violência associada a essas formas de discriminação.

A Declaração e o Programa de Ação de Durban estabeleceram o compromisso dos Estados, das agências da ONU, da cooperação para o desenvolvimento e de organizações privadas e da sociedade em geral, de “lutar contra o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e todas as formas conexas de intolerância”.

Do total de população negra americana estimada pelas Nações Unidas, pouco mais de cem milhões seriam mulheres que “continuam submetidas a deslocamentos forçados, emigrações ilegais, criminalização de jovens e abusos sexuais”. Envolverde/IPS

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Moda ética resgata artesãos do Sul http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/moda-etica-resgata-artesaos-do-sul/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/moda-etica-resgata-artesaos-do-sul/#comments Mon, 29 Jun 2015 12:56:26 +0000 IPS http://www.envolverde.com.br/?p=196750 Por D. McKenzie, da IPS –  Paris, França, 29/6/2015 – “O trabalho é dignidade”, afirmou o italiano Simone Cipriani. “As pessoas querem emprego, não caridade”, ressaltou. Essa foi a ideia de seu programa Ethical Fashion Initiative, criado em 2009, que liga alguns dos maiores talentos da moda com artesãos da África oriental e ocidental, do […]

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A estilista haitiana-italiana Stella Jean (direita) trabalha pela Etyhical Fashion Initiative com artesãs haitianas. Foto: ITC Ethical Fashion Initiative 5

A estilista haitiana-italiana Stella Jean (direita) trabalha pela Etyhical Fashion Initiative com artesãs haitianas. Foto: ITC Ethical Fashion Initiative 5

Por D. McKenzie, da IPS – 

Paris, França, 29/6/2015 – “O trabalho é dignidade”, afirmou o italiano Simone Cipriani. “As pessoas querem emprego, não caridade”, ressaltou. Essa foi a ideia de seu programa Ethical Fashion Initiative, criado em 2009, que liga alguns dos maiores talentos da moda com artesãos da África oriental e ocidental, do Haiti e da Cisjordânia. Com sede em Genebra, na Suíça, a Ethical Fashion Initiative (EFI) agora é um programa emblemático do Centro de Comércio Internacional, uma agência vinculada à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A EFI se concentra principalmente em mulheres dessas regiões e trabalha com estilistas como Stella McCartney e Vivienne Westwood, para facilitar o desenvolvimento e a produção de “artigos de moda éticos e de alta qualidade” por artesãos que vivem em regiões de baixa renda, tanto rurais quanto urbanas.

A iniciativa também procura fazer com que “a crescente geração de talentos da moda da África consiga colaborações de artesãos locais que respeitem o ambiente, sejam sustentáveis e satisfatórias do ponto de vista criativo. O slogan “não é caridade, apenas trabalho” reflete o interesse da iniciativa em conseguir uma indústria da moda global mais justa.

Pela primeira vez este ano, a EFI colaborou com a feira de comércio mais importante para homens, a Pitti Immagine Uomo, que contou com representantes de quatro países africanos durante o evento realizado entre os dias 16 e 19 deste mês. O diretor-geral da Pitti, Raffaello Napoleone, disse que os estilistas africanos, que este ano participaram do espaço Nação Convidada, priorizaram a produção em seus países, o que ajuda a reduzir a pobreza, e que estes já são conhecidos no mercado internacional.

Analistas de mercado preveem que o valor global do setor de vestimenta de varejo cresça 20% com relação a 2014 e que chegue a US$ 1,5 bilhão em 2017. Nesse contexto, os diferentes setores da indústria podem se converter em uma fonte de emprego em muitas regiões, do desenho à confecção e venda. Mas, nos últimos anos instalou-se, a controvérsia sobre a suposta exclusão de estilistas e modelos de origem africana em eventos de alto perfil.

A escritora Tansy E. Hoskins, autora do livro Stitched Up: The Anti-Capitalist Book of Fashion (Alfinetadas: O Livro Anticapitalista da Moda), publicado no ano passado, dedica um capítulo inteiro a questionar se a moda é racista. Várias décadas depois de uma reconhecida revista de moda ter colocado pela primeira vez uma modelo negra em sua capa, “as passarelas brancas, as campanhas de publicidade brancas e as imagens de moda brancas são a norma”, afirma a autora.

Simone Cipriani, fundador da Ethical Fashion Initiative. Foto: A. D. McKenzie/IPS

Simone Cipriani, fundador da Ethical Fashion Initiative. Foto: A. D. McKenzie/IPS

A EFI se preocupa com a redução da pobreza e o tratamento ético dos artesãos, mas Cipriani reconhece que o racismo é um problema e que a pobreza se relaciona tanto com questões étnicas como de gênero. Na indústria da moda, há companhias que procuram aderir a padrões éticos, que contemplam a diversidade, as condições trabalhistas e a sustentabilidade ambiental, e 30 marcas internacionais subscreveram o projeto da EFI.

“Procuramos trabalhar quase que exclusivamente com marcas que têm um claro programa de responsabilidade empresarial e de participação social, do contrário sempre corremos o risco de sermos usados e termos que limpar as canalhices de outros”, pontuou Cipriani à IPS durante sua viajem a Paris para se reunir com estilistas. “Também tentamos trabalhar com grandes distribuidores e nos demos conta de que era impossível pelo que fazemos”, acrescentou.

Há dois anos, em Bangladesh, mais de 1.100 trabalhadoras morreram e 2.500 ficaram feridas no desmoronamento de uma fábrica, após serem ignorados os alertas sobre segurança. No local eram confeccionadas roupas para marcas como a italiana Benetton, que só este ano anunciou que contribuiria com um fundo de compensação para as vítimas. “O que ocorreu em Bangladesh foi um horror, e há muitas situações nas quais esse horror pode se repetir”, alertou Cipriani. “As pessoas e condições de trabalho dignas sempre devem ser o principal foco da responsabilidade”, acrescentou.

Cipriani ressaltou que, para muitos empregados que trabalham na cadeia de fornecimento da indústria do vestuário, o salário não é suficiente para viver. “Não recebem por seu trabalho um pagamento que lhes permita ter uma vida digna”, destacou.

No Haiti, conhecido tanto por seu talento artístico como por sua pobreza, os ativistas afirmam que relacionar os artesãos locais com estilistas internacionais pode ter um impacto, e o conseguiram. Por exemplo, a estilista haitiana-italiana Stella Jean, que trabalha com a EFI desde 2003, incorpora tradições haitianas do bordado e o uso de miçangas em sua coleção. Ela extrai vários elementos de seus desenhos dos projetos da EFI, disse Cipriani.

A colaboração começou com uma visita a Burkina Faso, um dos maiores produtores de algodão da África e com importante tradição de tecido feito à mão, na qual a estilista viu Jean viu a possibilidade de “trabalhar com esses têxteis produzidos com ética”. Os incorporou como um elemento principal de suas coleções de “prêt-à-porter” para homens e mulheres. No ano passado, lançou uma nova linha de bolsas produzidas no Quênia com tecidos de Burkina Faso e Mali e couro vegetal curtido queniano, “o que fez de cada bolsa um produto pan-africano”, segundo a EFI.

As estilistas McCArtney (que não quis ser entrevistada) e Westwood realizaram vários pedidos ao Quênia, e a EFI faz “avaliações de impacto” para analisar como se ajustam os padrões trabalhistas justos e “o impacto disso nas pessoas e nas comunidades onde vivem”. Cipriani explicou que “trabalhamos com mulheres que costumam viver discriminação em suas comunidades, mas, ao ter um emprego, sua posição social melhora. Conseguem independência e respeito, e em muitos casos se tornam a principal fonte de renda de suas famílias”.

Mas a indústria da moda não pode se transformar totalmente sem uma ação coletiva maciça, destacou a escritora Hoskins. Ela explicou que “a moda ética se tornou uma expressão que inclui temas como toxidade ambiental, direitos trabalhistas, milhas aéreas, crueldade animal e sustentabilidade do produto”. E acrescentou que, “após 20 anos, aproximadamente, e apesar de algumas iniciativas inovadoras, continua tendo uma “fatia de mercado excepcionalmente baixa, de apenas 1% do mercado total do setor do vestuário”.

Segundo Hoskins, perguntar se algum dia essa indústria chegará a ser ética é como perguntar se o capitalismo chegará a ser ético. “Para mim, a resposta é não, porque está baseada na exploração, na competição e, acima de tudo, no lucro, e é isso o que baixa os salários, baixa os padrões ambientais e baixa… e baixa…”, opinou à IPS.

A escritora destacou que “há pequenas companhias fazendo as coisas de maneira diferente, mas produzem, talvez, alguns milhares de peças por ano. A indústria do vestuário produz milhares e milhares de milhões de peças anualmente”, acrescentou. “Por que nem todos os produtores fabricam de forma ética? Os consumidores devem pedir mudanças. Não podem ser muito dóceis”, enfatizou. Envolverde/IPS

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Cuba busca escorregadio aumento da produção leiteira http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/cuba-busca-escorregadio-aumento-da-producao-leiteira/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/cuba-busca-escorregadio-aumento-da-producao-leiteira/#comments Mon, 29 Jun 2015 12:51:09 +0000 Ivet González http://www.envolverde.com.br/?p=196745 Por Ivet González, da IPS –  Camagüey, Cuba, 29/6/2015 – Sobre os campos da extensa província central de Camagüey pesa a meta de satisfazer em 45% a demanda cubana de leite, um alimento escasso e até ausente nos lares menos favorecidos. “Hoje o território fornece 38% da produção leiteira, com 90 milhões de litros. Pretende-se chegar […]

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Vacas se alimentam em uma manjedoura ao ar livre em uma fazenda de Camagüey, em Cuba. O aumento da pecuária leiteira é uma necessidade para o país, que precisa impulsionar a produção de leite e de seus derivados por razões econômicas e alimentares. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Vacas se alimentam em uma manjedoura ao ar livre em uma fazenda de Camagüey, em Cuba. O aumento da pecuária leiteira é uma necessidade para o país, que precisa impulsionar a produção de leite e de seus derivados por razões econômicas e alimentares. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Por Ivet González, da IPS – 

Camagüey, Cuba, 29/6/2015 – Sobre os campos da extensa província central de Camagüey pesa a meta de satisfazer em 45% a demanda cubana de leite, um alimento escasso e até ausente nos lares menos favorecidos. “Hoje o território fornece 38% da produção leiteira, com 90 milhões de litros. Pretende-se chegar ao recorde de 140 milhões, que cobririam 45% da demanda nacional”, explicou Jorge Luis Tapia, primeiro-secretário provincial do Partido Comunista de Cuba (PCC).

A maior província cubana dedica 78% de sua superfície agrícola à pecuária bovina, que ao longo de sua história proporcionou esplendor à sua capital, também chamada Camagüey, 578 quilômetros a leste de Havana, com 500 anos de fundação e a terceira mais importante do país.

No ano passado, a produção leiteira ficou em 497,1 milhões de litros, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas e Informação (Onei). É um nível insuficiente, que obriga a destinar anualmente mais de US$ 180 milhões para adquirir leite, dos US$ 2 bilhões destinados pelo governo à importação de alimentos. A oferta total de leite cobre apenas a demanda básica, que inclui as cotas subsidiadas para grávidas, menores de sete anos e pessoas com enfermidades específicas, serviços gratuitos de saúde, indústria láctea e o turismo, crescente motor da economia local.

Segundo especialistas, a produção leiteira continua muito atrasada dentro do agronegócio cubano, que desde o início das reformas econômicas, em 2008, conseguiu elevar os cultivos de tubérculos e hortaliças, embora ainda de maneira insuficiente para baixar seus elevados preços, difíceis de assumir pela maioria das famílias.

Segundo o Onei, durante o primeiro trimestre do ano a produção leiteira ficou em 76,9 milhões de litros, o que significou uma queda de 10,5 milhões de litros em relação a igual período de 2014. Entre 2007 e 2013, se conseguiu um notável crescimento, de 21%, na produção de leite. Mas, mesmo com esse aumento, os volumes representaram apenas 52% da produção de 1989, quando a demanda era atendida.

Novos equipamentos de uma nova fábrica de leite em pó da Empresa de Produtos Lácteos de Camagüey, no centro de Cuba. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Novos equipamentos de uma nova fábrica de leite em pó da Empresa de Produtos Lácteos de Camagüey, no centro de Cuba. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Cálculos oficiais indicam que o país precisa produzir anualmente um bilhão de litros de leite, para atender as necessidades internas. O necessário aumento da produção se joga no campo, sobretudo nas fazendas de propriedade privada e nas cooperativas, que no final de março concentravam 3.446.400 das 4.127.300 cabeças de gado registradas no país pelo Centro Nacional de Controle Pecuário.

De tradição centenária, o polo pecuário de Camagüey figura entre os primeiros beneficiados por um programa nacional de desenvolvimento da empresa estatal para recuperar a produção de leite, informou Tapia durante uma visita da imprensa internacional a esta cidade. Porém, o investimento estrangeiro na província se foca no turismo, salvo alguns projetos pontuais em outros setores, acrescentou o secretário, máxima autoridade da província, porque constitucionalmente o PCC é a “força dirigente superior da sociedade e do Estado”.

Antecipa-se que o governo socialista assumirá com fundos estatais a recuperação inicial do descapitalizado setor, que segundo analistas tem implicações até sociopolíticas, porque continua pendente a promessa, feita em 2007 pelo presidente Raúl Castro, de colocar um copo de leite em toda mesa cubana onde houver crianças e doentes.

O setor leiteiro está representado com apenas um dos 246 projetos que formam a Carteira de Oportunidades de Investimento Estrangeiro proposta em 2013, destinada a captar US$ 8,7 bilhões. Cálculos oficiais indicam que a economia cubana necessita de investimentos anuais no valor de US$ 2,5 bilhões para sair da crise que arrasta desde 1991, quando desapareceu o bloco socialista soviético, que por décadas foi seu principal sócio comercial e financeiro.

O projeto consiste na reativação de 22 fazendas leiteiras na província de Mayabeque, vizinha a Havana, para obter 4,7 milhões de litros de leite de búfala por ano. Inclui o desenvolvimento da genética bufalina, produção de alimento animal e encadeamento produtivo com cooperativas agropecuárias.

Este mês entraram em vigor novos preços de compra do leite por parte de empresas estatais, às quais o setor privado e as cooperativas estão obrigados a vender boa parte da produção. “Este é um bom incentivo”, disse Danilo Iglesias, vice-presidente do setor agroalimentar do governo provincial de Camagüey, onde se projeta elevar a produtividade leiteira com a contribuição dos 25.889 novos proprietários de terra em usufruto, dedicados principalmente à pecuária.

Em primeiro plano, Jorge Luis Tapia, primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba na província de Camagüey, durante uma exposição à imprensa estrangeira sobre as perspectivas econômicas provinciais. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Em primeiro plano, Jorge Luis Tapia, primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba na província de Camagüey, durante uma exposição à imprensa estrangeira sobre as perspectivas econômicas provinciais. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Outros aspectos do programa são a melhora da genética bovina, maior acesso à inseminação artificial, semeadura de pastos e plantas forrageiras protéicas como a cana, recuperação da infraestrutura, aproximar os insumos dos camponeses e criar alternativas para o fornecimento de água durante a estação da seca, que vai de novembro a abril.

Também funcionam 74 dos 147 centros de resfriamento que devem ficar próximos das fazendas para evitar perdas e avaliar a qualidade do leite. “Ao redor dessas instalações a empresa estatal de suprimentos agropecuários criou pontos de venda de alimento animal e outros insumos que o camponês necessita”, explicou Iglesias à IPS.

Produtores ouvidos pela IPS apontaram como principais obstáculos para o auge da pecuária o ainda limitado acesso a ração e outros alimentos, a deterioração do rebanho e carência de recursos fundamentais como máquinas, combustível e peças de reposição. Em seguida vêm outros entraves, como os excessivos controles atuais para a posse maior de pecuária.

“Embora cada fazendeiro tenha que ter um controle do gado, poderiam ser mais flexíveis os trâmites, porque é necessário fazer diversas gestões”, disse à IPS o agricultor Jorge Viera, produtor de tubérculos, hortaliças e grãos, que começou a incursionar pela pecuária em sua fazenda de 39 hectares.

Viera herdou a propriedade de seu pai e abastece de alimentos frescos o centro da cidade de Camagüey, que fica próximo. Junto com seus seis empregados diaristas, o agricultor disse se sentir motivado pelos novos preços do leite para aumentar suas atuais 30 reses.

Alexis Gil, diretor da Empresa de Produtos Lácteos de Camagüey, explicou à IPS que “a companhia tem 20% de ociosidade”, à espera de um crescimento leiteiro no campo, durante uma visita à Fábrica de Leite em Pó, que está iniciando suas atividades. Primeira de seu tipo no país, a unidade produzirá seis toneladas de leite em pó no primeiro ano de operação, a partir do recebimento de 60 mil litros diários de leite.

Gil afirmou que trabalhará de “forma cíclica quando os excedentes de leite permitirem”, habitualmente durante a estação chuvosa. Envolverde/IPS

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Balanço da Cúpula entre a União Europeia e a Celac http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/balanco-da-cupula-entre-a-uniao-europeia-e-a-celac/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/balanco-da-cupula-entre-a-uniao-europeia-e-a-celac/#comments Mon, 29 Jun 2015 12:09:06 +0000 Joaquín Roy http://www.envolverde.com.br/?p=196729 Por Joaquín Roy* Bruxelas, Bélgica, junho/2015 – A capital da União Europeia (UE) retornou à aparência normal de suas instituições dedicadas à rotina do funcionamento da organização de integração e cooperação entre Estados de maior êxito da história da humanidade. A União Europeia é tão eficiente que pôde realizar simultaneamente um plenário do Parlamento em […]

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A presidenta Dilma Rousseff participa da 2ª Cúpula União Europeia-Celac. Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR/ Fotos Públicas

A presidenta Dilma Rousseff participa da 2ª Cúpula União Europeia-Celac. Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR/ Fotos Públicas

Por Joaquín Roy*

Bruxelas, Bélgica, junho/2015 – A capital da União Europeia (UE) retornou à aparência normal de suas instituições dedicadas à rotina do funcionamento da organização de integração e cooperação entre Estados de maior êxito da história da humanidade.

A União Europeia é tão eficiente que pôde realizar simultaneamente um plenário do Parlamento em sua sede de Estrasburgo, enquanto Bruxelas era cenário da segunda Cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e o próprio bloco europeu, nos dias 10 e 11 deste mês.

Os aldeões do Conselho (Centro de poder da UE) e da Comissão (seu braço executivo) ficaram livres das teias de redes de segurança e controle pelas quais passaram os mandatários de 61 países (quase um terço dos membros das Nações Unidas) dos dois continentes e centenas de meios de comunicação à caça de notícias.

Mas o acontecimento não deixou apenas novidades merecedoras de passar à história.

De uma perspectiva americana, o detalhe mais importante desse balanço é que Bruxelas não é o Panamá, onde nos dias 10 e 11 de abril foi realizada a VII Cúpula das Américas, e que o cenário europeu tem alguns protagonistas diferentes e temas de perfil e calado que contrastam com os imperantes do outro lado do Atlântico.

De uma maneira ou de outra, os interlocutores latino-americanos tomaram nota das diferenças e assumiram as consequências. Nenhum detalhe é melhor para ressaltar a novidade dessa cúpula do que a ausência de alguns líderes latino-americanos com potencial de protagonismo e a presença exaustiva de alguns europeus com tênue relação com a América Latina.

Os ausentes apenas incidiram nos acontecimentos, enquanto os presentes europeus monopolizaram um setor das notícias.

Notáveis ausentes latino-americanos foram a argentina Cristina Fernández de Kirchner, o venezuelano Nicolás Maduro e o cubano Raúl Castro.

A presidente argentina decidiu se dedicar a enfrentar as dificuldades da sobrevivência de seu partido nas eleições gerais de outubro. Maduro considerou mais prudente ficar em Caracas, depois de suspender sua visita ao papa Francisco, e cuidar do terreno sob as pressões internacionais, incluída a mediação do ex-primeiro-ministro socialista espanhol Felipe González, devido à repressão contra seus opositores. Bruxelas não seria o cenário apropriado para o protagonismo que tentou capturar no Panamá.

Quanto a Raúl Castro, considerou sabiamente que não conseguiria atrair a mesma atenção da mídia que no Panamá compartilhou com ninguém menos do que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

A acomodação da relação entre Cuba e a UE tem um calendário lento, mas preciso, para o desaparecimento da Posição Comum do bloco europeu sobre o país caribenho, adotado em 1996. Não se trata de fazer barulho desnecessário. Delegando o poder ao discreto vice-presidente, Miguel Díaz Canel, passava uma mensagem de normalidade e de futuro.

Foi semelhante a atitude adotada pelo equatoriano Rafael Correa, atual presidente da Celac, que se comportou profissionalmente na companhia dos presidentes da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, e do Conselho, Donald Tusk, enfatizando os pontos de coincidência, expressando admiração pelo processo europeu de integração e se referindo prudentemente aos temas sobre os quais há desacordo.

Por outro lado, observe-se que o protagonismo europeu esteve dominado por dois líderes com objetivos diferentes, que aproveitaram as reuniões paralelas para avançar em suas respectivas agendas de suas especiais relações com a UE.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, aproveitou os encontros para continuar suas entrevistas com diferentes colegas, a fim de compartilhar sua estratégia sobre o prometido referendo de permanência na UE, programado para 2017, como resultado de um espetacular triunfo nas eleições de 7 de maio.

Após apertar as mãos de diversos líderes latino-americanos, Cameron foi sopesando um a um os europeus com relação à recepção de suas exigências de reformar a UE para permanecer nela e evitar o chamado Brexit.

Mas, nenhum outro protagonista europeu atraiu maior atenção do que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, em sua tentativa de retardar ao máximo sua aceitação das condições financeiras da Comissão Europeia, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE), conhecidos como a Troika, com relação ao pagamento da dívida. Sob a ameaça de deixar o euro e o perigo de contaminar toda a União Europeia, o tema do Grexit ofuscou toda a agenda da Celac com a UE.

A trama das relações entre a UE e os diversos ramos da Celac ficará quase como antes. O significado da palavra “integração” adquiriu uma conotação diferente desde a época em que era a condição europeia unida ao reforço da supranacionalidade.

Com o passar dos anos, Bruxelas foi compatibilizando esse sonho com o pragmatismo de acordos com países individuais (México e Chile, primeiro, e agora Peru e Colômbia), além de “associações estratégicas”, tanto com gigantes como o Brasil, quanto com cenários concretos (América Central) e o reforço de cooperação (com a Comunidade do Caribe – Caricom).

Observe-se que em toda etapa de reforma das alianças e entremeados de integração e cooperação, o tema tabu da soberania nacional e da integridade territorial dos Estados prevaleceu. Diante das tentativas de influência europeia para mediar nos conflitos internos, a América Latina cerrou fileiras, como foi o caso notório da redação de uma declaração da Assembleia Interparlamentar (Eurolat) sobre a Venezuela.

A Europa, é preciso dizer, também respondeu de maneira semelhante ao impedir a inserção de uma condenação explícita aos Estados Unidos por suas referências ao regime de Caracas como uma ameaça.

Sem a institucionalização da Celac, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) ficaria como especial fórum funcional de consultas na América do Sul, enquanto Brasil e México propõem forjar um eixo com o qual conectar suas mútuas zonas de influência no sul e na América do Norte. Mas, nem a presidente brasileira, Dilma Rousseff, nem seu colega mexicano, Enrique Peña Nieto, são reconhecidos para serem o “telefone” da América Latina.

Sobre o ambiente da cúpula revoava o inevitável impacto da evolução da Cooperação-Tratado Transatlântico de Comércio e Investimentos (TTIP) entre UE e Estados Unidos, à espera da eterna expectativa do inacabado acordo com o Mercosul (Mercado Comum do Sul). O progressivo desaparecimento funcional da Comunidade Andina confirmaria a oscilação de Colômbia e Peru a se integrarem à Aliança do Pacífico.

Simbólico e ao mesmo tempo significativo é o acordo com a UE para eliminar a exigência de vistos Schengen para viajantes desses dois países latino-americanos, uma decisão que, se prevê, será estendida a outros países latino-americanos, com efeitos nos investimentos e ordenamento das migrações.

Mas, apesar de todas as limitações, convém recordar que a região da Celac é o quarto sócio da União Europeia, atrás de Estados Unidos, Rússia e China. A própria UE é o segundo sócio da Celac. A destinação de mais de 100 milhões de euros (US$ 112 milhões) para programas empresariais é uma demonstração do renovado interesse europeu pela América Latina, para compensar a influência da China. Envolverde/IPS

* Joaquín Roy é catedrático Jean Monnet e diretor do Centro da União Europeia da Universidade de Miami. jroy@Miami.edu

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Trinidad e Tobago aposta nos jovens para cuidar dos rios http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/trinidad-e-tobago-aposta-nos-jovens-para-cuidar-dos-rios/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/06/ultimas-noticias/trinidad-e-tobago-aposta-nos-jovens-para-cuidar-dos-rios/#comments Fri, 26 Jun 2015 13:23:48 +0000 Jewel Fraser http://www.envolverde.com.br/?p=196705 Por Jewel Fraser, da IPS –  Porto Espanha, Trinidad e Tobago, 26/6/2015 – Há uma década a Autoridade de Água e Saneamento de Trinidad e Tobago realiza um mapeamento da qualidade da água, que permitiu a observação, há cinco anos, de uma tendência preocupante. A bacia da região ocidental deixou de ter qualidade de água moderada […]

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Há três anos as inundações na capital de Trinidad e Tobago deixaram muitas pessoas sem outra alternativa a não ser atravessar o dilúvio. Mas depois a seca se converteu em um problema. Foto: Peter Richards/IPS

Há três anos as inundações na capital de Trinidad e Tobago deixaram muitas pessoas sem outra alternativa a não ser atravessar o dilúvio. Mas depois a seca se converteu em um problema. Foto: Peter Richards/IPS

Por Jewel Fraser, da IPS – 

Porto Espanha, Trinidad e Tobago, 26/6/2015 – Há uma década a Autoridade de Água e Saneamento de Trinidad e Tobago realiza um mapeamento da qualidade da água, que permitiu a observação, há cinco anos, de uma tendência preocupante. A bacia da região ocidental deixou de ter qualidade de água moderada em alguns lugares para ter uma totalmente má. Em 2010, um estudo concluiu que mais de 20% da área estava em graves problemas.

“Demos o alarme”, destacou o hidrólogo David Samm. “A Autoridade de Água e Saneamento (Wasa) está preocupada”, reconheceu. O órgão foi muito questionado durante a última estação seca recém-terminada. A população de comunidades afetadas realizou protestos quase semanais pela falta de acesso a água potável, carregando cartazes e queimando pneus. Porém, fatores que fogem ao seu controle, como variabilidade e mudança climática, são significativos nessa crise.

“Na estação seca temos estiagens prolongadas, por isso não há água suficiente para recarregar as camadas freáticas. Há mais chuvas intensas durante um período de tempo e, pelo desenvolvimento contínuo, temos mais problemas de inundações na estação chuvosa”, explicou Samm. Por isso, existe maior escoamento na superfície “e o líquido vai pelos cursos de água até o mar. Isso faz com que haja menor recarga de nossos sistemas subterrâneos”, acrescentou

Samm disse à IPS que 60% da água potável de Trinidad e Tobago procede de fontes superficiais, e que também houve grandes obras de construção ao longo do corredor leste-oeste de Trinidad. “Com a mudança climática e o aumento da cobertura impermeável (pela urbanização), diminuirá a recarga de nosso sistema subterrâneo e, com o crescimento urbano, aparece lixo nos rios, inclusive geladeiras”, ressaltou.

A Wasa se deu conta de que precisava agir para proteger os cursos de água, dos quais depende o fornecimento hídrico. No verão de 2013, apresentou o programa Adote Um Rio. Desde seu lançamento, muitos rios foram adotados, entre eles seis dos mais importantes, e agora 175 pessoas trabalham na iniciativa. Os programas de adoção de rios são conhecidos em vários Estados dos Estados Unidos, mas o de Trinidad e Tobago é o primeiro do Caribe.

A iniciativa de se concentrar nos ecossistemas apresenta um enfoque inovador para conseguir que o acesso universal a água potável seja sustentável, como ficou evidente no Resumo Executivo do Informe Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento da Água de 2015. Segundo o documento, “a maioria dos modelos econômicos não valoriza os serviços essenciais fornecidos pelos ecossistemas de água doce, o que faz com que não haja um uso sustentável dos recursos hídricos e também leva à degradação dos ecossistemas”.

O documento também afirma que “a contaminação do esgoto residencial e dos efluentes industriais enfraquecem a capacidade dos ecossistemas de oferecer serviços hídricos. Os ecossistemas do mundo, especialmente os mangues, estão em declínio. Seus serviços são pouco apreciados, não são reconhecidos corretamente e são subutilizados na maioria dos atuais enfoques de gestão de recursos e econômica”.

O estudo diz que “uma perspectiva mais holística sobre os ecossistemas no que se refere a água e desenvolvimento, que mantenha uma combinação benéfica entre a infraestrutura construída e a natural, poderá garantir a maximização dos benefícios”.

A fim de reduzir a pobreza e a degradação ambiental ajudando as comunidades a se ajudarem, como preveem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) ofereceu fundos a um dos participantes do programa Adote Um Rio.

Por meio do Programa de Pequenas Doações (PPD), do Fundo para o Meio Ambiente Mundial, o Pnud oferece recursos econômicos e apoio técnico a organizações da sociedade civil que trabalham em “projetos de conservação e recuperação do ambiente que, por sua vez, melhorem o bem-estar das pessoas e sua fonte de renda no terreno”.

A Fundação Justiça Social, que trabalha em áreas atrasadas do centro e sul de Trinidad, recebeu pouco menos de US$ 50 mil do PPD, que foram somados a outros US$ 65 mil próprios, para promover o programa Adote Um Rio entre jovens desfavorecidos e em risco, nas comunidades de Siparia e Carlsen Field.

A iniciativa se estendeu por nove meses, de setembro de 2014 a junho de 2015, durante os quais os jovens se capacitaram como ecolíderes e aprenderam a fazer análise da água para monitorar a saúde dos rios, mediante o dispositivo La Motte, bem como a produção de vídeos para registrar o trabalho. Aprenderam a analisar a temperatura da água, o pH, a turbidez, o oxigênio dissolvido, o fosfato e o nitrato, bem como registrar as mudanças nesses parâmetros nos noves meses do projeto.

Mark Rampersad, gerente da Fundação, afirmou à IPS que a unidade Adota Um Rio da Wasa “afinou o alcance e a profundidade do projeto e facilitou a realização de vários seminários e painéis, que incluíram a conscientização ambiental. O rio Caparo, no centro de Trinidad, e o Coora, no sul, foram os dois cursos de água adotados pela Fundação.

O programa obteve uma resposta favorável das comunidades e escolas, mas o apoio corporativo não foi exatamente o desejado. Porém, o programa esteve bem em sua solicitação ao Fundo Verde, e com os recursos recebidos continuará promovendo o alcance de sua comunidade, afirmou Samm.

Preservar a saúde dos rios também obedece a razões econômicas, pontuou Raj Gosine, diretor de recursos hídricos da Wasa. “É muito caro tratar a água, por isso o motivo da Wasa também foi econômico. A questão principal é destacar que todos podemos realizar contribuições positivas”, acrescentou. Além de monitorar a qualidade da água e a educação pública, o programa Adote Um Rio inclui reflorestamento e recuperação de florestas, bem como exercícios de limpeza.

A gerente de programa da Associação Mundial da Água, Natalie Boodram, apontou à IPS que “programas como o Adote Um Rio, que incentiva o reflorestamento dos cursos de água e zonas ribeirinhas, ajudam a proteger os fornecimentos hídricos, propiciando a infiltração, em oposição ao escoamento da superfície”.

“Com essas iniciativas ecológicas para proteger o fornecimento hídrico dos rios, podemos reduzir a necessidade de medidas mais caras e que implicam maior gasto energético como a obtenção de água por meio da dessalinização”, explicou Boodram. Envolverde/IPS

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