IPS em português http://www.ipsnoticias.net/portuguese Jornalismo e comunicação para transformar o mundo Wed, 17 Sep 2014 16:31:46 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.9.2 Várias iniciativas buscam “romper o silêncio” sobre a escravidão http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/varias-iniciativas-buscam-romper-o-silencio-sobre-a-escravidao/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/varias-iniciativas-buscam-romper-o-silencio-sobre-a-escravidao/#comments Wed, 17 Sep 2014 16:31:46 +0000 A. D. McKenzie http://envolverde.com.br/?p=121244   Paris, França, 17/9/2014 – O filme Doze Anos de Escravidão, que obteve três Oscar este ano, entre eles o de melhor filme, abriu os olhos de muita gente para essa barbárie e gerou debates sobre esse período da história da humanidade. Mas é só uma das muitas iniciativas para “romper o silêncio” sobre os […]

The post Várias iniciativas buscam “romper o silêncio” sobre a escravidão appeared first on IPS em português.

]]>
esclavitud1 Várias iniciativas buscam “romper o silêncio” sobre a escravidão

Músico de jazz Marcus Miller (esquerda), porta-voz do Projeto Roda do Escravo, usa a música para educar a população sobre a escravidão. Por A. D. McKenzie/IPS

 

Paris, França, 17/9/2014 – O filme Doze Anos de Escravidão, que obteve três Oscar este ano, entre eles o de melhor filme, abriu os olhos de muita gente para essa barbárie e gerou debates sobre esse período da história da humanidade. Mas é só uma das muitas iniciativas para “romper o silêncio” sobre os 400 anos do tráfico transatlântico de escravos.

Uma das iniciativas que também procurar “lançar uma luz” sobre as consequências da escravidão é o Projeto Rota do Escravo, que completou 20 anos este mês em Paris, promovendo uma maior educação sobre o fenômeno nas escolas de todo o mundo.

“O mínimo que a comunidade internacional pode fazer é colocar essa história nos livros de texto”, disse Ali Moussa Iye, diretor da seção História e Memória para o Diálogo,da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), encarregado do projeto. “Não se pode negar essa história aos que a sofreram e continuam experimentando as consequências da escravidão”, afirmou.

O projeto é um dos impulsores do memorial permanente para a escravidão, em construção na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, que ficará pronto em março de 2015, em honra aos milhões de vítimas do tráfico humano.

A Unesco também participa da Década Internacional para as Pessoas Afrodescendentes (2015-2025), que tem o objetivo de reconhecer um grupo de população distinta e “atender as violações históricas e atuais de seus direitos”. O lançamento oficial dessa iniciativa acontecerá em janeiro do próximo ano.

“O enfoque não aponta a culpa, mas busca a reconciliação. Temos de reconhecer a história de uma forma diferente, mais pluralista, para tirar lições e compreender nossas sociedades”, explicou Iye à IPS. “Todo tipo de gente sofreu por causa da escravidão e todo tipo de gente se beneficiou dela, assim como agora há pessoas se beneficiando da escravidão atual. O racismo é um resultado direto dessa horrorosa herança e precisamos ampliar o diálogo sobre esse assunto”, acrescentou.

Segundo a Unesco, o Projeto Rota do Escravo colocou esses temas na agenda internacional ao contribuir para o reconhecimento da escravidão e do tráfico de escravos como crimes contra a humanidade, uma declaração feita na Conferência Mundial Contra o Racismo, realizada na cidade sul-africana de Durban, em 2001.

Além disso, a Unesco coletou e preservou arquivos e tradições orais, apoiou a publicação de livros e identificou “lugares para a recordação, para que os itinerários da memória” possam ser desenvolvidos. Entretanto, para as pessoas afrodescendentes é preciso fazer muito mais para criar consciência.

Ricki Stevenson, uma empresária afrodescendente que dirige a companhia Black Paris Tours, concentrada na contribuição da diáspora africana à capital francesa, pontuou à IPS que deveria haver “conversações nacionais e internacionais sobre os contínuos efeitos da escravidão”.

Segundo Stevenson, “é preciso quebrar o silêncio sobre como o racismo continua magoando, não só as pessoas negras, mas a todos em qualquer país que mate, prenda, negue a educação e os direitos individuais. Estados Unidos, França e todos os países europeus fizeram quantidade inimaginável de dinheiro à custa do sequestro cruel, desumano, e da escravização de milhões de africanos”.

Para essa empresária, “essas nações ficaram ricas, construíram suas cidades e suas economias sobre a escravização de africanos, sobre o trabalho forçado das pessoas negras, que foram privadas de seus direitos humanos básicos e tratadas pior do que os animais. Atualmente, sabemos que a riqueza de Wall Street e de muitas corporações; companhias de seguros, de transportes, bancos, famílias e até igrejas, continuam ligadas à escravidão”.

esclavitud2 Várias iniciativas buscam “romper o silêncio” sobre a escravidão

Ali Moussa Iye, diretor do Projeto Roda do Escravo, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Foto: A. D. McKenzie/IPS

Por essa razão, acrescentou Stevenson, “tenho dúvidas de que alguém que nunca tenha vivido nos Estados Unidos seja capaz de compreender o grave desafio que significa ‘respirar sendo negro’. É um fato cotidiano horrível que todo homem, mulher, menina ou menino negro enfrentou ou enfrentará em algum momento de sua vida”.

Na França, o crescimento do nacionalismo gera uma cultura de exclusão e racismo, segundo observadores políticos. A ministra da Justiça, Christiane Taubira, por exemplo, autora de uma lei de 2001 que leva seu nome e também reconhece a escravidão como um crime contra a humanidade, foi alvo de ataques racistas nos meios sociais e em determinadas publicações.

No contexto da cerimônia pelo 20º aniversário do Projeto Rota do Escravo, Taubira descreveu sua luta contra o ódio e apontou que o desafio atual é compreender as forças globais que dividem as pessoas para a exploração. “Não podemos aceitar esse tipo de falta de humanidade”, ressaltou, acrescentando que “as vítimas anônimas” não foram apenas vítimas, mas “sobreviventes, criadores, artistas, guias e resistentes”, apesar da imensa violência que sofreram.

Algumas pessoas e municipalidades da França trabalharam para realçar o papel ativo desse país no tráfico transatlântico de escravos, mediante projetos culturais e para preservar a memória. A cidade portuária de Nantes, que ficou muito rica com a escravidão no século 18, construiu um memorial para as vítimas em 2012.

Os historiadores concordam que mais de 40% do tráfico de escravos da França ocorreu por essa cidade, que funcionou como porto de transbordo de aproximadamente 450 mil africanos levados à força para a América. Mas essa parte da história de Nantes se manteve oculta durante anos até que a iniciativa de “quebrar o silêncio” se acumulou no Memorial para a Abolição da Escravidão.

Na Grã-Bretanha, a cidade de Liverpool tem um Museu Internacional da Escravidão, e Catar e Cuba também abriram museus dedicados a esse período histórico, mediante projetos com apoio da Unesco.

O aclamado músico de jazz norte-americano Marcus Miller, porta-voz do Projeto Rota do Escravo, também usa a música para educar a população sobre a escravidão. Antes de uma destacada atuação em Paris com músicos africanos, Miller ressaltou que quer se concentrar na resistência e resiliência das pessoas escravizadas e das que lutaram para acabar com essa atrocidade que durou vários séculos. Envolverde/IPS

The post Várias iniciativas buscam “romper o silêncio” sobre a escravidão appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/varias-iniciativas-buscam-romper-o-silencio-sobre-a-escravidao/feed/ 0
Panamá constrói modelo de segurança alimentar http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/panama-constroi-modelo-de-seguranca-alimentar/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/panama-constroi-modelo-de-seguranca-alimentar/#comments Tue, 16 Sep 2014 18:06:17 +0000 Fabíola Ortiz http://envolverde.com.br/?p=121142   Cidade do Panamá, Panamá, 16/9/2014 – O Panamá é o primeiro país da América Latina a converter o combate contra a chamada fome oculta em uma estratégia nacional, com um plano destinado a eliminar o déficit de micronutrientes na população mais vulnerável, mediante a biofortificação dos alimentos. O projeto começou a andar em 2006 […]

The post Panamá constrói modelo de segurança alimentar appeared first on IPS em português.

]]>
Panama Panamá constrói modelo de segurança alimentar

Vicente Castrellón mostra seu cultivo de arroz biofortificado. Esste camponês de 69 anos dá assessoria aos demais produtores do distrito de Olá, no Panamá, que participam do programa Agro Nutre. Foto: Fabíola Ortiz/IPS

 

Cidade do Panamá, Panamá, 16/9/2014 – O Panamá é o primeiro país da América Latina a converter o combate contra a chamada fome oculta em uma estratégia nacional, com um plano destinado a eliminar o déficit de micronutrientes na população mais vulnerável, mediante a biofortificação dos alimentos.

O projeto começou a andar em 2006 e se consolidou em agosto de 2013, quando o governo lançou o programa Agro Nutre Panamá, que coordena a melhoria da qualidade alimentar dos setores mais pobres do país, concentrados na área rural e na população indígena, incorporando ferro, vitamina A e zinco às sementes.

“Acreditamos que a biofortificação é uma forma barata de enfrentar esse problema, com alimentos que as famílias consomem diariamente”, explicou à IPS o coordenador do Agro Nutre, Ismael Camargo. O Panamá apresenta bolsões de pobreza onde existem altos níveis de deficiência de micronutrientes, acrescentou.

Em 2006, começou a pesquisa da biofortificação do milho, dois anos depois foi a vez do feijão, e, em 2009, a do arroz e da batata doce, em um plano que tem apoio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Do Agro Nutre participam o Instituto de Pesquisa Agropecuária do Panamá e instituições acadêmicas, além de contar com o respaldo da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a pública Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Na fase atual, apenas quatro mil os 48 mil produtores de agricultura familiar ou de subsistência do Panamá plantam sementes biofortificadas. O reforço dos micronutrientes nos alimentos da dieta básica panamenha se converteu em política de Estado em 2009. Atualmente, estão liberadas (produzidas experimentalmente e aprovadas) cinco variedades de sementes de milho, quatro de arroz e duas de feijão, todas melhoradas convencionalmente e com alta qualidade protéica.

O projeto “começou nas áreas rurais porque é onde existe pobreza extrema e os agricultores produzem para sua subsistência”, pontuou à IPS a engenheira de alimentos Omaris Vergara, da Universidade do Panamá. Ela acrescentou que nesta fase “não se pretende a comercialização desses alimentos, mas sim melhorar a qualidade nutricional para as famílias agricultoras”.

Segundo a engenheira, a maior dificuldade para o avanço do Agro Nutre é a carência de infraestrutura de pesquisa. “O enfoque do projeto está voltado para populações vulneráveis. A academia já pensa estudos de impacto, mas ainda não começaram a ser feitos por serem muito caros”, afirmou, destacando a carência de estrutura de pesquisa é o ponto fraco do projeto.

Dados do Agro Nutre indicam que, dos 3,5 milhões de habitantes desse país centro-americano, um milhão vive na área rural, a metade em condição de pobreza e 22% em pobreza crítica. Mas a maior miséria no Panamá se concentra nos 300 mil indígenas que sobrevivem em cinco comarcas. Destes, 90% estão em situação de pobreza.

Isidra González, de 54 anos, não tinha ouvido falar da melhoria com micronutrientes dos alimentos, até que há cinco anos começou a plantar, junto com seu filho mais velho, sementes biofortificadas, em seu pequeno terreno na comunidade de Hijos de Dios, no distrito de Olá, na província central de Coclé. Agora, as 70 famílias dessa aldeia de casas espaçosas em sua única rua produzem feijão com sementes fortificadas em pequenas parcelas nas ladeiras de exuberância tropical e arroz em terras inundáveis.

“Creio que essas sementes são melhores e produzem mais. Pode-se usar metade da água que crescem”, contou à IPS Isidra, que está no projeto desde sua fase experimental. “As pessoas gostam, porque tem mais sabor e rende bastante. Meus filhos comem nosso arroz e feijão com gosto, disso estou certa”, acrescentou, entre risos.

O produtor Vicente Castrellón, de 69 anos, além de cultivar as sementes melhoradas foi treinado como capacitador comunitário para os produtores do distrito. “Estamos produzindo três colheitas ao ano, e eu apoio tecnicamente em tudo que os demais produtores precisam. Agora é para o autoconsumo, mas alguns conseguem mais do que precisam para alimentar a família e já obtêm dinheiro com a venda do que sobra”, contou à IPS.

“A vida aqui é muito cara para produtores como nós”, acrescentou Castrellón, em Hijos de Dios, distante 250 quilômetros da Cidade do Panamá, de onde se leva mais de três horas de automóvel para chegar. Não foi fácil as famílias de Olá mudarem para as sementes biofortificadas, “demorou quase um ano para que entrassem no Agro Nutre”, recordou. Mas agora há entusiasmo, “porque, para cada dez libras (454 gramas) plantadas, colhe-se de cem a 200 libras de grãos”, ressaltou, mostrando orgulhoso sua plantação.

A inclusão do quarto cultivo, a batata doce, é estratégica, explicou o pesquisador Arnulfo Gutiérrez. Esse tubérculo quase desaparecido da dieta panamenha é o quinto cultivo do mundo, à frente do milho ou da mandioca, e a FAO promove seu maior consumo global. Por isso sua incorporação tem por objetivo promover seu consumo e, em 2015, seriam liberadas duas ou três variedades de suas sementes melhoradas.

Luis Alberto Pinto, consultor da FAO, integra o comitê gestor do Agro Nutre e é coordenador técnico nacional nas duas primeiras comarcas indígenas onde se planta a semente melhorada, Gnäbe Bugle e Guna Yala. “Trabalhamos em quatro comunidades-piloto.

Em Gnäbe Bugle estamos no Cerro Mosquito e Chichica com 129 agricultores e em Guna Yala com 50 agricultores, em ilhas na faixa do Caribe”, detalhou à IPS. “Trabalhamos segundo seus costumes e suas culturas, na incorporação desses produtos” de maneira sustentável no tempo. “Nossa esperança é expandir o projeto a todas as comarcas indígenas”, apontou Pinto.

Além de ciência e produção, o projeto exige o lobby constante com membros do parlamento e de ministérios para que se mantenha o compromisso com a biofortificação como plano do Estado.

Eyra Mojica, representante do PMA no Panamá contou à IPS que já é habitual seu caminhar pelos corredores do parlamento e escritórios de funcionários de alto nível nos ministérios. “Trabalhamos com deputados, diretores, ministros e novas autoridades. O tema da segurança alimentar é muito complexo. O PMA se converteu no principal apoio para dar informações às autoridades em termos nutricionais. Há muito desconhecimento”, afirmou.

Para o ano que vem, o PMA espera introduzir a mandioca e a abobrinha como novos cultivos biofortificados. “Queremos ter uma cesta de sete alimentos biofortificados. A ideia é avançar com a incorporação de pequenos grupos, como o das mulheres camponesas. Também estudamos trabalhar nas escolas com o programa de merenda escolar, a partir de 2015”, destacou Mojica.

A biofortificação dos alimentos básicos, com nutrientes para reduzir a fome oculta, foi desenvolvida pelo HarvestPlus, um programa coordenado pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical e o Instituto Internacional de Pesquisas sobre Políticas Alimentares. Envolverde/IPS

The post Panamá constrói modelo de segurança alimentar appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/panama-constroi-modelo-de-seguranca-alimentar/feed/ 0
Estados Unidos ignoram licença da ONU em sua iminente invasão à Síria http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/estados-unidos-ignoram-licenca-da-onu-em-sua-iminente-invasao-a-siria/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/estados-unidos-ignoram-licenca-da-onu-em-sua-iminente-invasao-a-siria/#comments Tue, 16 Sep 2014 18:03:25 +0000 Thalif Deen http://envolverde.com.br/?p=121138   Nações Unidas, 16/9/2014 – O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), único organismo internacional com faculdade para declarar a guerra e a paz, continua sendo testemunha muda da devastação e dos massacres que acontecem na Palestina, Síria, Iraque, Líbia, Iêmen e Ucrânia, entre outros territórios. O Conselho, fortemente dividido, observou nos […]

The post Estados Unidos ignoram licença da ONU em sua iminente invasão à Síria appeared first on IPS em português.

]]>
consejodeseg Estados Unidos ignoram licença da ONU em sua iminente invasão à Síria

O Conselho de Segurança discute a situação da Síria, em 26 de junho. Foto: ONU/Devra Berkowitz

 

Nações Unidas, 16/9/2014 – O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), único organismo internacional com faculdade para declarar a guerra e a paz, continua sendo testemunha muda da devastação e dos massacres que acontecem na Palestina, Síria, Iraque, Líbia, Iêmen e Ucrânia, entre outros territórios.

O Conselho, fortemente dividido, observou nos últimos meses o massacre de palestinos por parte de Israel, o genocídio e os crimes de guerra na Síria, a intervenção militar russa na Ucrânia e os ataques militares dos Estados Unidos no Iraque. Agora se prepara para a iminente invasão da Síria, se o presidente norte-americano, Barack Obama, cumprir a ameaça de atacar por via aérea a insurgência extremista do Estado Islâmico (EI).

Washington se nega a pedir a autorização e legitimidade do Conselho de Segurança, embora isso signifique o veto de Rússia ou China. Os cinco membros permanentes com direito a veto neste órgão são China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia. Porém, e paradoxalmente, Obama prevê presidir uma sessão do Conselho quando estiver em Nova York, no final de setembro, já que os Estados Unidos ocupam a atual presidência do organismo em virtude da rotação geográfica entre os seus 15 membros.

Não é comum um chefe de Estado ou de governo presidir uma sessão do Conselho de Segurança, mas às vezes ocorre quando um país membro ocupa sua presidência no mês de setembro, durante a abertura de um novo período de sessões da Assembleia Geral, com presenças de mais de 150 governantes.

“Vou presidir uma sessão do Conselho de Segurança da ONU para mobilizar a comunidade internacional em torno deste esforço para degradar e destruir” o EI, afirmou Obama em um discurso transmitido pela televisão no dia 10. Entretanto, a ofensiva proposta na Síria não integra a ordem do dia do Conselho, e certamente não durante a presidência dos Estados Unidos. O EI é uma ameaça regional que em última instância poderia chegar aos Estados Unidos, o que justifica o ataque iminente, ressaltou Obama.

“De instrumento para evitar ou restringir a guerra, a ONU passou a ser uma instituição queixosa, com seu Conselho de Segurança dominado por superpotências, antes de tudo pelos Estados Unidos, em conjunto com seus aliados entre os membros permanentes”, apontou Norman Solomon, diretor do Instituto para a Precisão Pública. Antes os presidentes dos Estados Unidos mantinham as aparências e solicitavam a aprovação do Conselho de Segurança para ir à guerra, mas isso é pouco comum, acrescentou.

“Quando não tem a capacidade para conseguir o que quer com uma resolução não vetada no Conselho de Segurança para seus fins bélicos, o governo dos Estados Unidos simplesmente procede como se a ONU não tivesse uma existência significativa”, pontuou Solomon. No plano internacional, isso ocorre porque não há pontos de influência geopolítica nem marcos constitucionais das Nações Unidas que bastem para exigir de Washington que leve o Conselho de Segurança a sério, como algo além de uma plataforma para ditar suas regras.

Um funcionário russo opinou que Washington deve obter uma resolução do Conselho de Segurança para sua intervenção na Síria, algo que a Rússia não fez antes de intervir na Ucrânia. Talvez tudo isso aponte para uma só direção: o Conselho de Segurança demonstrou mais de uma vez sua falta de validade. É ineficaz e politicamente impotente, já que passou a época de sua utilidade, sobretudo em situações de crise.

Ajuda humanitária? Sim. Ação internacional coletiva? Não. Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança não mostram interesse na igualdade, justiça ou integridade política, mas na proteção de seus próprios interesses nacionais. Em um editorial, no dia 12, o jornal New York Times alertou que não haverá volta uma vez começados os bombardeios em território sírio, os quais desencadeariam fatos imprevistos. “Sem dúvida, essa é uma lição que os Estados Unidos aprenderam com as guerras no Iraque e no Afeganistão”, afirmou o jornal.

“Independente de serem justificados ou não, os bombardeios dos Estados Unidos ou de outras potências estrangeiros no Iraque a na Síria são claramente atos de guerra que exigem autorização da ONU”, disse Stephen Zunes, professor de política e estudos internacionais na Universidade de São Francisco, nos Estados Unidos.

Se a ameaça do EI e o caráter limitado da resposta militar são como Obama assegura, então os Estados Unidos não deveriam ter problemas para conseguir o apoio do Conselho de Segurança, observou Zunes, que escreveu muito sobre a política desse organismo. “A negativa de vir à ONU é outro exemplo do desprezo, que, ao que parece, Washington tem em relação ao Conselho”, ressaltou.

Peter Yeo, diretor da Campanha Por Um Mundo Melhor, uma organização não governamental dedicada ao fortalecimento das relações entre Washington e a ONU, pediu ao Congresso norte-americano que inclua as Nações Unidas quando abordar os problemas no Oriente Médio, entre eles Síria e Iraque. “Que o Congresso saiba que os Estados Unidos não podem agir sozinhos diante desse desafio e que devemos continuar utilizando recursos como o Conselho de Segurança e as agências de resposta humanitária da ONU para lutar contra as ameaças atuais e futuras”, destacou.

Mais do que nunca, Washington precisa da ONU como um sócio estratégico para facilitar a complexa resposta diante das necessidades de segurança e humanitária na região, afirmou Yeo em um comunicado divulgado no dia 11. Solomon afirmou à IPS que a política interna dos Estados Unidos relegou, nas últimas décadas, a ONU ao papel de último momento ou de anfiteatro para a oratória, a não ser que esta se una ao trem de guerra norte-americano neste momento histórico.

“Deformado como está, por representar apenas os governos de alguns setores do poder mundial, o Conselho de Segurança ainda tem certo potencial para o exercício válido do discurso, inclusive da diplomacia, mas não da legítima tomada de decisões em si mesmas”, acrescentou Solomon. Porém, o Conselho de Segurança representa, em última instância, os interesses tendenciosos de seus membros permanentes, que só incluem a paz na medida em que esta lhes convenha. Isso depende de a vontade de seus integrantes transcender os estreitos interesses nacionalistas e empresariais, enfatizou. Envolverde/IPS

The post Estados Unidos ignoram licença da ONU em sua iminente invasão à Síria appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/estados-unidos-ignoram-licenca-da-onu-em-sua-iminente-invasao-a-siria/feed/ 0
O eterno retorno para o nada dos migrantes afegãos http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/o-eterno-retorno-para-o-nada-dos-migrantes-afegaos/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/o-eterno-retorno-para-o-nada-dos-migrantes-afegaos/#comments Tue, 16 Sep 2014 17:53:54 +0000 Karlos Zurutuza http://envolverde.com.br/?p=121133   Zaranj, Afeganistão, 16/9/2014 – “Claro que estou assustado, mas que outra coisa posso fazer?”, disse Ahmed em um pequeno hotel nos confins do Afeganistão. Disseram para que esperasse ali. Ele se dirige ao Irã, mas não sabe como nem quando cruzará a fronteira. Ahmed tem 40 anos mas aparenta ter 15 a mais. Diz […]

The post O eterno retorno para o nada dos migrantes afegãos appeared first on IPS em português.

]]>
afganistan chica 629x419 O eterno retorno para o nada dos migrantes afegãos

Migrantes afegãos caminham pelo acostamento, após voltarem deportados do Irã, no posto fronteiriço de Zaranj, na remota província de Nimroz. Foto: Karlos Zurutuza/IPS

 

Zaranj, Afeganistão, 16/9/2014 – “Claro que estou assustado, mas que outra coisa posso fazer?”, disse Ahmed em um pequeno hotel nos confins do Afeganistão. Disseram para que esperasse ali. Ele se dirige ao Irã, mas não sabe como nem quando cruzará a fronteira. Ahmed tem 40 anos mas aparenta ter 15 a mais. Diz que não encontra forma de alimentar seus sete filhos em sua Bamiyan natal, 130 quilômetros a noroeste de Cabul. Ser analfabeto em nada ajuda para encontrar um trabalho.

“Morremos de fome, literalmente”, afirmou esse camponês sentado sobre o tapete em que descansará até que os contrabandistas venham buscá-lo. Não demorarão muito. “Nunca se passa mais de dois dias aqui”, disse à IPS o proprietário da hospedagem, Hassan, que preferiu não dar seu nome completo. “São colocados na caçamba de uma caminhonete e levados até o Paquistão. Depois têm de caminhar através do deserto durante um dia até chegar ao Irã. Muitos ficam pelo caminho”, acrescentou.

E Hassan fala com conhecimento de causa, pois é ele quem faz a mediação entre seus hóspedes e os contrabandistas. Ahmed não passa de outro cliente, em um hotel a mais entre a miríade de estabelecimentos semelhantes concentrados ao redor da central praça de Naqsha (mapa, no idioma dari), em Zaranj, 800 quilômetros a sudoeste de Cabul. A cidade é a capital da remota província de Nimroz, a única do Afeganistão que faz fronteira com Irã e Paquistão.

A praça de Naqsha – assim chamada por um mapa gigante do Afeganistão pendurado sobre um pedestal – é a última parada antes de uma viagem que, no melhor dos casos, será lembrada como um pesadelo. A cada dia milhares de afegãos colocam suas vidas nas mãos de máfias que se oferecem para ajudá-los a cruzar a fronteira e deixar para trás um país que continua afundado no caos, 13 anos depois da invasão de 2001.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), o Afeganistão, depois de Síria e Rússia, é o país do mundo com mais solicitações de asilo.

Ponto zero

A praça fica a apenas dois quilômetros da passagem oficial da fronteira com o Irã. Naturalmente, não é a rota de ida para Ahmed, mas pode ser a de volta. Bem ao lado da ponte sobre o rio Helmand, a “terra de ninguém” entre os dois países, fica o “ponto zero”, o lugar onde são registrados todos os afegãos que retornam deportados ou por vontade própria do outro lado da fronteira.

Ainda não eram cinco horas da tarde e o número já estava perto dos 500. “Hoje registramos 259 deportados e outros 211 que voltaram por vontade própria”, explicou à IPS o chefe da equipe do Diretório para Refugiados e Retornados no “ponto zero”, Mirwais Arab. “Dentre eles só podemos atender as necessidades mais imediatas de 65; basicamente dar-lhes comida e abrigo na primeira noite e uma quantia em dinheiro para que possam voltar para casa”, lamentou.

Devido ao baixo número de atendimento, a maioria se limita a seguir seu caminho de volta depois que seus nomes são registrados. Caminham em fila, exaustos e cabisbaixos. E não é algo ocasional, mas um fluxo constante de homens que arrastam uma profunda sensação de derrota.

Grande parte deles é muito jovem, como os irmãos Jalil, de 21 e 22 anos. Eles contaram à IPS que a viagem de ida, “há seis dias”, foi pelo Paquistão e por uma travessia pelo deserto, e que tiveram de pagar metade de seu dinheiro a um grupo de talibãs. A volta não foi muito melhor. “Íamos para Teerã, mas nos pegaram em Iranshar (a 1.500 quilômetros da capital iraniana). A polícia nos bateu com cassetete e fios por todo o corpo, antes de nos colocar em um ônibus e nos devolver na fronteira”, contou Abdul, o mais velho dos dois irmãos, no acostamento da estrada, bem na entrada sul de Zaranj.

O caso dos Arifi é ainda mais dramático. Após chegarem a Zaranj, vindos de Kunduz, no extremo norte do Afeganistão, cruzaram a fronteira de forma ilegal pelas vias habituais. Eram cinco, mas apenas quatro voltaram, contou Ziaud. “Quando nos encontraram, colocaram eu e meu irmão Mohammed em um veículo e meus pais em outro, mas ainda nada sabemos de nosso irmão mais novo”, contou esse adolescente que perdeu o irmão de sete anos. “Meu pai vai tentar voltar hoje mesmo para buscá-lo”, acrescentou, em visível estado de choque.

Najibullah Haideri, responsável pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Nimroz, detalhou à IPS que o Irã deporta por mês uma média de 600 homens e cerca de 200 famílias. Por sua vez, Ahmadullah Noorzai, responsável pelo escritório do Acnur em Zaranj, explicou que as deportações estão acontecendo há seis anos.

Em um informe de 2013, a organização Human Rights Watch (HRW) denunciou abusos supostamente cometidos contra os imigrantes. Entre eles, a organização citou que os afegãos são frequentemente detidos sob acusações de furto ou tráfico de drogas, após terem negado seu direito a um advogado. Segundo a HRW, centenas deles teriam sido executados nos últimos anos sem que as autoridades em Cabul tivessem sido notificadas disso.

“Obter um visto para o Irã custa 85 mil afganis (US$ 1,93 mil)”, disse o encarregado de outro pequeno hotel em Zaranj que preferiu não se identificar. “Os preços para fazer de forma ilegal começam em torno de 25 mil afganis (US$ 533), mas sempre de acordo com o destino”, acrescentou. Segundo esse hoteleiro, “os mais caros são Teerã, Mashad e Esfahan (as maiores cidades afegãs onde a oferta de emprego é maior). Paga-se somente quando se chega ao destino escolhido, por isso os migrantes tentam mais de uma vez até conseguir, ou até serem mortos”.

Atrás do hoteleiro, Hamidullah, de 43 anos, e seu filho Sameem, de 17, esperam a vez para conseguir uma vida melhor. Envolverde/IPS

The post O eterno retorno para o nada dos migrantes afegãos appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/o-eterno-retorno-para-o-nada-dos-migrantes-afegaos/feed/ 0
Maioria dos artigos de consumo vem do desmatamento ilegal http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/maioria-dos-artigos-de-consumo-vem-do-desmatamento-ilegal/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/maioria-dos-artigos-de-consumo-vem-do-desmatamento-ilegal/#comments Mon, 15 Sep 2014 13:54:21 +0000 Carey L. Biron http://envolverde.com.br/?p=121035   Washington, Estados Unidos, 15/9/2014 – Pelo menos metade do desmatamento mundial é ilegal e está vinculado à agricultura comercial, sobretudo para abastecer os mercados estrangeiros, afirma um novo estudo. Na última década, a maior parte do desmatamento ilegal de florestas do mundo se deveu pela demanda estrangeira por artigos básicos como papel, carne bovina, […]

The post Maioria dos artigos de consumo vem do desmatamento ilegal appeared first on IPS em português.

]]>
nicachica Maioria dos artigos de consumo vem do desmatamento ilegal

Madeira confiscada na Reserva de Biosfera de Bosawas, na Nicarágua. Foto: José Garth Medina/IPS

 

Washington, Estados Unidos, 15/9/2014 – Pelo menos metade do desmatamento mundial é ilegal e está vinculado à agricultura comercial, sobretudo para abastecer os mercados estrangeiros, afirma um novo estudo. Na última década, a maior parte do desmatamento ilegal de florestas do mundo se deveu pela demanda estrangeira por artigos básicos como papel, carne bovina, soja e óleo de palma.

Entretanto, os governos dos principais mercados, como Estados Unidos, e União Europeia (UE), não tomaram quase nenhuma medida para desestimular o consumo desses produtos. De fato, seria muito difícil adotar medidas, já que o uso desses produtos potencialmente “sujos” é generalizado e cotidiano em muitos países, segundo a análise, divulgada no dia 11 pela Forest Trends, uma organização independente dos Estados Unidos.

“Nos supermercados médios da atualidade, existe o risco de a maioria dos produtos conter matérias-primas procedentes de terras desmatadas ilegalmente”, opinou Sam Lawson, autor do informe e diretor da Earthsighty, uma organização britânica que investiga crimes ambientais.

“É assim para qualquer produto envolto em papel ou papelão, toda carne bovina, de frango e suína, já que esses animais são criados à base de soja. E, naturalmente, o óleo de palma está agora em quase tudo, do batom aos sorvetes”, detalhou Lawson. “Sempre existe esse risco” porque não há leis que evitem a importação e a venda desses produtos, acrescentou.

Em geral, 40% do óleo de palma e 14% da carne bovina comercializados no mundo procedem de terras desmatadas ilegalmente, afirma o estudo. O mesmo ocorre com 20% da soja e um terço da madeira tropical utilizada para fabricar produtos de papel. Enquanto isso, exporta-se cerca de 75% da soja brasileira e do óleo de palma indonésio. Essa tendência está aumentando em Papua Nova Guiné e na República Democrática do Congo.

Estudos anteriores sobre este problema se limitavam a países, setores ou empresas específicas, mas o novo informe é o primeiro que extrapola os dados em nível mundial.

“A demanda dos consumidores dos mercados estrangeiros se traduziu na eliminação ilegal de mais de 200 mil quilômetros quadrados de florestas tropicais nos primeiros 12 anos do novo milênio”, diz o informe, segundo o qual isso equivale a, “em média, cinco campos de futebol por minuto”. Embora grande parte desse desmonte ilegal seja facilitada pela corrupção e por falta de capacidade do Sul em desenvolvimento, para Lawson a culpa é dos outros.

“São as empresas que realizam esses atos e as que têm a responsabilidade, em última instância. Os grandes países consumidores também devem deixar de permitir o livre acesso aos seus mercados desses produtos que prejudicam os esforços dos países em desenvolvimento”, apontou Lawson.

As repercussões da degradação das terras florestais são locais e mundiais para os meios de vida, os ecossistemas e a saúde humana. As florestas maduras não contêm apenas grandes quantidades de carbono, mas também absorvem continuamente dióxido de carbono da atmosfera. Entre 2000 e 2012, as emissões associadas ao desmatamento ilegal com fins agrícolas comerciais equivaliam, em cada ano, a um quarto das emissões anuais de combustíveis fósseis da União Europeia.

O informe foi divulgado enquanto são preparadas duas grandes cúpulas mundiais sobre o clima. No final deste mês, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, receberá governantes de todo o mundo em Nova York para discutir o tema, e em dezembro acontecerá a próxima rodada de negociações sobre o clima mundial no Peru. Este último encontro é conhecido como a rodada da “floresta”.

Alguns observadores sugerem que a silvicultura oferece o maior potencial para a redução das emissões mundiais. O crescente consenso mundial em torno da importância da conservação da cobertura florestal diante da mudança climática criou importantes gestões internacionais para deter o corte ilegal.

Porém, Lawson assegura que algumas das empresas que antes se dedicavam ao corte ilegal de madeiras duras tropicais agora desmontam as florestas ilegalmente para dar lugar à agricultura de grande escala. “A maior ameaça para as florestas está mudando gradualmente, e essa ameaça hoje é a agricultura comercial. O que precisamos agora é repetir alguns dos esforços realizados em relação ao corte ilegal e aplicá-los aos produtos básicos agrícolas”, recomendou.

A UE, por exemplo, está para implantar um sistema bilateral de concessão de licenças que permitiria rastrear a origem da madeira cortada ilegalmente. Lawson propõe que sejam adotados acordos bilaterais semelhantes para as principais matérias-primas. Desta maneira, governos e companhias transnacionais deveriam garantir que os produtos comercializados não procedem de terras florestais desmatadas ilegalmente. Em essência, o requisito básico para a entrada nos principais mercados seria a legalidade comprovada das matérias-primas.

Atualmente, a compra ou não de um produto elaborado com elementos que possivelmente procedam de terras desmatadas ilegalmente depende da decisão dos consumidores. Mas esse tipo de acordo modificaria por completo essa situação. “Toda responsabilidade que recai no consumidor me desagrada. Não deveria ser tão difícil tomar essas decisões”, pontuou Danielle Nierenberg, presidente da Food Tank, uma organização com sede em Washington que trabalha em torno da sustentabilidade e da segurança alimentar.

“O fato é que os consumidores continuam imunes a essas questões. Apesar do crescimento do movimento por alimentos locais nos países ocidentais, continua existindo importante demanda por uma diversidade de produtos de baixo custo. É por isso que a verdadeira ação tem de partir da parte empresarial e os governos devem adotar um compromisso maior”, acrescentou.

Os Estados Unidos proíbem o uso de produtos de madeira de origem ilegal. Seu regime jurídico teve grande eficiência ao excluir o enorme mercado desse país para a entrada desses produtos. Porém, Washington não tem interesse político em fazer algo semelhante com relação aos produtos agrícolas, ressaltou Nierenberg.

“A verdadeira oportunidade para a iniciativa estatal procede dos países em desenvolvimento”, afirmou Nierenberg. “É preciso investir mais nos pequenos e médios produtores agrícolas, proteger suas áreas da apropriação de terras e investir em tecnologias agrícolas simples que realmente funcionem. É aí onde pode ocorrer a verdadeira mudança”, enfatizou. Envolverde/IPS

The post Maioria dos artigos de consumo vem do desmatamento ilegal appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/maioria-dos-artigos-de-consumo-vem-do-desmatamento-ilegal/feed/ 0
Chefes locais aliam-se contra a mortalidade materna no Níger http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/chefes-locais-aliam-se-contra-a-mortalidade-materna-no-niger/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/chefes-locais-aliam-se-contra-a-mortalidade-materna-no-niger/#comments Mon, 15 Sep 2014 13:45:59 +0000 Joan Erakit http://envolverde.com.br/?p=121031   Bande, Níger, 15/9/2014 – Percorrer o trajeto entre Niamey, a capital do Níger, e a localidade de Bande demora 14 horas de automóvel. A viagem fica mais longa ainda pela monotonia da paisagem nua. Esse país, seco e quente, onde são constantes as tempestades de areia, é muito vulnerável a criminalidade, secas e problemas […]

The post Chefes locais aliam-se contra a mortalidade materna no Níger appeared first on IPS em português.

]]>
niger Chefes locais aliam se contra a mortalidade materna no Níger

O chefe Yahya Louche, do povoado de Bande, no Níger, fala com sua comunidade sobre a importância da saúde materna e da participação dos homens. Foto: Joan Erakit/IPS

 

Bande, Níger, 15/9/2014 – Percorrer o trajeto entre Niamey, a capital do Níger, e a localidade de Bande demora 14 horas de automóvel. A viagem fica mais longa ainda pela monotonia da paisagem nua. Esse país, seco e quente, onde são constantes as tempestades de areia, é muito vulnerável a criminalidade, secas e problemas fronteiriços. De tempos em tempos, avista-se um rebanho, o que causa assombro e entusiasmo ao mesmo tempo, pois não há árvores nem poços de água à vista.

Com uma população de 17,2 milhões de habitantes, 80% deles vivendo em zonas rurais e 50% não tendo serviços de saúde, reduzir a mortalidade materna é um grande desafio. A IPS viajou até Bande com um grupo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para visitar um centro educacional único: a Escola de Maridos. Uma iniciativa original em um continente onde a participação dos homens na saúde materna não é a normal e, de fato, não costumam estar presentes durante a gravidez nem no parto.

Com apoio do UNFPA, a escola foi fundada em 2011 e tem 137 dependências na região de Zinder. Os membros são homens casados com idades entre 25 e 50 anos, embora agora também se convide para as reuniões os mais jovens, para aprenderem com os mais velhos. É um espaço para falar sobre os benefícios do planejamento familiar e da saúde reprodutiva, bem como para promover maior participação dos homens.

Quando a IPS chegou ao povoado, aproximou-se do veículo um grupo de músicos seguidos pelo chefe tradicional, Yahya Louche, rodeado por seus conselheiros e de sua segurança, que freneticamente afastava com galhos as crianças curiosas. “Sou membro da Escola de Maridos”, contou à IPS. “Não há professores nem estudantes. Ninguém cobra, trabalham pelo bem da população”, afirmou o chefe.

No centro de saúde perto da casa de Louche a IPS viu chegar uma jovem muito fraca, que caminhava com dificuldade para a sala de maternidade. Mal podia manter contato visual, enquanto duas amigas a seguravam pelos braços. Essa mulher pariu em casa e foi forçada a caminhar vários quilômetros em busca de ajuda porque não parava de sangrar, em uma emergência obstétrica conhecida como hemorragia pós-parto.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse problema é responsável por 25% da mortalidade materna. Sem exames pré-natal, aumentam as probabilidades de complicações durante a gravidez ou no parto, as quais muitas vezes causam a morte da mulher. A mortalidade materna em Níger, segundo o Banco Mundial, é de 630 mulheres em cada cem mil nascidos vivos.

“Antes da Escola de Maridos, as mulheres não queriam parir nos centros de saúde, queriam ficar em casa e ali terem seus filhos”, contou Louche. No país, as mulheres costumam não demonstrar a dor nem o incômodo e preferem parir em silêncio. Não emitem sons na hora do parto e somente seus rostos refletem as dores.

A parteira Doudou Aissatoo disse à IPS que é importante haver serviços de planejamento familiar e saúde reprodutiva disponíveis, porque as mulheres costumam caminhar vários quilômetros até chegarem aos centros de saúde, e quando não são atendidas ou não encontram o que precisam partem de volta e demoram muito tempo para retornar. “Seja sábado ou domingo, se uma mulher chega ao centro de saúde tem de ser atendida”, destacou.

Segundo a tradição, quando um jovem sai de sua casa paterna em busca de melhores pastagens sabe que provavelmente chegará o dia em que tenha de regressar para assumir a chefia de sua comunidade. O chamado para ser chefe não pode ser rejeitado, pois é interpretado como uma vergonha para seus ancestrais.

Por essa razão, em Níger os chefes têm diferentes profissões e muitos são médicos, diplomatas e professores. Os chefes tradicionais são os líderes mais importantes do país. Até mesmo os governantes apelam aos seus conselhos antes de tomarem uma decisão importante. Sem sua bênção, assume-se que o caminho será difícil.

O escritório do UNFPA no país compreendeu o papel dos chefes tradicionais e aliou-se a eles para promover a saúde e os direitos das mulheres. Em 2012, esses chefes assinaram um acordo com o UNFPA para promover o acesso das mulheres à saúde. Então, “nos comprometemos como organização a trabalhar com o UNFPA para reduzir o crescimento demográfico, formar parte das atividades de sensibilização e melhorar a saúde reprodutiva”, explicou Louche.

Ao ser consultada se gosta que seu marido participe da escola, a aldeã Fassouma Manzo, respondeu alegre: “muito”. “Antes da Escola de Maridos, os homens não falavam com suas mulheres. Mas agora há um tema no qual estão muito interessados. Como mulher, agora se pode encontrar um espaço em que se pode falar e compartilhar com seu marido. É um grande beneficio secundário”, afirmou, em meio a aplausos.

Louche é um chefe carismático que fala muito com sua gente e realmente acredita que com a participação dos homens se foca nas mulheres. A Escola de Maridos não destaca apenas a importância de buscar assistência médica profissional durante a gravidez, mas promove a compreensão entre homens e mulheres, o que cria um ambiente de harmonia entre ambos. Envolverde/IPS

The post Chefes locais aliam-se contra a mortalidade materna no Níger appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/chefes-locais-aliam-se-contra-a-mortalidade-materna-no-niger/feed/ 0
Estado Islâmico acusado de limpeza étnica no Iraque http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/estado-islamico-acusado-de-limpeza-etnica-no-iraque/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/estado-islamico-acusado-de-limpeza-etnica-no-iraque/#comments Mon, 15 Sep 2014 13:43:23 +0000 Jim Lobe http://envolverde.com.br/?p=121027   Washington, Estados Unidos, 15/9/2014 – O presidente norte-americano Barack Obama anunciou que seu governo busca a destruição da organização extremista Estado Islâmico (EI), enquanto a Anistia Internacional acusou o grupo de realizar uma limpeza étnica no Iraque em uma “escala histórica”. No dia 3, o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos confirmou a […]

The post Estado Islâmico acusado de limpeza étnica no Iraque appeared first on IPS em português.

]]>
sotloff Estado Islâmico acusado de limpeza étnica no Iraque

O jornalista Steven Sotloff, momentos antes de ser assassinado, segundo captura do vídeo divulgado pelo Estado Islâmico. Foto: IPS

 

Washington, Estados Unidos, 15/9/2014 – O presidente norte-americano Barack Obama anunciou que seu governo busca a destruição da organização extremista Estado Islâmico (EI), enquanto a Anistia Internacional acusou o grupo de realizar uma limpeza étnica no Iraque em uma “escala histórica”.

No dia 3, o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos confirmou a autenticidade de um vídeo que o EI (antes conhecido como Isis) divulgou no dia anterior mostrando a decapitação do jornalista norte-americano Steven Sotloff, sequestrado em agosto de 2013 quando cobria a guerra civil na Síria para a revista Time e o jornal Christian Science Monitor, entre outras publicações.

Ao ser confirmada a autenticidade do vídeo, Obama declarou desde a Estônia: “Nosso objetivo é claro, degradar e destruir o EI para que já não seja uma ameaça, não apenas para o Iraque, mas para a região e para os Estados Unidos”. Obama estava na Europa para a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), nos dias 4 e 5.

Em um informe de 26 páginas publicado no dia 2 deste mês, baseado em investigações no terreno e entrevistas com vítimas e testemunhas de execuções e sequestros em massa, a Anistia alertou que as ameaças às minorias étnicas nas zonas sob controle do EI “exigem uma reação rápida e contundente para garantir a proteção das comunidades vulneráveis que correm o risco de serem varridas do mapa do Iraque”.

O Estado Islâmico realizou uma limpeza étnica em uma escala histórica no norte do Iraque”, segundo o informe da Anistia, com sede em Londres. “A Anistia Internacional concluiu que o EI dirigiu seus ataques sistemáticos contra as comunidades que não são árabes nem muçulmanas sunitas, matando ou sequestrando centenas, possivelmente milhares, e obrigado mais de 830 mil pessoas a fugirem das áreas que capturou desde 10 de junho deste ano”.

Também no dia 2, a organização Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York, acusou o EI da execução de 560 a 770 homens, na maioria soldados do exército iraquiano, em Tikrit, após tomar o controle dessa cidade, em 11 de junho, como parte de seu impressionante avanço no norte e centro do Iraque. No dia seguinte, o EI afirmou ter assassinado 1.700 “membros xiitas do exército”.

O cálculo da HRW, que se baseou no testemunho de um sobrevivente e em análises de vídeos e imagens obtidas por satélites, triplica o número de mortos que a organização havia denunciado no final de junho. Seus dados confirmariam a existência de três locais de execução em massa nos arredores de Tikrit, além dos dois que havia informado anteriormente.

“Outra peça desse quebra-cabeça macabro encaixa em seu lugar, com muito mais execuções confirmadas”, pontuou Peter Bouckaert, diretor de emergências da HW. “A barbárie do Estado Islâmico viola a lei e ofende grosseiramente a consciência”, destacou.

O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) votou, no dia 1º deste mês, o envio de uma delegação ao Iraque para investigar possíveis crimes de guerra por parte do EI. “As denúncias que recebemos revelam atos de desumanidade em uma escala inimaginável”, afirmou Flavia Pansieri, alta comissária-adjunta para os direitos humanos junto ao Conselho de Segurança.

O vídeo do assassinato de Sotloff, que seguramente acrescentou pressão no governo de Obama para ampliar seus ataques aéreos contra o EI no Iraque e incluir objetivos na Síria, sucedeu outro divulgado em 19 de agosto com a decapitação do jornalista norte-americano James Foley. Sotloff havia aparecido no vídeo de Foley junto ao suposto verdugo, que, se acredita, é um cidadão britânico, que alertava que seria o próximo assassinado se Obama não parasse com os ataques aéreos contra o EI.

Mas Obama ampliou a lista de objetivos dos Estados Unidos, que fizeram dezenas de bombardeios coordenados com ataques terrestres das forças especiais iraquianas, milicianos xiitas e combatentes peshmerga curdos, em uma contra-ofensiva que recapturou a represa de Mosul das forças do EI e mais recentemente teria vencido o assédio do movimento racial na cidade de Amerli, em grande parte povoada por turcomanos xiitas.

“Voltei, Obama”, disse o mesmo verdugo mascarado no último vídeo. “Voltei devido à sua arrogante política externa para o EI, devido à sua insistência em continuar os bombardeios. Aproveitamos a ocasião para advertir aos governos que entrarem nessa aliança maligna dos Estados Unidos contra o EI a retrocederem e deixarem nossa gente em paz”, acrescentou de pé junto a outro cativo não identificado que se acredita seja um cidadão britânico.

Na cúpula da Otan, esperava-se que Obama exortasse outros membros da organização a adotarem uma estratégia coordenada de pressão diplomática, econômica e militar contra o EI, que se expandiu de sua base no leste da Síria, no começo deste ano, para a província iraquiana de Al Anbar, antes de avançar pelos vales dos rios Tigre e Eufrates para o norte e centro do Iraque a partir de junho.

Washington quer que seus aliados europeus se integrem à política norte-americana e britânica contrária ao pagamento de resgate para a libertação de reféns capturados pelo EI, uma prática que seria uma importante fonte de renda para o grupo. Na visita do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e do diretor do Departamento de Defesa, Chuck Hagel, a países aliados no Oriente Médio, sobretudo nos Estados sunitas do Golfo, a intenção era persuadir-los a reprimir com mais força seus cidadãos que financiam e apoiam o EI, dar maior apoio ao governo de Bagdá e contribuir com os esforços militares internacionais contra o grupo.

Em seu informe, a Anistia denúncia que o EI massacrou centenas de homens e meninos maiores de 12 anos que não eram sunitas muçulmanos, em áreas predominantemente yezidis da província de Nínive, e sequestrou, mulheres, meninos e meninas, muitos deles retidos em Mosul, Tal’Afar e Bi’aj, sob pressão para se converterem ao islamismo sunita, acrescentou a organização.

O Estado Islâmico “comete crimes desprezíveis e transformou a zona rural de Sinjar em campos de extermínio empapados em sangue em sua brutal campanha para arrasar com todo sinal dos que não são árabes nem muçulmanos sunitas”, afirmou Donatella Rovera, assessora da Anistia radicada no norte do Iraque.

Também persegue cristãos assírios, turcomanos xiitas, shabaks xiitas, kakais, entre outros, bem como muitos árabes e muçulmanos sunitas considerados opositores, segundo o informe da Anistia, que também pede ao governo iraquiano que dissolva as milícias chiíes, algumas delas acredita-se que atacaram a população sunita na região. Envolverde/IPS

The post Estado Islâmico acusado de limpeza étnica no Iraque appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/estado-islamico-acusado-de-limpeza-etnica-no-iraque/feed/ 0
Finalmente, novas caras na União Europeia http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/finalmente-novas-caras-na-uniao-europeia/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/finalmente-novas-caras-na-uniao-europeia/#comments Mon, 15 Sep 2014 13:39:38 +0000 Joaquín Roy http://envolverde.com.br/?p=121021 Barcelona, Espanha, setembro/2014 – Finalmente, depois do forçado descanso de verão, a União Europeia (UE) tem novas caras com as quais completar a equipe que começou a surgir como resultado das eleições parlamentares de 25 de maio. Já antes do recesso foi acordada a nomeação do conservador luxemburguês Jean-Claude Juncker para o posto de presidente […]

The post Finalmente, novas caras na União Europeia appeared first on IPS em português.

]]>
JoaquinRoy photo3042 322x472 Finalmente, novas caras na União Europeia

Joaquín Roy. Foto: Cortesia do autor

Barcelona, Espanha, setembro/2014 – Finalmente, depois do forçado descanso de verão, a União Europeia (UE) tem novas caras com as quais completar a equipe que começou a surgir como resultado das eleições parlamentares de 25 de maio.

Já antes do recesso foi acordada a nomeação do conservador luxemburguês Jean-Claude Juncker para o posto de presidente da Comissão, o órgão executivo do bloco de 28 países.

Embora tenha custado esforços vencer a oposição de alguns governos (como o caso notório do primeiro-ministro britânico, David Cameron), foi possível cumprir o espírito do Tratado de Lisboa e oferecer o cargo ao candidato do grupo que conseguira maioria relativa no novo Parlamento Europeu.

O segundo acordo foi o de deixar seguir por mais dois anos e meio em seu posto o presidente do Parlamento, o socialista alemão Martin Schultz. Havia, de momento, um equilíbrio entre a direita e a esquerda moderadas.

Então foi necessário encarar a parte mais espinhosa, já que a Europa carolíngia tradicional seguia com o controle do órgão necessitado de renovação. A Europa do leste pedia experiência e se notava a ausência de mulheres.

Juncker já havia ameaçado que não permitiria uma nova Comissão que não tivesse pelo menos um terço de mulheres. A ordem estabelecida, machista sem competência, não dava sinais de se corrigir. Então foi colocado em marcha o encaixe habitual dos bilros da UE para conseguir o equilíbrio.

O quebra-cabeça começou a ser armado com o abandono da candidatura da primeiro-ministro dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, que ficou mundialmente famosa por um selfie com o presidente norte-americano, Barack Obama, no funeral do líder sul-africano Nelson Mandela.

Na oportunidade foi executada uma dupla jogada comunitária. Primeiro nomeou-se o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, conservador procedente das fileiras do ex-presidente Lech Walesa, como presidente do Conselho da UE, que reúne seus chefes de Estado e de governo.

Segundo, Federica Mogherini, recente inquilina da Farnesina, sede do Ministério de Assuntos Exteriores italiano, foi catapultada como “Lady Pesc”, as siglas de Alta Representante da Política Externa e de Segurança da UE.

A novidade se baseava em que seu defensor, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, conseguira teimosamente dobrar a resistência dos representantes bálticos que consideravam que sua candidata era muito suave no trato com a Rússia, tendo chegado ao extremo de convidar seu presidente, Vladimir Putin, para uma reunião, em julho.

O caramelo da nomeação de Tusk conseguia moderar a oposição do leste europeu, mas não apagava a reticência do restante que considerava que a pouco experiente ministra, que completou 41 anos em junho, não representava uma aposta suficiente para enfrentar os inimigos externos de um mundo em convulsão.

No entanto, Renzi, ele mesmo de 39 anos, jogava arriscadamente com um plano composto por várias dimensões. Em primeiro lugar, com Mogherini havia enviado uma mensagem ao núcleo do poder em Roma, para tratar de acabar com a miragem de que para ter respeito político é preciso estar prestes a completar cem anos.

Segundo, Renzi quer atacar de frente a pobre fama da Itália nos assuntos europeus durante os últimos anos, por culpa da depreciada presença do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, tanto no poder como na oposição, um empecilho que ainda teve de suportar seu antecessor Enrico Letta.

Em terceiro lugar, o líder italiano quer, dessa forma, influir na própria política externa da União Europeia por intermédio de sua colaboradora.

A arriscada aposta pode falhar para Renzi, precisamente pela debilidade do sistema italiano, que aceita o protagonismo de um socialista moderado enquanto não coloca em perigo as bases do templo.

No campo comunitário, deverá contar com a colaboração de seus correligionários socialistas, um tanto decaídos em tempos recentes, vítimas da crise que os obrigou a implantar políticas neoliberais de austeridade que causaram demissões desde a Escandinávia até Portugal e Grécia.

Mogherini, por sua vez, deverá enfrentar os problemas tradicionais e os novos desafios. O sistema já a converteu em alvo de sua desconfiança devido à idade. Terá pouca companhia em um grupo no qual a maioria poderia ser seus pais.

Na Comissão, onde exerce a vice-presidência, apenas estará confortada por um punhado de mulheres que Juncker conseguir capturar, no Conselho terá somente o apoio de quatro damas dirigidas por Angela Merkel, em uma mesa repleta de aborrecidos homens de trajes escuros e gravatas detestáveis, cada um deles obcecado por exercer por sua conta e risco o comando da política externa.

O pior mau agouro da nomeação é a suspeita de que o núcleo duro da UE não considera que o posto de Alta Representante seja importante, já que sua competência dura de segurança e defesa continua alheia do domínio da supranacionalidade.

O segundo desafio de Mogherini é que, como sua antecessora, a britânica Catherine Ashton, ainda deverá suportar a marca do criador do cargo, o espanhol Javier Solana.

Mas em ambição e currículo já supera a esquecida Ashton, que já tinha a passagem de volta sob o Canal da Mancha para Londres, como funcionária em Bruxelas, quando surpreendentemente a nomearam.

Mogherini já pode provar que esteve se preparando para o cargo deste perfil durante duas décadas e meia, mediante uma licenciatura em Ciências Políticas, a experiência com a bolsa Erasmus na cidade francesa de Aix-em-Provence, e uma tese sobre o Islã político.

Mas essa mãe de duas filhas, sorriso suave e olhos claros, que mais parece uma professora assistente em busca de méritos acadêmicos para conseguir uma cátedra, pode causar alguma surpresa desagradável aos que já pregam seu fracasso.

Já é uma profissional em um terreno em que se necessita vocações e novas visões. Por trás terá a equipe diplomática mais impressionante do planeta, composta pelos ministérios de 28 países e pelo próprio Serviço de Ação Exterior Europeu. Merece sorte, não somente para ela e Renzi, mas para todos os europeus, e além deles. Envolverde/IPS

* Joaquín Roy é catedrático Jean Monnet e diretor do Centro da União Europeia da Universidade de Miami. jroy@Miami.edu, www.as.miami.edu/eucenter). Editado por Pablo Piacentini.

The post Finalmente, novas caras na União Europeia appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/finalmente-novas-caras-na-uniao-europeia/feed/ 0
Subdivisão de terras ameaça a segurança alimentar na África http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/subdivisao-de-terras-ameaca-a-seguranca-alimentar-na-africa/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/subdivisao-de-terras-ameaca-a-seguranca-alimentar-na-africa/#comments Fri, 12 Sep 2014 15:44:40 +0000 Miriam Gathigah http://envolverde.com.br/?p=120992   Nairóbi, Quênia, 12/9/2014 – Quando Kiprui Kibet imaginava seu futuro como produtor de milho em um fértil condado de Uasin Gishu, na região do Vale do Rift, no Quênia, tudo o que vinha à sua mente era um terreno cada vez menor. “Tive 40 hectares, mas agora só me resta 0,8. Meu pai teve […]

The post Subdivisão de terras ameaça a segurança alimentar na África appeared first on IPS em português.

]]>
 Subdivisão de terras ameaça a segurança alimentar na África

Mary Wanjiru é uma agricultora do condado de Nyeri, no centro do Quênia. Os especialistas afirmam que a subdivisão da terra se converte em uma ameaça significativa para a segurança alimentar. Foto: Miriam Gathigah/IPS

 

Nairóbi, Quênia, 12/9/2014 – Quando Kiprui Kibet imaginava seu futuro como produtor de milho em um fértil condado de Uasin Gishu, na região do Vale do Rift, no Quênia, tudo o que vinha à sua mente era um terreno cada vez menor. “Tive 40 hectares, mas agora só me resta 0,8. Meu pai teve dez filhos e todos quisemos ter um pedaço de terra. A subdivisão come as terras aráveis”, observou à IPS. “Das 3.200 sacas que costumava produzir, agora só consigo 20, e às vezes menos”, acrescentou.

Inúmeros especialistas concordam que a subdivisão de terras se converte em ameaça significativa para a segurança alimentar na África. Estatísticas da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que a maioria dos agricultores africanos cultiva em menos de um hectare. Segundo a FAO, nos últimos dez anos a proporção entre terra e trabalhadores agrícolas no Quênia diminuiu de 0,264 para os atuais 0,219. Isto é, o número de pessoas com pelo menos um hectare neste país diminuiu 17% na última década. No mesmo período, o número de pessoas com um hectare cultivável caiu 13% em Zâmbia e 16% em Uganda.

Allan Moshi, especialista em políticas de posse da terra na África subsaariana e residente em Zâmbia, pontuou à IPS que, apesar de os investidores correrem para a África subsaariana e oriental para adquirir vastas extensões de terras, esse fenômeno “reduz o espaço disponível para a população local e o que lhes resta ainda é subdividido por questões de herança”.

A subdivisão da terra aumenta pelo crescimento da população e pelos direitos hereditários, “bem como por uma mudança na posse tradicional para a propriedade individual, baseada na crença de que assim as pessoas podem explorar com maior eficácia o potencial produtivo da terra”, explicou Moshi. Segundo o estudo da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) de 2012, Emerging Land Issues in África (Problemas Emergentes Relativos à Terra na África), 25% dos jovens de áreas rurais não herdavam nada porque não restava nada para herdar.

“A gente quer ter um título de propriedade ainda que signifique subdividir a terra em porções que não são economicamente viáveis, enquanto aos grandes investidores interessam os cultivos de grande valor, especialmente a horticultura, o que limita os terrenos disponíveis para o cultivo de alimentos”, acrescentou Moshi.

Os pequenos produtores africanos respondem por pelo menos 75% da produção agrícola, segundo a FAO. “Esses pequenos agricultores produzem mais do que as grandes explorações, que costumam permanecer inativas, pois os investidores as ocupam com fins especulativos e raramente cultivam”, afirmou à IPS o especialista Isaac Maiyo, da organização Schemers, do Quênia. Em Botsuana, 93% dos agricultores são de subsistência, acrescentou. “Têm menos de 8% das terras aráveis e ainda assim concentram quase 100% da produção de milho do país”, ressaltou.

Em Zâmbia, 41,9% das propriedades têm menos de um hectare, e pelo menos 75% dos pequenos agricultores trabalham em menos de dois hectares. Perto de 617 mil propriedades de menos de um hectare, em média, produzem cerca de 300 mil toneladas de milho. Por outro lado, há 6.266 com dez a 20 hectares que produzem 145 mil toneladas de milho.

Anthony Mokaya, da organização queniana Lands Alliance, disse à IPS que muitos países africanos ainda devem aprovar leis para regular a subdivisão de terras cultiváveis. África do Sul e Quênia contam com leis para regular a subdivisão, mas, segundo Mokaya, “são bastantes ineficazes”.

A Lei de Agricultura do Quênia estabelece de forma inequívoca que as terras aráveis não serão subdivididas abaixo de 0,8 hectare, mas Kibet afirmou que “muitos agricultores não conhecem a lei”, e explicou que “a dividimos, não com base na lei, mas segundo o número de descendentes interessados em um pedaço de terreno, especialmente quando se trata de herança”.

A Lei de Terras Agrícolas da África do Sul proíbe a “subdivisão até o ponto em que as novas parcelas criadas sejam tão pequenas que a agricultura se torna economicamente inviável”. Os proprietários agrícolas sul-africanos são proibidos por lei de dividir a terra sem aprovação do Ministério de Agricultura, Silvicultura e Pesca. Mas, como em muitos outros países africanos, a subdivisão de terras aráveis não foi feita segundo a lei, indicou Moshi.

Amos Thiong’o, da Agri-ProFocus Kenya, uma rede de organizações dedicadas à agricultura industrial, afirmou à IPS que as muitas subdivisões também afetam a mecanização do setor. “As pequenas propriedades exigiriam tecnologia para fazer uma produção muito intensiva, como a hidroponia, em que as plantas são cultivadas em uma solução mineral, em lugar de ser cultivada no solo”, afirmou. Algumas produtoras de flores em Naivasha, no Vale do Rift, já usavam essa tecnologia, “mas exige muita água”, destacou.

Titus Rotich, responsável de extensão agrícola na região queniana do Vale do Rift, disse que “as propriedades estão ficando tão pequenas que com o tempo já não serão economicamente viáveis”. Segundo ele, “as famílias que, há dez ou 20 anos, tinham cerca de 40 hectares, agora devem se arrumar com menos de um. Ou seja, a terra só é usada para construir uma casa e cultivar no quintal dos fundos algumas verduras e criar umas galinhas”.

Segundo Rotich, um agricultor produzia entre 28 e 38 sacas de 90 quilos em apenas 0,4 hectares. “Cada uma é vendida entre US$ 35 e US$ 50, segundo a região. Mas agora muitos agricultores têm sorte se conseguem produzir 20 sacas, pois também têm sua casa, suas vacas, seus frangos, etc. em 0,4 hectare, em lugar de só cultivar”, enfatizou. Envolverde/IPS

The post Subdivisão de terras ameaça a segurança alimentar na África appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/subdivisao-de-terras-ameaca-a-seguranca-alimentar-na-africa/feed/ 0
A epidemia de ebola ameaça o desenvolvimento da Libéria http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/a-epidemia-de-ebola-ameaca-o-desenvolvimento-da-liberia/ http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/a-epidemia-de-ebola-ameaca-o-desenvolvimento-da-liberia/#comments Fri, 12 Sep 2014 15:24:06 +0000 Antonio Vigilante http://envolverde.com.br/?p=120983   Monróvia, Libéria, 12/9/2014 – A epidemia de ebola continua fazendo estragos nas vidas e nos meios de subsistência da população da África ocidental, enquanto a atenção se foca não só nos aspectos sanitários da crise, mas também em suas consequências sociais e econômicas. Naturalmente, os aspectos humanos e médicos da crise continuam em primeiro […]

The post A epidemia de ebola ameaça o desenvolvimento da Libéria appeared first on IPS em português.

]]>
ebolaliberia A epidemia de ebola ameaça o desenvolvimento da Libéria

Trabalhadores da saúde transportam uma vítima do ebola, no dia 13 de maio. Foto: ©EC/ECHO/Jean-Louis Mosser

 

Monróvia, Libéria, 12/9/2014 – A epidemia de ebola continua fazendo estragos nas vidas e nos meios de subsistência da população da África ocidental, enquanto a atenção se foca não só nos aspectos sanitários da crise, mas também em suas consequências sociais e econômicas.

Naturalmente, os aspectos humanos e médicos da crise continuam em primeiro lugar. A perda de um cônjuge, um filho ou outro parente próximo é devastadora. O setor da saúde está sob uma enorme pressão para lidar com os doentes, e inclusive proteger seus próprios trabalhadores do contágio.

Também há consequências sanitárias para os que não são afetados pelo ebola, já que o acesso ao atendimento médico diminui devido ao fechamento de hospitais e clínicas e à perda de pessoal médico e de enfermagem, e pelo aumento do preço da consulta pelos profissionais da rede privada de saúde.

A cobertura de vacinação, por exemplo, já havia diminuído 50% em julho. As mulheres grávidas lutam para obter um atendimento especializado em maternidade, e em alguns casos são rejeitadas pelas poucas instituições que ainda funcionam.

O fechamento dos centros de saúde interrompeu o tratamento das pessoas com HIV que recebem medicamentos antirretrovirais e daquelas com doenças crônicas. O sistema de saúde pública praticamente entrou em colapso em algumas áreas das regiões mais afetadas pelo ebola.

Antes da atual crise, a economia da Libéria experimentou um crescimento impressionante, de até 8,7% em 2013. Para este ano se projetava uma queda do crescimento do produto interno bruto (PIB) para 5,9%, já que a produção mineira se estabilizou temporariamente, junto com a queda dos preços internacionais da borracha e do minério de ferro. O PIB cresceria 6,8% em 2015 e 7,2% em 2016, segundo essa projeção. Mas agora que a atividade econômica se contraiu na maioria dos setores, será preciso rever esses prognósticos de crescimento.

Também há uma questão de fundo que nos preocupa: o impressionante crescimento recente da Libéria não foi equitativo nem inclusivo. Cerca de 57% dos aproximadamente quatro milhões de habitantes do país vivem abaixo da linha da pobreza e 48% vivem em situação de pobreza extrema.

A falta de desenvolvimento equitativo e inclusivo significa que mais da metade dos habitantes, especialmente, mulheres, meninas e meninos, é particularmente vulnerável aos choques das crises. Definitivamente, isso faz com que todo o país seja menos sólido e tenha uma capacidade menor para manejar crises de qualquer magnitude.

Parte do desafio arraigado na recuperação dos meios de vida é de natureza psicológica. Afinal, o medo e o isolamento podem acabar com mais vidas do que o próprio vírus ebola, se as empresas não trabalharem, os meios de subsistência desaparecerem e os serviços públicos não funcionarem.

A redução da renda fiscal é acompanhada da redução da capacidade de resposta estatal à crise. A previsão é de que a renda caia na medida em que o ebola continuar ceifando a vida dos liberianos e o governo mantiver as restrições às viagens como parte do estado de emergência.

É provável que essa situação em breve repercuta no pagamento do salário dos funcionários públicos, o que poderia paralisar ainda mais o país. A confiança no governo também está em jogo, na medida em que se torna cada vez mais incapaz de dar proteção aos seus cidadãos e de prestar os serviços que estes necessitam com urgência.

Simultaneamente, os preços dos alimentos cultivados no país e dos importados sobem porque o estado de emergência, os bloqueios militares nas estradas e as restrições de viagens freiam o comércio. O círculo vicioso da queda da demanda dos consumidores e a redução nos níveis de renda amplificam essa tendência.

Com esse cenário, é fundamental pôr em marcha mecanismos adequados de proteção social, pois a queda da renda disponível faz com que as famílias não possam pagar os serviços de alimentação e saúde. Isso contribuiria não só para a melhoria da estabilidade e da segurança sociais como também tornaria mais sólida e resistente a sociedade da Libéria em seu conjunto.

De fato, uma grande parte da população precisa da assistência pública. Os últimos dados indicam que cerca de 78% da força de trabalho está em uma situação de emprego vulnerável. Em contraste, os empregados com remuneração formal, cerca de 195 mil pessoas, representam apenas cerca de 5% do total de habitantes.

Aproximadamente 13% das famílias não têm acesso a uma alimentação suficiente e 28% são vulneráveis à insegurança alimentar. Se os segmentos mais pobres da população conseguissem acesso a algum tipo de mecanismo de proteção social, isso lhes permitiria resistir melhor à crise atual e às futuras.

Nas áreas mais remotas do país, longe do burburinho da capital, como Monróvia, também é necessário fortalecer a capacidade das autoridades locais para lidar com a crise, melhorando, por exemplo, os mecanismos de monitoramento e fornecimento de equipamentos de proteção aos que estão em contato direto com os pacientes de ebola e os cadáveres.

A crise de ebola em julho e seu agravamento gradual até se converter em emergência nacional na Libéria desviaram a atenção e os recursos à disposição das autoridades para a contenção do vírus. Nessa fase da crise, é preciso agir em todas as frentes para lidar com os devastadores desafios sanitários, sociais e econômicos antes que a Libéria e outros países afetados vejam desaparecer paulatinamente as conquistas alcançadas com esforço no âmbito do desenvolvimento. Envolverde/IPS

* Antonio Vigilante é representante especial-adjunto do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), coordenador residente da ONU e representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento na Libéria.

The post A epidemia de ebola ameaça o desenvolvimento da Libéria appeared first on IPS em português.

]]>
http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/09/ultimas-noticias/a-epidemia-de-ebola-ameaca-o-desenvolvimento-da-liberia/feed/ 0