IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Fri, 24 Oct 2014 12:30:08 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.9.2 Yeul é a palavra da moda no vocabulário energético argentino http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/yeul-e-a-palavra-da-moda-no-vocabulario-energetico-argentino/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/yeul-e-a-palavra-da-moda-no-vocabulario-energetico-argentino/#comments Fri, 24 Oct 2014 12:30:08 +0000 Fabiana Frayssinet http://envolverde.com.br/?p=123667   Neuquén, Argentina, 24/10/2014 – Na Argentina já o chamam de “yeil”, uma “espanholização” da palavra inglesa shale para o gás e petróleo de xisto. Mas o que para muitos significa o futuro do desenvolvimento e o autoabastecimento energético do país, para outros é uma palavra que deveria estar em desuso, quando a tendência mundial […]

The post Yeul é a palavra da moda no vocabulário energético argentino appeared first on IPS em português.

]]>
Yeil chica 629x353 Yeul é a palavra da moda no vocabulário energético argentino

Técnicos conversam entre duas torres de perfuração na jazida de Loma Campana, em Vaca Muerta, na Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

 

Neuquén, Argentina, 24/10/2014 – Na Argentina já o chamam de “yeil”, uma “espanholização” da palavra inglesa shale para o gás e petróleo de xisto. Mas o que para muitos significa o futuro do desenvolvimento e o autoabastecimento energético do país, para outros é uma palavra que deveria estar em desuso, quando a tendência mundial é avançar para fontes renováveis e limpas.

Com seu uniforme de trabalho empapado de petróleo, o supervisor de perfuração da empresa estatal YPF, Claudio Rueda, se sente protagonista de uma história que começa a ser escrita no sul da Argentina. “Em nosso país a disponibilidade energética é estratégica. É uma peça fundamental para o desenvolvimento e o futuro argentinos e nós somos parte desse processo”, afirmou à IPS.

O primeiro capítulo se escreve em Loma Campana, a jazida de Vaca Muerta, na província patagônia de Neuquén, onde, entre 2.500 e três mil metros de profundidade, se escondem ricas reservas de gás e petróleo dentro de estruturas rochosas. Segundo a YPF, com reservas de 802 trilhões de pés cúbicos de gás de xisto, a Argentina ocupa o segundo lugar mundial em recursos, atrás da China, com 1,115 quatrilhão.

Em petróleo não convencional, o país passou a ocupar o quarto lugar mundial, com 27 bilhões de barris. À frente estão Rússia, com 75 bilhões de barris, Estados Unidos e China. Estima-se que as reservas argentinas de hidrocarbonos convencionais se esgotarão em oito ou dez anos e sua produção é declinante, por isso o governo considera estratégico o desenvolvimento de Vaca Muerta, uma formação geológica de 30 mil quilômetros quadrados.

“Praticamente 30% da energia do país de diferentes formas é importada, daí a sangria de divisas do país ser enorme”, apontou à IPS o especialista Rubén Etcheverry, coautor do livro Yeil, as Novas Reservas, e secretário de Energia do governo de Neuquén. “Estamos em terapia intensiva há cinco anos, com relação à balança comercial, ou energética”, afirmou em Neuquén, capital provincial.

Segundo Etcheverry, “passamos de exportar combustíveis por quase US$ 5 bilhões, há dez anos, a importá-los por US$ 15 bilhões, ou seja, houve uma mudança na balança de US$ 20 bilhões anuais, que é enorme para qualquer economia do tamanho da nossa”. A importação inclui energia elétrica, combustíveis, gás liquefeito, gás natural, entre outros.

Diego Pérez Santiesteban, presidente da Câmara de Importadores da Argentina, afirmou que a aquisição de energia representava no começo deste ano 15% das compras no exterior, enquanto um ano antes essa compra significava 5%. Desde 2009, as importações energéticas acumuladas estão acima das reservas monetárias internacionais do Banco Central argentino, de US$ 28,4 bilhões.

Para Etcheverry, Vaca Muerta é a chave para reverter a tendência, porque as reservas nas profundidades dessa formação geológica seriam suficientes para nos abastecer e inclusive para exportar”. Segundo o especialista, na Argentina pode acontecer o mesmo que ocorreu com os Estados Unidos, que graças ao seu depósito de shale “possivelmente em menos de dez anos seja o principal produtor de gás e petróleo”.

A extração do xisto requer o uso da tecnologia da fratura hidráulica (fracking, em inglês), que consiste na injeção a alta pressão de água, areia e aditivos químicos, para extrair os hidrocarbonos das rochas em grandes profundidades, onde se alojam, mediante sua ruptura horizontal ao longo de quilômetros.

No mundo se multiplicam as denúncias sobre os efeitos contaminantes desta hidrofratura nos aquíferos e outros impactos ambientais em grandes áreas ao redor das jazidas. Também na Argentina muitos criticam a matriz energética pela qual o país optou. “Este é um olhar ambiental que vai além de Vaca Muerta. A opção que pretendem impor à Argentina, como solução para a crise energética carece de perspectivas futuras”, afirmou a ecologista Silvia Leanza, da Fundação Ecosur.

Segundo Leanza, “estamos baseando toda nossa expansão econômica em um bem que “por quantos anos poderá produzir?”. Quase 90% da matriz energética argentina se compõem de combustíveis fósseis. O resto se divide majoritariamente em fontes nucleares e hidrelétricas, e apenas 1% é renovável.

O Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) considera que a queima de combustível fóssil para gerar energia é a principal causa do desequilíbrio climático. “Essa conjuntura, junto com a maior disponibilidade das fontes renováveis, está indicando o fim da era das energias sujas”, afirmou em um informe Mauro Fernández, coordenador na Argentina da campanha de energia da organização ambientalista Greenpeace.

A dependência do país dos combustíveis fósseis coloca suas emissões de dióxido de carbono por pessoa entre as mais altas da região. Em 2009, era de 4,4 toneladas, segundo dados do Banco Mundial. Nesse contexto, Fernández considera que os hidrocarbonos não convencionais não são apenas um risco em razão do fracking, mas “uma má opção desde uma perspectiva climática energética”.

“As jazidas não convencionais aparecem como novas fronteiras para se continuar fazendo mais do mesmo, alimentar o motor da mudança climática”, destacou Fernández. A Argentina se comprometeu a ter em 2016 pelo menos 8% da sua energia procedente de fontes renováveis.

“A aposta no fracking implica o aprofundamento da matriz energética atual, baseada nos combustíveis fósseis e, em consequência, um forte retrocesso em termos de cenários alternativos ou de transição para energias limpas e renováveis”, afirmou a socióloga Maristella Svampa, pesquisadora independente do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas.

“Certamente, na última década, o fracking transformou a realidade energética dos Estados Unidos, proporcionando menor dependência das importações, mas também converteu o país num território onde se pode comprovar seus verdadeiros impactos: contaminação de aquíferos, danos na saúde de pessoas e animais, terremotos, maiores emissões de gás metano, entre outros”, pontuou Svampa.

Carolina García, da Multissetorial Contra a Fratura Hidráulica, considera que, por seus ricos recursos naturais, a Argentina tem alternativas, antes de explorar “até a última gota” de seus combustíveis fósseis. “Terminaremos de extrair tudo na bacia de Neuquén, e o que nos restará depois?”, afirmou à IPS.

Etcheverry mencionou a possibilidade de explorar energia solar no norte, eólica na Patagônia e na zona atlântica, geotérmica na Cordilheira dos Andes, e maremotriz ao longo do litoral. Mas considera que no momento seus custos são “muito superiores” aos dos hidrocarbonos, por razões tecnológicas, de transporte e intensidade energética. Para esse especialista, petróleo e gás continuam sendo necessários como fonte de energia e de matéria-prima para produtos cotidianos. Por isso, afirmou, a transição da “era hidrocarbonífera não é simples”.

Antes é preciso melhorar a economia e a eficiência energética, para depois fazer um “traslado intrafóssil”, acrescentou Etcheverry. “Em uma primeira etapa se trata de sair daqueles combustíveis fósseis mais contaminantes, como carvão e petróleo, e ir para outros igualmente fósseis mas menos contaminantes, como o gás natural. E a partir disso incentivar tudo o que tiver a ver com energias limpas ou renováveis”, explicou. Envolverde/IPS

The post Yeul é a palavra da moda no vocabulário energético argentino appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/yeul-e-a-palavra-da-moda-no-vocabulario-energetico-argentino/feed/ 0
Ebola provoca crise alimentar na África ocidental http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/ebola-provoca-crise-alimentar-na-africa-ocidental/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/ebola-provoca-crise-alimentar-na-africa-ocidental/#comments Thu, 23 Oct 2014 13:07:51 +0000 Thalif Deen http://envolverde.com.br/?p=123567   Nações Unidas, 23/10/2014 – A epidemia de ebola na África ocidental, que oficialmente já matou mais de 4.500 pessoas, também ameaça desencadear uma crise alimentar nos países onde se concentra, por si só já assolados pela pobreza e pela fome. A crise se limitará, sobretudo, aos três países onde se concentra a ação do […]

The post Ebola provoca crise alimentar na África ocidental appeared first on IPS em português.

]]>
ebolavion Ebola provoca crise alimentar na África ocidental

Um avião alemão chega a Gana para entregar suprimentos da ONU como parte da resposta de emergência para a crise do ebola. Foto: UNMEER/ONU

 

Nações Unidas, 23/10/2014 – A epidemia de ebola na África ocidental, que oficialmente já matou mais de 4.500 pessoas, também ameaça desencadear uma crise alimentar nos países onde se concentra, por si só já assolados pela pobreza e pela fome. A crise se limitará, sobretudo, aos três países onde se concentra a ação do vírus, Guiné, Libéria e Serra Leoa , afirmou Shenggen Fan, diretor-geral do Instituto Internacional de Pesquisas sobre Políticas Alimentares (IFPRI), uma organização independente com sede em Washington.

O ebola está provocando uma crise alimentar por uma série de fatores relacionados entre si, como a morte dos agricultores, escassez de mão de obra, aumento dos custos de transporte e dos preços dos alimentos, acrescentou Fan. “Dentro desses países, onde a desnutrição é um problema há muito tempo, a crise alimentar pode persistir durante décadas”, alertou.

Mas, como Guiné, Libéria e Serra Leoa são importadoras de alimentos, é pouco provável que a crise alimentar se propague a outros países, dentro ou fora da região, ressaltou Fan. Os preços mundiais tendem a ter efeitos de transmissão nos preços dos alimentos regionais ou nacionais, mas, para os pequenos mercados, como são esses três países, é pouco provável que esse efeito transcenda suas próprias fronteiras, sempre e quando a enfermidade em si não for transmitida para outras áreas, afirmou.

Segundo os últimos dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), até agora foram registrados cerca de 9.200 casos de ebola, incluídos 4.262 na Libéria, 3.410 em Serra Leoa e 1.519 na Guiné. O número de mortos é maior na Libéria (2.484), seguido de Serra Leoa (1.200) e Guiné (862). O porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Stephane Dujarric, declarou à imprensa, no dia 20, que a OMS declarou a Nigéria oficialmente livre da transmissão do vírus, depois de 42 dias sem um só caso.

É “um êxito espetacular que demonstra que o ebola pode ser contido”, segundo a OMS. Isso “pode ajudar muitos países em desenvolvimento que estão profundamente preocupados pela possibilidade de um caso importado de ebola e que estão ansiosos para melhorar seus planos de preparação”, ressaltou Dujarric. O anúncio aconteceu poucos dias depois de o Senegal também ser declarado livre do ebola, acrescentou.

O fundo criado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para combater essa doença mortal agora tem cerca de US$ 8,8 milhões em depósitos e US$ 5 milhões prometidos, informou o porta-voz. No total foram prometidos US$ 43,5 milhões, e Ban continua pedindo aos países que cumpram essas promessas o mais rápido possível. O secretário-geral expressou seu pesar pela morte pelo ebola de um membro da ONU Mulheres em Serra Leoa. Seu marido está recebendo tratamento, afirmou.

“Todas as medidas de proteção do pessoal em Serra Leoa estão sendo tomadas da melhor maneira possível nas circunstâncias atuais”, assegurou Dujarric, como a descontaminação da clínica da ONU no lugar, a eliminação da instalação de isolamento e a localização de possíveis contatos.

Em comunicado divulgado no dia 21, o IFPRI informa que a situação que os três países enfrentam é sombria. As escolas em Serra Leoa fecharam, o que implica o fim de programas de alimentação fundamentais para crianças que dependiam deles. E as restrições ao consumo da carne de animais silvestres, a suposta fonte do ebola, eliminaram uma fonte tradicional de proteínas e nutrientes da dieta local.

“Além disso, nas zonas afetadas estão aumentando vertiginosamente o preço dos alimentos básicos, como arroz e mandioca, na medida em que são abandonados os cultivos e escasseia a mão de obra”, destaca o comunicado. A comida que se exporta dessas zonas tampouco está chegando a outras regiões.

ebolafotospublicas Ebola provoca crise alimentar na África ocidental

Unidade de Tratamento do vírus Ebola Ilha Clinic, em Monróvia na Libéria. Foto: Morgana Wingard/ USAID (22/09/2014) – Fotos Públicas

 

“Enquanto avaliamos os perigos dessa terrível enfermidade, não devemos esquecer a autêntica ameaça que representa para a segurança alimentar”, afirma o IFPRI. “A comunidade internacional deve unir-se para garantir a existência de redes de segurança que protejam não só as pessoas infectadas com o ebola, mas também aqueles cujo acesso aos alimentos estiver gravemente afetado”, acrescenta.

Essas redes de segurança, que poderiam consistir na transferência de dinheiro vivo ou em alimentos, devem estar acompanhadas de intervenções nutricionais e de saúde, explicou Fan. Por exemplo, um programa de transferência condicional de dinheiro vinculado à saúde pode melhorar o acesso aos alimentos nutritivos, especialmente quando os preços são altos, e também fomentar o uso dos serviços de saúde, acrescentou.

“Isto é importante porque investir na nutrição e na saúde das populações vulneráveis pode reduzir a taxa de mortandade de doenças como o ebola, já que a situação nutricional e a infecção estão intimamente vinculadas”, afirmou Fan. Quando passar a epidemia, a proteção social e as intervenções de apoio à agricultura serão essenciais para aumentar a resistência a futuras crises de subsistência, acrescentou, lembrando que a crise alimentar acrescentará milhares de mortes às provocadas pelo ebola nos três países mais afetados.

Os esforços recentes do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para dar assistência alimentar a 1,3 milhão de pessoas nesses três países dão uma ideia da magnitude da crise atual. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) também dá assistência alimentar a cerca de 90 mil famílias rurais para mitigar a crise, pontuou Fan. Para ele, no começo da colheita, a escassez de mão de obra coloca em perigo a segurança alimentar de dezenas de milhares de pessoas nas zonas especialmente afetadas. Envolverde/IPS

The post Ebola provoca crise alimentar na África ocidental appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/ebola-provoca-crise-alimentar-na-africa-ocidental/feed/ 0
Acordos regionais não substituem o sistema mundial de comércio http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/acordos-regionais-nao-substituem-o-sistema-mundial-de-comercio/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/acordos-regionais-nao-substituem-o-sistema-mundial-de-comercio/#comments Thu, 23 Oct 2014 13:03:17 +0000 Roberto Azevedo http://envolverde.com.br/?p=123563 Genebra, Suíça, outubro/20/14 – Os tratados regionais de comércio se multiplicaram nos anos recentes e a Organização Mundial do Comércio (OMC) registra que  chegam a 253 os que estão atualmente em vigor. Não se trata, por certo, de um novo fenômeno. Os tratados regionais precedem o sistema multilateral porque, de certo modo, foram as sementes […]

The post Acordos regionais não substituem o sistema mundial de comércio appeared first on IPS em português.

]]>
DG official photo 314x472 Acordos regionais não substituem o sistema mundial de comércio

Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC. Foto: Organização Mundial do Comércio

Genebra, Suíça, outubro/20/14 – Os tratados regionais de comércio se multiplicaram nos anos recentes e a Organização Mundial do Comércio (OMC) registra que  chegam a 253 os que estão atualmente em vigor.

Não se trata, por certo, de um novo fenômeno. Os tratados regionais precedem o sistema multilateral porque, de certo modo, foram as sementes do Acordo Geral sobre Tarifas Alfandegárias e Comércio (GATT). Criado em 1947, o GATT foi substituído em 1994 pela OMC.

Essas iniciativas são importantes, pois coexistem com o sistema multilateral e podem contribuir para levantar o edifício das normas comerciais mundiais e a liberalização do comércio. Mas, naturalmente, as coisas mudaram nos últimos anos. Os tratados regionais aumentaram com muito mais rapidez desde que foi criada a OMC, em comparação com os dias do GATT. E esses acordos, além de mais numerosos, são cada vez mais complexos.

Embora mais de 80% dos acordos sejam bilaterais, a cada dia vemos acordos regionais de maior amplitude. E também vemos mais acordos entre países de diferentes regiões, do que entre vizinhos. Além disso, vemos que muitos mais países em desenvolvimento negociam tratados regionais.

Essa proliferação de tratados, cada um com seu próprio conjunto de normas, foi batizada de “bagunça de acordos comerciais”, no sentido de que vemos um aumento considerável do nível de complexidade dos acordos e das relações entre eles. Na maioria dos acordos atuais, são contraídos compromissos mais profundos e amplos, e se foi além dos entendimentos relativos unicamente ao acesso aos mercados para as mercadorias.

No caso de algumas questões, como o acesso aos mercados para as mercadorias e os serviços, alguns acordos dão aos seus participantes um nível maior de acesso aos mercados do que o existente no contexto da OMC. Outra tendência observada nos últimos anos é a de reunir vários acordos regionais existentes, nas denominadas negociações “megarregionais”.

Embora continue a tendência de se negociar novos acordos regionais, a liberalização do comércio em nível bilateral ou regional é só uma parte do panorama. Com se diz muitas vezes, essas iniciativas são importantes para o sistema multilateral de comércio, mas não podem substituí-lo. De fato, existem muitas questões importantes que só podem ser abordadas eficientemente no contexto multilateral e por condução da OMC.

A facilitação do comércio foi negociada satisfatoriamente na OMC, porque carece de sentido econômico reduzir a papelada ou simplificar os procedimentos na fronteira entre um ou dois países. Quando se faz para um país, na prática se faz para todos.

Não é possível liberalizar eficientemente a regulamentação relativa aos serviços financeiros ou às telecomunicações para um só interlocutor comercial, de maneira que é preferível negociar mundialmente os acordos em matéria de serviços dentro da OMC. Tampouco é possível abordar por meio de acordos bilaterais as subvenções para a agricultura ou a pesca.

As disciplinas sobre medidas comerciais corretivas, com aplicação de direitos antidumping e compensatórios, não podem ir muito além das normas da OMC.

O certo é que pouquíssimos dos grandes desafios que enfrenta hoje o comércio mundial podem ser resolvidos fora do sistema multilateral. Trata-se de problemas mundiais que exigem soluções mundiais.

Outro aspecto importante, deixando de lado o conteúdo dos acordos, é seu âmbito geográfico. Os acordos regionais costumam excluir os países menores e vulneráveis. Isso é causa de profunda preocupação. Existe também o temor de que, ao se criar conjuntos diferentes de normas e regulamentos, os tratados regionais possam ser onerosos para os comerciantes e as empresas. E aí está o ponto de complexidade que preocupa a muitos.

Por fim, embora essas iniciativas demonstrem que os membros da OMC continuam liberalizando o comércio, a fragmentação do sistema comercial não pode substituir os benefícios de negociar um conjunto de normas para todos. Mas, para isso, é evidente que uma coisa que precisamos fazer é cumprir o que acordamos em Bali em dezembro de 2013, durante as negociações comerciais mundiais no contexto da OMC.

Nos encontramos na metade do caminho de um intenso período de consultas para resolver o atual ponto morto a respeito, mas, tal como estão as coisas hoje, não temos uma solução neste momento. Enquanto persistir essa situação, acredito que aumentará de maneira exponencial o risco de distanciamento. E esse aspecto é destacado pela proliferação desses outros enfoques.

Em favor do sistema multilateral, e de todos os que podem se beneficiar dele, creio que temos de encontrar uma solução para nossos problemas atuais e voltar a encaminhar nosso trabalho na OMC. E temos de fazê-lo com rapidez. O tempo não está do nosso lado.

* Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

The post Acordos regionais não substituem o sistema mundial de comércio appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/acordos-regionais-nao-substituem-o-sistema-mundial-de-comercio/feed/ 0
Belize se esforça para preservar seu arrecife de coral http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/belize-se-esforca-para-preservar-seu-arrecife-de-coral/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/belize-se-esforca-para-preservar-seu-arrecife-de-coral/#comments Thu, 23 Oct 2014 13:00:57 +0000 Aaron Humes http://envolverde.com.br/?p=123573   Belize, Belize, 23/10/2014 – Com a segunda maior barreira de coral do mundo e a maior do Hemisfério Ocidental, Belize há tempos é consciente da necessidade de proteger seus recursos marinhos, pois esses ecossistemas oferecem trabalho em diferentes setores, como pesca e turismo, que são a base da economia desse país centro-americano com costa […]

The post Belize se esforça para preservar seu arrecife de coral appeared first on IPS em português.

]]>
belice Belize se esforça para preservar seu arrecife de coral

A boia do Sistema de Alerta para o Arrecife de Coral (Crews) contém muitos instrumentos para medir as condições, acima e abaixo da água, e registrar quando se convertem em ameaça. Foto: Aaron Humes/IPS

 

Belize, Belize, 23/10/2014 – Com a segunda maior barreira de coral do mundo e a maior do Hemisfério Ocidental, Belize há tempos é consciente da necessidade de proteger seus recursos marinhos, pois esses ecossistemas oferecem trabalho em diferentes setores, como pesca e turismo, que são a base da economia desse país centro-americano com costa caribenha. Mas, ultimamente, ocorre uma queda na produção e exportação de bens marinhos, como caracol marinho, lagosta e peixes variados, apesar do crescimento do turismo.

Não ajuda a sobrepesca nem a coleta de lagostas e caracol marinho imaturos, fora da temporada adequada. Mas a principal razão para a redução de sua população em águas de Belize, segundo especialistas locais, é a acidez dos oceanos, que impede que essas variedades, que dependem de suas duras carapaças, sobrevivam, cresçam e amadureçam.

Segundo o diretor-executivo do Centro para a Mudança Climática da Comunidade do Caribe (CCCCC), Kendrick Leslie, a acidificação é tão importante e nociva para a sustentabilidade dos arrecifes de coral e dos oceanos, em geral, como para o aquecimento da atmosfera e outros fatores que costumam estar associados à mudança climática.

O oceano absorve o dióxido de carbono liberado na atmosfera pelos gases-estufa e se transforma em ácido carbônico, que atua com o cálcio das conchas de caracóis e lagostas para formar carbonato de cálcio, que dissolve a carapaça e reduz a quantidade de animais. Belize também sofre o contínuo branqueamento dos corais em zonas importantes do arrecife nos últimos anos.

Leslie também disse à IPS que as atividades em terra em Belize incidem nos problemas registrados em suas águas jurisdicionais. “O que ocorrer em terra acabará chegando ao mar pelos rios”, afirmou. Para enfrentar os novos desafios é preciso realizar mais pesquisas pertinentes com os últimos dados disponíveis.

A União Europeia, por meio do Projeto de Apoio ao Caribe, de sua iniciativa Aliança Global Contra a Mudança Climática, entregou, em setembro, um Sistema de Alerta para o Arrecife de Coral (Crews) ao governo desse país, especificamente ao Ministério de Pesca, Silvicultura e Desenvolvimento Sustentável. A boia do Crews fica na ilhota South Water, diante do distrito de Sttan Creek, no centro-sul de Belize.

Desenvolvida pela Administração Nacional Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos, foi adotada pelo CCCCC como eixo dos esforços para obter dados confiáveis para a elaboração de estratégias de luta contra a mudança climática. O sistema Crews significa um salto tecnológico na pesquisa sobre este fenômeno, ressaltou Leslie. A boia contém vários instrumentos desenhados para medir as condições acima e abaixo da superfície e registrar caso apareça uma ameaça.

Os dados coletados sobre as condições atmosféricas e oceânicas, como turbidez da água, nível do dióxido de carbono e outros elementos danosos, entre várias outras coisas, são monitorados pelo escritório do CCCCC em Belmopan, capital do país, e enviados a cientistas internacionais, que estão bem capacitados para analisá-los.

A estação com o Crews em South Water é uma das duas existentes no país. A outra está no Instituto de Pesquisa Ambiental, da Universidade de Belize, na ilhota Calabash, nas ilhas Turneffe. Também há outras na Jamaica, Barbados, Trinidad e Tobago e República Dominicana, e está prevista a instalação de mais estações em outras áreas da região.

Segundo o diretor-geral do Instituto e Autoridade de Gestão da Zona Costeira, Vincent Gillet, esse é um exemplo do trabalho necessário para manter a área saudável e preservar os recursos para as futuras gerações. Pesquisa divulgada no começo da Semana da Consciência Costeira, na cidade de Belize, pede urgência no sentido de gerar mais consciência sobre as consequências da mudança climática, bem como incluir os empresários locais nas políticas para frear os efeitos deste fenômeno.

Também há várias recomendações, como dotar a Autoridade com mais peso legislativo, revisar a política de distribuição de terras e aumentar a participação da sociedade. “Temos que ser mais conscientes sobre a mudança climática e suas consequências”, destacou Gillet. A Autoridade tem o apoio do governo em termos de facilitação, embora não seja exatamente com os recursos econômicos necessários, acrescentou.

A pesquisa esteve a cargo de 30 cientistas locais e internacionais que contribuíram e redigiram o informe. Ao receber a equipe do Crews, a diretora-geral do Ministério, Adele Catzim-Sanches, recordou que a mudança climática é um problema real e, a menos que seja atendido, os belizenhos estarão contribuindo para seu próprio desaparecimento.

A embaixadora da UE em Belize, Paola Amadei, anunciou que o bloco europeu poderia estar em condições de oferecer maior ajuda quando culminarem as negociações no contexto da 21ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontecerá no ano que vem em Paris. Leslie pede também outro equipamento de monitoramento para medir o impacto das atividades em terra, como mineração e busca de materiais de construção, bem como as consequências no mar, onde vão parar, inevitavelmente, os dejetos. Envolverde/IPS

The post Belize se esforça para preservar seu arrecife de coral appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/belize-se-esforca-para-preservar-seu-arrecife-de-coral/feed/ 0
Proibição de tabaco em Cuba, berço dos puros http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/proibicao-de-tabaco-em-cuba-berco-dos-puros/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/proibicao-de-tabaco-em-cuba-berco-dos-puros/#comments Thu, 23 Oct 2014 12:55:12 +0000 Ivet González http://envolverde.com.br/?p=123577   Havana, Cuba, 23/10/2014 – “Aqui se pode fumar?”, pergunta um hóspede ao recepcionista de um hotel na capital cubana. “Não”, responde o empregado. O hóspede insiste: “E essas bitucas no chão?”. “São das pessoas que não perguntaram”, responde o funcionário. A piada, muito repetida nesse país, descreve a situação do direito a um ambiente […]

The post Proibição de tabaco em Cuba, berço dos puros appeared first on IPS em português.

]]>
Cuba chica 629x453 Proibição de tabaco em Cuba, berço dos puros

Uma cliente fuma um cigarro no bar e restaurante Floridita, no emblemático bairro de Havana Velha. A proibição de fumar chega aos bares, restaurantes e centros noturnos de Cuba. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

 

Havana, Cuba, 23/10/2014 – “Aqui se pode fumar?”, pergunta um hóspede ao recepcionista de um hotel na capital cubana. “Não”, responde o empregado. O hóspede insiste: “E essas bitucas no chão?”. “São das pessoas que não perguntaram”, responde o funcionário. A piada, muito repetida nesse país, descreve a situação do direito a um ambiente livre de fumo em Cuba, reconhecida por produzir os melhores puros (charutos) tipo Premium do mundo.

Várias regulamentações antitabaco estão vigentes, mas são pouco aplicadas no país, onde persiste uma cultura permissiva do tabaco, segundo fumantes e não fumantes ouvidos pela IPS. “Esses direitos são violados porque qualquer um fuma nas “guagas” (ônibus) e nas áreas comuns de muitos locais de trabalho”, disse Jordán Puebla, biólogo de 26 anos que trabalha em um laboratório de medicamentos em Havana.

Puebla contou que costuma voltar para casa com a roupa impregnada do forte cheiro dos cigarros fumados por seu chefe no escritório climatizado, compartilhado por toda a equipe. “Muitos não gostam de ser fumantes passivos e sabem que têm a lei ao seu lado. Alguém às vezes protesta, mas em geral se cala”, detalhou. “Não há uma consciência dos danos à saúde e ao ambiente causados pelo tabaco. E isso com a incidência de câncer tão evidente, porque qualquer pessoa tem um amigo, parente ou vizinho com a doença”, acrescentou.

O jovem, que fumou “por modismo” em sua adolescência, se refere aos tumores malignos, que em 2012 foram a primeira causa de morte em Cuba. Desde então, as autoridades de saúde destacam os fatores de risco do câncer, como fumar e estar exposto à fumaça de tabaco, que fontes científicas identificam como causadores de incapacidade, doenças e morte.

O alerta aumentou em agosto, quando fontes do Ministério da Saúde Pública informaram alguns resultados da última pesquisa sobre fatores de risco, que em 2013 ouviu nove milhões dos 11,2 milhões de habitantes em Cuba. Cerca de 24% da faixa etária de 15 anos para cima fuma, revelou à imprensa a médica Patricia Varona, do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Tabagismo, do Ministério.

Os dados conspiram contra a meta oficial de, em 2015, os fumantes serem 19,2% nessa faixa etária, embora represente redução em relação aos fumantes de 2001, que chegavam a 31,9% da população. A pesquisa, ainda não divulgada totalmente, observou esse hábito em duas a cada dez mulheres e em três a cada dez homens. O grosso do vício está na faixa etária entre 40 e 50 anos, enquanto 17% dos adolescentes de 13 a 15 anos consomem cigarros. E, apesar das restrições e campanhas educativas, mais de 50% da população está exposta à fumaça em casa, no trabalho ou locais públicos, disse Varona.

Cuba proíbe fumar em espaços públicos fechados, no transporte público, em instituições educativas, de saúde e esportivas, desde que em 2005 entrou em vigor o Acordo 5.570 do Comitê Executivo do Conselho de Ministros. Também é proibida a venda de cigarros e tabaco – em mãos estatais – para menores de 18 anos e se estabelece que devem estar sinalizadas as áreas de fumantes e não fumantes nos centros.

“Antes dessa lei, a situação era muito pior. Havia quem sem mais nem menos acendia um cigarro em meio a uma reunião”, disse Raquel León, de 51 anos que há 30 trabalha em repartições estatais. A contadora da província de Mayabeque, vizinha à capital, afirmou que não permite “que entrem fumando em meu escritório. Com jeito, faço uso do meu direito”.

Outro lado do problema é destacado pela professora universitária Ileana García, de 27 anos. “Há sempre gente indisciplinada, mesmo nos lugares onde é proibido fumar, como ônibus, corredores de hospitais e clínicas, porque costumam ficar impunes”, opinou. A seu ver, é necessário criar mais espaços livres de fumaça e aumentar o controle e a exigência para mantê-los amparados pela lei. Atualmente, acrescentou, só se tem ambientes sadios “quando não há nenhum fumante, como acontece no meu trabalho”.

As baforadas ocorrem uma após outra em restaurantes, bares, pubs, discotecas e centros noturnos de Cuba, porque a norma não cobre esses estabelecimento, segundo o Informe sobre Controle do Tabaco para a Região das Américas, realizado em 2013 pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPS).

Menos da metade da população da América está protegida da exposição à fumaça de tabaco em lugares públicos e de trabalho fechados. No continente existem 145 milhões de fumantes, 12% do total mundial. Apenas 16 países da área exigem advertências gráficas sobre saúde que ocupem pelo menos 50% das superfícies principais dos maços de cigarro. Para Cuba, a OPS indica que os avisos ocupem apenas 30% dessas embalagens.

Algumas advertências locais indicam os danos para o fumante passivo e o efeito contaminante da queima de tabaco, que emite até gases que aceleram o efeito estufa e, portanto contribuem para a mudança climática. Os fumantes também incidem na má qualidade do ar urbano, porque a fumaça acarreta níveis de concentração de partículas contaminantes até dez vezes superiores do que os causados pelas emanações de alguns motores a diesel.

“Há um déficit de políticas mais efetivas na comunicação do bem público. Não é suficiente campanhas antitabaco na televisão, pois muitas são reducionistas, moralistas e chatas”, disse o comunicador social Marcel Luheiro.

O último estudo sistemático do mercado de cigarros em Cuba, divulgado na Revista Cubana de Saúde Pública, mostra que o consumo por pessoa aumentou 4,8% em 2013 com relação a 2012. Sua autora, Nery Suárez, garante que esse aumento “poderia ser tomado como indício de uma nova tendência crescente” e propõe “aumentar os preços em proporções que regulem a demanda”.

Dessa forma é reavivado um antigo paradoxo do Estado cubano, apontado por especialistas. As autoridades fornecem gratuitamente todos os serviços de saúde à população local, inclusive contra o tabagismo, cujos custos correm por conta dos cofres públicos, minguados pela crise econômica que persiste desde 1991. Por outro lado, fortalecem a indústria do tabaco, sob controle do Estado, que é o terceiro item de exportação do país, um problema qualificado de sensível porque muitas famílias dependem do cultivo e processamento da folha de tabaco. Envolverde/IPS

The post Proibição de tabaco em Cuba, berço dos puros appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/proibicao-de-tabaco-em-cuba-berco-dos-puros/feed/ 0
Custo e oportunidade do petróleo não convencional na Argentina http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/custo-e-oportunidade-do-petroleo-nao-convencional-na-argentina/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/custo-e-oportunidade-do-petroleo-nao-convencional-na-argentina/#comments Wed, 22 Oct 2014 16:49:25 +0000 Fabiana Frayssinet http://envolverde.com.br/?p=123466 Añelo, Argentina, 22/10/2014 – A vida deste povoado da Patagônia argentina mudou para sempre, por ser o município mais próximo da maior jazida de petróleo e gás não convencionais da América Latina. Añelo agora tem cinco mil habitantes, o dobro de apenas dois anos atrás, e calcula-se que em 15 anos terá 25 mil moradores. […]

The post Custo e oportunidade do petróleo não convencional na Argentina appeared first on IPS em português.

]]>
Añelo, Argentina, 22/10/2014 – A vida deste povoado da Patagônia argentina mudou para sempre, por ser o município mais próximo da maior jazida de petróleo e gás não convencionais da América Latina. Añelo agora tem cinco mil habitantes, o dobro de apenas dois anos atrás, e calcula-se que em 15 anos terá 25 mil moradores.

A jazida de Loma Campana é parte da formação geológica de Vaca Muerta, cujos 430 mil quilômetros quadrados ficam na província de Neuquén e suas vizinhas. Mas a fratura hidráulica utilizada para extrair os hidrocarbonos da rocha alarma os ativistas ambientais e sociais.

A IPS constatou no local como as opiniões se dividem entre os que defendem o progresso, que a seu ver o xisto trará, tanto para a região como para o país, e aqueles que alertam para os danos ao ambiente e à produção agrícola da região, decorrentes de um modelo energético baseado em uma fonte suja, em lugar das renováveis, das quais a Argentina também tem abundância. Envolverde/IPS

Para assistir o vídeo (em espanhol) acesse aqui.

video Custo e oportunidade do petróleo não convencional na Argentina

The post Custo e oportunidade do petróleo não convencional na Argentina appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/custo-e-oportunidade-do-petroleo-nao-convencional-na-argentina/feed/ 0
2015 será um ano decisivo para o desarmamento nuclear http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/2015-sera-um-ano-decisivo-para-o-desarmamento-nuclear/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/2015-sera-um-ano-decisivo-para-o-desarmamento-nuclear/#comments Wed, 22 Oct 2014 16:40:51 +0000 Thalif Deen http://envolverde.com.br/?p=123462   Nações Unidas, 22/10/2014 – “Um dos grandes paradoxos da ciência moderna” é que os seres humanos buscam vida em outros planetas enquanto as potências nucleares do mundo mantêm e modernizam suas armas para destruir a vida na Terra, afirmou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. “Devemos lutar contra o militarismo […]

The post 2015 será um ano decisivo para o desarmamento nuclear appeared first on IPS em português.

]]>
BAN 2015 será um ano decisivo para o desarmamento nuclear

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lê uma declaração à imprensa após visitar a zona zero do local de testes nucleares de Semipalatinsk, no Cazaquistão, em abril de 2010. Ban exortou os governantes do mundo, e dos Estados possuidores de armas nucleares em particular, a trabalharem por um mundo livre destas armas. Foto: Eskinder Debebe/ONU

 

Nações Unidas, 22/10/2014 – “Um dos grandes paradoxos da ciência moderna” é que os seres humanos buscam vida em outros planetas enquanto as potências nucleares do mundo mantêm e modernizam suas armas para destruir a vida na Terra, afirmou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. “Devemos lutar contra o militarismo que engendra a busca por essas armas”, afirmou Ban no dia 6 de agosto, aniversário do lançamento pelos Estados Unidos da primeira bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroxima, em 1945.

A partir de abril, uma série de reuniões converterá 2015 em um ano decisivo para o sucesso ou o fracasso do desarmamento nuclear. Uma das mais importantes será a conferência quinquenal de exame do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), programada para os meses de abril e maio. Quase ao mesmo tempo, haverá uma conferência internacional da sociedade civil sobre paz, justiça e ambiente, nos dias 24 e 25 de abril, em Nova York, uma manifestação internacional e uma marcha pacifista rumo à sede da ONU, no dia 26 de abril, junto com protestos não violentos nas capitais de todo o mundo.

Em 2015 também se completarão 70 anos dos bombardeios atômicos sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki, pelos Estados Unidos. E também 45 anos desde que as primeiras cinco potências nucleares – China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia (P5) – acordaram no Artigo VI do TNP a realização de negociações de boa fé para a eliminação de seus arsenais nucleares. Além disso, é possível que a conferência internacional sobre uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio, acordada na conferência de exame de 2010, aconteça no próximo ano, após numerosos adiamentos.

O Grupo Internacional de Planejamento para a Mobilização da Revisão 2015 do TNP, uma rede de organizações não governamentais internacionais que terá um papel preponderante nas próximas reuniões, apresentará uma petição, com milhões de assinaturas, a favor da abolição das armas nucleares. Caso a conferência de exame de 2015 não decida pelo início das negociações sobre a abolição, “o próprio tratado poderá fracassar, acelerar a proliferação das armas nucleares e aumentar a probabilidade de uma guerra nuclear catastrófica”, segundo o Grupo.

“O que devemos fazer? Deixar que os realistas pirados nos levem ao inferno? Não creio”, afirmou Joseph Gerson, coordenador da rede internacional, ao ser perguntado se seria possível algum avanço diante da intransigência das potências nucleares. A perspectiva do exame do TNP não é otimista, acrescentou. “Mas tenho esperança ao saber que nossos movimentos da sociedade civil não estão sozinhos na luta pela abolição”, acrescentou.

As última conferência de exame do TNP, em 2010, reafirmou “o compromisso inequívoco dos Estados possuidores de armas nucleares de alcançar a eliminação total de seus arsenais, com vistas ao desarmamento nuclear”, acrescentou a rede internacional. Cinco anos depois, com outra conferência no horizonte, os arsenais “capazes de destruir civilizações inteiras”, persistem, e inclusive se deteve o escasso progresso obtido para o desarmamento.

Há mais de 16 mil armas nucleares no planeta, dez mil no serviço militar e 1.800 em estado de alerta, segundo a rede. “Todos os Estados com armas nucleares estão modernizando seus arsenais nucleares, manifestando a intenção de mantê-los nas próximas décadas”, apontou a organização, lembrando que os países com armas nucleares gastam mais de US$ 100 bilhões ao ano com elas.

O gasto com armas de alta tecnologia aprofunda a dependência de alguns governos de seus arsenais nucleares e fomenta a crescente brecha entre ricos e pobres. Em 2013 o gasto militar chegou a US$ 1,75 trilhão, mais do que a renda total anual do um terço mais pobre da população mundial. Jackie Cabasso, da Fundação Legal dos Estados Ocidentais e também organizadora da rede internacional, destacou que as potências nucleares “se negam a cumprir sua obrigação legal e moral de iniciar as negociações para proibir e eliminar completamente seus arsenais nucleares”.

“Como vimos na Reunião de Alto Nível das Nações Unidas para o Desarmamento e nas conferências de Oslo e Nayarit sobre as consequências humanas das armas nucleares, a imensa maioria dos governos do mundo exige a aplicação do TNP”, assegurou Cabasso. “Estamos trabalhando com organizações associadas nos Estados Unidos e em outros países para mobilizar ações internacionais a fim de gerar pressão popular e influir na conferência de exame de 2015”, acrescentou.

A mobilização destacará as conexões entre a preparação para a guerra nuclear, as repercussões ambientais da mesma e do ciclo do combustível nuclear, e o gasto militar em detrimento das necessidades humanas essenciais, ressaltou Cabasso. Gerson disse à IPS que, “ao longo da minha vida, vi a superação do sistema de segregação racial nos Estados Unidos, o fim da guerra do Vietnã e o fim do sistema de apartheid sul-africano, fatos que antes de se converterem em história às vezes pareciam insuperáveis”.

Em cada um desses casos, “acontecimentos inesperados e a poderosa vontade humana provocaram a mudança para a qual nos havíamos sacrificado e lutado”, destacou Gerson, membro da junta diretora do Escritório Internacional da Paz e da rede Não à Guerra/Não à Otan. A realidade é que todos os Estados possuidores de armas nucleares estão modernizando seus arsenais e há colaboração entre os membros do P5 para resistir à reclamação da maioria dos demais países para que cumpram o Artigo VI do TNP, enfatizou.

O que está acontecendo com a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a União Europeia e as respostas da Rússia e Ásia oriental recorda a Europa dos anos prévios à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), com sua ameaça de guerra catastrófica e aniquilação, advertiu Gerson. “Sei que a lei das consequências imprevistas significa que nunca podemos saber realmente quais serão as consequências de nossas ações. Mas confio em que nossa mobilização dará ânimo a numerosos diplomatas e atores governamentais que são nossos potenciais aliados”, ressaltou. Envolverde/IPS

The post 2015 será um ano decisivo para o desarmamento nuclear appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/2015-sera-um-ano-decisivo-para-o-desarmamento-nuclear/feed/ 0
Estados Unidos ajudam combatentes curdos na Síria e na Turquia http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/estados-unidos-ajudam-combatentes-curdos-na-siria-e-na-turquia/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/estados-unidos-ajudam-combatentes-curdos-na-siria-e-na-turquia/#comments Wed, 22 Oct 2014 16:38:05 +0000 Jim Lobe http://envolverde.com.br/?p=123458 Washington, Estados Unidos, 22/10/2014 – Os Estados Unidos lançaram por ar armas e provisões para os combatentes curdos na cidade síria de Kobani, na fronteira com o Iraque, indicando a intensificação dos esforços de Washington para “degradar e destruir” o grupo extremista Estado Islâmico (EI). O lançamento, no dia 19, de 27 fardos com armas […]

The post Estados Unidos ajudam combatentes curdos na Síria e na Turquia appeared first on IPS em português.

]]>
kurdos 354x472 Estados Unidos ajudam combatentes curdos na Síria e na Turquia

Escola convertida em acampamento para refugiados em Erbil, capital do Curdistão iraquiano, em setembro. Foto: Annabell Van den Berghe/IPS

Washington, Estados Unidos, 22/10/2014 – Os Estados Unidos lançaram por ar armas e provisões para os combatentes curdos na cidade síria de Kobani, na fronteira com o Iraque, indicando a intensificação dos esforços de Washington para “degradar e destruir” o grupo extremista Estado Islâmico (EI). O lançamento, no dia 19, de 27 fardos com armas leves, incluídas as antitanques, munições e outros suprimentos, também ajudou a desencadear uma mudança importante na política turca, segundo especialistas em Washington.

Até então, a Turquia se negava firmemente a ajudar os defensores curdos de Kobani, comandados por membros do Partido da União Democrática (PYD), considerado por Ancara uma organização terrorista vinculada ao Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK). O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, confirmou, no dia 20, que as forças pesmergas curdas do Iraque terão permissão para cruzar a fronteira com a Turquia e reforçar os combatentes de Kobani que enfrentam o Estado Islâmico.

O EI teria perdido grande parte de seu controle sobre a cidade após os fortes combates e os bombardeios aéreos dos Estados Unidos nos últimos dias. “Creio que os trucos estão fazendo redução de danos”, disse à IPS Henri Barkey, especialista em Turquia da Universidade de Lehigh, dos Estados Unidos. “Todo mundo queria salvar Kobani, e fundamentalmente eram os turcos que tornavam isso impossível. Agora estão fazendo isso para poderem dizer que ‘também estamos fazendo algo’”, apontou.

Apesar dos recentes e preocupantes avanços do EI no vizinho Iraque, sobretudo na província de Al Anbar, a batalha por Kobani atraiu a cobertura da imprensa da campanha aérea dos Estados Unidos contra o grupo extremista, em grande parte porque a imprensa pode seguir de perto os combates a partir da segurança das colinas do lado turco da fronteira. Embora altos funcionários do governo e militares dos Estados Unidos tenham declarado em repetidas ocasiões que o destino de Kobani não é fundamental em sua estratégia contra o EI, a cobertura jornalística converteu a cidade em um potente símbolo político das perspectivas de êxito de Washington.

Praticamente, o governo de Barack Obama havia ignorado a batalha até este mês. Mas, na medida em que os meios de comunicação se concentravam no avanço das forças do Estado Islâmico nos arredores da cidade vindo de três direções diferentes, Washington começou seus ataques aéreos, que foram reforçados nas duas últimas semanas, embora Ancara, seu aliado na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), tenha destacado sua oposição a qualquer intervenção externa em nome do PYD.

“O governo da Turquia não vê o EI como seu pior problema”, afirmou Eric Edelman, ex-embaixador dos Estados Unidos nesse país, em um fórum realizado no Centro de Política Bipartidária, em Washington. Segundo declarações recentes de funcionários turcos de alto nível, Ancara considera pior o PKK, que atualmente mantém negociações de paz com o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan, acrescentou. O PYD é considerado o braço sírio do PKK. “Olham Kobani através da lente das negociações com o PKK e querem colocar o PKK em seu lugar”, destacou.

Mas essa estratégia pode ter sido contraproducente, enquanto o PYD e o Governo Regional Curdo no Iraque reclamavam ajuda urgente para Kobani, ou que fosse permitida a entrada de combatentes curdos como reforços para a defesa da cidade. Os curdos, que somam aproximadamente 20% da população da Turquia, realizaram manifestações contra o governo em todo o país. Mais de 30 pessoas morreram devido à violência de rua antes da aplicação de toques de recolher no começo deste mês. Por outro lado, o PKK ameaçou suspender as negociações de paz, que foram um dos êxitos claros de Erdogan.

Além da pressão interna, Washington e alguns de seus aliados na Otan também pressionaram Ancara para que modificasse sua política. Mas Erdogan insistiu que só ajudaria Kobani e permitiria aos Estados Unidos o uso de sua enorme base aérea de Incirlik para lançar ataques aéreos se Washington cumprisse certas condições quanto à sua política geral para a Síria.

Em particular, exigiu que Washington e seus aliados estabelecessem zonas de exclusão aérea na fronteira com a Turquia, que pudessem ser usadas como refúgio pelos insurgentes que combatem o governo de Bashar al Assad na Síria. Também reclamou que os Estados Unidos atacassem a infraestrutura militar de Assad, e não apenas o EI. Embora o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, dissesse que seu governo estava disposto a considerar tais medidas, a Casa Branca se manteve firmemente contrária.

Devido à importância simbólica de Kobani, o próprio Obama telefonou para Erdogan no dia 18 para informá-lo que decidira autorizar o reabastecimento da defesa da cidade e pedir que abrisse a fronteira aos reforços curdos. A primeira operação de reabastecimento foi feita por três aviões cargueiros C-130 na noite do dia 19, o que implica um nível novo na intervenção de Washington na Síria.

Embora poucos legisladores do governante Partido Democrata nos Estados Unidos expressassem sua preocupação, membros do opositor Partido Republicano elogiaram a operação, já que no passado cobraram medidas mais fortes, como zonas de exclusão aérea e ataques a objetivos militares sírios. “Apoiamos a decisão da administração para reabastecer as forças curdas em Kobani com armas, munições e outros suprimentos”, declararam os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham, em um comunicado conjunto.

Ao mesmo tempo, se queixaram de que “esse ajuste tático não deve ser confundido com uma estratégia eficaz, o que ainda falta”. Exortaram o governo de Obama a enviar forças especiais e assessores militares à Síria para ajudar a oposição “moderada” contra o Estado Islâmico e o governo de Assad. Não está claro se Obama limitou-se a informar Erdogan que a operação de abastecimento aconteceria com ou sem sua aprovação, ou se o presidente turco exigiu algumas condições adicionais.

“Creio que não receberam nada em troca. Acredito que os turcos estão fazendo redução de danos. Diria que estão aturdidos pela decisão dos Estados Unidos”, pontuou Barkey à IPS. Ao mesmo tempo, é provável que Erdogan negocie duramente o pedido dos Estados Unidos para usar a base aérea de Incirlik – localizada perto da fronteira com a Síria e muito mais próxima do território sírio e iraquiano do que os porta-aviões e as bases norte-americanas no Golfo Arábico – para operações ofensivas contra o Estado Islâmico nos dois países. Envolverde/IPS

The post Estados Unidos ajudam combatentes curdos na Síria e na Turquia appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/estados-unidos-ajudam-combatentes-curdos-na-siria-e-na-turquia/feed/ 0
Empreendedoras cubanas sofrem com vulnerabilidades machistas http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/empreendedoras-cubanas-sofrem-com-vulnerabilidades-machistas/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/empreendedoras-cubanas-sofrem-com-vulnerabilidades-machistas/#comments Wed, 22 Oct 2014 16:34:21 +0000 Patricia Grogg http://envolverde.com.br/?p=123454   Havana, Cuba, 22/10/2014 – A máquina de costura de Leonor Pedroso vestiu, nos últimos 30 anos, meninos e meninas do povoado cubano de Florida. Mas só há alguns meses esta costureira pôde formalizar seu trabalho por contra própria, que sempre combinou com as tarefas do lar e o cuidar da família. “Meu marido, que […]

The post Empreendedoras cubanas sofrem com vulnerabilidades machistas appeared first on IPS em português.

]]>
15357490101 931b920880 z 629x468 Empreendedoras cubanas sofrem com vulnerabilidades machistas

Trabalhadora da Cooperativa Vivero Alamar carrega uma planta ornamental em um subúrbio de Havana. O acesso ao emprego é um problema para as mulheres rurais cubanas. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

 

Havana, Cuba, 22/10/2014 – A máquina de costura de Leonor Pedroso vestiu, nos últimos 30 anos, meninos e meninas do povoado cubano de Florida. Mas só há alguns meses esta costureira pôde formalizar seu trabalho por contra própria, que sempre combinou com as tarefas do lar e o cuidar da família. “Meu marido, que é camponês, não permitia que eu trabalhasse fora de casa, só podia costurar para os vizinhos e amigos próximos, sem cobrar ou cobrando barato. Segundo ele, ter um trabalho formal não era coisa de mulheres”, contou à IPS essa mulher de 63 anos.

Ela é uma das beneficiárias de um projeto de cooperação internacional de gênero no atual processo de reforma socioeconômica de Cuba. Dedicada principalmente ao cuidado de sua família de quatro filhos, Leonor não contava com renda estável nem conhecimentos para tirar partido de suas habilidades até receber aulas gratuitas de gestão comercial, plano de negócios, administração e gênero, junto com outras empreendedoras.

“Enfrentei meu marido para fazer o que me agrada e agora estou montando em minha casa um local de trabalho em que possa vender o que faço e ensinar as jovens a costurar e bordar”, disse, satisfeita, enquanto esperava novas máquinas de costura para seu negócio. Graças a isso, é sócia recente da Cooperativa de Produção Animal 25 Aniversário, da região.

O projeto, impulsionado pela organização não governamental espanhola Acsur Las Segovias e pela local Associação Nacional de Pequenos Agricultores (Anap) e com financiamento da União Europeia, favorece com capacitação e insumos 24 produtoras agropecuárias, artesãs e líderes camponesas.

Quando o projeto concluir, no final deste ano, a experiência “Incorporação ao desenvolvimento socioeconômico local das mulheres empreendedoras rurais a partir de uma adequada perspectiva de gênero” terá estendido as opções de integração local para mulheres tradicionalmente dedicadas às tarefas do lar em três províncias cubanas. Trata-se de Artemisa, Camagüey, onde fica o povoado de Florida, e Granma.

“Antes o homem era visto como principal provedor e proprietário da terra, mas elas foram sendo reconhecidas por suas contribuições para a economia familiar”, disse à IPS a técnica de projetos Lorena Rodríguez, da Acsur Las Segovias, para quem o machismo continua golpeando a incorporação das mulheres rurais ao trabalho remunerado.

É o caso de Neysi Fernández, que, buscando um meio de ganhar a vida, saiu de sua natal Yateras, na província de Guantânamo, no extremo leste do país, até Guanajay, no outro lado da ilha, na província de Artemisa. Ali, um familiar lhe cedeu quatro hectares de terra onde cultiva mandioca, taioba, feijões, milho e banana-da-terra. “Fui para onde estava o trabalho porque minha filha, hoje com 12 anos, não podia passar fome. Depois aprendi como vender a colheita e investir o dinheiro”, contou à IPS esta camponesa de 42 anos, casada há quatro com um operário.

Pesquisas sociais valorizam o acesso das mulheres ao emprego como uma das iniquidades mais sérias do meio rural cubano, onde elas representam 47% entre mais de 2,8 milhões de habitantes, em um país com 11,2 milhões de habitantes no total. O trabalho realizado por esposas e filhas de camponeses no cuidado de animais, hortas familiares e tarefas domésticas não é reconhecido nem remunerado, conforme ressaltado no Terceiro Seminário de Avaliação do Plano de Ação Nacional, realizado em 2013 em acompanhamento à Conferência Mundial da Mulher, de Pequim.

Apenas 65.993 mulheres estão associadas à Anap, representando apenas 17% de seus membros, segundo dados deste ano publicados no jornal estatal Granma. Em 2013, elas foram mais de 142.300 entre mais de 1,838 milhão de pessoas ocupadas na agricultura, pecuária, silvicultura e pesca, segundo o estatal Escritório Nacional de Estatísticas e Informação (Onei).

A reforma que é realizada pelo presidente Raúl Castro desde 2008, para injetar dinamismo na deprimida economia da ilha, incluiu a entrega de terras ociosas em usufruto pelos decretos-lei 259, de 2008, e 300, de 2012. Isso implicaria o despontar da produção de alimentos em um país onde 40% das terras aráveis estão em mãos privadas, segundo o Anuário Estatístico de 2013 do Onei.

Mas os homens seguem sendo os principais donos dos recursos agrícolas como terra, água, insumos, créditos e também são maioria entre os que tomam decisões no setor. À falta de ações afirmativas do Estado para o setor feminino rural, várias organizações da sociedade civil e agências de cooperação internacional insistem em favorecer um desenvolvimento local com perspectiva de gênero.

Com apoio da organização humanitária Oxfam, no final deste ano estarão funcionando em dez municípios do leste cubano mais de 15 empreendimentos coletivos de mulheres, entre eles uma floricultura, um salão de beleza, uma lavanderia, uma queijaria, várias mini-indústrias e alguns centros de gestão de micro-organismos para a agricultura ecológica.

Com fundos da União Europeia, a Agência Basca de Cooperação para o Desenvolvimento e da embaixada do Japão em Cuba, esses pequenos negócios contarão com equipamentos e meios de transporte. Além disso, suas gestoras receberam capacitação por meio de painéis de autoestima, liderança e crescimento pessoal.

Segundo a socióloga Yohanka Valdés, o valor desses projetos está em fortalecer a capacidade das mulheres a partir de uma lógica favorável ao seu empoderamento e em reconhecimento de seus direitos. “Se existe uma oportunidade, os homens estão em melhores condições de aproveitá-la porque não precisam cuidar da família”, pontuou à IPS.

Por estas e outras razões, a economista Dayma Echevarría garante que a metade feminina chegou em desvantagem à diversificação de atividades do setor estatal. A seu ver, em Cuba persistem estereótipos de gênero que mantêm as mulheres no papel reprodutivo, como cuidadoras e administradoras do lar. Em um dos capítulos do livro Olhares para a Economia Cubana (Editora Caminos, 2013), Echevarría avalia a falta de serviços de apoio ao cuidado como uma das causas da vulnerabilidade das mulheres rurais diante do emprego.

Os recentes processos de entrega de terra não se traduziram, segundo a especialista, em oportunidades para impulsionar a igualdade de gênero porque não favoreceram a ativa participação feminina na mudança. Por outro lado, são poucas as cubanas com recursos para desenvolverem negócios próprios dentro do contexto regulatório estabelecido. “Ainda se espera que sejam colocadas em prática normas que permitam uma inserção mais equitativa para todos e todas nas novas condições de trabalho e que integrem em sua visão o olhar de gênero”, ressaltou Echevarría.

Cuba ocupa o 15º lugar no Índice Global de Brechas de Gênero, de 2013, mas no quesito participação e oportunidade econômica cai para o 66º posto entre as 153 nações estudadas. Envolverde/IPS

The post Empreendedoras cubanas sofrem com vulnerabilidades machistas appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/empreendedoras-cubanas-sofrem-com-vulnerabilidades-machistas/feed/ 0
Guerreiros climáticos bloqueiam o maior porto de carvão do mundo http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/guerreiros-climaticos-bloqueiam-o-maior-porto-de-carvao-do-mundo/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/guerreiros-climaticos-bloqueiam-o-maior-porto-de-carvao-do-mundo/#comments Tue, 21 Oct 2014 12:12:26 +0000 Lyndal Rowlands http://envolverde.com.br/?p=123356   Nações Unidas, 21/10/2014 – Trinta ativistas contra a mudança climática oriundos de 12 pequenos países insulares do Oceano Pacífico bloquearam com suas canoas, junto com centenas de australianos em caiaques e pranchas de surf, o maior porto de exportação de carvão do mundo, em Newcastle, na Austrália. Organizado com apoio do grupo ecologista 350.org, […]

The post Guerreiros climáticos bloqueiam o maior porto de carvão do mundo appeared first on IPS em português.

]]>
canoa Guerreiros climáticos bloqueiam o maior porto de carvão do mundo

Um ativista rema rumo a um navio no porto de carvão de Newcastle, na Austrália, para chamar a atenção sobre o impacto da mudança climática nas ilhas do Pacífico. Foto: Dean Sewell/Oculi para 350.org

 

Nações Unidas, 21/10/2014 – Trinta ativistas contra a mudança climática oriundos de 12 pequenos países insulares do Oceano Pacífico bloquearam com suas canoas, junto com centenas de australianos em caiaques e pranchas de surf, o maior porto de exportação de carvão do mundo, em Newcastle, na Austrália. Organizado com apoio do grupo ecologista 350.org, com sede nos Estados Unidos, o ato, realizado no dia 17, atrasou a saída de oito dos 12 navios que passaram pelo porto durante as nove horas de bloqueio.

A intenção foi chamar a atenção para as consequências da mudança climática nesses países. Os ativistas, que se autodenominam Guerreiros Climáticos do Pacífico, eram de 12 países insulares do Pacífico, incluindo Fiji, Tuvalu, Tokelau, Micronésia, Vanuatu, Ilhas Salomão, Tonga, Samoa, Papua Nova Guiné e Niue. “Queremos que a Austrália recorde que faz parte do Pacífico e que somos uma família, e ter esta família significa que permanecemos juntos. Não podemos permitir que um dos irmãos mais velhos destrua tudo”, declarou à IPS Mikaele Maiava, um dos ativistas.

A Austrália é o quarto maior produtor de carvão no mundo. “Assim, queremos que a comunidade australiana, especialmente os líderes da Austrália, pensem em algo mais além de seus bolsos… na humanidade, não apenas para o povo australiano, mas para todos”, acrescentou Mikaele, nascido em Tokelau.

Ao discursar na inauguração de uma mina de carvão no dia 13, o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, disse que “o carvão é bom para a humanidade”. Porém, Mikaele discorda. “Falamos de humanidade. A humanidade tem a ver com as pessoas perderem sua terra? Sua cultura e identidade? Tem a ver com viver com medo de que as futuras gerações já não possam viver em uma ilha bonita? Essa é a resposta para o futuro?”, questionou o ativista.

Mikaele afirmou que ele e seus companheiros estão conscientes de que sua luta não se limita ao Pacífico, e que a mudança climática também afeta outros países do Sul em desenvolvimento. “Estamos conscientes de que essa luta não é só pelo Pacífico. A mensagem que queremos passar, sobretudo aos governantes, é que somos seres humanos. Essa luta não se trata só de nossa terra, mas é pela sobrevivência”, ressaltou.

Mikaele contou como seu país já sofre as consequências da mudança climática: “Vemos mudanças nos padrões climáticos e também vemos a ameaça para nossa segurança alimentar. É difícil gerar um futuro sustentável se a terra já não é tão fértil e os cultivos não crescem devido à invasão da água salgada”.

guerreros Guerreiros climáticos bloqueiam o maior porto de carvão do mundo

Mikaele Maiava, de Tokelau, com outros ativistas da Guerreiros Climáticos do Pacífico no porto de carvão de Newcastle, na Austrália. Foto: Dean Sewell/Oculi para 350.org

 

A costa de Tokelau sofre erosão. “A linha costeira está mudando. Há 15 anos, quando ia para a escola, podia caminhar em linha reta. Agora tenho que andar por uma linha torcida porque a praia sofreu a erosão”, contou Mikaele. Tokelau se converteu no primeiro país do mundo a utilizar 100% de energia renovável quando adotou a energia solar em 2012 para abastecer sua população, de aproximadamente 1.400 pessoas.

Mikaele e seus companheiros ativistas construíram com as próprias mãos as canoas que trouxeram para a Austrália para o protesto, o meio tradicional de transporte e pesca em seus países. Outra “guerreira” climática, Kathy Jetnil-Kijiner, das Ilhas Marshall, fez chorar o público presente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro, ao ler um poema escrito por sua pequena filha, Matafele Peinam.

“Ninguém se mudará, ninguém perderá sua terra natal, ninguém se converterá em um refugiado da mudança climática. Ou deveria dizer ninguém mais. Aos ilhéus de Carteret, em Papua Nova Guiné, e aos de Taro, em Fiji, aproveito este momento para pedir-lhes desculpas”, afirmou Jetnil-Kijiner, se referindo aos que são considerados os primeiros refugiados climáticos do mundo.

O Fórum das Ilhas do Pacífico qualificou a mudança climática como “maior ameaça para os meios de vida, a segurança e o bem-estar dos povos” da região. Segundo Jetnil-Kijiner, “a mudança climática é uma ameaça imediata e grave para o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza em muitos países insulares do Pacífico, e para a própria sobrevivência de alguns”.

“Entretanto, esses países estão entre os menos capazes de se adaptar e responder a esta mudança, e as consequências que enfrentam são desproporcionais em relação à sua minúscula contribuição coletiva para as emissões mundiais” dos gases-estufa, ressaltou Jetnil-Kijiner. As autoridades das ilhas do Pacífico redobraram suas cobranças e desafiaram o governo australiano a não demorar mais na adoção de medidas contra a mudança climática.

“A Austrália é um país do Pacífico. Ao optar por desmantelar suas políticas climáticas, se retirar das negociações internacionais e seguir adiante com a expansão de sua indústria de combustíveis fósseis está totalmente em desacordo com o resto da região”, afirmou Simon Bradshaw, da organização Oxfam. “Os vizinhos mais próximos da Austrália identificam sistematicamente a mudança climática como seu maior desafio e prioridade absoluta. Portanto, é inevitável que as ações recentes de Canberra repercutam em sua relação com as ilhas do Pacífico”, acrescentou.

“Uma pesquisa recente encomendada pela Oxfam mostra que 60% dos australianos acreditam que a mudança climática tem consequências negativas na capacidade da população dos países mais pobres para cultivar alimentos e ter acesso a eles, chegando a 68% entre a faixa etária de 18 aos 34 anos”, destacou Bradshaw. Envolverde/IPS

The post Guerreiros climáticos bloqueiam o maior porto de carvão do mundo appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/10/ultimas-noticias/guerreiros-climaticos-bloqueiam-o-maior-porto-de-carvao-do-mundo/feed/ 0