IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Tue, 12 May 2015 13:00:59 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.1.5 Muito dinheiro, conhecimento e polêmicas no BNDES http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/muito-dinheiro-conhecimento-e-polemicas-no-bndes/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/muito-dinheiro-conhecimento-e-polemicas-no-bndes/#comments Tue, 12 May 2015 13:00:59 +0000 talita http://www.envolverde.com.br/?p=193768 Por Mario Osava, da IPS –  Rio de Janeiro, Brasil, 12/5/2015 – A impaciência com que o Brasil se pôs a construir centrais hidrelétricas, refinarias, ferrovias, portos e outros megaprojetos desde a década passada, inclusive no exterior, teve como grande combustível o ingente financiamento de seu banco de fomento. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e […]

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O prédio de vidro da sede do BNDES, à esquerda, tendo por vizinha do outro lado da rua a sede da Petrobras. Os edifícios dos dois grupos estatais dominam a avenida Chile, no Rio de Janeiro. Foto: Mario Osava/IPS

O prédio de vidro da sede do BNDES, à esquerda, tendo por vizinha do outro lado da rua a sede da Petrobras. Os edifícios dos dois grupos estatais dominam a avenida Chile, no Rio de Janeiro. Foto: Mario Osava/IPS

Por Mario Osava, da IPS – 

Rio de Janeiro, Brasil, 12/5/2015 – A impaciência com que o Brasil se pôs a construir centrais hidrelétricas, refinarias, ferrovias, portos e outros megaprojetos desde a década passada, inclusive no exterior, teve como grande combustível o ingente financiamento de seu banco de fomento.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestou no ano passado R$ 187,8 bilhões, mais de um terço destinado a infraestruturas. Há anos que seus créditos superam amplamente os do Banco Mundial, em totais anuais.

Por trás das quantias que ditam rumos, ao menos setoriais, para a economia, é necessária uma inteligência, quase sempre ofuscada pelos números grandiloquentes. É o conhecimento acumulado de seus 2.881 funcionários, 85% universitários e 11,4% com pós-graduação.

“Desde sua fundação, em 1952, o BNDES tem uma importância estratégica para o Brasil, isso não mudou, na essência, e de certa forma atualmente o banco é inclusive mais importante do que no passado”, disse à IPS o economista Fernando Cardim de Carvalho, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Sobreviveu a muitas modas dominantes na política nacional, o desenvolvimentismo do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) ao planejamento autoritário do general-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) e o neoliberalismo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que tentou mudar sua cultura, sem conseguir”, afirmou Carvalho. Com “o desmantelamento do aparato estatal de planejamento e intervenção desde o fim do regime militar (1985)”, o BNDES ficou como o “último dos moicanos capaz de formular políticas econômicas no país, embora em campos relativamente restritos”, acrescentou.

O Ministério do Planejamento “foi reduzido a uma instância de controle contábil de execução orçamentária e no processo de erosão que demoliu o setor público brasileiro apenas sobreviveram dois órgãos, na área econômica, o BNDES e o Banco Central”, afirmou o professor. Mas, acrescentou, o banco, apesar de “essencial” para financiar obras de infraestrutura, já não é suficiente para as necessidades de investimentos no Brasil, que exigem mecanismos adicionais de financiamento.

O economista lamenta que sua atuação dependa do governo, “que formula estratégias mais gerais”. Isso levou a um “erro importante, que não é de responsabilidade do banco mas dos governos que decidiram usá-lo como instrumento de política anticíclica”.

A crítica de Carvalho se dirige à aceleração de projetos com recursos do Tesouro transferidos ao banco, para manter o crescimento econômico depois da crise global de 2008. “O banco existe para promover objetivos de longo prazo, de transformação produtiva” e impor-lhe outras funções e a dependência financeira do Tesouro “é um erro”, ressaltou.

Mais contundente. Mauricio Dias David, ex-funcionário do banco onde trabalhou até 2009, atribui às “facilidades de financiamento sem controle”, por considerá-las anticíclicas, os créditos concedidos a “muitos projetos inconsistentes” e “elefantes brancos”, como estádios de futebol construídos ou reformados para a Copa de 2014.

Antes, quando era pequeno, o banco era “criativo e tinha capacidade crítica” que se perdeu com seu “crescimento e sua burocratização”, segundo David, agora professor de economia na Universidade Estatal do Rio de Janeiro. Sem a crítica são aprovados maus projetos cujos custos e inclusive insolvências explodirão mais adiante, disse à IPS.

Parte de um dos bairros da cidade de Altamira, no Pará, à margem do rio Xingu, que ficará sob as águas da represa da hidrelétrica de Belo Monte. Esse município amazônico é o mais afetado por esse megaprojeto financiado pelo BNDES. Foto Mario Osava/IPS

Parte de um dos bairros da cidade de Altamira, no Pará, à margem do rio Xingu, que ficará sob as águas da represa da hidrelétrica de Belo Monte. Esse município amazônico é o mais afetado por esse megaprojeto financiado pelo BNDES. Foto Mario Osava/IPS

O financiamento do BNDES foi multiplicado por seis durante os governos do PT, primeiro com Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) e agora com Dilma Rousseff. O número de seus funcionários quase duplicou neste século, com 35,8% de mulheres. São selecionados por concurso e desfrutam de estabilidade trabalhista.

O potencial do banco atrai graduados das melhores universidades, porque oferece “o melhor emprego em uma instituição federal do Rio de Janeiro”, segundo Marcelo Miterhof, assessor da presidência do BNDES. O conhecimento se forma principalmente na própria atuação do banco, em análises de projetos, diálogo com as empresas e com pessoas de diferentes especializações, explicou o economista, há 13 anos na instituição.

“Nossos técnicos não sabem mais sobre temas específicos, como energia ou logística, do que os órgãos especializados ou empresas, mas ganham visão de conjunto, sistematizam setores, têm a oportunidade de aprender muitos temas”, relatou Miterhof à IPS. Além disso, há mecanismos internos, como seminários, grupos de discussão, o “café do conhecimento” no qual especialistas de fora ou de dentro do banco expõem temas específicos “como energia eólica”. O intercâmbio de funcionários cedidos a outras instâncias do governo também contribui para o aprendizado permanente.

O pessoal do banco e seus “pensadores” estão distribuídos em 20 áreas, entre elas Infraestrutura, Industrial, Comércio Exterior e Meio Ambiente, além das estratégicas de Planejamento e Pesquisas Econômicas. A divisão do conhecimento também se dá pela revista BNDES Setorial, com edições semestrais e artigos de autores internos e externos.

Miterhof explica que com banco o BNDES não promove o desenvolvimento por si só, depende da iniciativa e de demandas dos clientes. Mas, às vezes surgem propostas não reativas, como o Programa de Modernização da Administração Tributária, que apoia prefeituras para melhorar a gestão financeira e os serviços aos cidadãos.

A dimensão ambiental foi incorporada gradualmente nas atividades do BNDES. Começou na década de 1970 em colaboração com as autoridades do setor. Depois foi criada uma gerencia para “apoiar avaliações de projetos e políticas internas” do banco, um departamento nos anos 1990 e a atual “área” em 2009.

Com esse status, o meio ambiente tem seus representantes nos comitês que selecionam os pedidos de crédito e aprovam resoluções e diretrizes, que se somam às de outras instâncias que ditam a governança do banco, explicou à IPS o chefe do Departamento de Meio Ambiente, José Guilherme Cardoso.

A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, realizada no Rio de Janeiro, intensificou a ação ambiental do banco, que hoje responde pela gestão do Fundo Amazônia, que financia projetos nesse bioma e promove iniciativas próprias. Um exemplo é o Programa BNDES Restauração Ecológica, que destina recursos a fundo perdido para recuperar a vegetação em outros biomas, com a Mata Atlântica (florestas da costa leste que adentram o continente), os Pampas no sul e a savana do cerrado, no centro do país.

A questão ambiental se estendeu a variadas instâncias e ações do banco, como o Comitê de Sustentabilidade e a Gerência Socioambiental da Área de Planejamento, dessa forma permeando todos os níveis de decisão, com a seleção dos projetos a serem financiados e a aprovação de resoluções sobre diretrizes geais.

A complexidade dos temas interligados ganha corpo no desenvolvimento territorial que o BNDES tenta promover na área de impacto da Central Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, envolvendo a população e os governos locais. Trata-se de uma abordagem que busca superar os fortes conflitos que gera uma obra como a construção de uma central com capacidade de 11.330 megawatts, uma das maiores do mundo, em uma região pobre. “Impressiona a mobilização da sociedade civil, já bem organizada, que participa intensamente das reuniões plenárias”, para gerir o plano de desenvolvimento local, disse Ana Maria Glória, da Área de Planejamento do BNDES e que acompanha o processo com visitas à região. Envolverde/IPS

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Políticas sociais latino-americanas deram impulso às mulheres http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/politicas-sociais-latino-americanas-deram-impulso-as-mulheres/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/politicas-sociais-latino-americanas-deram-impulso-as-mulheres/#comments Tue, 12 May 2015 12:05:49 +0000 talita http://www.envolverde.com.br/?p=193765 Por Fabiana Frayssinet, da IPS –  Buenos Aires, Argentina, 12/5/2015 – Não foram dirigidas especificamente às mulheres, mas as políticas sociais com subsídios familiares e pensões contribuíram para melhorar suas vidas na América Latina, a região que mais avanços registrou neste século na questão de gênero, embora ainda persistam enormes dívidas. A brasileira Luiza Carvalho, diretora […]

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A Conferência Internacional As mulheres e a inclusão social: de Pequim a pós-2015, durante sua jornada inaugural, dia 6 de maio, no Palácio San Martín, sede da chancelaria da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

A Conferência Internacional As mulheres e a inclusão social: de Pequim a pós-2015, durante sua jornada inaugural, dia 6 de maio, no Palácio San Martín, sede da chancelaria da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

Por Fabiana Frayssinet, da IPS – 

Buenos Aires, Argentina, 12/5/2015 – Não foram dirigidas especificamente às mulheres, mas as políticas sociais com subsídios familiares e pensões contribuíram para melhorar suas vidas na América Latina, a região que mais avanços registrou neste século na questão de gênero, embora ainda persistam enormes dívidas. A brasileira Luiza Carvalho, diretora regional da ONU Mulheres para a América Latina e o Caribe, assegurou que essa realidade é constatada em cada um dos informes da organização que promove a igualdade de gênero no mundo.

“É interessante notar que dentro de todas as regiões do mundo, a América Latina, de fato, é a que registrou maiores progressos”, afirmou Carvalho em entrevista à IPS, durante a Conferência Internacional As mulheres e a inclusão social: de Pequim a pós-2015, realizada entre os dias 6 e 8 de maio na capital argentina.

Segundo Carvalho, o avanço latino-americano “não foi tanto pelas políticas econômicas, mas – pelo contrário – pelas políticas sociais, que embora não necessariamente tenham por objetivo promover a mulher especificamente acabaram beneficiando-a muito, direta e indiretamente”. Entre esses programas de transferência de renda se destacam o Bolsa Família, no Brasil; o argentino Destinação Universal por Filho; o equatoriano Bônus de Desenvolvimento Humano, e o mexicano Prospera.

Também influíram positivamente medidas como melhoria do salário mínimo, que não incluiu uma perspectiva de gênero mas que beneficiou as mulheres que são quem majoritariamente o recebem. Isso aumentou seu poder de compra e, em consequência, sua capacidade de decisão e “de controle sobre alguns assuntos domésticos”, afirmou Carvalho.

O mesmo aconteceu com iniciativas de proteção do trabalhador informal e com a criação de pensões não contributivas, entre as quais diretora da ONU Mulheres destacou as de Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica e México.

Como medida dos diferentes planos de transferência de renda, “não há dúvida de que houve uma redução da pobreza extrema em toda América Latina. Com a melhoria do poder aquisitivo, do salário mínimo e da extensão das pensões não contributivas também houve uma modificação significativa na desigualdade de gênero”, destacou Carvalho.

Entretanto, ressaltou, esses programas têm o handicap que insistem na responsabilidade da mulher como mãe. “Suas condições são para a mulher. A mulher tem que ajudar os filhos a permanecerem na escola, a mulher tem que se preocupar que sejam vacinados. E essas condições não reforçam um papel mais responsável do homem na criação dos filhos”, afirmou Carvalho.

“Se queremos ir além desses êxitos, as políticas devem ser focadas”, afirmou Jessica Faieta, diretora regional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), ao se referir ao que denominou “a segunda geração de políticas sociais”.

“Devem ser políticas dirigidas diretamente à inclusão das mulheres nestes êxitos do desenvolvimento que não chegaram a todos”, afirmou Faieta à IPS. Entre esses “grupos excluídos” se destacam as mulheres, principalmente as camponesas, os indígenas e os afrodescendentes. “Esta provado que incluir mulheres tem um credito mais amplo. Empregar mais mulheres, dar-lhes um pagamento mais equitativo, tem um alcance que vai além delas mesmas, vai à família”, ressaltou.

“A América Latina tem isso muito claro. Tanto que estamos vendo a expansão desses programas na África e sua introdução na Ásia, que estão replicando suas experiências positivas”, disse Carvalho. Para apoiar este processo, o Pnud e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Brasil, buscam atualmente sistematizar as iniciativas regionais. “Há uma possibilidade de cooperação Sul-Sul muito importante” enfatizou Faieta.

Na jornada inaugural do encontro internacional de Buenos Aires participaram a diretora-executiva da ONU Mulheres, a sul-africana Phumzile Mlambo-Ngcuka, e a administradora mundial do Pnud, a neozelandesa Helen Clark.

Na reunião, convocada por essas duas agências da ONU e pelo governo argentino, participaram delegadas de diferentes regiões do mundo, com o objetivo de avaliar os desafios que persistem para a população feminina 20 anos depois da Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em Pequim em 1995.

Em nível regional, Carvalho mencionou entre esses desafios os altos indicadores de mortalidade materna, a violência contra a mulher e sua expressão mais grave: os feminicídios. “Dos 28 países de maior índice de feminicídios no mundo, 14 estão em nossa região”, lamentou. Um fenômeno atribuído tanto à “uma ausência do Estado, que responda com medidas de prevenção”, como à “uma cultura machista muito cristalizada, em uma visão da mulher como propriedade, como parte de uma coleção particular de um homem”, e também à “questões legais que impedem que tenha acesso à terra ou ao crédito”.

O “empoderamento econômico das mulheres” é outra dívida latino-americana, afirmou Faieta. Apesar dos avanços regionais, “ainda é a mulher quem sofre maior desemprego. O pagamento por trabalho igual continua sendo menor para as mulheres”, acrescentou. Apesar disso, o informe O progresso das mulheres no mundo 2015-2016: transformar as economias para realizar os direitos, lançado pela ONU Mulheres dia 27 de abril, registra esse avanço ao indicar que entre 1990 e 2013 o maior aumento mundial da participação feminina no trabalho foi registrado na América Latina. Nesse período essa participação passou de 40% para 54%, embora longe da masculina, com 80%.

O informe acrescenta que a brecha de gênero persiste nas remunerações latino-americanas, que é de 19%, mas é menor que a média mundial, de 24%. Além disso, em todos os países latino-americanos com pesquisas sobre o uso horário, as mulheres dedicam entre o dobro de tempo e cinco vezes mais do que os homens ao trabalho não remunerado.

Também houve êxitos, como a inclusão política das mulheres, na região do mundo com o maior número de chefes de Estado e de governo. Onze países aprovaram as cotas políticas, nos parlamentos, 26,4% são mulheres e nos governo há, em média, 22,4% de ministras, a maior proporção mundial, embora ainda não o nível desejado para uma democracia inclusiva, segundo Faieta.

“Está claro que a transferência condicionada de renda não resolverá tudo. Por isso também têm de ser implantadas outras políticas”, ressaltou Carvalho. Políticas específicas de gênero, mas também macroeconômicas, fiscais e monetárias. Também criticou o corte de programas sociais, que “afetam a sociedade como um todo, mas prioritariamente a mulher”, porque reduzem as políticas de educação e saúde, e outros que “aumentarão mais sua carga doméstica”.

Segundo Carvalho, “a mulher depende de um articulado conjunto de políticas sociais e econômicas. Todas as políticas, em seus diferentes níveis, influenciam a mulher e podem melhorar ou piorar a desigualdade de gênero”.
“Não pode haver igualdade de gênero sem justiça, inclusão, crescimento e desenvolvimento social”, reafirmou a ministra argentina de Desenvolvimento Social, Alicia Kirchner, durante a abertura da conferência. Por isso, segundo Clark, do Pnud, na Agenda Global de Desenvolvimento pós-2015, que será definida em setembro, é crucial garantir que todas as políticas tenham uma “perspectiva de gênero”. Envolverde/IPS

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Os bairros pobres são uma armadilha mortal para a infância http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/os-bairros-pobres-sao-uma-armadilha-mortal-para-a-infancia/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/os-bairros-pobres-sao-uma-armadilha-mortal-para-a-infancia/#comments Mon, 11 May 2015 13:04:16 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=193529 Por Valentina Ieri, da IPS –  Nações Unidas, 11/5/2015 – A brecha de sobrevivência urbana, alimentada pela crescente desigualdade entre ricos e pobres, tanto nos países do Norte industrial quanto do Sul em desenvolvimento, determina se milhões de meninos e meninas viverão ou morrerão antes de completarem cinco anos. O informe anual da organização internacional Save […]

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Crianças a caminho da escola em Kibera, a maior favela de Nairóbi. Foto: Save the Children

Crianças a caminho da escola em Kibera, a maior favela de Nairóbi. Foto: Save the Children

Por Valentina Ieri, da IPS – 

Nações Unidas, 11/5/2015 – A brecha de sobrevivência urbana, alimentada pela crescente desigualdade entre ricos e pobres, tanto nos países do Norte industrial quanto do Sul em desenvolvimento, determina se milhões de meninos e meninas viverão ou morrerão antes de completarem cinco anos. O informe anual da organização internacional Save the Children intitulado Estado das mães do mundo 2015, analisou 179 países e concluiu que, no caso “dos bebês nascidos na grande cidade, sobrevivem os mais ricos”.

Pela primeira vez na história, mais famílias se mudam do campo para as cidades para dar aos seus filhos uma vida melhor, disse Carolyn Miles, presidente de Save the Children, na apresentação do informe na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque. Mas esse deslocamento da sociedade rural para a urbana aumentou as desigualdades dentro das cidades, acrescentou.

“Nosso informe revela uma devastadora brecha na sobrevivência infantil entre ricos e pobres, que conta uma história de duas cidades entre comunidades urbanas de todo o mundo, incluídos os Estados Unidos”, afirmou Miles.

O trabalho calcula que 54% da população mundial vivem em zonas urbanas, e que até 2050 essa proporção será de 66%, sobretudo na Ásia e África. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que quase um bilhão de pessoas vivem em favelas urbanas, nos assentamentos informais, nas ruas, sob as pontes e ao longo das vias férreas.

Rizell, de 17 anos, e seu bebê de três semanas vivem sob uma ponte em San Dionisio, na Indonésia. Foto: Save the Children

Rizell, de 17 anos, e seu bebê de três semanas vivem sob uma ponte em San Dionisio, na Indonésia. Foto: Save the Children

As mulheres que vivem nas cidades podem ter um acesso mais fácil à atenção primária da saúde, incluindo os hospitais, mas muitos governos não conseguiram seguir o ritmo desse rápido crescimento urbano. Um terço de todos os residentes urbanos, mais de 860 milhões de pessoas, vive em favelas onde há escassez de água potável e saneamento, além de uma generalizada desnutrição.

Apesar dos avanços obtidos em todo o mundo na redução da mortalidade urbana nos menores de cinco anos, a brecha de sobrevivência entre as crianças ricas e pobres das cidades cresce mais rapidamente do que nas zonas rurais.

Na maioria dos países em desenvolvimento pesquisados a população infantil correspondente aos 20% mais pobres da escala socioeconômica tem o dobro de probabilidade de morrer do que as crianças dos 20% mais ricos. Em algumas cidades essa disparidade é muito maior.

Robert Clay, vice-presidente de saúde e nutrição da Save the Children, explicou que os pobres urbanos são mais transitórios, já que tendem a ter empregos e condições de vida mais instáveis. No meio rural, muita gente conta com terra e alimentos, pelo menos, bem como um sistema de apoio comunitário mais sólido.

“Nas zonas urbanas isso não existe. As cidades estão superlotadas por muitos grupos étnicos que convivem, por isso é um pouco mais difícil a integração, a comunicação e a geração de confiança. A população oculta é a mais problemática de se alcançar”, apontou Clay à IPS. Acrescentou que a falta de dados complica o acesso de organizações humanitárias, como Save the Children, ou dos governos nacionais e municipais a essas comunidades marginalizadas.

Os 10 países em desenvolvimento com maior brecha de sobrevivência infantil são Bangladesh, Camboja, Gana, Índia, Quênia, Madagascar, Nigéria, Peru, Ruanda e Vietnã. Segundo o índice materno de 2015, baseado nos critérios de saúde materna, bem-estar infantil, nível educacional, situação econômica e situação política feminina, a Save the Children conclui que as condições são dramáticas para as mães e os filhos desses 10 países pior qualificados, dos quais oito ficam na África central e ocidental.

Segundo Miles, “em média, nesses países uma em cada 30 mulheres morre por causas relacionadas com a gravidez, e uma em cada oito crianças morre antes de completar os cinco anos”.

O rio que passa pela favela de Kroo Bay, em Serra Leoa. Foto: Save the Children

O rio que passa pela favela de Kroo Bay, em Serra Leoa. Foto: Save the Children

Em nível mundial, baixaram as taxas de mortalidade dos menores de cinco anos, de 90 para 46 mortes para cada mil nascidos vivos. Mas, estes números ocultam o fato de a sobrevivência infantil estar estreitamente ligada à posição econômica da família, e deixam de lado as condições de pobreza e a vida insalubre dos bairros marginalizados, segundo a organização.

O informe da Save the Children também revela algumas boas soluções aplicadas pelos governos para reduzir a mortalidade materna e infantil e fechar a brecha da iniquidade entre crianças ricas e pobres em seus países. Os melhores casos são registrados nas capitais de Etiópia, Egito, Guatemala, Uganda, Filipinas e Camboja.

“A Etiópia, onde recentemente foi acelerado o crescimento econômico, as soluções foram no sentido de desenvolver políticas de focalização eficazes, e deu atenção médica preventiva e curativa acessível às mães e às crianças pobres”, destacou Clay. “A Etiópia deve ser um modelo para outros países, no que diz respeito ao acesso às comunidades nos bairros pobres, de maneira que a população local não seja excluída”, acrescentou. Segundo Clay, a contratação de trabalhadores de extensão urbana, que podem ir às localidades, falar o idioma das pessoas que vivem ali e entender sua situação e suas necessidades, é vital.

Miles disse que sua organização exorta todos os governos a aplicarem medidas para investir na atenção sanitária materna e infantil universal, desenvolver planos urbanísticos intersetoriais e reduzir as desvantagens urbanas, bem como para priorizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda de desenvolvimento pós-2015. Envolverde/IPS

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Energias no norte e sul fortalecem transmissão elétrica no Chile http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/energias-no-norte-e-sul-fortalecem-transmissao-eletrica-no-chile/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/energias-no-norte-e-sul-fortalecem-transmissao-eletrica-no-chile/#comments Mon, 11 May 2015 13:00:29 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=193525 Por Marianela Jarroud, da IPS –  O lago Neltume, na localidade de mesmo nome da região de Los Ríos, sul do Chile. Sobre ele o grupo ítalo-espanhol Endesa-Enel pretende construir uma grande represa, à qual se opõem seus moradores, em particular os indígenas, que o reclamam como território sagrado. Foto: Marianela Jarroud/IPS Santiago, Chile, 11/5/2015 […]

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A interconexão dos dois maiores sistemas de eletricidade do Chile unirá o país neste vital setor e barateará o fornecimento em um dos países com a energia mais cara. Foto: Ministério de Energia

A interconexão dos dois maiores sistemas de eletricidade do Chile unirá o país neste vital setor e barateará o fornecimento em um dos países com a energia mais cara. Foto: Ministério de Energia

Por Marianela Jarroud, da IPS – 

O lago Neltume, na localidade de mesmo nome da região de Los Ríos, sul do Chile. Sobre ele o grupo ítalo-espanhol Endesa-Enel pretende construir uma grande represa, à qual se opõem seus moradores, em particular os indígenas, que o reclamam como território sagrado. Foto: Marianela Jarroud/IPS

Santiago, Chile, 11/5/2015 – O Chile poderá contar com um mercado elétrico mais eficiente, com segurança de fornecimento, mais sustentável e, sobretudo, menos caro, quando se concretizar a interligação dos dois sistemas elétricos mais importantes do país, um projeto que estará operacional a partir de 2017 e que se estenderá por mais de três mil quilômetros.

“Não basta aumentar nossa capacidade de geração elétrica se ao mesmo tempo não fortalecermos nossa transmissão. Se queremos ser um país desenvolvido temos que apostar na diversidade de geração e pela segurança na transmissão elétrica”, afirmou à IPS o ministro de Energia, Máximo Pacheco. Este projeto “abre enormes oportunidades de progresso e segurança para as chilenas e os chilenos, com uma energia mais limpa e mais barata”, acrescentou.

Alongado e estreito território chileno conta com capacidade instalada de aproximadamente 17 megawatts (MW) destinados a abastecer seus 17,6 milhões de habitantes e sua atividade produtiva. Nesse país a geração e distribuição elétrica estão nas mãos de empresas privadas, a maioria estrangeiras, sobre regulamentação da Comissão Nacional de Energia, que também coordena a interconexão.

Da capacidade instalada, 74% correspondem ao Sistema Interligado Central (SIC), 25% ao Sistema Interligado Norte Grande (SING) e menos de 1% às redes medianas das regiões austrais de Aysén e Magalhães. O SING se estende desde a região de Arica, no extremo norte e limítrofe com Peru e Bolívia, até Antofagasta, enquanto o SIC segue desde o município de Taltal ao norte até a ilha grande de Chiloé, no sul. No total somarão mais de três mil quilômetros lineares do território deste país cuja fronteira territorial supera os 6.300 quilômetros.

A obra de interligação, já em construção e com investimento previsto de US$ 1 bilhão, é desenvolvida pelo grupo francês GDF Suez através de uma rede que se estenderá por 580 quilômetros. Essa rede funcionará como uma linha de injeção de energia desde o polo de geração de Mejillones, em Antofagasta e parte do SING, para a subestação de Cadones, em Copiapó, na região de Atacama e do SIC ao norte.

O Chile importa 97% dos hidrocarbonos que utiliza e sua matriz energética é composta por 63% de geração térmica, 34% de hidroeletricidade e 3% por energias renováveis não convencionais (ERNC).

O alto déficit de fontes energéticas situa o preço da produção de 1 MW/hora para a indústria entre os mais caros da América Latina, com um custo que supera os US$ 150, segundo o índice global de rendimento da arquitetura energética elaborado em 2014 pelo Fórum Econômico Mundial. Este custo é o 13º mais caro do mundo e na região só é superado por República Dominicana com US$ 210 por MW/hora, e por Brasil e El Salvador, onde o MW/hora vale US$ 160.

“O Chile está marcado pelo custo de eletricidade mais alto da América Latina e onde as contas de luz subiram 30% nos últimos cinco anos. Isto afeta fortemente nossas famílias e prejudica a competitividade de nossas empresas”, reconheceu Pacheco. Acrescentou que o projeto de interligação, adiado por décadas sob alegação de motivos técnicos e tecnocráticos, “é um marco histórico”, porque junto coma entrega de eficiência, sustentabilidade e segurança no fornecimento, garante menores custos e um importante efeito econômico para o país.

Segundo dados da Comissão Nacional de Energia, a interligação trará benefícios ao país da ordem de US$ 1,1 bilhão, pela redução dos custos do sistema elétrico e por uma projetação de baixa dos preços associados a maior competição e diminuição de riscos no mercado. “Isto tem enorme valor considerando que equivale a construir cerca de 35 mil moradias sociais. Essa é a magnitude do benefício econômico deste projeto para o país”, destacou o ministro.

De concreto, as famílias do Norte Grande notarão uma queda de US$ 13 no preço do MW/hora, enquanto na zona Centro Sul será de US$ 3. No caso das indústrias, estima-se uma queda de US$ 17 por MW/hora no Norte Grande e de US$ 9 na zona Centro Sul do país. Adicionalmente, “aumentarão os investimentos no setor energético, o que, definitivamente, será uma boa notícia para nosso país”, afirmou Pacheco.

Os benefícios econômicos não são o único atrativo deste projeto. Para o ministro, “o objetivo da ligação entre os Sistemas Interligados mais importantes do país esta no fato de, justamente, a energia limpa e abundante do norte de nosso país poder chegar ao centro sul do território”. Isto faz com que o otimismo não se limite somente ao governo e se estenda a setores ambientalistas.

Manuel Baquedano, diretor do não governamental Instituto de Ecologia Política, afirmou à IPS que se trata de um dos projetos “mais importantes para o país”, porque supõe maior flexibilidade no manejo da energia e, por conseguinte, uma diminuição de seus custos.

Esse especialista lembra que “o norte tem excedente de capacidade energética no dia”, devido à sua enorme potência de radiação solar emanada do deserto de Atacama, o mais árido do mundo, e o centro sul do país, conectado pelo SIC, “tem falta de capacidade energética de noite”, por sua grande potência hidrelétrica.

Assim, prosseguiu Baquedano, “cada um dos sistemas pode ajudar o outro gerando maior estabilidade e potencializado a utilização das ERNC, que requerem energia de apoio. É um projeto-chave, porque o problema do Chile hoje em dia não é a geração, mas a transmissão da eletricidade”, acrescentou.

Em seu segundo governo, iniciado em março de 2014, a presidente Michelle Bachelet se comprometeu a aumentar a participação das ERNC para que até 2025 procedem de fontes limpas e próprias 20% das injeções de eletricidade.

“Várias das medidas apresentadas na agenda visam o seu cumprimento, como a expansão dos sistemas de transmissão, melhorar a competição no segmento de geração e dar flexibilidade à operação dos sistemas elétricos”, disse o ministro. Acrescentou que o desenvolvimento futuro da transmissão “terá um papel central em facilitar o cumprimento desta meta de baixos custos, aproveitando um uso coordenado de corredores de transmissão”.

Segundo Baquedano, “o que vemos é uma proliferação de projetos eólicos e solares no norte, acima dos hidrelétricos no sul. E a sociedade não tolera os megaprojetos. Neste cenário, não tenho nenhum medo da interligação. Pelo contrário, considero que é um elemento superimportante para o desenvolvimento das ERNC”. Envolverde/IPS

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Saques expressam o desespero das vítimas no Nepal http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/saques-expressam-o-desespero-das-vitimas-no-nepal/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/saques-expressam-o-desespero-das-vitimas-no-nepal/#comments Mon, 11 May 2015 12:54:14 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=193521 Por Naresh Newar, da IPS –  Kavre, Nepal, 11/5/2015 – Mais de um milhão de famílias vítimas do terremoto de magnitude 7,8 que sacudiu o Nepal no dia 25 de abril começam a tentar seguir adiante com suas vidas, mas as devastadoras sequelas que esse país do sul da Ásia sofreu complicam seus esforços de recuperação. […]

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Rita Rai, de 65 anos, ainda não recebeu ajuda de emergência na aldeia de Mahadevsthan, 100 quilômetros ao sul de Katmandu. Foto: Naresh Newar/IPS

Rita Rai, de 65 anos, ainda não recebeu ajuda de emergência na aldeia de Mahadevsthan, 100 quilômetros ao sul de Katmandu. Foto: Naresh Newar/IPS

Por Naresh Newar, da IPS – 

Kavre, Nepal, 11/5/2015 – Mais de um milhão de famílias vítimas do terremoto de magnitude 7,8 que sacudiu o Nepal no dia 25 de abril começam a tentar seguir adiante com suas vidas, mas as devastadoras sequelas que esse país do sul da Ásia sofreu complicam seus esforços de recuperação.

A entrega da ajuda humanitária e dos suprimentos básicos de emergência continua sendo muito lenta, o que provocou alguns incidentes de saques por pessoas desesperadas pela espera. As fortes chuvas de monção que ocorrem anualmente em cada verão boreal estão à espreita na esquina, e em algumas partes do país já começaram as precipitações.

Até o momento foram confirmadas 8.413 mortes em 30 distritos, metade delas na capital Katmandu e seu vizinho distrito de Sindupalchok, e 17.576 feridos, segundo a Sociedade da Cruz Vermelha do Nepal (SCRN), a maior organização não governamental humanitária do país. Mais de 1,1 milhão de famílias foram afetadas ou deslocadas em 35 distritos, enquanto mais de 460 mil moradias foram completamente destruídas, acrescenta a SCRN.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que o desastre natural afetou cerca de oito milhões dos 27 milhões de habitantes do Nepal. Destes, aproximadamente 3,5 milhões necessitam de ajuda alimentar. O Programa Mundial de Alimentos fez um pedido urgente de US 116,5 milhões para entregar a ajuda aos 1,4 milhões de pessoas mais necessitadas nos próximos três meses.

Por outro lado, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura se preocupa com a complicada situação da colheita de trigo neste país. A agência previa uma produção de 1,8 milhão de toneladas este ano, mas já se considera que essa previsão cairá bastante porque os produtores têm dificuldades de acesso aos campos arrasados, enquanto os sistemas de drenagem e canais de irrigação ficaram severamente danificados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) anunciou no dia 5 deste mês que começara a transportar por via aérea 80 toneladas de ajuda humanitária para as zonas mais afetadas com “suprimentos para saneamento e higiene, materiais de cloração, kits contra diarreia e cólera, bem como sacos de água para fornecer água potável diante do temor de focos de doenças transmitidas pela água”. O Unicef também entregará “kits sanitários e lonas, já que muitas famílias fugiram para a intempérie devido à ameaça de réplicas do terremoto”.

“Já deixamos de chorar de medo porque temos que seguir em frente e sermos valentes”, disse à IPS a adolescente Sunita Tamang, de 13 anos, abraçada à sua melhor amiga, Manju Tamang, de 12. Ambas são oriundas da aldeia de Ghumarchowk, a 80 quilômetros de Katmandu. O terremoto as deixou sem suas famílias e suas casas, gado e reservas de alimentos. Sua escola está em ruínas e embora ambas estejam ansiosas para reiniciar as aulas terão que esperar terminar o mês obrigatório de fechamento das escolas declarado determinado pelo governo, diante da possibilidade de mais tremores.

Este povoado do distrito de Kavre foi um dos mais danificados pelo terremoto de 25 de abril. Foto: Naresh Newar/IPS

Este povoado do distrito de Kavre foi um dos mais danificados pelo terremoto de 25 de abril. Foto: Naresh Newar/IPS

Neste povoado, ao qual se chega após uma íngreme caminhada de três horas pela montanha, a maioria das 500 moradias está danificada ou é insegura, o que é um sério obstáculo para as famílias que estão cansadas de dormir à intempérie em suas plantações de batatas e abóboras. Agora residem em tendas de campanha improvisadas e só uma fina lâmina de plástico cobre suas cabeças. As chuvas torrenciais que afetam o povoado deixam o solo muito lamacento para se dormir. “Prefiro voltar para casa e correr o risco”, afirmou à IPS o assistente social Bikash Tamang.

Dibya Paudel, chefe de comunicações da Sociedade Nacional de Tecnologia Sísmica-Nepal (NSET), cujo objetivo é criar “comunidades a prova de terremotos no Nepal até 2020”, começou a avaliar o dano sofrido pelas principais áreas de escritórios e residenciais em todo o país, para garantir que os órgãos estatais, bem como os setores médico e de comunicações, tenham acesso aos mais necessitados. Porém, a destruição é tamanha que uma avaliação integral levará tempo.

Os habitantes das zonas afetadas recebem a ajuda esporádica de engenheiros nepaleses que oferece seus serviços voluntariamente para avaliar os danos e a segurança das estruturas. “Estes engenheiros estão nos ajudando gratuitamente, e estou muito agradecido a eles”, disse Shankar Biswakarma, oriundo do bairro de Bagdol, em Katmandu. Mas, a caridade não será suficiente para remediar a situação.

O número de moradores em Tunkikhel, a maior zona de acampamento para os deslocados de Katmandu, foi reduzido pela metade nos últimos dias. As famílias que restam são em grande parte trabalhadores migrantes, disse à IPS Manisha Lama, uma mãe de 25 anos. “Muitos que têm familiares e amigos para ajudá-los partiram. Os que ficaram aqui nos acampamentos são aqueles que não são de Katmandu”, explicou.

Sua casa está na remota aldeia de Deupur, em Kavre, um dos distritos mais afetados, cerca de 100 quilômetros ao sul da capital. Kavre também tem o maior número de casas destruídas, com cerca de 30 mil perdidas pelo sismo, segundo a SCRN. “As necessidades das famílias mais afetadas são cruciais e a resposta está sendo um enorme desafio”, ressaltou Paudel.

Ele assegura que as vítimas estão extremamente frustradas pela ajuda de emergência que chega a passo de tartaruga, e acrescentou que o governo e seus órgãos estão saturados pelos pedidos de assistência e pela pressão de atender as necessidades humanitárias de milhões de pessoas.

Até o dia 2 deste mês a comunidade internacional havia se comprometido a destinar US$ 68 milhões à ajuda de emergência, quantia bem abaixo dos US$ 415 milhões necessários para a recuperação do país, segundo o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU.

E, o que é pior, as agências humanitárias denunciam incidentes de saques das provisões de socorro antes que estas cheguem aos seus destinatários. A longa espera da ajuda pelas vias formais faz com que as famílias se desesperem, afirmam testemunhas dessa situação.

“Continuamos esperando a ajuda, mas soube que o governo e as agências têm medo de vir por causa dos saques”, disse Sachen Lama, morador de Bajarayogini, aldeia a 10 quilômetros de Katmandu. Ele e outros moradores pedem calma à comunidade para quando chegarem os suprimentos, assim os trabalhadores humanitários poderão realizar seu trabalho, sem obstrução no processo de distribuição. “Mas, há dois dias algumas pessoas desesperadas provocaram saques, e as provisões da ajuda nunca chegaram até nós”, lembrou Lama. Envolverde/IPS

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A igualdade de gênero em débito no Sri Lanka http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/a-igualdade-de-genero-em-debito-no-sri-lanka/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/a-igualdade-de-genero-em-debito-no-sri-lanka/#comments Fri, 08 May 2015 12:45:44 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=193405 Por Ranjit Perera, da IPS –  Colombo, Sri Lanka, 8/5/2015 – Rosy Senanayake, ministra de Assuntos Infantis do Sri Lanka, aproveitou a reunião da Comissão sobre População e Desenvolvimento, em Nova Iorque, para apresentar os êxitos e as dificuldades para conseguir a igualdade de gênero em um país que se orgulha de ter tido a […]

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Mesmo em tempos de paz, as mulheres do Sri Lanka carregam o peso de buscar trabalho e cuidar de suas famílias. Foto: Adithya Atlles/IPS

Mesmo em tempos de paz, as mulheres do Sri Lanka carregam o peso de buscar trabalho e cuidar de suas famílias. Foto: Adithya Atlles/IPS

Por Ranjit Perera, da IPS – 

Colombo, Sri Lanka, 8/5/2015 – Rosy Senanayake, ministra de Assuntos Infantis do Sri Lanka, aproveitou a reunião da Comissão sobre População e Desenvolvimento, em Nova Iorque, para apresentar os êxitos e as dificuldades para conseguir a igualdade de gênero em um país que se orgulha de ter tido a primeira chefe de governo do mundo, Sirimavo Bandaranaike, em julho de 1960.

Após uma cruenta guerra civil de 26 anos, que terminou em 2009, o Sri Lanka registrou um forte crescimento econômico e também obteve alguns êxitos na luta contra a pobreza e a fome.

Faltam poucos meses para vencer o prazo para se atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), no final deste ano, e este país conseguiu reduzir a pobreza de 26,1%, em 1990-1991, para 6,7% em 2012-2013, alcançando dessa forma o objetivo de reduzir a pobreza em 50% nesse prazo.

Mas, ainda está atrasado em matéria de igualdade de gênero, pois embora 51,8% da população sejam mulheres, apenas 34% delas estão no mercado de trabalho.

Senanayake disse à IPS em Colombo, pouco depois de retornar da reunião de abril em Nova Iorque, que o Sri Lanka é um dos poucos países da Ásia onde o índice de masculinidade é favorável às mulheres.

O avanço desse país dependerá de sua capacidade de conseguir que as mulheres e jovens sejam participantes ativos da Agenda de Desenvolvimento posterior a 2015 e dos futuros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU).Segundo a ministra, “isso requer um aumento de investimentos sustentáveis voltados à igualdade de gênero e à proteção social”.

Em uma visita à Colombo no começo de maio, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, elogiou o Sri Lanka por ajudar as pessoas necessitadas e refugiadas:“Incentivam as pessoas a construírem bairros seguros e prósperos. Apóiam ex-combatentes e sobreviventes de violência sexual e de gênero e oferecem ajuda psicológica e outros serviços sociais. Estes são esforços absolutamente vitais e todos devem apoiá-los”.

O secretário acrescentou que, “como em qualquer país, está claro que para qualquer sociedade prosperar as mulheres devem ter um controle total e participar totalmente da economia e da vida política. Não há desculpas no século XXI para a discriminação nem para a violência contra as mulheres. Nem agora, nem nunca”.

O Sri Lanka praticamente conseguiu a educação primária universal; a quantidade de meninos e meninas que terminam a escola é de quase 100%. O desemprego caiu para menos de 4% da população economicamente ativa.

A mortalidade materna caiu de 92 mortes a cada 100 mil nascidos vivos, em 1990, para 33,3/100 mil, em 2010, e o número de pessoas entre 15 e 25 anos que sabem ler aumentou de 92,7%, em 1996, para 97,8%, em 2012, segundo dados oficiais.

Desde o final da guerra entre as forças de segurança e os separatistas Tigres para a Libertação da Pátria Tamil “o Sri Lanka passou de um país de baixa renda para um de renda média”, destacou o coordenador residente da Organização das Nações Unidas (ONU), Subinay Nandy. No geral, o Sri Lanka tem uma boa situação, conseguiu atingir as metas de muitos dos oito ODM e está bem encaminhado para alcançar os demais, acrescentou. Mas, faltam alguns êxitos importantes.

A proporção de assentos parlamentares ocupados por mulheres “continua baixa”. O número de casos de HIV/aids aumenta gradualmente, apesar da baixa prevalência; a tuberculose continua sendo um problema de saúde pública; houve aumento da incidência de dengue. Além disso, a proporção do serviço da dívida do Sri Lanka continua relativamente alto comparado com o de outros países em desenvolvimento na Ásia Pacífico.

Senanayake também declarou na Comissão de População e Desenvolvimento que o desemprego entre as mulheres é mais que o dobro dos homens, e que as trabalhadoras migrantes e as mulheres nas plantações e no setor de processamento para a exportação atraem uma importante quantidade de divisas. Porém, a maioria delas pertence ao setor informal.

“Isso as deixa vulneráveis à exploração e aos abusos. Além disso, as mulheres são as principais responsáveis pelas tarefas de cuidado, o que cria múltiplas e entrecruzadas formas de discriminação e limita as oportunidades para sua total integração no mercado de trabalho”, destacou Senanayake.

Os investimentos exigem uma ampla discussão sobre o valor da participação feminina no desenvolvimento. Isso inclui a existência e a promoção dos direitos e da saúde sexual e reprodutiva, sólidos mecanismos para evitar a violência contra mulheres e meninas e o fortalecimento de medidas para processar os agressores. Isso é fundamental – recordou a ministra – para garantir que o Sri Lanka aproveite seu “dividendo geográfico”.

Além disso, a introdução de serviços de planejamento familiar pela Associação de Planejamento Familiar se integrou bem aos serviços de saúde materna e infantil e depois se expandiu para reduzir o estigma em torno da anticoncepção. A estratégia permitiu reduzir em mais de 80% a fertilidade, segundo a ministra.

O ministério de Senanayake introduziu um programa que oferece suplementos nutricionais às mulheres grávidas de todo o país para reduzir a anemia, o baixo peso ao nascer e a má nutrição, que afetam tanto mães quanto bebês. Mas o Sri Lanka ainda padece do problema dos abortos em condições inseguras, a gravidez adolescente, o que representa um grande desafio para a saúde e o bem-estar de mulheres e adolescentes. Atualmente, mais de 23,4% das famílias são chefiadas por mulheres.

Para enfrentar a pressão demográfica, o primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, criou um Comitê Nacional de Famílias Encabeçadas por Mulheres e também um Centro Nacional para Mulheres Chefes de Família, que permitem a quem está nessa situação se integrar ao mercado de trabalho e conseguir uma renda sustentável. Envolverde/IPS

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Índia continua marcada pelo “apartheid de castas” http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/india-continua-marcada-pelo-apartheid-de-castas/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/india-continua-marcada-pelo-apartheid-de-castas/#comments Fri, 08 May 2015 12:40:20 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=193401 Por Neeta Lal, da IPS Nova Délhi, Índia, 8/5/2015 – A celebração do 122º aniversário de Bhimrao Ramji Ambedkar (1891-1956), arquiteto da Constituição da Índia e defensor dos mais oprimidos, pôs em destaque em abril a patente discriminação que continuam sofrendo as comunidades sem casta ou as castas inferiores, que representam 16% dos 1,2 milhão […]

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Na Índia, cerca de um milhão de mulheres dalits trabalham como limpadoras manuais de latrinas. Foto: NeetaLal/IPS

Na Índia, cerca de um milhão de mulheres dalits trabalham como limpadoras manuais de latrinas. Foto: NeetaLal/IPS

Por Neeta Lal, da IPS

Nova Délhi, Índia, 8/5/2015 – A celebração do 122º aniversário de Bhimrao Ramji Ambedkar (1891-1956), arquiteto da Constituição da Índia e defensor dos mais oprimidos, pôs em destaque em abril a patente discriminação que continuam sofrendo as comunidades sem casta ou as castas inferiores, que representam 16% dos 1,2 milhão de habitantes deste país.

O Direito à Igualdade, consagrado na Constituição de 1950, garante que nenhum cidadão seja discriminado por sua religião, raça, casta, por seu sexo ou lugar de nascimento. A Lei de Castas e Tribos (Prevenção de Atrocidades), de 1989, estabelece penas de prisão, de seis meses até um ano, para quem a infringir.

Apesar da proteção legal, a Índia continua marcada pelo o que ex-primeiro-ministro Manmohan Singh descreveu como “aparthaid de castas”, um complexo sistema de estratos sociais profundamente arraigados na cultura indiana. Milhões de dalits, considerados intocáveis no sistema de castas, sofrem de forma permanente a discriminação, constantemente reforçada pelo Estado e por entidades privadas.

Uma pesquisa feita no ano passado pelo Conselho Nacional de Pesquisa Econômica Aplicada (NCAER) revelou que um em cada quatro entrevistados, de diferentes grupos religiosos, reconheceu ter praticado a intocabilidade. Lamentavelmente, a prática se manifesta de várias maneiras.

Em algumas aldeias os estudantes das castas superiores se negam a comer alimentos preparados pelos dalits, um grupo que inclui várias comunidades marginalizadas. Um estudo detalhado, feito por Sarva Shiksha Abhiyan, um programa estatal para conseguir a educação primária universal, concluiu que existem três tipos de discriminação, dos professores, dos colegas e de todo o sistema educacional.

O sistema de castas, considerado uma característica dominante da religião hindu e praticamente visto como uma divisão divina do trabalho, dá aos dalits as tarefas mais servis, entre as quais coleta de lixo, remoção de excrementos humanos, varrer, pavimentar e eliminar corpos humanos e de animais. Dados do censo de 2011 revelam que cerca de 800 mil dalits trabalhavam esvaziando manualmente latrinas, embora se estime que essa tarefa poderia afetar 1,3 milhão de pessoas.

Os dalits estão historicamente condenados a realizar as tarefas mais degradantes. Foto: NeetaLal/IPS

Os dalits estão historicamente condenados a realizar as tarefas mais degradantes. Foto: NeetaLal/IPS

Apesar da promulgação da Lei de (Proibição) do Emprego de Limpadores de Latrina e Construção de Latrinas Secas, de 1993, que pune e impõe multas para quem empregar limpador manual, centenas de milhares de dalits continuam retirando excrementos humanos das latrinas secas, limpando os esgotos, esfregando fossas céticas e abrindo drenagens, tudo com as próprias mãos. Além disso, várias dependências estatais continuam empregando dalits para essas tarefas, e a maioria deles é de mulheres.

Beena J Pallical, integrante da Campanha Nacional para os Direitos Humanos dos Dalits, que reúne várias organizações de dalits, disse à IPS que mesmo no século XXI a comunidade continua sendo a mais vulnerável, marginalizada e maltratada do país.

Desde o quinto plano quinquenal (1974-1975), se dispôs destinar fundos a serviços e benefícios para as castas relegadas. Programas como o Subplano Tribal para Tribos Desfavorecidas e o Subplano para Castas Desfavorecidas foram criados para destinar uma parte de fundos do orçamento anual para cada setor da população necessitado. Atualmente, as castas marginalizadas representam 16,2% da população e as tribos desfavorecidas, 8,2%.

O ativista dalit Paul Divakar, disse que os orçamentos federal e estadual mostram que a não utilização e o desvio de fundos destinados à melhoria das castas e tribos marginalizadas é uma prática rotineira.

“Claramente mostra que o desenvolvimento econômico do setor não é uma prioridade do governo. Os dalits continuam atrasados porque não são implantadas as políticas e por falta de desenvolvimento com fins específicos, o que deveria ser punido pelo artigo 4 da Lei de Castas e Tribos Desfavorecidas, de 1989”, disse Divakar à IPS.

Segundo o Escritório Nacional de Registro Criminal, um dalit sofre uma ação delitiva de uma pessoa de uma casta superior a cada 16 minutos. Todos os dias, mais de quatro mulheres das castas inferiores sofrem um violação, e 13 dalits são assassinadas ou sequestradas por semana.

As meninas e mulheres dalits continuam sendo exploradas como “escravas do templo”, também chamadas “joginis” ou “devadasis”, uma prática que tem vários séculos, segundo a qual as meninas dalits, inclusive a partir dos cinco anos, nasceram para servir a Deus e são obrigadas a servir uma divindade especifica.

Presas ao templo, são obrigadas a passar sua infância trabalhando e quando são adultas são obrigadas a se prostituírem, apesar da prática ser proibida desde 1989. Annamma (nome fictício), uma jogini de 27 anos de um templo do Estado de Tamil Nadu, recordou como os homens (incluídos os sacerdotes) a violarem durante cinco anos antes de conseguir fugir no mês passado. “Era com se não fosse humana. Os homens entravam e saíam do meu quarto à noite com se eu não tivesse direito sobre meu corpo, só eles. Me destruiu completamente”, relatou à IPS.

Em sânscrito, a palavra dalit significa suprimida, sufocada ou feita em pedaços. Sessenta e sete anos depois da independência da Índia, milhões de pessoas ainda estão física, emocional e economicamente destruídas por um sistema e uma sociedade que se nega a tratá-las com iguais. Envolverde/IPS

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Queda no preço do petróleo beneficia ilhas do Pacífico http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/queda-no-preco-do-petroleo-beneficia-ilhas-do-pacifico/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/queda-no-preco-do-petroleo-beneficia-ilhas-do-pacifico/#comments Fri, 08 May 2015 12:34:48 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=193396 Por Catherine Wilson, da IPS Canberra, Austrália, 8/5/2015 – A recente e drástica queda dos preços mundiais do petróleo, de US$ 115, em junho de 2014, para US$ 66, ao final de abril, para o barril do tipo Brent, começa a beneficiar as ilhas do Pacífico, que agora pagam menos pelo combustível e pela energia […]

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O transporte nas ilhas do Pacífico, incluído o dos navios cargueiros, depende em grande parte dos combustíveis fósseis. Foto: Catherine Wilson/IPS

O transporte nas ilhas do Pacífico, incluído o dos navios cargueiros, depende em grande parte dos combustíveis fósseis. Foto: Catherine Wilson/IPS

Por Catherine Wilson, da IPS

Canberra, Austrália, 8/5/2015 – A recente e drástica queda dos preços mundiais do petróleo, de US$ 115, em junho de 2014, para US$ 66, ao final de abril, para o barril do tipo Brent, começa a beneficiar as ilhas do Pacífico, que agora pagam menos pelo combustível e pela energia que consomem.

Embora o preço mundial do barril (159 litros) tenha subido para US$ 68 nos primeiros dias dessemês, os especialistas seguem prognosticando ganhos fiscais para a região porque a tendência geral reduz os custos operacionais e a prestação de serviços estatais.

A realidade “sugere que os custos reduzidos de combustível têm impacto positivo em todos os mercados insulares do Pacífico, ao menos mediante os preços menores cobrados, mas o impacto nos mercados secundários, como alimentação e transporte, pode demorar mais para se concretizar”, disse Alan Bartmanovich, assessor da Secretaria da Comunidade do Pacífico em Fiji. Isso se deve à complexidade das cadeias de fornecimento e a outros fatores, como regulamentação dos preços do combustível dentro dos países, acrescentou.

O excesso da oferta mundial de petróleo, devido ao aumento da produção dos Estados Unidos e à redução do consumo devido ao crescimento reduzido de Europa e Ásia, foram as principais causas da tendência à baixa dos preços. A decisão da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), que fornece 40% da oferta mundial de petróleo, de manter seu nível de produção reduziu a possibilidade de uma alta dos preços no curto prazo.

Na região insular do Pacífico vivem 10 milhões de pessoas em 22 países e territórios que somam milhares de ilhas repartidas ao longo de 180 milhões de quilômetros quadrados de oceano. Segundo o Banco Mundial, mais de 20% da população da região não têm como pagar suas necessidades básicas, enquanto entre 30% e 50%, apenas, possuem emprego em Fiji, Micronésia, Kiribati, Ilhas Marshall, Nauru, Samoa, Tonga e Tuvalu.

O baixo preço do petróleo é de vital importância para melhorar a vida e o desenvolvimento de milhões de pessoas, já que a grande maioria vive em zonas rurais com pouco acesso aos serviços básicos e aos mercados de trabalho internacionais.

Muitos países se preparam para a transição a energias renováveis, mas a região ainda depende dos combustíveis fósseis, sobretudo para a energia e o transporte. A importação de combustível equivale a 10% do produto interno bruto e regional, e nas Ilhas Cook, Guam, Nauru, Niue e Tuvalu ainda se usa diesel para gerar energia.

As comunidades rurais nas Ilhas Salomão utilizam combustíveis fósseis para suas canoas motorizadas. Foto: Catherine Wilson/IPS

As comunidades rurais nas Ilhas Salomão utilizam combustíveis fósseis para suas canoas motorizadas. Foto: Catherine Wilson/IPS

O transporte do petróleo às pequenas ilhas do Pacífico, dispersas em grandes distâncias marítimas, implica complexas e caras cadeias de fornecimento. Dentro dos próprios países o transporte às zonas afastadas pode encarecer o preço final para o consumidor de 20% a 40%.

“Há apenas um mês o povo de Fiji começou a desfrutar dos benefícios reais da baixa do preço do petróleo, em particular nas bombas de gasolina, mas também para as necessidades básicas, como o querosene”, explicou Maureen Penjueli, coordenadora da organização independente Rede do Pacífico sobre Globalização. Desde 2014, o preço do diesel, usado nos geradores de energia, caiu de US$ 1,17 para US$ 0,82 o litro, em abril, em Fiji. Nesse período, o custo do querosene baixou de US$ 1,09 para US$ 0,62 por litro. “A maioria das pessoas depende do querosene como fonte de energia para cozinhar”, disse Penjueli.

A tendência é bem-vinda depois que os crescentes preços do petróleo em 2002-2008 e a crise financeira mundial exacerbaram a pressão fiscal, o que custou a muitos países da região cerca de 10% de sua renda nacional bruta. O aumento da inflação e dos déficits comerciais reduziu a capacidade dos governos para combater a pobreza e oferecer programas de desenvolvimento e serviços públicos.

A população sofreu altas em alimentos, eletricidade e transporte. Entre 2009 e 2010, os preços de alguns alimentos básicos subiram entre 50% e 100% em pelo menos seis países insulares do Pacífico. Segundo Penjueli, a redução do preço do combustível ainda não alterou o preço dos alimentos.

O Banco Mundial afirma que uma queda de 10% no preço mundial do petróleo provavelmente impulsione um crescimento econômico de 0,1% a 0,5% nos países importadores de petróleo.

Apesar de os preços baixarem entre 30% e 40% em 2014-2015, as previsões atuais de crescimento para a região seguem reduzidas. A previsão é de que o crescimento do PIB nas Ilhas Salomão, Fiji e Vanuatu este ano se mantenha em 3,5%, 2,5% e 3,2%, respectivamente. Os preços mundiais do petróleo continuarão baixos durante este ano e aumentarão marginalmente em 2016, segundo as previsões.

Dibyendu Maitim, professor da Escola de Economia da Universidade do Pacífico Sul, em Fiji, destacou a importância de os governos responderem às mudanças do preço. “Como e em qual medida poderão obter benefícios a partir da drástica queda no preço do petróleo depende da rapidez com que ajustarem sua meta de inflação e canalizarem o gasto público para a infraestrutura e outros programas de desenvolvimento”, afirmou.

Algumas das prioridades são investir mais em educação superior e capacitação e “incentivar o setor privado a participar com mais investimento. Isto teria um efeito de expansão no longo prazo, com aumento no emprego”, disse Maiti à IPS.

Além do mercado do petróleo, a redução da vulnerabilidade das ilhas do Pacífico diante das crises econômicas, junto com a redução da carga financeira que implica a importação de combustíveis fósseis, exige que os países se convertam à energia renovável gerada localmente.

Em 2012 o pequeno território polinésio de Tokelau liderou o caminho ao se converter em 100% a um sistema de energia renovável solar que fornece energia aos seus 1.411 habitantes. Foi uma medida fundamental para o desenvolvimento sustentável, já que o PIB de Tokelau chega a US$ 1,5 milhão, enquanto sua conta anual de importação de combustível atingia US$ 754 mil. Envolverde/IPS

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A onda de emigrantes etíopes reflete uma grande desigualdade http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/a-onda-de-emigrantes-etiopes-reflete-uma-grande-desigualdade/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/a-onda-de-emigrantes-etiopes-reflete-uma-grande-desigualdade/#comments Thu, 07 May 2015 12:01:25 +0000 Correspondentes da IPS http://www.envolverde.com.br/?p=193318 TweetPor ChalachewTadesse, da IPS Adis Abeba, Etiópia, 7/5/2015 – Os 30 emigrantes cristãos da Etiópia assassinados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) no dia 19 de abril na Líbia planejavam cruzar o mar Mediterrâneo para buscar trabalho na Europa. Eles representam a trágica expressão dos desafios que enfrenta o crescente setor da população que busca […]

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A escassez de terra na Etiópia é um tema crítico para os pequenos agricultores que são 80% da população. Foto: Isaías Esipisu/IPS

A escassez de terra na Etiópia é um tema crítico para os pequenos agricultores que são 80% da população. Foto: Isaías Esipisu/IPS

Por ChalachewTadesse, da IPS

Adis Abeba, Etiópia, 7/5/2015 – Os 30 emigrantes cristãos da Etiópia assassinados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) no dia 19 de abril na Líbia planejavam cruzar o mar Mediterrâneo para buscar trabalho na Europa. Eles representam a trágica expressão dos desafios que enfrenta o crescente setor da população que busca um futuro melhor fora de seu país.

Dias depois, o porta-voz do governo etíope, RedwanHusein, em entrevista na televisão pediu às pessoas que estivessem pensando em emigrar a não arriscarem suas vidas utilizando rotas perigosas, uma reação insuficiente que gerou protestos juvenis nesta capital e desagradou os familiares dos falecidos.

Os manifestantes criticaram com muito fraca a resposta do governo pelo massacre de cristãos ortodoxos, informou a imprensa. Os enfrentamentos aconteceram mais tarde entre as forças de segurança e manifestantes com saldo de vários feridos e centenas de detidos.

Quase dois terços da população etíope são cristãos, a maioria coptos ortodoxos, que situam sua chegada a este país do Chifre da África no século I.

Na Líbia, combatentes do EI decapitaram 16 emigrantes etíopes em uma praia e dispararam contra outros 12 em uma zona desértica. Cinco deles viviam em Cherkos, um bairro pobre de Adis Abeba, entre os quais estava EyasuYikunoamilak e BalchaBelete.

O irmão mais velho de Yikunoamilak, Seyoum, disse a FBC que Eyasu e Balcha haviam saído dois meses antes da Etiópia para o Sudão com a ideia de buscar trabalho na Grã-Bretanha para ajudar suas famílias.

“Falei com eles por telefone enquanto estiveram no Sudão”, contou Seyoum. “Não soube mais nada desde que chegara à Líbia há um mês”. Eyasu trabalhou no Catar e com suas economias pagou os gastos de seu amigo para chegar à Europa, acrescentou.

Apesar da advertência do governo, MeshesaMitiku, um velho amigo de Eyasu e Balcha e também da cidade de Cherkos disse à agência Associated Press: “Vou tentar a sorte, mas não na Líbia. Aqui não tem como melhorar”.

Os legisladores etíopes declararam três dias de luto e o governo anunciou que repatriaria todos os emigrantes em países perigosos, informou a emissora em língua amárica de a Voz da América, com sede em Washington.

Para as eleições parlamentares de 24 de maio, as primeiras desde a morte do líder Meles Zenawi, a previsão é de que o primeiro-ministro HailemariamDesalegn não tenha praticamente nenhuma oposição.

“Devemos redobrar os esforços para lutar contra o terrorismo”, disse o porta-voz da chancelaria, TewoldeMulugeta, em resposta às reclamações dos manifestantes. “Procuramos criar oportunidades de trabalho para os jovens. Os convidamos a aproveitar essas oportunidades em seu país”, acrescentou.

O desencanto marcado pela repressão, desigualdade e pelo desemprego propiciou vários protestos contra o regime nos últimos anos.

“A ideia de que a maioria dos migrantes etíopes parte por razões econômicas parece infundada”, disse Tom Rhodes, representante na África oriental do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, em resposta à IPS. Também afirmou que a violação das liberdades fundamentais está praticamente vinculada com a pobreza e a desigualdade econômica.

YaredHailemariam, ex-investigador do Conselho de Direitos Humanos da Etiópia, concorda: “A repressão generalizada e a negação das liberdades fundamentais levou à frustração, à alienação e à desilusão a maioria dos jovens”.

“A sociedade tem direito de protestar de forma pacífica”, disse Felix orne, pesquisador na África oriental da organização HumanRightsWatch (HRW). “Não chama a atenção, já que o governo para limitar os protestos pacíficos, que jovens desfavorecidos aproveitem a escassa oportunidade de uma manifestação pública para expressarem suas frustrações. É um resultado inquestionável quando não há outra forma de se expressar”, acrescentou.

Os principais partidos da oposição acusam o governo de não criar postos de trabalho e de converter a emigração na única alternativa. O regime favorece, segundo eles, os integrantes da governante Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope e cria desigualdades econômicas.

Considerado o “tigre africano”, a Etiópia é um dos países mais povoados do continente com 94 milhões de habitantes, superado pela Nigéria, com 173,5 milhões. Mas o desempregou afetou 20,26% da população economicamente ativa entre 1990 e 2014.

Cerca de 37 milhões de etíopes são “pobres ou correm o risco de serem pobres”, segundo um informe do Banco Mundial de 2005. A instituição também aponta que “os mais pobres da Etiópia se tornaram ainda mais pobres” na última década.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que cerca de 29% da população são pobres. Isso explica a Etiópia estar em 174º lugar entre 187, no Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O Instituto Oakland, com sede nos Estados Unidos, que estuda a monopolização de terras, esteve no meio de uma controvérsia com o governo deste país por causa de seu último informe Dizemos que a terra não é de vocês: quebrando o silencio pelo deslocamento forçado na Etiópia. 

Segundo o governo, o instituto utilizou “informação sem verificar e que é impossível verificar”. E em uma resposta à embaixada da Etiópia na Grã-Bretanha no mês passado, o instituto questionou a afirmação do governo etíope de que o desenvolvimento atual melhora o padrão de vida do país. Segundo YaredHailemariam, a propriedade estatal da terra contribui para a pobreza e a desigualdade.

A trágica notícia do massacre na Líbia coincidiu com ataques xenófobos contra emigrantes etíopes na África do Sul na semana passada, que incluiu saque e queima de imóveis. Também há um grande número de cidadãos deste país presos no conflito no Iêmen, segundo a imprensa estatal. Envolverde/IPS

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Caribe define “linha vermelha” para a cúpula climática de Paris http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/caribe-define-linha-vermelha-para-a-cupula-climatica-de-paris/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2015/05/ultimas-noticias/caribe-define-linha-vermelha-para-a-cupula-climatica-de-paris/#comments Mon, 04 May 2015 13:33:45 +0000 Kenton X. Chance http://envolverde.com.br/?p=133375   Castries, Santa Lúcia, 4/5/2015 – Quando terminou a cúpula sobre mudança climática no Peru, em dezembro do ano passado, os 15 membros da Comunidade do Caribe (Caricom), um grupo político e econômico de pequenos Estados insulares em desenvolvimento, vulneráveis à variação climática, partiram com “o mínimo necessário para continuar enfrentando o fenômeno”.  “O Acordo […]

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Uma mulher compra pescado em um mercado de Kingstown, em São Vicente os governantes da Comunidade do Caribe afirmam que a pesca é um dos setores mais importantes que já sofre as consequências da mudança climática. Foto: Kenton X. Chance/IPS

 

Castries, Santa Lúcia, 4/5/2015 – Quando terminou a cúpula sobre mudança climática no Peru, em dezembro do ano passado, os 15 membros da Comunidade do Caribe (Caricom), um grupo político e econômico de pequenos Estados insulares em desenvolvimento, vulneráveis à variação climática, partiram com “o mínimo necessário para continuar enfrentando o fenômeno”. 

“O Acordo de Lima decidiu que as partes deveriam continuar trabalhando nos elementos do Anexo para criar um texto para negociar no novo tratado”, disse à IPS Carlos Fuller, funcionário de ligação do Centro de Mudança Climática da Caricom. “Queríamos uma declaração mais forte de que esses eram os elementos que seriam usados no rascunho do texto a negociar”, acrescentou. 

Segundo Fuller, “não obtivemos uma menção específica de que perdas e danos seriam incluídos no novo acordo, mas tampouco que não seriam. A respeito das contribuições previstas e determinadas em nível nacional (CPDN), acordamos que todas as partes enviariam suas contribuições para o novo acordo durante o ano de 2015”. 

“Mas perdemos todos os pontos que notificariam as partes sobre o que enviar. Perdemos o processo de revisão para as CPDN e só as partes que assim o desejarem responderão às consultas de esclarecimento”, acrescentou Fuller. 

As negociações de Lima formam parte das prévias à 21ª Conferência das Partes (COP 21) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC), com 196 membros, que acontecerá em dezembro deste ano em Paris. 

A CMNUCC compreende o Protocolo de Kyoto, assinado nessa cidade japonesa em 1997 e ratificado por 192 Estados parte. O objetivo dos dois tratados é estabilizar a concentração de gases-estufa na atmosfera em um nível que evite uma interferência humana perigosa com o sistema climático. Espera-se que as partes assinem na capital francesa um acordo vinculante que mantenha o aumento da temperatura global, causado pelas atividades humanas, em um nível que, segundo os cientistas, evite uma mudança climática catastrófica. 

Os negociadores da Caricom tentam evitar que se repita a situação de Lima e identificar a “linha vermelha” de assuntos que seja “sacrossanta” para suas populações enquanto se preparam para a cúpula do fim de ano. Nesse contexto, os negociadores se reuniram no dia 21 de abril para preparar a reunião que manterão as autoridades da Caricom com o presidente da França, François Hollande, em Martinica, no dia 9 de maio. 

“Creio que o presidente Hollande deseja se reunir com os líderes da Caricom para conhecer as principais preocupações dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento (PEID) do Caribe e para saber como aproveitar a oportunidade e conseguir algum consenso com vistas à cúpula de Paris”, afirmou à IPS o ministro de Serviço Público, Desenvolvimento Sustentável, Energia e Tecnologia de Santa Lúcia, James Fletcher. 

Serge Letchimy, presidente do Conselho Regional da Martinica, disse à IPS que a cúpula regional nesse país “objetiva a preparação e a mobilização para” a COP 21 e reunirá Estados e territórios caribenhos. A cúpula regional procura elaborar uma lista de iniciativas do Caribe “que devem integrar uma “agenda de soluções adaptada às especificidades de seus territórios”, explicou Maité Cabreral, oficial de comunicações da organização da reunião de Martinica. “Também objetiva contribuir a escrever o ambicioso acordo global vinculante que será adotado na COP 21”, disse Cabrera à IPS. 

O ministro de Serviço Público, Desenvolvimento Sustentável, Energia e Tecnologia de Santa Lúcia, James Fletcher, diz que um acordo sobre mudança climática favorável ao Caribe ajudará a proteger o turismo. Foto: Kenton X. Chance/IPS 

O ministro de Serviço Público, Desenvolvimento Sustentável, Energia e Tecnologia de Santa Lúcia, James Fletcher, diz que um acordo sobre mudança climática favorável ao Caribe ajudará a proteger o turismo. Foto: Kenton X. Chance/IPS

 

Fletcher também comentou que “nossos representantes participaram das negociações, a primeira foi em Genebra esse ano. Ainda há várias negociações sobre diversos assuntos, adaptação, fundos climáticos, perdas e danos, a CPDN e outras questões”. 

Um terceiro elemento da reunião de Castries teve a ver com a preparação da cúpula do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e os governantes da Caricom, em Barbados no próximo mês de julho. “Buscamos desenvolver uma posição que permita aos nossos governantes levar uma posição única em matéria de mudança climática à reunião com Ban, que, uma vez mais, tem a ver com esse fenômeno e com os fundos climáticos”, acrescentou Fletcher. 

O ministro, que participou de várias COP 21, como a de Varsóvia em 2013 e a de Lima em 2014, é otimista quanto aos progressos com vistas à COP 21 e acredita que a região “está muito unida em sua posição sobre a mudança climática”. Mas, também acredita que existem áreas onde a região pode melhorar as negociações com vistas à cúpula de Paris, e acrescentou que a coordenação funcionou bem na Terceira Conferência Internacional sobre Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, realizada em Samoa no ano passado.

Fletcher disse à IPS que em Samoa “houve uma forte presença caribenha e uma excelente coordenação para garantir que apresentássemos uma só voz e participamos muito em todas s reuniões, e isso é o que pretendemos que aconteça na França este ano”. O resultado da cúpula de dezembro terá um impacto direto nos habitantes do Caribe, ressaltou. 

Segundo o ministro, “há tempo dizemos que a mudança climática representa uma ameaça à existência dos PEID, que precisamos limitar o aquecimento global a menos de 1,5 grau centígrado com relação à era pré-industrial”. 

Fletcher acrescentou que “acima dessa temperatura a elevação do nível do mar será catastrófica, aumentará a temperatura do oceano cujas águas sofrerão uma acidificação com consequências para a pesca e o turismo, diminuirá a disponibilidade de água com consequências para a agricultura, a vida das pessoas, e também a disponibilidade e acessibilidade a ela”. 

“Acima de 1,5 graus significará um aumento da severidade e da frequência dos eventos climáticos extremos, como tempestades e furacões. Teremos muito em jogo em Paris e não podemos permitir que o acordo seja tal que o clima esquente com consequências catastróficas para nós”, ressaltou Fletcher. Envolverde/IPS

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